O plano padrão da Netflix no Brasil saiu de R$ 14,99 em 2011 para R$ 44,90 hoje — alta de 201%. O que nasceu como alternativa barata à TV a cabo está virando uma conta tão pesada quanto ela. Essa tendência de aumento de preços não é exclusiva da Netflix. O Apple TV+ e o Prime Video também viram seus preços triplicarem desde suas respectivas chegadas ao país. O Disney+, por exemplo, cobra hoje R$ 46,90, quase o dobro do preço inicial de R$ 27,90 em 2020.
Com mais de vinte plataformas de streaming disponíveis no mercado brasileiro, o consumidor enfrenta uma escolha difícil. Para acompanhar as séries e filmes mais comentados, é comum que se tenha que assinar múltiplos serviços, o que pode resultar em um gasto mensal significativo. Segundo dados da Anatel, a TV por assinatura perdeu espaço, com uma queda de 17,7% em assinantes em 2025, enquanto o streaming ocupou parte desse espaço, mas com um modelo de cobrança que começa a se assemelhar ao da TV a cabo.
Um levantamento da Adyen Index revelou que 39% dos brasileiros pretendem cancelar ao menos uma assinatura de streaming. Muitos já estabelecem um teto de gastos para esse tipo de serviço. A pesquisa também mostrou que a saturação de ofertas e o aumento dos preços estão levando os consumidores a repensar suas assinaturas. A prática do ‘subscription cycling’, em que o consumidor assina uma plataforma por um curto período para consumir o conteúdo desejado antes de cancelar, está se tornando cada vez mais comum. Isso reflete uma perda de valor percebido, conforme apontou Lilian Carvalho, doutora em marketing e professora da FGV.
Além disso, o crescimento do mercado paralelo de IPTV, que oferece acesso a uma ampla variedade de conteúdos por um custo muito menor, é um indicativo de que muitos consumidores não estão dispostos a aceitar os preços atuais das plataformas de streaming. Estimativas da Anatel sugerem que entre 4 milhões e 6 milhões de brasileiros utilizam serviços de IPTV regularmente. Isso levanta questões sobre a capacidade do mercado formal de streaming de atender às demandas dos consumidores com preços compatíveis com a realidade econômica do país.
Para muitos brasileiros, manter o entretenimento em casa sem comprometer o orçamento exige estratégias como assinar apenas uma ou duas plataformas fixas, optar por planos com publicidade, ou aproveitar combos de operadoras de internet que incluem streaming. A fragmentação extrema do mercado de streaming pode estar chegando ao seu limite, com fusões de catálogos e parcerias comerciais emergindo como possíveis soluções.
Com informações de leianoticias.com.br.


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