Um grupo de 15 organizações uruguaias, incluindo entidades de direitos humanos, encaminhou uma carta ao presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e ao chanceler Mario Bergara, manifestando profunda preocupação com a crise humanitária enfrentada por Cuba devido ao bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto à ilha.
O documento foi entregue no dia 7 de abril de 2026, tanto na Torre Executiva quanto no Ministério das Relações Exteriores, em Montevidéu.
De acordo com o portal Prensa Latina, as sanções têm restringido severamente o acesso dos cubanos a medicamentos essenciais, alimentos e outros recursos básicos, impactando diretamente a qualidade de vida da população.
As organizações signatárias, entre as quais estão Madres y Familiares de Detenidos Desaparecidos, a Fundação Mario Benedetti e a secretaria de Direitos Humanos do PIT-CNT, exigem que o governo uruguaio reforce sua postura histórica de defesa da autodeterminação dos povos e da não interferência em assuntos internos de outros países.
Nesse sentido, apelam para que o Uruguai condene publicamente o bloqueio em instâncias multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Além disso, as entidades sugerem que o país, caso mantenha um papel de liderança na Celac, impulsione esforços diplomáticos para a suspensão das medidas coercitivas e coordene o envio de ajuda humanitária a Cuba como gesto de solidariedade.
Outro ponto destacado na carta é o pedido para que o embaixador dos Estados Unidos no Uruguai, Lou Rinaldi, seja convocado pelo governo para prestar esclarecimentos sobre a política de sanções e seus efeitos devastadores na população cubana.
As organizações argumentam que o diálogo direto com representantes norte-americanos no país pode contribuir para pressionar por mudanças na postura dos EUA, que mantêm o bloqueio há décadas, mesmo diante de repetidas condenações internacionais.
A iniciativa das entidades uruguaias reflete um movimento crescente na América Latina de rejeição às políticas unilaterais que afetam a soberania de nações da região.
A carta também ressalta a importância de o Uruguai, como nação comprometida com os princípios de justiça e cooperação internacional, liderar pelo exemplo na defesa dos direitos humanos em fóruns globais.
As organizações expressam confiança de que o governo de Orsi, alinhado a uma tradição de diplomacia progressista, pode desempenhar um papel crucial na mitigação dos impactos do bloqueio sobre Cuba.
Elas reforçam que a solidariedade entre os povos latino-americanos é um pilar fundamental para enfrentar desafios comuns e superar legados de opressão externa.
Esse movimento no Uruguai ocorre em um contexto de renovada atenção internacional sobre as sanções a Cuba, que têm sido criticadas por diversos países e blocos regionais.
As organizações uruguaias esperam que sua iniciativa inspire outras nações a adotarem posições mais firmes contra o bloqueio, buscando soluções concretas para aliviar o sofrimento da população cubana.
O posicionamento do governo uruguaio, agora sob pressão de setores da sociedade civil, será acompanhado de perto nos próximos meses, especialmente em relação a eventuais ações na esfera diplomática.


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