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Foto: Agência Brasil

Redução do Auxílio Emergencial faz miséria voltar a explodir no país

Por Redação

28 de dezembro de 2020 : 18h18

Gráficos publicados no Blog do Ibre, que acompanham artigo do economista Daniel Duque, mostram uma realidade assustadora. A redução do Auxílio Emergencial para metade (de R$ 600 para R$ 300) provocou o aumento súbito da miséria no país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

O gráfico abaixo ilustra o aumento brutal da pobreza extrema nessas duas regiões, após a queda no valor do Auxílio.

No Nordeste, a pobreza extrema chegou a cair abaixo de 4% da população, durante os meses nos quais vigorou o valor de R$ 600; a partir de outubro, porém, esse percentual explode e chega a 10% em novembro.

Os números sinalizam a devastação econômica e social que o fim completo do Auxílio Emergencial, cuja prorrogação em 2021 ainda não foi confirmada, pode trazer o país.

População Abaixo da Linha de Pobreza Extrema por Região

Fonte: PNAD Covid-19

Confira o artigo de Duque na íntegra.

Pobreza e Desigualdade aumentam de novo

PNAD Covid mostrou impacto do Auxilio Emergencial nos indicadores sociais

23/12/2020
Daniel Duque

A PNAD Covid-19 chegou a sua última edição, referente a novembro deste ano. Com ela, é possível avaliar como se comportaram os rendimentos da população ao longo da pandemia – que, infelizmente, está chegando à sua segunda onda no Brasil.

A renda total da população, em novembro, chegou a R$ 1286 em média. Tal nível está 5,8% acima em termos reais daquele da primeira edição da pesquisa, em maio, mas 3,3% abaixo de seu valor máximo, registrado em setembro. Como mostra o gráfico abaixo, foram as quedas do Auxílio Emergencial nos últimos dois meses as principais responsáveis, mas com contribuição da desaceleração das altas da renda do trabalho.

Diferença mensal real da renda domiciliar per capita por fonte

A redução do Auxílio Emergencial é um fator que, além de puxar a queda da renda média, também tem grande efeito sobre a pobreza, principalmente por estar concentrada entre a população mais pobre do país. Pode se observar que, nas últimas duas edições, a pobreza e pobreza extrema tiveram grandes aumentos, chegando a 23,9% e 5%. Seguindo a metodologia de simulação do Bolsa Família do texto de julho de 2020[1], observa-se também que estas teriam continuado sua trajetória de queda sem o Auxílio Emergencial ao longo dos meses, ainda que em nível maior, de 30,7% e 10,7%, respectivamente.

Pobreza e pobreza extrema, observados e com Bolsa Família Simulado, sem Auxílio Emergencial

Fonte: PNAD Covid-19

O impacto da pandemia e do Auxílio Emergencial são, além de distributivamente maiores sobre os mais pobres, também são regionalmente mais fortes sobre o Nordeste e Norte. O Gráfico abaixo mostra que, após a redução registrada do Auxílio Emergencial, a Pobreza Extrema teve maior alta no Nordeste, que passou o Norte com a maior proporção, tendo chegado a 10%. No Sul e Centro Oeste, o impacto foi quase nulo, e tal proporção da população continua em torno de apenas 2%.

População Abaixo da Linha de Pobreza Extrema por Região

Fonte: PNAD Covid-19

A desigualdade, assim como a pobreza, também teve grande mudança de direção após a redução do Auxílio, com o Índice de Gini aumentando de 0.474 em setembro para 0,494 em novembro. Sem o programa, simulando o Bolsa Família, indicador estaria em 0,542, em tendência de queda contínua desse junho.

Índice de Gini por mês, observado e com Bolsa Família Simulado,
sem Auxílio Emergencial

Fonte: PNAD Covid-19

Tendo em vista os resultados acima, pode se esperar que o fim do Auxílio Emergencial terá grande impacto sobre a massa de rendimentos, pobreza e desigualdade em 2021. A capacidade do Governo de contrapor a pandemia com a imunização em massa, além de uma possível aprovação de aumento do orçamento do Bolsa Família, será o principal fator a potencialmente contrapor tal tendência.

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4 comentários

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Vantuir

28 de dezembro de 2020 às 20h38

Esse povo tem q trabalhar, e nao ficar ganhando migalhas sem fazer nada.

Responder

    Paulo César Cabelo

    28 de dezembro de 2020 às 23h27

    Concordo , Bolsonaro e seus filhos vagabundos tem que trabalhar ao invés de viver sugando nosso dinheiro.

    Responder

      Vantuir

      29 de dezembro de 2020 às 12h39

      Também!

      Responder

Alan C

28 de dezembro de 2020 às 19h55

Após 2022 esse palhaço desgraçado vai pagar por crimes contra a humanidade.

Responder

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