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Juristas de esquerda rebatem Luciana Genro: está errada sobre a Lava Jato

Por Miguel do Rosário

25 de abril de 2017 : 18h18

(Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Miséria punitiva: por que Luciana Genro está errada sobre a Lava Jato

Por Thiago Araujo e Lucas Sada
Segunda-feira, 24 de abril de 2017

O presente artigo visa oferecer uma resposta às formulações pretensamente críticas de Luciana Genro, militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pós-graduada em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Relutamos em criticar um artigo que, marcado por flagrante incompetência teórica, deveria ser relegado ao ostracismo, mas tratando-se de uma representante de uma agremiação política fundada pelos saudosos Leandro Konder (1936-2014) e Carlos Nelson Coutinho (1943-2012), nos parece imprescindível resgatar os fundamentos que outrora constituíram o núcleo-duro de um projeto verdadeiramente revolucionário.

Genro brinda o leitor com uma análise sobre a atual conjuntura política, circunscrita aos eventos decorrentes da “Operação Lava Jato”, que, segundo a própria autora, teve o condão de desmascarar “o conluio entre a casta política parasita e as grandes corporações capitalistas”. Ou seja, a aclamada Operação teria revelado o “segredo de polichinelo” de que o Estado Moderno se configura como “um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa”[1]. Portanto, não deve causar espanto o fato de que a autora desconecta, de modo idealista, a democracia da infraestrutura produtiva que a erige: Genro denuncia a “política como um negócio” num mundo em que a forma-mercadoria dita os rumos da política.

Luciana Genro ataca “a esquerda que não é do PT” (todo o restante da esquerda) por não defender uma Operação que, aparentemente, expressa o resgate da ética na política institucional. Se um segmento da esquerda renegou o seu projeto revolucionário (?) a credibilidade nacional deveria ser resgatada pelo Poder Judiciário, que, como sabemos, é isento de quaisquer implicações político-ideológicas e se mantém neutro nos processos de resolução de conflitos macrossociais.

Se a autora compreendesse minimamente os efeitos deletérios causados pela referida Operação ao projeto de consolidação do Estado de Direito e, mais especificamente, às lutas da classe trabalhadora pela afirmação de suas garantias individuais, repensaria o termo utilizado para qualificar a pretensa neutralidade operacional. O “Capriles brasileiro” não foi capaz, ao contrário do original, de aceitar o resultado expresso nas urnas, costeando o Golpe de Estado que continuamente impõe retrocessos à classe trabalhadora. Quanto aos outros nomes citados, esses nem merecem resposta, passam muito bem, atacados, pero no mucho.

Ao abordar as relações existentes entre a “lava jato” e a “imprensa” (notadamente as Organizações Globo), a articulista parece crer que está tratando de agências estanques e incomunicáveis. Ora, Genro ignora o fato incontestável de que a “Grande Mídia” é parte integrante da Operação[2], posto que, conforme a teoria criminológica que julga dominar, a imprensa hegemônica se constitui como agência de comunicação social do Sistema Penal[3]. Ademais, não se pode ignorar que os processos de criminalização primária e secundária são diretamente condicionados pela mídia. Em um primeiro sentido, quando os grupos midiáticos atuam como empresários morais, criando a demanda pela criminalização de uma conduta ou pela perseguição efetiva de um determinado grupo ou indivíduo, valendo-se de seu poder de difusão para impor sua agenda à esfera pública. Em outro sentido, ocultando ou poupando suas próprias práticas ilícitas ou daqueles que, no momento, melhor sirvam aos seus interesses. Basta que se observe a duração, a ênfase e a espetacularização que caracterizam as denúncias de corrupção contra o ex-presidente Lula e compará-las com o tratamento dado aos membros do PSDB.

Neste sentido, o eventual leitor deve atentar para o fato de que a autora utiliza o termo “seletividade” de modo ambíguo, desconhecendo ou empregando erroneamente um conceito para construir uma Crítica crítica aos procedimentos por ela defendidos. A seletividade é intrínseca ao Sistema de Justiça Criminal, bastando analisar os dados concernentes à população carcerária. Deste modo, o mesmo não poderia deixar de ocorrer com uma Operação que, desde o início, não faz outra coisa que não maximizar o Direito Penal e Processual Penal, aplicando o método inquisitorial de modo evidente, castrando os direitos e garantias do acusado e asfixiando pretensões minimalistas. A seletividade (talvez “parcialidade” fosse mais adequado) atinente às críticas aos que estão implicados em todo este mastodôntico processo não deve ser desconsiderada, mas também não pode ser utilizada de modo oportunista. Nossa paladina da moral visa atacar o moralismo pretérito com um moralismo renovado. Apresentando-se claramente como alternativa a um capitalismo antiético, saúda inconstitucionalidades em defesa da Constituição. Se o “sistema” é a doença, o Direito (que parece ser exógeno) é a cura.

O direito não pode ser compreendido criticamente se for descolado das relações de produção que fundamentam a sociedade capitalista. Se a autora atentasse para as formulações de seu próprio orientador[4] e de outros estudiosos[5] do tema, perceberia a apatia pseudo-teórica que caracteriza sua análise conjuntural. Com o objetivo de formular uma Crítica crítica, Luciana Genro ignora os escritos de Engels[6] e Pashukanis[7], pensa representar a renovação do socialismo, mas oferece uma reciclagem do velho (e irrelevante) Anton Menger: provê um modelo ruinoso para emendar a “ruína do modelo”.

Ao compreender o direito penal enquanto forma-jurídica derivada da forma-mercadoria, percebemos que a maximização de seu raio de alcance sob o pretexto ideológico de democratização da punição, solapa ainda mais as poucas garantias democráticas conquistadas pelas lutas políticas. Se o direito penal é parte do aparato estatal que assegura a reprodução das relações de produção e forças produtivas, defender a sua ampliação é defender a extensão da barbárie. Os clientes preferenciais serão sempre os mesmos, não importando a espetacularização midiática acerca dos escândalos políticos ou as pílulas homeopáticas de sabedoria fornecidas por Genro.

Identificamos concretamente, em texto anterior, as nefastas consequências que a onda de criminalização iniciada pela Ação Penal 470 (“Mensalão”) [8] e aprofundada pela “Operação Lava Jato”, produziu para os miseráveis normalmente vitimados pelo Sistema Penal. Seja através da deturpação teórica de institutos jurídicos, realizada pelos Tribunais Superiores, seja através do incontrolável populismo penal do Poder Legislativo, que tem na pessoa do Juiz Sérgio Moro e em setores do Ministério Público Federal, verdadeiros lobistas da repressão[9], a relação dos explorados com a Justiça Criminal só tende a piorar. Dito de modo simples, “é impossível restringir direitos de um grupo socialmente privilegiado sem que isso repercuta negativamente sobre os mais vulneráveis ampliando ainda mais os instrumentos que produzem o superencarcaremento da população negra e pobre[10]”.

Se a criminologia crítica possui “várias vertentes”, a autora parece desconhecê-las por completo, alinhando-se, de modo estritamente adjetivo, à Criminologia Radical, citando Juarez Cirino do Santos. A criminologia de Cirino é radical justamente por “tomar a coisa pela raiz[10]”, direcionando as armas da crítica contra a forma-jurídica, desmistificando o direito e combatendo abertamente a ideologia punitivista. Cirino é claramente o mais brilhante criminólogo brasileiro e, ao contrário da superficialidade de Genro, é abertamente abolicionista. O trecho citado no texto é de “Criminologia Radical”, obra fundante da criminologia marxista brasileira e tese de doutoramento do autor (escrita entre 1979 e 1981). Por honestidade intelectual, Cirino acredita que a tese não deveria ser reformulada, vez que expressa o momento em que fora escrita. A criminologia marxista se adensou, desistindo da antiga formulação pinçada por Genro. Um simples contato com o autor que, diga-se, se avulta frequentemente como um dos maiores críticos da famigerada Operação, bastaria para sanar quaisquer dúvidas. Resta saber se Genro está enganada ou se está enganando.

Thiago Araujo é Professor de Direito Penal e Criminologia (UFRJ)

Lucas Sada é Advogado do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH)

[1] MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 42.

[2] Do ponto de vista operacional, quem destaca o papel central da imprensa em operações como a Lava Jato não somos nós, mas seu próprio chefe maior, o Juiz Federal, Sérgio Fernando Moro. Em artigo publicado no ano de 2004, Moro analisa de forma elogiosa a famosa Operação italiana conhecida “Mani Pulite” e indica a possibilidade de algo similar acontecer no Brasil – estava, portanto, profetizada pelo magistrado paranaense a Operação “Lava Jato”. No texto o autor identifica um “círculo virtuoso”, responsável pela “magnitude dos resultados obtidos”, que seria composto por prisões preventivas, confissões/delações e divulgação do conteúdo das investigações por meio da imprensa. Em outras palavras, no tripé que sustenta operações como a “Lava Jato”, a agência de comunicação social é, segundo seu “coordenador”, pilar central. Cf.: < http://s.conjur.com.br/dl/artigo-moro-mani-pulite.pdf > Acesso em: 23 de abril de 2017. Essa divulgação, mesmo que operada através de vazamentos ilegais, teria como efeitos desejados e legítimos: a) adesão da opinião pública ao modus operandi da Operação blindando o trabalho dos magistrados contra obstruções indevidas e b) o exercício de coação sobre os inestimados que estariam permanentemente “na defensiva” facilitando a ocorrência de delações e confissões.

[3] BATISTA, Nilo; ZAFFARONI, Eugenio Raúl; et alii. Direito Penal Brasileiro – I. Rio de Janeiro: Revan, 2003, p. 45.

[4] Em especial: MASCARO, Alysson. Estado e forma política. São Paulo: Boitempo, 2013.

[5] KASHIURA JR., Celso Naoto. Sujeito de direito e capitalismo. São Paulo: Outras Expressões: Dobra Universitário, 2014; KASHIURA Jr., Celso Naoto; AKAMINE JR., Oswaldo; MELO, Tarso. Para a crítica do direito: reflexões sobre teorias e práticas jurídicas. São Paulo: Outras Expressões: Dobra Universitário2015; LIMA, Martônio; BELLO, Enzo (org.). Direito e marxismo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. NAVES, Márcio Bilharinho. A questão do direito em Marx. São Paulo: Outras Expressões: Dobra Universitário, 2014

[6] ENGELS, Friedrich; KAUTSKY, Karl. O socialismo jurídico. São Paulo: Boitempo, 2012.

[7] PASHUKANIS, E. B. The general theory of law and marxism. New Brunswick: Transaction Publishers, 2009.
[8] Para uma análise magistral do referido processo: BATISTA, Nilo. Crítica do Mensalão. Rio de Janeiro: Revan, 2015.

[9] Basta observer as pavorosas “10 Medidas Contra à Corrupção” apresentadas pelo Ministério Público Federal que tinham o Juiz Sérgio Moro como garoto-propaganda. Temporiamente derrotado na Câmara Federal, o pacote lesgislativo foi rechaçado por toda comunidade jurídica democrática, pois se aprovado causaria um dano incalculável em termos de superencarceramento. Por todos, destacamos a bilhante atuação da Defensoria Pública do Estado do de Janeiro e do Instituto Brasileiro de Cièncias Criminais (IBCCRIM) na luta contra esse delírio acustório cujas críticas podem ser encontradas respectivamente em Acesso em: 23 de abril de 2017.

[1o] MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2010, p. 151.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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41 comentários

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Carlos I Paetzel

28 de abril de 2017 às 16h14

Esquerdinha burguesa chantilly nada mais que isto.

Responder

Pedro Ribeiro

27 de abril de 2017 às 23h13

A Luciana Genro é apenas mais uma oportunista do GOLPE.
Qual a diferença entre ela a Janaína e Hélio Bicudo?

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David Rogge

27 de abril de 2017 às 11h47

o pissol dá apoio aos sionistas e agora está pior

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Raimundo Carvalho

27 de abril de 2017 às 03h57

Que perda de tempo alguém gastar saliva e tempo que esta inútil e desprezível Senhora qualquer coisa ,qualquer nota fulana de tal Genro

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Carlos Saraiva E Saraiva

26 de abril de 2017 às 16h10

A Sra. Genro, lamentávelmente, mostra apenas seu voluntarismo oportunista, anti petista, com uma pobreza argumentativa patética. Infelizmente, não representa a pureza ideológica de Konder e Coutinho. Esperamos contar sempre com o PSOL, para construção de uma frente ampla de esquerda, à despeito da Sra. Genro.

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Luiz Carlos P. Oliveira

26 de abril de 2017 às 11h49

Luciana Genro é de esquerda e ataca a esquerda, como se o PSOL fosse a salvação do Brasil. O problema maior da Luciana é seu radicalismo exacerbado, que nunca a levará a lugar algum.

Responder

Antonio braga

26 de abril de 2017 às 09h32

Faz parte da esquerda festiva que tanto agrada a direita opressora!!!! Completamente enganada….

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Wanderson Fortuna

26 de abril de 2017 às 10h55

Sitezinho de merda que só veicula ladroagem dos bandidos PT/ PMDB , que só sabem roubar o país.

Responder

    João Henrique

    26 de abril de 2017 às 13h45

    Wanderson. Pelo tipo de comentário imagino que tenha desistido de ler o excelente artigo de Thiago Araújo e Lucas Sada. Talvez pela riqueza de vocabulário e propriedade nos argumentos, não é?
    Melhor lançar um comentário agressivo qualquer, não é mesmo?

    Responder

    Cris Albuquerque

    26 de abril de 2017 às 19h50

    Então vai lá nos revoltados online, mbl…..lá você vai ler o que quer ler…..aqui é pra quem pensa e existe.

    Responder

    Wanderson Fortuna

    26 de abril de 2017 às 21h21

    Mbl é financiado por partidos políticos também. Revoltados não. Vou completar o final do teu comentário ; “” aqui é pra quem pensa MERDA, e pra quem existe PARA SAQUEAR O PAÍS””.

    Responder

Andre rs t

26 de abril de 2017 às 04h42

A coxinhada, tonta que é, não sabe que a eliminação de Lula do cenário politico apenas aprofundará a retirada de direitos deles coxinhas
Burros que são, não sabem que o golpe de Estado foi pra ferrar patos sem noção

Responder

Andre rs t

26 de abril de 2017 às 04h30

http://jornalggn.com.br/blog/joao-feres-junior/luciana-genro-e-os-moralistas-que-se-pensam-de-esquerda-por-joao-feres-junior

por João Feres Júnior

No último dia 19 um amigo repostou na linha do tempo de seu Facebook um post de Luciana Genro contendo a seguinte reação à notícia da prisão de Eduardo Cunha (PMDB) pela Polícia Federal: “Cunha na cadeia, vitória contra a corrupção! Viva a Lava Jato!”. Preciso confessar que não guardo grande expectativas em relação a essa liderança gaúcha do PSOL. A maneira como ela se comportou nos debate eleitorais, mais preocupada em acusar Dilma de corrupção do que em criticar as propostas e não propostas de Aécio, para mim indicava equívocos políticos que iam além do mero oportunismo de ocasião.

?
O moralismo exagerado é um dos principais vícios do PSOL e de outros partidos e grupos à sua esquerda. Seu tom aristocrático e efeito despolitizante é deletério para a democracia e para as causas populares. Sim, aristocrático porque o moralista se sente superior às pessoas e à sociedade que o circundam. E despolitizante porque ele se sobrepõe às reais escolhas políticas que determinam, por exemplo, se o governo vai aumentar o orçamento do Bolsa Família ou dar perdão de impostos às grandes empresas de comunicação. Ser de esquerda é optar por políticas de redistribuição, é ser a favor das causas populares. Ser de direita é o contrário disso. Quando escolhemos a questão da corrupção como prioridade, como fez Luciana em momentos cruciais do debate, deixamos de ser de esquerda e nos reduzimos a meros moralistas – aproximando-nos bastante do moralismo de direita.

Responder

Andre rs t

26 de abril de 2017 às 04h25

http://jornalggn.com.br/blog/joao-feres-junior/luciana-genro-e-os-moralistas-que-se-pensam-de-esquerda-por-joao-feres-junior

por João Feres Júnior

No último dia 19 um amigo repostou na linha do tempo de seu Facebook um post de Luciana Genro contendo a seguinte reação à notícia da prisão de Eduardo Cunha (PMDB) pela Polícia Federal: “Cunha na cadeia, vitória contra a corrupção! Viva a Lava Jato!”. Preciso confessar que não guardo grande expectativas em relação a essa liderança gaúcha do PSOL. A maneira como ela se comportou nos debate eleitorais, mais preocupada em acusar Dilma de corrupção do que em criticar as propostas e não propostas de Aécio, para mim indicava equívocos políticos que iam além do mero oportunismo de ocasião.

?
O moralismo exagerado é um dos principais vícios do PSOL e de outros partidos e grupos à sua esquerda. Seu tom aristocrático e efeito despolitizante é deletério para a democracia e para as causas populares. Sim, aristocrático porque o moralista se sente superior às pessoas e à sociedade que o circundam. E despolitizante porque ele se sobrepõe às reais escolhas políticas que determinam, por exemplo, se o governo vai aumentar o orçamento do Bolsa Família ou dar perdão de impostos às grandes empresas de comunicação. Ser de esquerda é optar por políticas de redistribuição, é ser a favor das causas populares. Ser de direita é o contrário disso. Quando escolhemos a questão da corrupção como prioridade, como fez Luciana em momentos cruciais do debate, deixamos de ser de esquerda e nos reduzimos a meros moralistas – aproximando-nos bastante do moralismo de direita.

Esse elogio rasgado à Lava Jato é um exemplo muito didático. Vejamos. Vamos esquecer por enquanto que a Lava Jato é uma operação de perseguição seletiva a políticos do PT e a pessoas e empresas do seu entorno. Vamos esquecer que essa perseguição é feita por meio da deturpação e violação de práticas institucionais fundamentais à democracia e ao Estado de Direito: são prisões preventivas e temporárias sem justificação, delações premiadas arrancadas por constrangimento, escutas ilegais, ilegalmente publicizadas, conduções coercitivas sem justificação convincente, silenciamento de instâncias superiores judiciais, etc. Quero me concentrar no efeito ideológico do que foi dito pela filha de Tarso Genro, mormente no que está subentendido na mensagem do post: tudo pela luta contra a corrupção.

Pois bem. A glorificação da luta contra a corrupção tem um efeito ideológico (ou cognitivo) de fazer seu aderente pensar que o grande problema do governo é de gestão, ou seja, de uma gestão que desvia recursos ilegalmente: corrupta. As pessoas que pensam assim chegam rapidamente à conclusão de que, uma vez debelada a tal corrupção, os serviços públicos, como saúde e educação, entre tantos outros, vão funcionar maravilhosamente bem. Ora, o grande problema de um governo, dada a inevitável desigualdade produzida pelo funcionamento normal do capitalismo, é mitigar essa desigualdade, e isso só se faz tirando dos que ganham mais e dando para os que não ganham tanto. Não há segredo ou magia, os impostos têm que subir para os ricos e baixar para os pobres, e a arrecadação ser usada para melhorar os serviços para todos, dando preferência aos pobres. É isso que resolve o “problema” do governo.

O sonho dourado da classe média brasileira é ter serviços nórdicos pagando impostos de estado mínimo. Daí ser a ideologia do combate à corrupção uma ficção que lhes é oportuna. Quando os mapas de votação mostram que os eleitores do PSOL moram nos mesmos bairros campeões dos panelaços de recente e deplorável memória, seus militantes ficam perplexos, incapazes de compreender como o povo se nega a reconhecer suas nobres convicções. Mas o povo do alto de sua imensa sabedoria há muito já sacou que de boas intenções está cheio o inferno.

Responder

    ari

    28 de abril de 2017 às 18h19

    A ética sempre foi a virtude do coração da classe média tradicional, o que foi muito bem explorado, no passado, pela UDN e pelo Jânio (lembram-se das vassourinhas?). A postura do PSOL leva-o ao isolamento, justamente no momento em que seria imprescindível as união das forças progressistas do país, como já aconteceu no passado

    Responder

Cléber Policarpo

26 de abril de 2017 às 05h07

Primeiro nas eleições internas do PT, os caras estavam quase saindo no tapa, trocando acusações de fraudes.
Paulo Henrique Amorim já deixou o barco (fazendo água há muito tempo).
Leonardo Boff tirou o dele da reta.
Agora Luciana Genro. Debandada geral, ratazanas em fuga!!!!

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Marco Marangoni

25 de abril de 2017 às 22h55

A análise crítica dos juristas é muito boa e vai na direção correta da bom debate. Eleva o nível do que vimos até agora nas críticas à matéria da Luciana.

Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que aconteceu conosco (ou permitimos) o que sempre criticamos nos governos passados?

Quem tem pago com sangue, suor, e até com a própria vida, os bilhões que as empreiteiras têm usado para subornar políticos e funcionários públicos (nas diversas esferas), e para custear campanhas políticas milionárias, desde a construção de Brasília até hoje, somos nós mesmos, o povo brasileiro.

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Casemiro Silva

26 de abril de 2017 às 01h39

“Viva a Lava-Jato” .Luciana Genro (mais uma golpista do Psol)

Responder

Aroldo Andrade

26 de abril de 2017 às 01h20

Mário Angelo Barreto

Responder

Denise Mueller

26 de abril de 2017 às 00h13

Nem dou ibope para esta “zinha”…

Responder

Irion

25 de abril de 2017 às 20h38

Luciana Genro já era! Perde oportunidades de ficar quieta… O meu voto ela não leva mais! Lulalá de novo!

Responder

Vitor

25 de abril de 2017 às 20h30

Difícil é saber quando Lulu está certa…

Responder

darcy cruz

25 de abril de 2017 às 20h28

Ora, a Luciana Genro…

Responder

Cezar Boaventura

25 de abril de 2017 às 23h24

o CAFEZINHO,

Responder

Jair Gouvea

25 de abril de 2017 às 23h07

#Lula2018

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marco

25 de abril de 2017 às 19h56

Pois eu acho que o mais surpreendente,é a preocupação dos autores da matéria,mesmo sob o pretexto da aludida senhora fazer parte,de uma agremiação partidária fundada pelos dois nomes citados,e dar-se curso ao que diz A SRA.LUCIANA GENRO.Pois eu acho que ela,sofre da SÍNDROME DO MAU HÁLITO, síndrome incurável,e por isso só,reage sempre dessa maneira.

Responder

Antonio Passos

25 de abril de 2017 às 19h49

Luciana Genro apenas demonstrou como é possível travestir politicagem rasteira, com roupagem teórica, de etiqueta falsa é claro.

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Joel Araujo

25 de abril de 2017 às 22h39

A Marina dos pampas sempre foi imbecil!

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José Das Couves

25 de abril de 2017 às 22h21

Bem intencionados juristas. Mas gastar tinta com a Luciana Lava-Jato…

Responder

VictorAdv Batista Jadiel

25 de abril de 2017 às 22h17

Responder

Jose Oliveira Junior Oliveira

25 de abril de 2017 às 22h11

Responder

Luiz Pereira

25 de abril de 2017 às 18h57

Muito bom. Já passou da hora do PSOL parar de dar tiro no pé e entender que o que está em jogo é a criminalização generalizada da esquerda diante da opinião pública. E no meio desse discurso moralista que domina o debate público sobre quem é ou não corrupto, as reformas de retração do papel do Estado e precarização dos direitos trabalhistas avançam de vento e polpa.

Responder

Luís de Miranda

25 de abril de 2017 às 21h56

Mas me digam companheiros.
Desde quando Luciana Genro esteve certa sobre algo que não fosse óbvio?

Responder

    ramon

    26 de abril de 2017 às 17h24

    Então ela está totalmente correta a respeito do diz dos PTRALHAS e dessa esquerda caviar e canalha!!

    Responder

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