Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Cientista político avalia pesquisa da Quaest em SP

Por Redação

12 de maio de 2022 : 09h31

Por Felipe Nunes

A pesquisa Genial/Quaest realizada em SP apresenta um crescimento significativo das intenções de voto de Haddad. No cenário com Márcio França, Haddad passou de 24% para 30% entre março e maio/22. Sem França, ele foi de 31% para 37% no mesmo período.

Todos os outros candidatos oscilaram na margem de erro. Márcio França foi de 18% para 17%. Tarcisio foi de 9% para 10%. Rodrigo Garcia foi de 3% para 5%.

A vantagem de Haddad sobre os outros candidatos aparece principalmente entre as mulheres, os jovens e os eleitores que votam em Lula em São Paulo. França e Tarcísio se dão melhor entre os homens, os mais velhos e os eleitores de Bolsonaro.

Mas esse cenário positivo para Haddad pode mudar. Primeiro porque, ao contrário do que acontece com a eleição presidencial, apenas 36% dos eleitores dizem que sua intenção de voto é definitiva.

Segundo, embora tenha diminuído, a maioria dos paulistanos ainda prefere que vença um governador independente (38%). Ou seja, a demanda de São Paulo é por um governador parecido com Rodrigo Garcia, que é quem menos pontua hoje entre os 4 mais competitivos.

Mas vale lembrar que Garcia é muito pouco conhecido (73%). Isso pode ajudar a explicar porque a demanda por um nome independente não encontrou uma oferta ainda. Haddad é o mais rejeitado (50%), seguido de França (31%). Tarcisio também é muito desconhecido (72%).

O que pode ajudar Tarcísio é a melhora no desempenho de Bolsonaro no estado de SP. Subiu de 23% para 29% os eleitores que avaliam como ótimo ou bom o governo federal, e caiu de 53% para 48% a avaliação negativa (ruim ou péssima) do governo. A diferença caiu de 30 para 19 pontos.

Nas intenções de voto para presidente, Lula se manteve com 39% e Bolsonaro cresceu de 25% para 28%. O crescimento de Bolsonaro se deu entre os eleitores que estavam votando nos candidatos da 3ª via (que caiu de 20% para 16%).

Mas nem tudo são flores para o campo bolsonarista em São Paulo. Ainda é alto o percentual de eleitores que afirmam que Bolsonaro não merece um novo mandato (62%). Na consulta de março, a primeira da série de pesquisas estaduais, este número era de 68%.

Quando combinamos a eleição nacional com a eleição estadual só Tarcísio ganha com a nacionalização do voto em São Paulo. Haddad e Garcia mantém os mesmos percentuais de intenção de voto sem apoio. Tarcísio, ao contrário, sai de 14% para 28% quando é associado a Bolsonaro.

Ou seja, a eleição em São Paulo mostra vantagem de Haddad, mas é difícil prever ainda quem vai para o segundo turno com ele. Os 3 outros candidatos tem boas condições de ocupar esse segundo lugar a depender da variável usada para projetar potencial eleitoral.

Será que França desiste? Os cenários testados dão boas chances a ele. Além de ter rejeição menor que Haddad, França ganha de Tarcísio e de Garcia em um eventual 2º turno; e perde por pouco para o candidato do PT. São bons argumentos para a não desistência do candidato do PSB.

A eleição para o Senado mostra o apresentador José Luiz Datena com 28% das preferências. O ex-juiz Sérgio Moro aparece com 16%, enquanto França tem 11%. A ex-senadora Marina Silva e o empresário Paulo Skaf estão empatados com 10%.

A pesquisa também avaliou as administrações de João Dória e Rodrigo Garcia. Em relação ao ex-governador, 43% consideram negativa sua gestão, enquanto 34% dizem ter sido regular e outros 18%, positiva.

Já o atual governo foi considerado positivo por 19% dos entrevistados; regular, por 33% dos eleitores; e negativo por 16%. Um bom começo para quem tem pouco tempo para mostrar serviço.

A pesquisa mostra um futuro inglório de Dória neste ano. Além de ter um péssimo desempenho eleitoral no seu estado (4% de intenção de voto para presidente), 55% afirmam que foi um erro ele ter saído do governo para se candidatar à Presidência da República.

Chama muita atenção na pesquisa o aumento significativo de eleitores que afirmam que a violência é o principal problema que São Paulo enfrenta hoje. Em março, 7% diziam isso. Neste mês, já são 14%.

A volta à normalidade no pós pandemia parece estar criando um efeito de explosão de insegurança nas pessoas. Embora em queda, o percentual de preocupados com a economia continua majoritário (30%).

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 6 e 9/05, 1.640 entrevistas presenciais domiciliares em 76 municípios. A margem de erro é de 2.4 pontos percentuais com 95% de nível de confiabilidade. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09290/2022 e SP-00620/2022.

Felipe Nunes é PhD em Ciência Política, professor da UFMG, especialista em pesquisa de opinião e diretor da Quaest

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