Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

Lula na Unicamp, em maio de 2022. Foto: Ricardo Stuckert

Análise: Lula ganha força no espaço-tempo eleitoral de 2022

Por Miguel do Rosário

20 de maio de 2022 : 14h49

Einstein nos ensinou que as dimensões do espaço e do tempo não estão separadas. Na verdade, formam uma só entidade, que a física passou a chamar, a partir da teoria da relatividade, de espaço-tempo. 

Em pesquisa eleitoral, há um raciocínio parecido. Uma coisa é ter quase 50% dos votos válidos em janeiro. Outra coisa é manter o percentual ao final de maio. O espaço político do candidato não deve ser analisado separadamente do tempo político de uma campanha eleitoral. 

Ou seja, quanto mais nos aproximamos das eleições, e Lula permanece na liderança isolada, a poucos pontos de uma vitória no primeiro turno, mais forte ele fica. Mesmo “parado” na liderança, o petista avança no espaço-tempo. A mesma coisa, mas num sentido oposto, vale para a terceira via. Vide o exemplo de Ciro. Uma coisa é ter 8% em meados de 2021. Outra coisa é continuar com 8% ao final de maio de 2022. Conforme o tempo passa, Ciro fica mais fraco, mesmo se permanecer “parado” em 8% a 10%, porque suas perspectivas de poder diminuem.   

Segundo a Ipespe divulgada hoje, Lula tem 48% dos votos válidos. Na margem de erro, que é de dois pontos, ele poderia vencer no primeiro turno. 

Em votos totais, Lula se mantém firme acima de 40% desde a metade do ano passado.

Na pesquisa de hoje, tem 44%, 12 pontos à frente dos 32% de Bolsonaro, que aparentemente drenou os eleitores da terceira via conservadora.

Ciro Gomes, por sua vez, 24 pontos atrás do segundo lugar e 36 pontos atrás de Lula, se distancia cada vez mais da possibilidade de chegar ao segundo turno. 

 

 

Um ponto que chama atenção na Ipespe divulgada hoje, e confirmando o que todas as outras pesquisas tem mostrado, é a força de Lula entre eleitores de baixa renda: o petista tem 56% dos votos válidos nessa faixa, o dobro dos 28% de Bolsonaro. Ciro tem 6,7%, Dória 4,5% e Tebet 2,2% dos válidos neste segmento. 

 

Mesmo que Lula não conquiste os dois pontos que faltem, nessa pesquisa, para uma vitória no primeiro turno, o seu desempenho num segundo turno aponta uma vantagem de quase 20 pontos para o petista: 53% X 34%. Lula vem mantendo essa vantagem sobre Bolsonaro desde agosto de 2021. São números muito consolidados, portanto. 

Na hipótese, hoje remota, de um segundo turno entre Lula e Ciro Gomes, o petista venceria ainda mais facilmente, com uma vantagem próxima a 30 pontos: 53% x 25%. 

A vantagem de Lula no cenário de segundo turno contra Ciro reforça o argumento de que sua candidatura não tem mais competitividade. Ciro não pode mais dizer aos eleitores antipetistas de que ele é “o único que vence Lula no segundo turno”. É o contrário. Ciro é o candidato mais facilmente derrotável no segundo turno, e por uma razão simples: o candidato não tem mais o voto da esquerda, e também não ganhou confiança da direita. 

Outro grave obstáculo argumentativo de Ciro é seu desempenho fraco num eventual segundo turno com Bolsonaro. Enquanto Lula venceria o incumbente com quase 20 pontos de vantagem, Ciro está perto de um empate técnico, apenas 4 pontos à frente de Bolsonaro. 

 

Conclusão

Os números reforçam os argumentos em favor do voto estratégico para Lula, que podem vir principalmente do eleitorado de Ciro Gomes, cujo programa de governo é parecido com o do PT (contra privatizações, a favor de mais investimentos públicos, etc). 

Os eleitores de Ciro, na medida em que chegarem a conclusão de que o pedetista encontra-se isolado, sem palanques nos estados, sem aliados, e, sobretudo, com uma quantidade de votos que não mais o torna um candidato competitivo, tendem a fazer voto estratégico contra Bolsonaro, através do voto em Lula.

Os 8% de votos de Ciro, se transferidos para Lula, podem resolver a eleição no primeiro turno, garantindo uma transição muito mais segura e tranquila para um governo mais democrático. 

A íntegra do relatório pode ser baixada aqui.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Paulo Cesar

26 de maio de 2022 às 08h48

Vocês do cafezinho fonte petista,esquerdista e comunista, mentirosos e estupedos.
Levantando-se em contra o nosso Presidente Bolsonaro2022.
Vocês deveriam ter vergonha e deixar o nosso presidente em paz.
O povo Brasileiro acordou vagabundos e o PT nunca mais vai poder roubar o nosso povo!
Fora PT, fora bandidos ladrões corruptos demonios do inferno.

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Natalia

20 de maio de 2022 às 19h34

A internet e a lava jato acabaram com o sistema de cabrestagem e ladroagem que vigoraram no Brasil por muitos anos.

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Duilio

20 de maio de 2022 às 17h17

Lula ganha umas pedradas na cabeça o dia que ele esquecer que não pode.ir pra rua.

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Jhonatan

20 de maio de 2022 às 17h12

Alguém acha que falar de Lula no ano de 2022 é normal…?

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Zulu

20 de maio de 2022 às 17h10

Nem Lula acredita na própria candidatura.

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Saulo

20 de maio de 2022 às 15h52

Sim Miguel do Rosário… nós eleitores de Ciro Gomes iremos votar para a lavador de dinheiro master no primeiro turno para agradar a você e a 4 petistoides amongoladoa e Lula ganhará no primeiro turno com 152,70% de votos…vai nessa !!

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Galinzé

20 de maio de 2022 às 15h44

Miguel do Rosário o analista de pesquisas….kkkkkk

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