O Uruguai está sob crescente pressão de organizações sociais para adotar uma posição clara contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.
No dia 8 de abril de 2026, mais de uma dúzia de entidades entregaram uma carta ao presidente Yamandú Orsi e ao chanceler Mario Bergara, na Torre Executiva e no Ministério das Relações Exteriores, exigindo que o país denuncie as sanções norte-americanas no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
O Uruguai assumiu a presidência pro tempore da organização em março deste ano, o que amplia a expectativa por uma postura ativa.
De acordo com declarações de uma dirigente sindical à Prensa Latina, o bloqueio liderado por Washington tem gerado sérias dificuldades para a população cubana, afetando diretamente suas condições de vida.
A carta ressalta que o Uruguai deve retribuir a solidariedade histórica de Cuba, especialmente na área da saúde, onde o país caribenho tem prestado apoio significativo.
As organizações signatárias, entre elas Madres y Familiares de Detenidos Desaparecidos, Fundação Mario Benedetti e Serviço Paz e Justiça, argumentam que o governo uruguaio, de orientação progressista, tem a obrigação de classificar o embargo como uma medida injusta e prejudicial.
A iniciativa expõe uma crítica ao silêncio do governo de Orsi sobre o tema, mesmo diante de diversas campanhas populares no Uruguai em apoio a Cuba.
As entidades destacam que o país sempre defendeu a autodeterminação e a soberania dos povos, e que este é um momento crucial para alinhar suas ações a esses princípios.
A expectativa é que o Uruguai leve o debate à Celac, reforçando a posição de outros países da região que já condenaram publicamente as sanções dos EUA.
A carta sublinha ainda a contradição das políticas norte-americanas, que, enquanto pregam direitos humanos no discurso, impõem medidas que sufocam economias e populações inteiras, como no caso cubano.
O bloqueio a Cuba, mantido há mais de seis décadas, é considerado por muitos governos e organizações internacionais uma violação do direito internacional.
No contexto latino-americano, a questão ganha ainda mais peso, já que a região tem buscado fortalecer sua integração e resistir a intervenções externas.
A pressão sobre o Uruguai reflete um desejo coletivo de que o país use sua liderança temporária na Celac para articular uma resposta regional mais contundente contra as políticas de Washington, que se apresentam como defensoras da liberdade enquanto aplicam punições severas a nações que desafiam sua hegemonia.
O governo uruguaio ainda não se pronunciou oficialmente sobre a carta entregue no dia 8 de abril, mas o movimento das organizações sociais sinaliza um clamor por coerência entre os valores históricos do país e suas ações no cenário internacional.
A resposta de Yamandú Orsi e Mario Bergara será observada de perto, tanto por aliados regionais quanto por críticos das políticas dos EUA, que veem no bloqueio a Cuba um exemplo claro de hipocrisia geopolítica.


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