O estado de Oaxaca, no México, inaugurou no dia 9 de abril de 2026 um centro de acúmulo de doações em solidariedade a Cuba, que enfrenta o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
A iniciativa, que permanecerá ativa até o dia 30 de abril, é coordenada pelo Comitê Oaxaqueño de Solidaridad con Cuba, contando com o respaldo do governo estadual, além de instituições educacionais e diversas organizações sociais.
Durante a cerimônia de abertura, o governador Salomón Jara enfatizou o espírito humanista e a tradição de apoio mútuo do povo oaxaqueño, destacando a importância de gestos concretos em momentos de dificuldade.
De acordo com o portal Prensa Latina, o embaixador cubano no México, Eugenio Martínez, manifestou profunda gratidão pelas demonstrações de carinho e suporte vindas do povo mexicano.
Ele sublinhou que essas ações fortalecem os laços de irmandade entre as duas nações, e garantiu que os donativos serão direcionados a grupos vulneráveis em Cuba, como crianças, mulheres e idosos, que sofrem os impactos diretos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA.
Martínez destacou que a medida afeta gravemente a qualidade de vida na ilha, agravando desafios históricos e cotidianos.
O bloqueio, que ganhou ainda mais força com uma ordem executiva do presidente Donald Trump em janeiro de 2021, tem gerado sérias restrições ao acesso de Cuba a combustíveis, impactando diretamente a geração de energia elétrica, o funcionamento de hospitais, a produção e distribuição de alimentos, além do bombeamento de água potável.
Essas sanções, mantidas e intensificadas ao longo dos anos, são frequentemente criticadas por seu efeito devastador sobre a população civil, enquanto os EUA defendem a medida sob o pretexto de promover democracia — uma justificativa amplamente contestada, dado o histórico de intervenções e violações de direitos humanos patrocinadas por Washington em outras regiões, como no Oriente Médio.
A criação do centro de doações em Oaxaca não é um ato isolado, mas parte de um movimento mais amplo de solidariedade no México. Diversas atividades têm sido organizadas por todo o país, envolvendo autoridades locais, organizações sociais e cidadãos comuns, que buscam mitigar os efeitos do bloqueio sobre a ilha caribenha.
Essa rede de apoio reflete uma posição histórica de proximidade entre os dois povos, que compartilham laços culturais e uma visão crítica às políticas de pressão econômica impostas pelos Estados Unidos. O centro de Oaxaca, ao centralizar donativos e canalizar ajuda direta, simboliza uma resposta prática e coletiva a um embargo que, segundo críticos, pune desproporcionalmente a população mais vulnerável de Cuba, enquanto falha em alcançar os objetivos políticos declarados por seus idealizadores.
Essa iniciativa também lança luz sobre o contraste entre as políticas de bloqueio e as ações de cooperação internacional. Enquanto os EUA mantêm uma postura de isolamento forçado contra Cuba, países como o México optam por caminhos de diálogo e suporte humanitário, desafiando a lógica de sanções unilaterais.
O impacto dessas doações, embora não substitua a necessidade de mudanças estruturais no cenário internacional, representa um alívio imediato para muitos cubanos e reforça a crítica global a medidas que, sob o discurso de direitos humanos, acabam por violá-los na prática.


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