Em um feito inédito, cientistas da Austrália e dos Estados Unidos conseguiram verificar experimentalmente o entrelaçamento do momento de átomos, algo até então só alcançado com fótons. Utilizando átomos ultrafrios de hélio e um complexo equipamento conhecido como Interferômetro Rarity-Tapster, a equipe abriu novas possibilidades para o estudo dos efeitos gravitacionais no reino quântico.
O universo, tal como o conhecemos, parece ser regido por duas grandes teorias: a Relatividade Geral de Albert Einstein e a mecânica quântica. Contudo, essas teorias não se integram harmoniosamente, especialmente quando se trata da gravidade. Enquanto Einstein descreve a gravidade como uma consequência da curvatura do espaço-tempo, físicos quânticos hipotetizam a existência do gráviton, uma partícula teórica que mediria a interação gravitacional.
Recentemente, um estudo conduzido por cientistas da Australian National University (ANU), da University of Queensland e da University of Oklahoma confirmou que o momento dos átomos pode ser entrelaçado. Esta descoberta é significativa porque, diferentemente dos fótons, os átomos possuem massa, permitindo que cientistas explorem efeitos quânticos e forças gravitacionais em um único experimento.
Segundo o portal Popular Mechanics, o experimento utilizou três nuvens de átomos de hélio frio suspensas em uma armadilha magnética. Ao desligar os ímãs, os átomos caíram sob a influência da gravidade, passando por pulsos de laser que criaram diferentes caminhos possíveis, permitindo o entrelaçamento. Este arranjo é parte de um teste de desigualdade de Bell, que desafia o realismo local de Einstein.
Yogesh Sridhar, principal autor do estudo, destacou que os resultados reforçam a confiança na teoria quântica e abrem caminho para testar teorias quânticas com objetos maiores. O pesquisador Sean Hodgman explicou que, para dois átomos separados e entrelaçados, alterar um deles afeta instantaneamente o outro, uma prova da natureza da realidade que desafia a compreensão tradicional da física.
Embora já se hipotetizasse que a matéria pudesse estar em múltiplos lugares simultaneamente, os avanços na medição e controle de átomos individuais só recentemente permitiram testar essa hipótese. Hodgman ilustrou que, ao se moverem por diferentes caminhos no espaço, os átomos podem experimentar efeitos gravitacionais distintos, o que agora pode ser estudado com sistemas entrelaçados.


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