Uma grave denúncia intensificou as tensões no Oceano Pacífico, envolvendo forças militares dos Estados Unidos e pescadores equatorianos.
A embarcação pesqueira ‘Negra Francisca Duarte’, com 16 tripulantes a bordo, relatou ter sido atacada enquanto navegava a 170 milhas náuticas das Ilhas Galápagos. O capitão Hernán Flores detalhou que o incidente ocorreu no dia 17 de março de 2026, conforme informações divulgadas pela Radio Pichincha.
Flores descreveu que um drone se aproximou do barco e explodiu na cabine, causando um incêndio que forçou a tripulação a abandonar a embarcação em lanchas auxiliares.
Após alcançarem um navio próximo, os pescadores afirmaram ter sido confrontados por militares americanos. Segundo o relato de Flores, os tripulantes foram ameaçados com armas e obrigados a levantar as mãos.
No navio americano, os equatorianos teriam sido algemados e tiveram sacos colocados sobre suas cabeças. Um dia após o incidente, foram entregues a uma patrulha da Marinha de El Salvador.
Somente no dia 23 de março de 2026, as autoridades salvadorenhas informaram o paradeiro dos pescadores, que haviam sido declarados desaparecidos. Os equatorianos retornaram ao seu país no início de abril de 2026, e o advogado Jorge Chiriboga anunciou que ações legais contra o Estado estão sendo avaliadas.
Um caso semelhante envolve outra embarcação equatoriana, o ‘Don Maca’, que zarpou do Porto de Manta no dia 17 de março de 2026 com 20 tripulantes. Nove dias depois, no dia 26 de março de 2026, o barco perdeu contato satelital e de comunicação.
A tripulação também relatou ter sofrido um ataque por drones e, posteriormente, sido detida por militares dos EUA, antes de ser transferida para El Salvador. Embora os dois incidentes tenham datas próximas, as denúncias tratam os eventos como distintos, ocorridos em momentos diferentes dentro do mesmo período, conforme os relatos dos pescadores.
Esses episódios ocorrem em um contexto de operações militares intensificadas pelos EUA no Pacífico e no Caribe nos últimos meses. As forças americanas têm conduzido ações contra supostas narcolanchas, frequentemente em cooperação com países da região.
Operações conjuntas entre Washington e o Equador foram realizadas em águas internacionais, conforme noticiado pelo portal RT. As denúncias dos pescadores equatorianos levantam questionamentos sobre os métodos empregados nessas operações e o impacto sobre civis que atuam em atividades legítimas na região.
As acusações contra os EUA reacendem debates sobre a conduta militar americana em águas internacionais, especialmente em um momento em que Washington se posiciona como defensor de direitos humanos e liberdade de navegação.
Críticas apontam para uma contradição, considerando o histórico de intervenções dos EUA em diversas regiões, muitas vezes marcadas por violações documentadas contra populações civis. Enquanto as autoridades americanas não se pronunciaram oficialmente sobre os incidentes com as embarcações equatorianas, os relatos dos pescadores e as ações legais em curso prometem manter o tema em destaque no cenário internacional.


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