Vila Militar do Chaves (Adnet satiriza Bolsonaro)

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Lava Jato prende Rodrigo Neves, prefeito de Niteroi

Por Miguel do Rosário

10 de dezembro de 2018 : 09h20

Depois da prisão de Pezão, governador do Rio, convertida num grande espetáculo midiático, agora a operação Lava Jato (na verdade, um de seus desdobramentos no Rio) prende Rodrigo Neves, prefeito bem avaliado de Niteroi, um dos poucos municípios do estado que seguia com as contas em dia, investindo e fazendo projetos – em função dos generosos royalties de petróleo que entram mensalmente nas contas do tesouro da prefeitura.

A prisão de governadores, prefeitos, empresários, cassação de deputados eleitos, em diversos casos com base apenas em delações e processos ainda não conclusivos, tudo isso mostra que o estado do Rio permanece como um dos principais laboratórios da Lava Jato.

A operação que prendeu o prefeito é baseada em delação do empresário do setor de transportes, Marcelo Traça.

Neves foi eleito pela primeira vez em 2012, pelo PT, com 132 mil votos. Em 2016, se reelege, já no PV, com 130 mil votos. Em dezembro de 2017, Neves muda novamente de legenda, e vai, desta vez, para o PDT.

O MPRJ, responsável pela operação que prendeu Neves, realizou, em setembro de 2017, um seminário sobre segurança pública e corrupção que tinha como um dos seus principais convidados o hoje deputado federal eleito Kim Katiguiri.

***

No site do MPRJ

MPRJ e Polícia Civil realizam operação para prisão do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, ex-secretário e empresários do setor de transportes

Publicado em 10/12/2018 07:40 – Atualizado em 10/12/2018 07:40

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos (SUBCDH/MPRJ) e do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (GAOCRIM/MPRJ), denunciou à Justiça o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves Barreto, o ex-secretário municipal de Obras do município Domício Mascarenhas de Andrade e mais três empresários do ramo de transporte público rodoviário. Eles são acusados de integrar uma organização criminosa para a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva. O esquema foi articulado para o recebimento de propina paga por empresários do setor aos agentes públicos da cidade.

De acordo com a investigação realizada pelo MPRJ em parceria com a Polícia Civil, entre os anos de 2014 e 2018, foram desviados aproximadamente R$ 10,9 milhões dos cofres públicos para pagamentos ilegais.

A pedido do MPRJ, o Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra os acusados, cumpridos na manhã desta segunda-feira (10/12). A Operação Alameda foi executada pela da Polícia Civil, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). Além das residências dos acusados, as buscas alcançam também o gabinete do prefeito, as sedes de oito empresas de ônibus que prestam serviço no município, além de escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit, e do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (SETRERJ).

A ação é um desdobramento da Operação Lava Jato no âmbito da Justiça Estadual, após adesão do MPRJ aos termos e condições do acordo de colaboração premiada celebrado pelo empresário Marcelo Traça com o Ministério Público Federal e do compartilhamento de provas autorizado pelo Juízo da 7a Vara Federal.

Representantes do MPRJ e da Polícia Civil que atuaram na investigação prestarão mais informações em entrevista coletiva para a imprensa a ser realizada, às 11h30, desta segunda-feira (10/12), na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), situado na Avenida Marechal Câmara, 370.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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28 comentários

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Paulo José

10 de dezembro de 2018 às 15h07

Ciro exigirá autocrítica do PDT?

Responder

    Renato

    10 de dezembro de 2018 às 16h48

    Espere aí, você não quer comparar os roubos praticados numa cidadezinha do Rio de Janeiro com os treze anos de roubalheira do Petê no Brasil, né ?

    Responder

      Paulo José

      10 de dezembro de 2018 às 17h27

      Não comparo roubalheira. A pergunta é se Ciro exigirá autocrítica do PDT. Simples assim.

      Responder

      Ari

      10 de dezembro de 2018 às 17h35

      Por favor, vc poderia dar detalhes sobre o que vc chama “roubalheira do PT”? Coisas do tipo valores, data, provas e coisa e tal. Não vale repetir chavões da Internet ou dizer coisas do tipo “está nos autos” (não está). Ah, tb não vale me xingar ou agredir.

      Responder

        Brasileiro da Silva

        10 de dezembro de 2018 às 18h06

        Só Palocci vai devolver US$ 10 milhões de dinheiro roubado do povo pobre pelo PT. E não venha me dizer que Palocci não era PT. Se quiser mais exemplos, basta procurar…

        Responder

        Renato

        10 de dezembro de 2018 às 19h00

        Foi mal Ari, os 11,5 bi recuperados pela Lava-Jato , oriundos de corrupção na Petrobras e nas empresas com contrato com o governo petista , foram surrupiados durante o governo de Bolsonaro !

        Responder

          Brasileiro da Silva

          10 de dezembro de 2018 às 19h01

          Exato!!!!!

          Responder

Renato

10 de dezembro de 2018 às 14h31

‘prefeito bem avaliado de Niteroi”. Então um prefeito bem avaliado pode roubar ??

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Justiceiro

10 de dezembro de 2018 às 11h34

Muitos querem a cabeça de Jair Bolsonaro (Mercadante já fala até em impeachment dentro de uma semana. Uma semana!) por movimentação atípica em uma conta de um assessor de Flávio, filho do presidente.

Ninguém está criticando a imprensa por martelarem todos os dias esse assunto. E olhe que o cara não é investigado.

Agora, como prenderam o prefeito de um partido de esquerda, é perseguição. Não tem provas, é culpa da Globo…

Responder

    Lucas Almeida

    10 de dezembro de 2018 às 11h42

    Esse blog não falou nada em impeachmar o bozo

    Responder

      Justiceiro

      10 de dezembro de 2018 às 12h21

      E onde eu disse que o cafezinho falou em impeachment?

      Falei que foi Mercadante quem disse isso.

      Responder

        Lucas Almeida

        10 de dezembro de 2018 às 12h36

        Então vai lá na página do Mercadante e reclama disso! Não vem desviar o assunto aqui.

        Responder

          Alan Cepile

          10 de dezembro de 2018 às 13h09

          Mas quem disse que o PT é esquerda?!…

          Responder

    Gustavo

    10 de dezembro de 2018 às 12h17

    Se Mercadante de fato disse isso, ele está completamente fora de órbita, pois, um presidente não pode ser condenado por atos estranhos ao mandato e a movimentação ocorreu antes da diplomação (e nem foi na conta do presidente)

    Paralelo a isso, dar um impeachment em Bolsonaro só seria viável pelas vias do TSE, ou seja, por fraude eleitoral porque aí haveria a cassação da chapa.

    Executar um processo de impeachment do Bolsonaro significa colocar o general Mourão e os militares no mais alto posto do executivo e acho que nem o PT e nenhum partido anima tal aventura.

    Responder

    Gustavo

    10 de dezembro de 2018 às 13h48

    Se Mercadante de fato disse isso, ele está completamente fora de órbita, pois, um presidente não pode ser condenado por atos estranhos ao mandato e a movimentação ocorreu antes da diplomação.

    Paralelo a isso, dar um impeachment em Bolsonaro só seria viável pelas vias do TSE, ou seja, por fraude eleitoral porque aí haveria a cassação da chapa.

    Executar um processo de impeachment do Bolsonaro por algum ato dentro do mandato significa colocar o general Mourão e os militares no mais alto posto do executivo e acho que nem o PT e nenhum partido se anima tal aventura.

    Responder

Lucas Almeida

10 de dezembro de 2018 às 11h27

Essa prisão cheira as denúncias contra Haddad em sp.

Os contratos foram firmados antes da gestão dele, os preços das passagens são os mais baratos graças a uma imposição do prefeito. Parece algo revanchista. Enquanto não aparecerem provas mais contundentes, essa prisão é mais um espetáculo midiático. Prenderam o prefeito reeleito de uma das cidades mais estruturadas do brasil: então mostrem! Mostrem o dinheiro que foi pra ele! Mostrem o que as empresas de ônibus se beneficiaram através dele! Não dá pra confiar nessa justiça se não mostrarem isso!

A reestruturação q Rodrigo implanta em Niterói é modelo para qualquer cidade do Brasil. Mas, mais uma vez uma liderança progressista vai cair nas garras do judiciário e ser difamado.

De toda essa montanha de delacoes dos últimos 4 anos, só 4 vieram com provas contundentes:
1) contas na Suíça de cunha
2) arroubos do cabral
3) malas de dinheiro no apto do Geddel
4) malas de dinheiro pra Aécio Neves.

Aécio não está preso por muito mais q prenderam qualquer outra liderança progressista.

Nosso país vai afundar nessa ditadura judiciária. Para os amigos nada, para os inimigos a lei. É O que vai acontecer pelos próximos 4 anos no mínimo.

Muito triste.

Responder

    ari

    10 de dezembro de 2018 às 12h03

    Algo parecido com a prisão do Pezão. Como se vê, pode-se perfeitamente existir ditadura com uma constituição em vigor. Estamos vivendo cada vez mais um estado policial. A extinção do ministério do trabalho colocando os sindicatos sob a batuta do ministério da justiça é outro ponto gravíssimo a que mesmo os blogs de esquerda não deram a devida atenção. Só o Ciro, parte do PSOL e mesmo do PT não veem ameaça à democracia e vem com essa conversa de frente democrática pra discursos e entrevistas e oposição propositiva.

    Responder

      Lucas Almeida

      10 de dezembro de 2018 às 12h37

      Eu estou alheio a história do pezao. Mas prender em exercício faltando 2 meses é claramente midiático.

      Responder

        Gustavo

        10 de dezembro de 2018 às 15h07

        Não creio tenha objetivos midiáticos. Não há reeleição de Pezão, seus padrinhos e afilhados políticos não foram eleitos para o governo de RJ e a eleição já passou sendo que ele mesmo não pretende se ocupar da política.

        Creio ser plausível o argumento de que a frente do governo, provas poderiam ser destruídas e por isso a prisão (respaldada no STF) ainda que de véspera para quem já está de saída.

        Responder

    Justiceiro

    10 de dezembro de 2018 às 12h34

    Reclamando de delação? Vou lhe avivar a memória curta.

    Lembra quando a Folha publicou uma reportagem dizendo que um grupo de empresários estaria pagando algumas empresas para impulsionarem a candidatura de Bolsonaro? lembra que o jornal deu até o valor? 12 milhões. Lembra que A Folha não apresentou nenhuma prova? Nenhum recibinho qualquer? Pois bem.

    Agora…lembra o que fez Addad? Pediu a cassação imediata da chapa de Bolsonaro e ainda disse que quem deveria disputar com ele o segundo turno era Ciro Gomes.

    Lembra que Addad disse (e tem vídeos na net) que bastava prender um desses empresários, que ele faria delação e em uma semana a chapa de Bolsonaro seria cassada. Veja e rapidez com que propôs Addad. Uma semana! Para prender, o cara fazer delação e cassar a chapa.

    O mesmo Addad que insiste em dizer que as delações contra ele e contra Lula são falsas. E olhe que o MP e a PF vem investigando isso há anos. Não em uma semana.

    Responder

      Lucas Almeida

      10 de dezembro de 2018 às 16h52

      Pelo jeito vc não entende o que é delação e sua diferença de reportagem jornalística.

      Delação é a invenção recente que tá colocando políticos na cadeia em troca de caguetagem (reais ou inventadas, tá difícil achar a diferenca) em troca de infinitos benefícios aos empresários corruptores. Os políticos são presos e os empresários soltos com o dinheiro de volta, podendo voltar a negociar com os novos políticos que agora estão no poder.

      Disseram que iria acabar a corrupção, está claro que ela continua mais forte do que nunca. Só que só as permitidas pelo poder judiciário (leia-se: as de políticos que fazem bem as elites e a midia)

      Responder

Gustavo

10 de dezembro de 2018 às 11h11

É perfeitamente compreensível (e muitas vezes com fundamento) que blogs de esquerda condenem a Lavajato, mas a leitura que faço desse artigo é um pouco exagerada a esse respeito.

A prisão de Pezão foi feita pela Operação Boca de Lobo e não a Lavajato (sequer é um desdobramento).

Caracterizar a prisão de Pezão como um espetáculo midiático dá até a impressão de achar que a prisão foi injusta ou indevida. Na verdade soa até redundante, pois, a prisão de um governador não passaria ilesa em nenhuma mídia.

O próprio STF já manifestou-se sobre a negativa do Habeas e a mesma não foi caracterizada como constrangimento ilegal. Vale lembrar que Pezão é unha em carne com Cabral (aquele condenado a 200 anos) então dá pra se ter uma ideia de quem estamos falando.

Referente ao prefeito, ser bem ou mal avaliado não é salvo conduto ou atenuante para investigações. O artigo diz (corretamente) que a operação é baseada em uma delação, mas ele omite (propositalmente ou convenientemente) que houve compartilhamento de provas autorizado pelo justiça dando a falsa impressão de que a palavra de um delator foi suficiente para autorizar a prisão.

Responder

    Lucas Almeida

    10 de dezembro de 2018 às 11h44

    Estranho como vazam as delacoes mas não vazam tais provas contundentes

    Responder

      Gustavo

      10 de dezembro de 2018 às 12h13

      Concordo totalmente

      Responder

      Ari

      10 de dezembro de 2018 às 13h42

      Vc foi perfeito.

      Responder

Marcos de Brito

10 de dezembro de 2018 às 10h33

Menos um bandido na rua. Cadeia nos marginais

Responder

    Ari

    10 de dezembro de 2018 às 14h51

    Prenderam o Bolso filho?

    Responder

      Justiceiro

      10 de dezembro de 2018 às 16h30

      Ari, Ari…

      qual a acusação contra bolso filho? Por o assessor estar movimentando uma conta atípica? Então é isso? O cara é responsável pelo que o assessor faz? Onde está que ele, o assessor, repassou dinheiro para Flávio?

      Ah! E Luleco? Bem, este recebeu 3 milhões de um lobista. Tem provas.

      Responder

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