O depoimento de Lula à juíza Gabriela Hardt

Foto: Alessandro Dantas

Cappelli: Frente Democrática não pode ter “partidismos imbecis”

Por Miguel do Rosário

01 de novembro de 2018 : 13h59

“A construção de uma Frente Democrática, sem partidismos imbecis, já deixou de ser uma necessidade política. Trata-se de uma estratégia defensiva de sobrevivência.”

CERCO E ANIQUILAMENTO: A LÓGICA É OUTRA

Por Ricardo Cappelli

Quem raciocinar sobre o governo Bolsonaro com a lógica anterior estará fadado a não entender o que está acontecendo.

Estamos diante de uma ruptura brutal com o sistema. Lula manteve, seja no presidencialismo de coalizão, seja na lógica de manutenção do tripé da política macroeconômica, os mesmos paradigmas do governo FHC. O conteúdo político ideológico do governo, as prioridades, obviamente foram outras, mas sem ruptura com o sistema.

Bolsonaro está comandando uma ruptura guiado pela lógica militar. Na política, quando se ganha, a recomendação é distensionar, acalmar os ânimos. Na guerra a marcha continua até o aniquilamento do inimigo ou sua rendição humilhante.

Muitos sinais indicam que a Lava Jato contou com apoio de fora. Além dos formais, como o acordo do MP brasileiro com os EUA, algumas digitais, como a invasão dos emails de Dilma, indicam que a CIA/NSA estão nos visitando e orientando parte da burocracia estatal faz tempo.

Não adianta ficar esperneando agora, dizendo que Moro se revelou, que sempre foi político e etc. É choro inútil de perdedor. O novo Czar terá sob sua batuta PF, CGU e a política de segurança pública. E o Tio Sam na retaguarda.

Vai marchar com toda força sobre os opositores que serão tachados de corruptos. Não se espantem se a maioria da população aplaudir.

Redução drástica da máquina pública, pauta comportamental conservadora e o abandono do tripé macroeconômico, com câmbio em torno de 4 reais, juros baixos e inflação controlada “sem a paranoia das metas”. Se confirmado, claro, o anunciado até aqui por Paulo Guedes.

Este coquetel de medidas altera paradigmas e pode ser devastador. Lembremos o que ele disse e como foi votado pelo povo: “se preparem vermelhos, império da lei, cadeia ou exílio”.

A construção de uma Frente Democrática, sem partidismos imbecis, já deixou de ser uma necessidade política. Trata-se de uma estratégia defensiva de sobrevivência.

O rolo compressor começará a rodar já já. Quem ainda se ilude com uma resistência formal ideológica e heroica no vão do Masp pode deixar o passaporte atualizado, ou ir se habituando à cadeia.

Escrevi algumas vezes que Bolsonaro poderia ganhar as eleições, inclusive no primeiro turno. Poucos levaram a sério. Fui chamado por alguns de profeta do apocalipse. Eles estão marchando. Até quando vamos continuar negando a realidade?

Unidade Ampla ou aniquilamento. É só escolher.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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Doda

05 de novembro de 2018 às 15h39

A coisa é simples, só será vista pelo pt como democrática se for “encabeçada” pelo próprio pt, o contrário disso não serve para os cumpanheiro….

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INGRID SCHNEIDER

03 de novembro de 2018 às 13h05

Como começar uma frente ampla sem partidarismos imbecis se esta frente, no campo parlamentar, exclui, de saída, o maior partido de oposição? Vocês que apoiaram o Ciro,, poderiam dar uma palavrinha com ele: para explicar o que é frente democrática, para perguntar se nessa frente assim tão ampla, há lugar para pedetistas que apoiaram abertamente Bolsonaro.

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Souza

02 de novembro de 2018 às 00h58

Pois é, na França conseguiram impedir a chegada dos Bolsonaro deles ao poder… aqui é mt estrela p pouca constelação.

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Marcos

02 de novembro de 2018 às 00h19

Aí vai o link profético https://www.ocafezinho.com/2018/08/07/ricardo-cappelli-e-o-domingo-sangrento-de-lula/

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Ataulfo Andrade

01 de novembro de 2018 às 20h55

Infelizmente, sempre a cegueira burguesa de que a política é o que se faz em salões e gabinetes.
Não existe frente ampla de parlamentares, políticos, artistas, intelectuais que derrote o golpe de estado.
O Lula não se filiou a um partido para ser político. Começou, isso sim, liderando um movimento de massas, e junto com outros líderes de massas e alguns intelectuais pequeno-burgueses, fundou o PT.
O PT surgiu como um partido de massas, não um partido de políticos burgueses, como é o caso do Ciro Gomes e do próprio Haddad. Aí está a diferença.
Lula não é o gigante que é porque entrou em um (ou sete) partido(s) e ficou articulando com parlamentares e intelectuais. Lula é o gigante que é porque tem um movimento de massas por trás dele (a CUT, os MST’s e o próprio PT, com 2 milhões de filiados).
NÃO EXISTE caminho para derrotar Bolsonaro, a Igreja Universal, Sérgios Moros e Deltans Dallagnóis, Rede Globo, Itaú, Bradesco, Fiesp, Forças Armadas, enfim, a DIREITA, que não passe pela mobilização popular de massas.
Ficar fazendo ativismo de celular pode ser auto-gratificante para a esquerda pequeno-burguesa brasileira, mas só derrotaremos nossos inimigos com a mobilização do povão. Os trabalhadores são inteligentes, eles entendem o que está se passando se alguém lhes explicar.

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Paulo

01 de novembro de 2018 às 20h24

Meu Deus, que paranoia!

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Guimarães Roberto

01 de novembro de 2018 às 20h15

Quem pode irá colocar em prática o conteúdo de uma frase antiga: “A melhor saída é o aeroporto do Galeão”.

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Marcos Videira

01 de novembro de 2018 às 17h41

MIGUEL: penso que Ricardo Cappelli escreveu a mais esclarecedora análise das causas da atual crise que envolve o PT e outros partidos. Analisar os fatos consumados é uma coisa. Prever os dois cenários possíveis, como ele fez, é outra coisa.
Ricardo publicou no dia 07 de Agosto o texto “Domingo Sangrento”. Se me permite, sugiro que o texto seja republicado pelo Cafezinho, pois ele descreve fatos que devem servir de parâmetros para a necessária Frente Ampla. Sem democracia verdadeira na Frente, haverá aniquilamento. A Verdade liberta !

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Eu Mesmo

01 de novembro de 2018 às 16h43

logo logo vcs vão conseguir mudar o significado de “democracia”….

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    Paulo

    01 de novembro de 2018 às 20h23

    Já mudaram há muito tempo. A “democracia” dos esquerdistas não é (nem jamais foi) a velha, boa e sã democracia burguesa, haurida da Revolução Francesa e aperfeiçoada ao longo de quase 250 anos. A democracia da esquerda é a da antiga República Democrática da Alemanha (que não se perca pelo nome!)

    Responder

Justiceiro

01 de novembro de 2018 às 15h34

Parem de deturpar as palavras do nosso presidente. Bolsonaro disse que vai mandar os vermelhos bandidos pra cadeia.

quem for vermelho e não for bandido fique tranquilo. Agora, em vez de desempoeirar o passaporte, limpem a carteira profissional, que a boquinha acabou.

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Sandro

01 de novembro de 2018 às 14h58

Disse tudo! Frente Ampla NOW!

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