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As especulações de André Figueiredo sobre o silêncio de Cid Gomes

Por Miguel do Rosário

26 de julho de 2022 : 21h42

Presidente do PDT-CE admite, em entrevista ao jornal O Povo, que Cid Gomes pode estar “atuando em sintonia” com Camilo Santana, e que o senador poderia até mesmo apoiar Elmano de Freitas para o governo do estado e Lula para a presidência.

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Foi um dia conturbado na política cearense.

A governadora Izolda Cela pediu desfiliação do PDT, e o fez de maneira barulhenta, anunciando a decisão em todas as suas redes, com um texto em que tece duras críticas ao processo que levou à escolha de Roberto Claudio.

Não é segredo para ninguém, além disso, que deverá apoiar o candidato do PT, Elmano de Freitas, ao governo do estado, além do ex-presidente Lula.

Provavelmente também deverá, em breve, se filiar ao PT.

Em entrevista ao programa “Jogo Político”, do jornal O Povo, o deputado federal André Figueiredo, presidente estadual do PDT-CE, lamentou a ruptura com o PT.

“Lamentavelmente não conseguimos segurar uma composição, que durava há 16 anos”, disse o deputado, culpando o PT por sua “prática hegemonista”.

Na entrevista, Figueiredo protestou contra perseguições e “demissões sumárias” de filiados do PDT, que ocupavam cargos em “vários órgãos do governo do estado”, e que estiveram na Convenção do PDT.

“Isso não é maneira de se tratar um aliado histórico”, disse o deputado.

O repórter do jornal O POVO então exibe trecho do discurso de Ciro Gomes na Convenção, na qual o presidenciável do PDT faz um discurso quase de oposição ao governo do estado, e diz que Camilo Santana “deserta da luta do povo”, e “frequenta os caminhos de Judas”, em troca de “um carguinho de ministro” num futuro governo Lula.

Perguntado se partilhava do mesmo pensamento sobre Camilo, o deputado explica que, no momento do discurso de Ciro, a direção estadual do PDT ainda não sabia quem o PT estaria decidido a lançar uma candidatura própria.

Embora não tenha dado essa conotação, a fala de Figueiredo deixa claro que Ciro atropelou uma negociação ainda em andamento entre o PDT e Camilo Santana, já que as acusações do presidenciável do PDT a Camilo inviabilizariam completamente qualquer possível acordo.

Indagado sobre as alianças do PDT na disputa pelo governo, André mencionou o acordo já homologado com o PSD e mencionou diálogo com PSB, Cidadania e PSDB.

O deputado admitiu que o PDT tinha o “desejo de apoiar Camilo”, mas que agora isso não mais seria possível, e que o partido deverá apresentar nome oriundo de um dos “partidos aliados”.

Em mais de um momento, Figueiredo disse esperar que as ações da governadora Izolda não chegassem a tal ponto de dificultar uma aliança no segundo turno contra o Capitão Wagner.

No meio da entrevista, sem que tenha sido perguntado, André Figueiredo fez um desabafo pungente sobre a ausência do senador Cid Gomes (PDT) no jogo político do estado, confessando que isso estava gerando uma sensação de “orfandade” no partido.

O repórter aproveita a deixa e observa que “ninguém entendeu a ausência de Cid Gomes”, lembrando que o senador “transferiu essas articulações para Ciro”.

O jornalista sugere que, na opinião de experientes observadores da política cearense, “Camilo jamais agiria sem acordo com Cid Gomes”, e observa que Camilo se reuniu com o senador pedetista há alguns dias. Por fim, pergunta ao deputado se ele não cogitaria a hipótese de Camilo estar “atuando em sintonia com Cid Gomes”.

Após uma pausa dramática, o deputado André Figueiredo responde que não afasta a possibilidade de que Cid Gomes possa estar “em sintonia” com Camilo Santana.

“Sinceramente não posso afirmar nem uma coisa nem outra”, admite André, para em seguida sugerir que Cid Gomes pode estar, embora ainda em segredo, apoiando Lula.

“Fica a indagação. Será que Cid vai pular fora dessa articulação que ele tão bem representa no senado da república, do partido que tem o irmão dele, para embarcar numa outra candidatura de um adversário do irmão dele, que é o ex-presidente Lula? Me custa acreditar nisso”, desabafa.

Ele continua, sempre lançando dúvidas sobre o engajamento de Cid na campanha do irmão:

“Estou apenas ponderando, porque não sei. Não conversei com o senador Cid. Mas acho muito pouco provável que ele deixe ao relento o seu irmão, aquele que foi o precursor de toda essa nova fase que o Ceará vive, e que tem tudo para fazer isso também no Brasil”.

O jornalista então pergunta:

“O senhor tentou conversar com Cid Gomes, ou ele está incomunicável?”

O deputado responde que sim, que Cid Gomes “está incomunicável”.

“Pelo que vi no whatsapp, a mensagem sequer chega no celular dele. É uma decisão que ele tomou, que a gente tem de respeitar, mas claro que ele faz muita falta”.

Figueiredo também especula sobre a posição partidária do senador na disputa pelo governo do estado.

“Qual lado que o Cid vai tomar? Fica essa ponderação. O lado de quem foi adversário em 2012, na disputa pela prefeitura de Fortaleza, ou lado de quem sempre foi aliado do senador Cid, e que é inclusive do mesmo partido, do mesmo partido do irmão?”

Figureiredo asseverou que os deputados do PDT, federais ou estaduais, que não seguirem as determinações do partido para as candidaturas majoritárias (ou seja, que não apoiarem Roberto Claudio e Ciro) sofrerão sanções e poderão ser impedidos de disputar.

Em relação aos prefeitos do PDT, Figueiredo admitiu que uma parte deve apoiar a candidatura de Camilo ao senado, e que haverá “maior flexibilidade”.

Ressalvou porém que, para a eleição majoritária no estado, a tolerância será menor, embora prometendo que não haverá “caça às bruxas”.

A entrevista de Figueiredo começa no minuto 29:00 do vídeo abaixo:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Marcelo

27 de julho de 2022 às 15h29

Era isso que iria acontecer mais cedo ou mais tarde, ima quebra de braço e medição de força!
A politica exige mudança e alternância de poder, viva a democracia , viva a liberdade
Capitão Wagner a nova cara da mudança o novo se aproxima a galope.

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Tiago Silva

27 de julho de 2022 às 00h22

Incrível como a Esquerda consegue ir atrás de pedras para tropeçar…

É frustrante Lula querer ser “Terceira Via” (do Capital) em se aliar só Golpismo de Alckimin, mesmo perdendo em termos eleitorais e ainda tendo a instabilidade de um Novo Temer limitante para efetivar mudanças…

Desprezível a união de Freixo com Cesar Maia…

Atabalhoada essa decisão em não optar pelo nome de consenso, Izolda (PDT), para em um rompante buscar impor Roberto Carlos em um Estado que há 16 anos havia a aliança entre a popularidade de Lula e a gestão dos Gomes…

E trágica a união entre Ciro e ACM na Bahia ou entre Ciro e Aécio em MG…

Enquanto a população tende a votar em políticos de esquerda que poderiam mudar a condução Neoliberal… A Esquerda se esforça em perder a credibilidade junto ao povo.

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