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Imagem: Nalu Vaccarin / MGIORA

Ricardo Cappelli: A histeria dos náufragos

Por Redação

15 de janeiro de 2022 : 19h18

Por Ricardo Cappelli

É curiosa a histeria dos liberais quando se coloca em debate a revisão do teto de gastos e da reforma trabalhista. A situação é tão pitoresca que o establishment resolveu fazer de um ex-juiz medíocre e ignorante o novo farol do liberalismo brasileiro. Roberto Campos deve estar dando voltas no túmulo.

Em contato com a realidade objetiva, os pseudoliberais brasileiros resolveram que transformariam esterco em ouro. Difícil funcionar.

A reforma trabalhista não criou os empregos prometidos. Se corrigiu pequenas disfunções de nosso sistema, serviu mesmo para aprofundar, maximizar e oficializar a mais-valia que avança em progressões geométricas.

O teto de gastos é outra ficção. Uma jabuticaba inventada pelo desespero de um presidente que tentava se agarrar à cadeira – a guinada fiscalista e neoliberal de Temer com a sua “Ponte para o Futuro” rompeu com as tradições históricas do MDB, patrono da Constituição Cidadã de 1988.

O que o tal teto trouxe de benefícios? Fechamos 2021 com a inflação em dois dígitos e o desemprego nas alturas. Permanentemente ameaçado por suas próprias loucuras, Bolsonaro liquidou o orçamento público e a capacidade de investimento do país.

São raros os liberais autênticos no Brasil. O que temos de sobra é uma elite atrasada, escravocrata e sem nenhum compromisso com o país.

O que hoje ameaça a democracia é o mesmo que está transformando a nossa elite em alquimista de quinta categoria: a desigualdade crescente. Segundo o economista francês Thomas Piketty, vivemos a maior concentração de renda e riqueza da história da humanidade.

Ninguém nasce com “vontade de democracia”. Ela é um contrato social assinado pelo povo com a garantia de que a sua vida vai melhorar. Sem apresentar ideias que dialoguem com este problema histórico objetivo – desemprego estrutural ascendente, formação de exércitos de “inimpregáveis”, concentração brutal da renda e do capital -, nenhuma ideologia fica de pé.

Quais as propostas dos liberais para resolver estas questões? Uberização das relações de trabalho? Teto de gastos para impedir a expansão das políticas sociais e a possibilidade de um novo projeto nacional de desenvolvimento?

André Lara Resende, economista, intelectual e considerado um dos pais do Plano Real tem dinamitado o neoliberalismo anacrônico e mofado. O insuspeito liberal, ciente do momento histórico vivido pelo atual processo de acumulação capitalista, adotou a defesa de um neokeynesianismo com foco no planejamento e na eficiência.

O “campo liberal” está em crise por ver que seus pressupostos clássicos estão naufragando diante de uma realidade cada vez mais excludente. Não adianta defender um bolsonarismo “educado e pró-vacinas” sem Bolsonaro.

Para ficar com as mesmas ideias com voz de marreco, talvez a parcela conservadora de nossa sociedade prefira o original.

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6 comentários

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Alexandre Neres

17 de janeiro de 2022 às 23h34

Meu caro Paulo, ou seja lá quem for, creio que não seja você por causa da expressão “esquerdementes”, a qual não se coaduna com sua pessoa.

Já ouviste falar na Operação Brother Sam? Lembra-se de quando Obama vinha no Brasil dar tapinha nas costas da Dilma, enquanto era espionada pelas agências estadunidenses, sobretudo no tocante à Petrobras, entre outros países, o que inclusive gerou a indignação da chanceler Merkel? São fortíssimos os indícios da participação da CIA, do FBI e do DOJ nos processos contra Lula oriundos da Lava Jato, o que por si só gera nulidades, tendo em vista que tal colaboração não foi formalizada. E assim por diante.

Um abraço.

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Alexandre Neres

16 de janeiro de 2022 às 17h15

Já que perguntar não ofende: a quem o articulista está se referindo quando faz menção a ex-juiz medíocre e ignorante?

Não apenas progressistas, mas também liberais, centristas e alguns conservadores já se deram conta do jogo sujo do marreco ao aparelhar o sistema judicial para alcançar objetivos pessoais. Faltam só os moralistas que estão sempre dispostos a acreditar em salvadores da pátria e os que caíram como patinhos no conto do vigário made in USA.

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    Paulo

    17 de janeiro de 2022 às 00h14

    O USA, ah, o USA.
    O que seria de vcs, esquerdementes, sem os USA pra sempre acusarem??

    Responder

Kleiton

16 de janeiro de 2022 às 11h04

Vagas de emprego tem muitas, faltam pessoas capacitadas.

Quem tem vontade e sabe fazer algo não fica parado um sequer dia.

Os brasileiros não levam a sério o estudo e o aprendizado…e o resultado é esse.

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Paulo

16 de janeiro de 2022 às 10h10

Esse governo não é liberal. Se elefeu com promessas liberais mas é populista e fisiologista, como todos os anteriores.

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Paulo

15 de janeiro de 2022 às 22h00

A “parcela conservadora da nossa sociedade” (a verdadeira, e não esse simulacro bolsonarista) prefere a verdade, sempre…

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