Pesquisadores da Johns Hopkins Medicine identificaram o gene KLF5 como um fator crucial na propagação do câncer pancreático.
Em um estudo publicado na revista Molecular Cancer no dia 15 de março de 2026, os cientistas demonstraram que o KLF5 não modifica a sequência do DNA, mas reorganiza sua estrutura e as modificações químicas associadas, impactando diretamente quais genes são ativados ou silenciados.
Essa descoberta aponta para novas estratégias terapêuticas voltadas ao controle epigenético das células cancerígenas, oferecendo um caminho promissor para intervenções mais eficazes.
A pesquisa empregou a tecnologia CRISPR para desativar genes de forma sistemática, analisando quais deles exercem maior influência no crescimento de células cancerígenas.
O KLF5 emergiu como um dos principais promotores do crescimento e da disseminação de células metastáticas. Em amostras coletadas de pacientes, 10 dos 13 indivíduos diagnosticados com câncer pancreático apresentaram níveis elevados de atividade do KLF5 em pelo menos um tumor metastático, quando comparados ao tumor primário.
Esse dado reforça a relevância do gene no avanço da doença.
Os cientistas também constataram que o KLF5 desempenha um papel central na organização da cromatina, determinando como o DNA é compactado dentro das células. Essa organização é essencial para regular a atividade genética.
Mesmo pequenos aumentos na atividade do KLF5 podem amplificar significativamente a capacidade de crescimento e espalhamento das células cancerígenas. Andrew Feinberg, professor da Johns Hopkins e um dos líderes do estudo, destacou que reduzir parcialmente a atividade do KLF5 já poderia trazer benefícios substanciais no combate à progressão do câncer, sem a necessidade de eliminá-lo por completo.
Outro achado importante foi a interação do KLF5 com outros genes, como NCAPD2 e MTHFD1, especificamente em células de câncer pancreático metastático. Esses genes estão associados à modificação química do DNA e à alteração de sua estrutura, processos que potencializam a atividade genética descontrolada.
Kenna Sherman, primeira autora do estudo, enfatizou que as metástases não resultam de novas mutações no tumor primário, mas de alterações epigenéticas adicionais que favorecem a sobrevivência e a expansão do câncer. Essa perspectiva muda o foco de tratamentos baseados apenas em mutações genéticas para abordagens que considerem o ambiente epigenético das células.
O trabalho recebeu financiamento do National Institutes of Health, além de apoio de outras instituições renomadas. A colaboração envolveu pesquisadores de universidades como Yale e NYU Langone Health, ampliando a robustez dos resultados.
Para mais detalhes sobre a pesquisa, o portal da Molecular Cancer disponibiliza o artigo completo com os dados e metodologias empregados.
A identificação do papel do KLF5 no câncer pancreático representa um avanço notável, com potencial para inspirar terapias inovadoras que ataquem os mecanismos epigenéticos responsáveis pela progressão da doença, uma das mais letais entre os tipos de câncer.
Com informações de sciencedaily.com.


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