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"Minha especialidade é matar" – Jair Bolsonaro.

A responsabilidade de Bolsonaro no ataque em Aracruz-ES

Por Pedro Breier

29 de novembro de 2022 : 17h51

Tinha tudo para dar errado – e deu.

A extrema-direita brasileira importou dos EUA a obsessão doentia por armas e agora estamos às voltas com mais um massacre a tiros em uma escola, desta vez na cidade de Aracruz, no Espírito Santo. É ao menos o quinto ataque desse tipo em escolas brasileiras desde 2019, segundo o Instituto Sou da Paz.

O (ainda?) presidente do país não conseguiu proferir uma palavra de conforto às famílias das vítimas. Também pudera: Jair Bolsonaro é o líder máximo do movimento armamentista em nosso país. A autoridade e a influência do cargo presidencial foram utilizadas inúmeras vezes para propagandear a aquisição de armas pela população.

A fala do vídeo abaixo foi uma das que mais repercutiu, não à toa: Bolsonaro menospreza o feijão – em um país com milhões de famintos – e enaltece o fuzil:

Bolsonaro é um profeta macabro do culto às armas. Mas ele não ficou apenas na retórica.

O presidente editou mais de 40 decretos facilitando o acesso a armas – o número de armamentos nas mãos de civis triplicou em seu governo. Agora são mais de 1 milhão de armas em posse de pessoas comuns, que podem resolver usá-las caso se envolvam em brigas de trânsito, ou de festa, ou de vizinhos e familiares. Os filhos e filhas dessas pessoas podem achar a arma em casa e provocar uma tragédia – acidentes fatais com armas de fogo envolvendo crianças aumentaram 25% entre 2018 e 2020, segundo a pesquisadora Erika Tonelli.

É matemático: mais armas, mais tiros, mais mortes. Alguém sai ganhando com isso?

Sim, alguém sai ganhando.

Fabricantes de armas, como a Taurus, cujos lucros explodiram graças ao atual presidente. E o próprio Jair Bolsonaro, que arma seu exército amador de apoiadores e potencializa seu método fascista: o uso da violência como arma de “convencimento” político.

Se jovens intoxicados pelos ideais violentos e preconceituosos da extrema-direita invadirem cada vez mais escolas e matarem mais e mais crianças e professoras, que seja. Esse tipo de massacre deve ser brincadeira de criança para quem é fã de torturador.

Se muitas das armas compradas por civis forem parar nas mãos de criminosos, que seja também. A milícia precisa de estrutura, afinal.

O sonho de Bolsonaro deve ser alcançarmos os EUA, a “terra da liberdade”, onde ocorreram, só neste ano, mais de 200 tiroteios em massa. Duzentos.

Enquanto esse tipo de crime cresce assustadoramente por aqui, não há política governamental alguma para frear a tragédia. Pelo contrário: a facilidade do acesso a armas e o caldo cultural que desemboca em massacres a tiros são fomentados dentro do Palácio do Planalto.

O pai do atirador de Aracruz é um PM que compartilhou foto do livro “Minha Luta”, escrito por Adolf Hitler, em seu Instagram. Ele deu o livro de presente para o adolescente de 16 anos, segundo este relatou à polícia. O jovem usou a arma do pai para matar 4 pessoas e deixar 12 feridas. Ele usava também uma roupa militar, um colete à prova de balas e uma braçadeira com um símbolo nazista.

Eis o país que Bolsonaro entrega ao fim de seu governo: infestado de armas, de paranoia, de fascismo e nazismo. O trabalho de limpeza será longo e árduo, e passa necessariamente pela responsabilização dos que cometem esse tipo de atrocidade. E principalmente dos poderosos agentes públicos que geraram este estado de coisas.

Bolsonaro não pode ficar impune.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve sobre política n'O Cafezinho desde 2016.

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14 comentários

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lucas

30 de novembro de 2022 às 21h04

Nada a ver, culpar o Bolsonaro??? O pai era policial, além disso quem quer matar, arruma arma em qualquer lugar meu amigo….a culpa maior é dos pais que moravam e criavam um monstro dentro de casa e nunca perceberam nada.

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Elisabete

30 de novembro de 2022 às 18h38

Não tem nada com as falas do Bolsonaro, o pai era policial militar, então sempre vai portar armas. Que mania de tudo de errado ser ele, e não problemas mentais de um adolescente.

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Uganga

30 de novembro de 2022 às 13h56

Os menores índices de homicídios dos últimos anos foram registrados nesse último Governo.

Os maiores chegando a 65000 homicídios/ano somando mais de 900 mil mortes em 15 anos a maioria com armas de fogo, negros e no NE foram durante os governos do petralhume.

Entrar em uma escola e fazer o que esse maluco fez nada tem a ver com armas e violência mas só com problemas mentais.

O mesmo aconteceu quando em Minas em ima creche tempo atrás quando bum sujeito ateou fogo em meninos com gasolina.

O resto são narrativas.de quem quer usar fatos que não tem nada a ver com o assunto para fazer propaganda da própria opinião a favor oi contra de algo.

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Alexandre Neres

30 de novembro de 2022 às 10h59

Vera Iaconelli – Tragédia em Aracruz não é caso isolado
Massacre em escola segue a cartilha norte-americana e deve ser enfrentado
terça-feira, 29 de novembro de 2022 – 00:00:00

Jornal Folha de S. Paulo | Cotidiano | Vera Iaconelli Diretora do Instituto Gerar de Psicanálise, autora de ?”O Mal-estar na Maternidade?

O pai do atirador de Aracruz (ES), tenente e psicanalista, quando questionado sobre a postagem de ‘Minha Luta’; de Adolf Hitler, em sua rede social, respondeu: ‘Li e odiei’ Não duvido, mas resta saber se odiou o livro ou aquilo que o livro leva a odiar: o semelhante.

Se for psicanalista, não negará a ambiguidade presente na linguagem, matéria-prima do nosso trabalho.

Não há nada que desabone um psicanalista ser policial ou exercer qualquer outra profissão digna. O que torna impensável alguém se autodenominar psicanalista é o não reconhecimento do inconsciente, de que somos todos sujeitos constituídos pela linguagem, independentemente de fenótipo, religião, classe social, idade. . . E que somos inteiramente responsáveis pelos nossos atos, conscientes ou não.

As filiações institucionais, as décadas de estudo teórico, de análise e de supervisão não significarão nada sem uma posição ética diante de si e do outro.

Édipo não furou os próprios olhos à toa. Seus crimes – matar o pai em legítima defesa e desposar a mãe sem o saber- não eram de seu conhecimento prévio e, sob as leis que se apresentam nos códigos penais, talvez nunca fosse condenado. Mas a tragédia está aí para dizer que devemos assumir as consequências de nossos atos, mesmo que inconscientes. Daí a autopunição.

Os crimes em escolas, que se tornaram uma tragédia corriqueira na vida de norte-americanos, começam a espocar aqui seguindo a cartilha de lá. Assistimos à importação do discurso no qual se baseiam. Eles são frutos de uma combinação de fatos que o Brasil passou a promover com a família Bolsonaro. A adoração pelas armas -lambidas e alisadas- vem pôr fim a qualquer aposta no diálogo.

A arte de administrar conflitos -dia a dia da tarefa escolar- dá lugar à eliminação sumária do outro. O ‘cidadão do bem’ não quer eliminar o ladrão ou o estuprador, mas o contraditório. Intimidar pessoas no espaço público -seja Gilberto Gil, Ciro Gomes ou Marina Silva- faz parte da licenciosidade da violência, que perdeu sua interdição.

As células supremacistas brancas aliciam jovens frustrados com a vida -sempre tão distante do gozo vendido pelas imagens virtuais- e fazem deles bombas-relógio, prontas para explodir em qualquer escola na qual circulam nossos filhos.

Detalhe não menos assustador: o jornal Estadão estampa a notícia com uma mão negra segurando uma arma. O jovem é branco.

Destaco a fala da mãe de Selena Sagrillo Zuccolotto, criança de 12 anos morta covardemente pelo jovem com duas suásticas sobre o uniforme militar Com uma dor que nos é impossível compreender, ela diz que perdeu a filha para o ódio.

Nenhum diagnóstico poderia ser mais exato. Nem para a loucura, nem para um acidente, nem para a irresponsabilidade de um adolescente que não sabe o que faz, essa mãe e essa comunidade perderam pessoas inocentes e amadas para um discurso que ignora o receptor.

Ódio a um outro fictício, colocado no lugar de responsável por todos os infortúnios de quem odeia. Desculpa para os fracassos, para as limitações, para o imponderável. Se o outro não me ama, não me deixa gozar, não me entende, não resolve as agruras de viver, só me resta matá-lo.

A fala de políticos, a abordagem incontinente de pessoas no espaço público, os atos terroristas dos golpistas fomentam o mesmo caldo de cultura no qual é possível que um jovem entre numa escola para matar quem estiver pela frente.

Para que possamos voltar às nossas vidas, elaborar o luto, sem jamais esquecer, há que apostar na Justiça. Não a justiça de Édipo, cuja ética está anos-luz dessa corja. Mas aquela, tão imperfeita quanto necessária, da qual dependemos para seguir como sociedade.

É isso ou deixar nossas crianças na porta da escola sem saber se as encontraremos na volta.

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Eduardo

30 de novembro de 2022 às 10h39

Antes de tudo, com todo o respeito ao autor, mas o senhor deveria no mínimo fazer alguma pesquisa séria antes de redigir uma matéria tão tendênciosa como essa.

O governo do Jair pode, de fato têm muitos defeitos, graves defeitos. Mas a política de segurança publica nunca foi tão boa.

Claro, armar a população não é uma política de segurança publica de fato. Porém num pais que vive em guerra a população deve ter o direito de se auto defender, de não depender da incompetência do estado.

Por favor olhe as taxas de homicídio, estão e queda vertiginosa. Por favor compare o crescimento de homicídio no período da campanha de desarmamento, ainda mais nos estado que houve a maior taxa de desarmamento. E não ouse usar o argumento de desenvolvimento, pois justamente os estados do nordeste que houve o maior desenvolvimento econômico no período do desarmamento, a maior taxa de desarmamento e também o maior crescimento em homicídio.

E claro podemos falar dos erros, mas só pq não gostamos do dele que devemos agir como criança e falar que tudo que foi feito é ruim.

Reveja suas atitudes em relação a isso, grande abraço. E veja isso como uma crítica construtiva.

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carlos

30 de novembro de 2022 às 07h16

O povo de São Paulo, ganhou um presente de grego o tarcisio de freitas começou bem com aumentando o salário dele e da corja dele, um verdadeiro trem da alegria, a farra do boi, aumentando em 50% os salários de todo povo que o apoiaram.

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Edu

30 de novembro de 2022 às 04h04

O direitista bozoloide foi, É e SEMPRE será um tremendo filho da puta, um verme desprezível, canalha, abjeto.
O resto, ele não tolera, não se importa e quer que se foda.

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Alexandre Neres

29 de novembro de 2022 às 21h53

Cristina Serra – A violência que nos dilacera
terça-feira, 29 de novembro de 2022 – 00:00:00

Jornal Folha de S. Paulo | Opinião | Cristina Serra

O massacre em Aracruz, no Espírito Santo, nos dilacera como sociedade e nos lembra que escolas deixaram de ser o lugar seguro onde crianças, jovens e mestres devem florescer juntos.

O Brasil foi inscrito no mapa dessa tragédia em abril de 2011, numa escola do bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, quando um ex-aluno abriu fogo e matou 12 crianças e adolescentes. De lá para cá, contam-se, pelo menos, mais 11 atentados e carnificinas em escolas e creches. Há diferenças nas motivações e execução, mas os crimes se assemelham na brutalidade e covardia contra vítimas indefesas.

No caso de Aracruz, que resultou na morte de quatro pessoas, há um componente de alarmante gravidade. O assassino de 16 anos usava uma suástica nazista na roupa e demonstrou profissionalismo incomum ao arrombar o portão de duas escolas, dirigir o carro e usar as armas do crime. As armas pertencem ao pai, um policial militar que publicou post sobre o livro de Hitler, ‘Minha Luta’, base da ideologia nazista e de todos os seus horrores.

Pesquisadores apontam uma explosão no crescimento de grupos neonazistas brasileiros na deep web, nos últimos quatro anos. Muitos, porém, já saíram da clandestinidade do mundo digital e exibem sua fúria em atos golpistas contra a vitória de Lula.

No mesmo dia do massacre em Aracruz, operações policiais deixaram 14 pessoas mortas, em três comunidades do Rio de Janeiro e de Niterói. É mais um banho de sangue no currículo do governador Cláudio Castro, bolsonarista-raiz. Os mortos eram os ‘suspeitos’ de sempre.

O Brasil teve quatro anos de distribuição de armas e de promoção da violência como política de Estado. A tal ponto que um empresário de Mato Grosso se sente à vontade para, em público, convocar gente armada para tumultuar a diplomação do presidente eleito. O governo Lula terá que tirar as instituições da inércia para reverter o ambiente de insanidade que ameaça o país e cada um de nós.

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carlos

29 de novembro de 2022 às 19h22

segundo o The noite com Danilo gentilli, foi assistir a jos da copa do mundo as custas do povo o bananinha, o povo de São Paulo São muito burro falta só comerem capin, porque já voltaram uma vez não manda ele plantar capim.

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Tony

29 de novembro de 2022 às 19h17

E’ sempre a mesma ladainha do nosso fascistello bananeiro Pedrinho.

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Valeriana

29 de novembro de 2022 às 19h12

A suissa é o segundo ou terceiro Pais com mais armas por habitantes e com os menores indices de mortes do Mundo…o resto sao babaquices para tentar impor a propria opiniao.

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Natalia

29 de novembro de 2022 às 18h54

Esse texto é carregado de odio e de apologia a violencia….as armas sao somente um desfarçe.

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Galinzé

29 de novembro de 2022 às 18h51

Cada um de nòs DEVE ter o direito a possse de uma ou mais armas legalmente como qualquer pais cvilizado e livre. O que qualquer um de nòs faz ou nao faz com a mesma é responsabilidade do mesmo e ninguem mais. O resto é autoritarismo asnoide terceiromundista.

Pedrinho do Toddy…vc percebeu ter uma natural propensao a se nutrir de morte e cadaveres para vomitar carniça ?

Nutra-se de coisas bonitas, de uma bela escultura, de uma pintura…vai te fazer bem.

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carlos

29 de novembro de 2022 às 18h05

O Dudu bananinha, sabem que ele foi fazer no catar, assistir o jogo da copa do mundo as custas segundo the voice, não fez a não ser ponte Aérea entre Rio são paulo, o povo são paulo são meios burro, elegem cada gente sem a mínima serventia.

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