Não é de hoje que se reconhece a importância da vacinação na proteção contra inúmeras doenças. A síndrome pós-pólio é uma condição neurológica que afeta pessoas infectadas pela poliomielite na infância, muitas vezes por não terem sido vacinadas. Com o passar dos anos, novos sintomas podem surgir e impactar, de forma frequentemente dolorosa, a vida desses pacientes.
Filipe Di Pace, neurologista especializado em doenças neuromusculares e médico do Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica como a síndrome se manifesta: “A síndrome pós-pólio ocorre em pessoas que tiveram infecção pelo vírus da poliomielite na infância, podendo ter causado ou não um quadro de paralisia flácida, geralmente assimétrica, afetando um braço ou uma perna. Esse quadro permanece estável ao longo do tempo, mas, após anos — normalmente entre dez e 20 anos ou mais —, o paciente pode começar a apresentar novos sintomas”.
Segundo o especialista, esses sinais incluem fadiga mais intensa, piora da fraqueza muscular e aumento da atrofia, podendo afetar tanto membros já comprometidos quanto outros anteriormente preservados. “Quando afastamos outras causas, entendemos que esses sintomas são secundários à infecção passada. É isso que chamamos de síndrome pós-pólio”, afirma.
A avaliação médica é importante. A doença pode se manifestar em diferentes fases da vida, o que reforça a importância de buscar avaliação médica diante de novos sintomas. Embora não tenha cura, há tratamentos que contribuem para melhorar a qualidade de vida do paciente. “O tratamento deve ter uma abordagem ampla, considerando o paciente como um todo. Ele pode apresentar fadiga, dor, perda de força muscular e alterações articulares que exigem cuidados ortopédicos. Por isso, a estratégia envolve fisioterapia, controle da dor — com medicamentos ou medidas físicas —, além de ajustes articulares, com uso de órteses ou até cirurgia, quando necessário”, explica Di Pace.
A principal forma de enfrentamento da doença, no entanto, é a prevenção. A poliomielite está erradicada no Brasil desde 1989, graças às campanhas de vacinação, o que reduz significativamente o surgimento de novos casos da síndrome.
No Sistema Único de Saúde (SUS) há políticas públicas voltadas tanto para a prevenção quanto para o atendimento de pacientes. “A melhor forma de evitar a síndrome pós-pólio é prevenir a poliomielite. Sem a infecção, não há a síndrome. No SUS, contamos com ambulatórios especializados em doenças neuromusculares e centros de reabilitação que auxiliam no cuidado desses pacientes, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER)”, conclui o neurologista.
Fonte: Jornal da USP.


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