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Marcelo Queiroga durante seu depoimento de hoje na CPI da Pandemia. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Queiroga responsabiliza Bolsonaro pelo aumento das mortes

Por Pedro Breier

08 de junho de 2021 : 15h32

O título pode parecer sensacionalista ou mesmo mentiroso, mas não é.

É que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em seu depoimento de hoje na CPI da Pandemia, disse textualmente, em uma resposta ao senador Humberto Costa (PT), o seguinte:

Até bem pouco tempo os estados e os municípios tinham uma restrição maior do movimento da população. Estavam fechados. Houve uma abertura, então com essa abertura há uma tendência de novos casos e isso faz com que haja um aumento dos óbitos.

Nada mais do que o óbvio: se aumenta a mobilidade da população, aumenta a contaminação e aumentam os casos. Se aumentam os casos aumentam as mortes.

Só que o governo Bolsonaro trabalha desde o início da pandemia contra as restrições de circulação de pessoas. Não é, vejam bem, que o governo se omite na questão, o que já seria gravíssimo. O governo tenta ativamente impedir as restrições nos estados, inclusive com ações jurídicas, como a impetrada no último dia 27 de maio no STF, contra as restrições adotadas por alguns governadores.

O reconhecimento de Queiroga de que o aumento da circulação de pessoas conduz a mais óbitos é, portanto, importante, mesmo que ele não tenha acusado diretamente Jair Bolsonaro. (Seu depoimento, aliás, que ainda ocorre enquanto escrevo esta coluna, é tão patético e deprimente quanto os dos demais integrantes do governo que falaram à CPI. Todos se afundam em um contorcionismo retórico tão ridículo quanto surreal para tentar provar que estão fazendo um bom trabalho no combate à pandemia, mesmo que seu chefe, o comandante máximo da nação, não cesse de fazer exatamente o oposto do que é recomendado pela ciência e pelo bom senso.)

Aplicando a mais simples lógica às palavras de Queiroga chegamos a uma conclusão cristalina: se com o aumento da circulação de pessoas aumentam as mortes, e se Bolsonaro trabalha contra a restrição de circulação de pessoas, Bolsonaro contribui para o aumento das mortes.

Os senadores estão cumprindo seu papel: tentar arrancar o máximo possível de declarações diretas que conduzam aos responsáveis pelo morticínio. Quando não aparecerem as responsabilizações diretas, contudo, basta usarmos a lógica.

Da demora absurda na compra de vacinas, do incentivo às aglomerações, do não uso da máscara, dos remédios picaretas, dos depoimentos dados e documentos levantados pela CPI, de todos os lugares salta aos olhos que este governo fez o que podia e o que não podia para sabotar o combate à pandemia no Brasil. O resultado é quase meio milhão de mortos (fora a subnotificação). E subindo.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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7 comentários

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Bandoleiro

08 de junho de 2021 às 20h52

Mas quando teremos um ministro de verdade???

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canastra

08 de junho de 2021 às 18h39

E a medica/cantora sem curriculo que ninguem conheçe entre os colegas dela ? Kkkkkkkkkkkkkkk

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    carlos

    09 de junho de 2021 às 15h43

    O fato de ser médica e cantora são muitas virtudes, enquanto o tal canastra, pensa pelo umbigo. Quem canta os males espanta usando um português bem xulo. Mas pessoas cultas temos usar termos chulos.

    Responder

Bandoleiro

08 de junho de 2021 às 18h20

Como alguem consegue assistir e até dar credito a uma porcaria com essa CPI…?

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Luan

08 de junho de 2021 às 18h18

Muhamed Aziz, Abdullah Calheiros e Sharif Breier…kkkkkkkkkkkkkkkk

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Galinzé

08 de junho de 2021 às 17h09

Essa palhaçada é a cara do Pedrinho do Toddy.

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William

08 de junho de 2021 às 16h03

Quem decreta se as pessoas podem circular ou menos (proibir a circulação de pessoas é incostitucional) são os governadores e os prefeitos, o mesmo vale para o uso de máscaras.

Ainda não é absolutamente comprovado que restringir a circulação de pessoas diminua os contagios e muito provavelmente não será comprovado nunca.

Países que não adotaram essas medidas tiveram os mesmos casos ou até menos que países que a adotaram.

Assim que as fabricantes concluíram os testes, deram entrada no processo de autorização ao uso emergencial na Anvisa e a mesma aprovou, as vacinas escolhidas pelo Governo começaram e continuam a serem aplicadas normalmente.

Fim das narrativas desse Circo patético de quarto mundo.

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