Boulos no programa de Maurício Meirelles

Doria com cara de mau no sofrível O Aprendiz

6 motivos para derrotar João Doria em São Paulo

Por Pedro Breier

26 de outubro de 2018 : 11h32

A eleição para o governo de São Paulo está em aberto.

A mais recente pesquisa do Ibope, divulgada na última terça-feira (23), apurou que Doria tem 53% das intenções de voto e Márcio França tem 47%. Considerando que a margem de erro é de 3%, temos um empate técnico.

Diante da real possibilidade de São Paulo finalmente ver-se livre do domínio tucano no estado – já dura 24 anos! -, é oportuno apresentarmos uma singela lista de motivos para votar em Márcio França no próximo domingo. Vamos lá:

1 – França, embora não seja exatamente um defensor incansável da classe trabalhadora, tem uma visão social muito mais apurada do que Doria.

2 – Doria prometeu incontáveis vezes que iria cumprir todo o seu mandato na prefeitura da capital. Inclusive em carta assinada de próprio punho. Não cumpriu a promessa.

3 – Quase todo político acaba demonstrando – em maior ou menor grau e também por motivos diferentes – vontade de galgar espaços de poder cada vez maiores na vida pública. O desejo por poder de Doria, contudo, é gritantemente maior que a média. Surfando na onda da sua eleição em 1º turno para a prefeitura, Doria achou que poderia concorrer diretamente à presidência da República nessas eleições. Ele simplesmente saiu viajando pelo Brasil para construir sua candidatura, ao invés de concentrar-se em fazer um bom trabalho como prefeito da maior cidade do país. Como sua candidatura não decolou – diferentemente do seu jatinho particular -, Doria contentou-se com o prêmio menor, o governo do estado.

4 – A campanha de Doria é uma tragédia. Ele bate loucamente na tecla de que França é apoiador do PT, sendo que França foi vice-governador de Geraldo Alckmin, do PSDB, mesmo partido de Doria. O tucano chegou ao ridículo de perguntar a França, em um debate, o nome de seu partido, para poder acusá-lo de ser socialista (França é do Partido Socialista Brasileiro). Um macartismo tosco, surreal. O nível da campanha em geral está baixo, mas Doria consegue afundá-lo ainda mais.

5 – As atrocidades cometidas por Doria no curto período em que esteve à frente da prefeitura da capital. Alguns exemplos:

– O aumento do limite de velocidade nas marginais, grande promessa e peça de marketing da campanha de Doria para a prefeitura (“Acelera, SP”), provocou um aumento no número de mortes no trânsito. Não adiantou nada 10 a cada 10 especialistas advertirem que isso ocorreria; Doria preferiu sacrificar vidas para ganhar a eleição.

– Corte de mais de 50% no programa de distribuição de leite para crianças.

– Retirada de R$ 30 milhões que seriam gastos em obras contra enchentes em terminais de ônibus para contratar “serviços de consultoria”.

– Suspensão de programa voltado para deficientes auditivos criado no governo Haddad.

– Proposta de acabar com a rede pública de farmácias e transferir a distribuição de medicamentos do SUS para a rede privada.

– A guerra contra os grafiteiros e pichadores promovida no início do seu governo.

– A bizarra tentativa de acabar com a Cracolândia usando métodos medievais no tratamento de viciados em drogas. Não deu certo, obviamente.

6 – Doria apresentou o programa O Aprendiz. É sofrido, mas vale a pena assistir alguns episódios (encare como um estudo antropológico). Ali estão presentes todos os elementos da mentalidade “corporativa”: uso de palavras vazias como se significassem algo profundo, tais como ‘inovação’, ‘criatividade’, ’empreendedorismo’, etc.; um chefe autoritário e que tem um certo prazer mórbido em humilhar os subordinados (Doria, no caso); modelo de felicidade e sucesso definido por coisas fúteis como passar um fim de semana em um resort. Um cara que apresenta um programa ruim desses não merece governar o maior estado do país.

Sei como é difícil desviar o foco da eleição nacional, mas vale a pena gastar saliva e dedos (falando e digitando, não pense besteira) para conquistar uns votos para Márcio França.

Seria espetacular acabar, de uma só vez, com o domínio do PSDB em São Paulo e com os delírios de poder de João Doria.

Quem sabe a gente possa dizer, no próximo domingo, um belo “João, você está demitido”.

P.S.: O Datafolha de ontem apurou um resultado ainda mais apertado: 52% para Doria e 48% para França. 

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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3 comentários

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Christiane C Santos

26 de outubro de 2018 às 20h57

Vc acredita que comentei na página do Instagram dele: pessoal que acha que a Cracolândia acabou dá uma voltinha na estação Marechal Deodoro entre outras.
E me bloquearam, por causa desse comentário?
Se depender de mim, não ganha a eleição, tomara que não ganhe.

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Paulo

26 de outubro de 2018 às 11h45

Torço pelo França. Mas espero que ele não promova um aparelhamento do Estado nos moldes petistas. É uma chance e tanto pra esquerda, no maior Estado do Brasil. Vamos ver no que vai dar! Terão que provar que são diferentes, lembrando que o tucanato – apesar dos escândalos de corrupção aqui e ali, deixou as finanças do Estado em boas condições, ao contrário de outros grandes Estados, em situação calamitosa, como MG, RJ e RS. Porém, meu voto é nulo.

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    Trimegisto do Tridente

    26 de outubro de 2018 às 18h49

    Independente de sua nulidade, Paulo, este Dória vai perder. Mas…neste comentário, você acaba de dar um atestado de doido varrido mais uma vez. Outra perícia nos vídeos acabam de confirmar que não foram adulterados. E pior… isso terá um imenso impacto na redução dos votos do Bolsonaro…

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