Centenas de mulheres tomaram as ruas de Havana, capital de Cuba, no dia 7 de abril de 2026, em uma marcha contundente contra o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos à ilha.
A manifestação, que reuniu altos representantes do governo cubano, buscou pressionar os EUA a liberarem a chegada de petróleo ao país, essencial para a manutenção de serviços básicos.
Durante o protesto, cartazes com frases como ‘Tumba el bloqueo’ e ‘No more blockade’ foram erguidos, enquanto bandeiras cubanas tremulavam entre os participantes, simbolizando resistência e unidade.
O ato coincidiu com a data em que Vilma Espín, uma das figuras históricas da Revolução Cubana, completaria 96 anos. Espín, esposa de Raúl Castro e cunhada de Fidel Castro, é lembrada como um ícone da luta política no país.
Entre as autoridades presentes na marcha estavam a vice-primeira-ministra Inés María Chapman e a vice-ministra das Relações Exteriores, Josefina Vidal, que condenaram publicamente as sanções americanas, classificando-as como uma forma de punição coletiva contra o povo cubano, que sofre com a escassez de recursos energéticos.
As restrições impostas pelos EUA, intensificadas nos últimos anos, têm como objetivo limitar o acesso de Cuba a combustíveis, agravando a crise energética na ilha.
Como resultado, o país enfrentou pelo menos dois grandes apagões no último mês, impactando diretamente hospitais, escolas e outras infraestruturas essenciais.
Um alívio temporário foi registrado com a chegada de um petroleiro russo ao porto de Havana em 30 de março de 2026, seguido pelo anúncio da Rússia de que um segundo navio-tanque está a caminho, demonstrando o apoio de Moscou em meio às dificuldades enfrentadas pelos cubanos.
Em entrevista à AFP durante a marcha, Josefina Vidal destacou a necessidade de diálogo com os Estados Unidos para suspender as restrições ao fornecimento de petróleo.
Ela lembrou que, no passado, negociações durante o governo de Barack Obama, iniciadas em 2014, levaram a um período de distensão nas relações bilaterais, com a reabertura de embaixadas em 2015, embora as tensões tenham voltado a crescer nos anos seguintes.
Vidal reforçou que o bloqueio atual compromete a sobrevivência de milhares de famílias cubanas, que enfrentam dificuldades diárias devido à falta de energia.
A manifestação ganhou ainda mais relevância por ocorrer um dia após a visita de dois parlamentares progressistas do Congresso dos EUA, Pramila Jayapal e Jonathan Jackson, que se reuniram com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
Ambos expressaram preocupação com a situação humanitária na ilha e defenderam o fim imediato do bloqueio energético, apontando os impactos severos da escassez de combustível na vida da população.
De acordo com o portal Reuters, os congressistas planejam levar o tema ao debate em Washington, buscando sensibilizar outros legisladores sobre a urgência de revisar as políticas americanas em relação a Cuba.
O bloqueio dos EUA, que se estende por décadas, é frequentemente criticado por organizações internacionais e governos aliados de Cuba como uma medida que vai além da política, atingindo diretamente a qualidade de vida dos cidadãos.
A marcha em Havana reflete não apenas a insatisfação popular, mas também a determinação do governo cubano em buscar alternativas e apoios internacionais para contornar as sanções, enquanto a crise energética permanece como um dos maiores desafios enfrentados pela nação caribenha.
Com informações de aljazeera.com.


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