O USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, chegou à América Latina nesta terça-feira (11), ampliando a presença militar dos Estados Unidos na região e elevando a tensão com a Venezuela. A movimentação é interpretada como um sinal direto de pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, que ordenou a mobilização de tropas após a confirmação da operação norte-americana.
A embarcação faz parte de uma frota composta por oito navios de guerra, um submarino nuclear e aeronaves F-35, integrando uma série de ações navais, aéreas e terrestres que o Pentágono intensificou no Caribe e em Porto Rico. Nesta mesma estratégia, os Estados Unidos reativaram uma base militar desativada há mais de duas décadas, segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, com base na Reuters.
Pressão sobre o governo venezuelano
Desde o agravamento da crise entre os dois países, os Estados Unidos realizaram ao menos quatro missões de bombardeiros na costa da Venezuela e vêm atacando embarcações consideradas suspeitas de envolvimento com o narcotráfico. Os ataques deixaram ao menos 75 mortos, de acordo com autoridades norte-americanas.
Washington acusa Maduro de liderar um cartel internacional de drogas, uma acusação negada pelo presidente venezuelano. A administração Donald Trump mantém diferentes alternativas estratégicas em aberto, segundo a imprensa dos EUA. Há relatos de que a Casa Branca teria autorizado ações de inteligência em território venezuelano como forma de pressionar o governo de Caracas.
Reação de Caracas e alerta de aliados
O governo venezuelano classificou a presença militar americana como “provocação” e afirmou que a movimentação constitui risco à soberania do país. Maduro alternou declarações de mobilização com apelos por diálogo, pedindo que Washington “pare de fabricar uma guerra”.
Países aliados da Venezuela expressaram preocupação com a escalada. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na última sexta-feira (7) que Moscou “está pronta para atender aos apelos da Venezuela por ajuda” caso a situação avance para um cenário mais grave. Apesar disso, não há indicação clara de uma intervenção militar russa.
China e Irã também manifestaram inquietação com o aumento da presença militar dos EUA em águas próximas à Venezuela.
Crescimento da presença militar dos EUA na região
O envio do USS Gerald Ford é avaliado por analistas como parte de uma estratégia de dissuasão. O porta-aviões é considerado o mais avançado da frota dos EUA, capaz de operar dezenas de aeronaves ao mesmo tempo e permanecer longos períodos em missão distante de sua costa.
Com o deslocamento da embarcação, os Estados Unidos ampliam sua influência militar no Caribe e reafirmam sua disposição de adotar medidas mais rígidas em relação ao governo Maduro.
Para Caracas, a chegada do porta-aviões representa uma tentativa de intimidação e reforça o alerta para o risco de uma escalada militar inédita na América Latina.


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