Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

A mão da continência chega a tremer

O significado da continência de Bolsonaro ao assessor de Trump

Por Pedro Breier

04 de dezembro de 2018 : 11h29

A continência que Bolsonaro prestou ao receber em sua casa John Bolton, assessor de Donald Trump, na semana passada, rendeu tanto que o G1, site de notícias da Globo, soltou esta matéria ontem, com aquele estilo professoral de chamada: “entenda o que o gesto significa”. Se você quer entender de verdade, recomendo a leitura de outras opiniões, porque o que a Globo fez foi tentar passar pano para Bolsonaro e sua bizarra continência.

A bizarrice já começa com o fato de Bolsonaro receber um assessor de Trump, quando o protocolo diplomático é chefe de Estado se reunir apenas com outros chefes de Estado, justamente por uma questão de hierarquia e para não demonstrar subordinação.

Basta inverter a situação para perceber o absurdo: imaginem se Trump receberia um assessor de Bolsonaro – ou de qualquer presidente. É claro que não.

O ato de bater continência, então, demonstra uma completa submissão. O fato de o assessor ter ignorado a continência e cumprimentado normalmente Bolsonaro torna a situação ainda mais patética.

Segundo o Regulamento de Continências, Sinais de Respeito e Honras Militares, a continência só deve ser prestada para outros militares ou para autoridades, a bandeira ou o hino nacional. Não há nada sobre “assessor de presidente”…

O coronel entrevistado pelo G1 disse que é “perfeitamente cabível” cumprimentar um civil, desde que se tenha “muito apreço” pela pessoa. Ou Bolsonaro é um admirador do tal Bolton ou é apenas um lambe botas dos Estados Unidos.

Considerando que muito provavelmente Bolsonaro não encontrará nenhum outro assessor de presidente que não o dos EUA, muito menos baterá continência, podemos afirmar, sem medo de errar e apenas para confirmar todos os outros indícios, que teremos um presidente melancolicamente subserviente aos Estados Unidos.

E por que isso é ruim? O Fernando Brito, do Tijolaço, vai no ponto: “o alinhamento total ao governo americano implica em tomar partido na guerra comercial evidente em que este se lançou contra a China. E só alguém muito tolo acha que o gigante oriental não retaliará, ao menos com um discreto afastamento”. A China responde por algo próximo a 40% de todo o nosso comércio exterior.

Encerro o post com uma história contada por Lula, o presidente do período em que o Brasil mais foi respeitado internacionalmente, sobre uma reunião do G8 (matéria completa aqui):

Lula, que durante dois dias foi o anfitrião de quatro cúpulas presidenciais, contou uma lembrança ocorrida durante a reunião do Grupo dos Oito (G8, as sete nações mais ricas do mundo e a Rússia) em 2003, em Paris, para exemplificar quão ruim pode ser o servilismo político.

“Eu cheguei e todo o mundo estava sentado, cumprimentei, e quando o presidente (dos Estados Unidos, George W.) Bush entrou, todo o mundo se levantou e eu, junto com (o então secretário-geral da ONU) Kofi Annan, disse: não vamos nos levantar”.

“Não nos levantamos e Bush se dirigiu para nos cumprimentar sem nenhum problema, sem fazer nenhuma diferença”, acrescentou.

Que diferença, não?

“Acho que muitas vezes o comportamento super serviçal na política é o que faz com que as pessoas não sejam devidamente tratadas e devidamente respeitadas”, disse ainda o ex-presidente.

Quem não respeita a si próprio, jamais será respeitado pelos outros.

Ao menos podemos recorrer ao bom humor para lidar com as patacoadas de Bolsonaro e sua Trump, quer dizer, sua trupe. Divirta-se.

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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12 comentários

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claudio

05 de dezembro de 2018 às 22h47

Primeiro dá continência, depois a bunda e pede desculpas por estar de costas.

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Paulo

05 de dezembro de 2018 às 19h33

O significado pode até ser outro, mas que passa a ideia de deslumbramento e subalternidade, passa sim…

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Renato

05 de dezembro de 2018 às 13h31

Quando Lula, de quatro, baixou as calças para Evo Morales no caso da ocupação e expropriação da refinaria da Petrobras na Bolívia, não lembro de os petistas terem reclamado !

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Carlos Valentin

05 de dezembro de 2018 às 12h00

Como falou o Geisel, o chamou de “militar bunda suja”, agora é um ex-militar bunda suja que lambe saco dos americanos, um boçal totalmente sem escrúpulos.

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Lio

05 de dezembro de 2018 às 09h25

Vamos trazer o caso para o nosso lar doce lar de verdade, família tradicional. Você toma bênça dos seus pais? Ou do seu irmão? Seus pais você trata diferentes por obediência, medo, respeito etc., isso se chama hierarquia.

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Roque

05 de dezembro de 2018 às 07h54

Pedrinho menino mimado criado pela avó, kkkkk. John Balton é General,e o Jair Bolsonaro “Mito” é ainda um capitão. Portanto, em sinal de respeito a hierarquia militar, o gesto foi uma coisa normal. Tá difícil para vc aceitara surra do Mito no Andrade né, kkkkk. Aceita que dó menos… Vovó já preparou o seu todynho hoje???

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    Laura Pukert

    05 de dezembro de 2018 às 09h14

    Amiguinho, John Bolton serviu de 1970 e 1976. Ele nao chegou nem a primeiro tenente.
    Infelizmente o mundo real nao é mitologia… e quem recebe assessor de presidente estrangeiro em casa, e pior, batendo continência, só está demonstrando o quao lacaio é.

    O Lula, quando era presidente e o George W. Bush mandou o assessor pra conversar com ele sobre a ALCA, o Lula mandou o cara voltar, dizendo que só conversaria com o Bush pessoalmente e nao com o “sub do sub do sub”.

    E pra terminar… o próprio general Villas-Boas diisse que a “imagem de militar do Bolsonaro vêm de fora”. Ou seja, de infantes como você que vêem no “mito” o papai que voltou pra dar atencao ao invés de presentear com iPhone no natal. O exército brasileiro só o chama de “deputado”, que é o foi a vida inteira.

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    Carlos Valentin

    05 de dezembro de 2018 às 12h04

    Não, é um ex-capitãozinho que foi afastado por insubordinação, um militar bunda suja como falou o Geisel. Um lambe botas de americanos tal como todo o seu eleitorado, são uns bostas!

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Guimarães Roberto

05 de dezembro de 2018 às 04h37

Pra mim foi deslumbramento por receber, em sua casa, um americano. O filho dele foi aos Isteites. Pergunta: Foi recebido pelo Trumpete? Não, e não seria nunca porque é brasileiro, sul americano e um desconhecido. No popular, Cucaracha.

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Cézar

04 de dezembro de 2018 às 15h38

Sou do tempo da diradura militar. NUNCA VI NENHUM DOS CINCO GENERAIS PRESIDENTES PRESTAR CONTINÊNCIA A OUTRO PRESIDENTE, muito menos para um assessor de país estrangeiro.
Só vi aperto de mãos.
A subserviência de hoje é pelo fato do Bozo ser capitão. kkkk

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    ari

    05 de dezembro de 2018 às 11h39

    Não lembro dos detalhes, mas há um caso famoso de um político beijando a mão de Eisenhower

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Renato

04 de dezembro de 2018 às 12h27

O significado da continência de Bolsonaro ao assessor de Trump ? Nenhum. É só falta do que fazer do Pedro bibi !

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