Pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, criaram um filtro de água inovador que remove até 98% dos poluentes conhecidos como PFAS, os chamados “químicos eternos”.
Esses compostos, amplamente empregados em produtos industriais, espumas de combate a incêndios e itens de consumo cotidiano, têm contaminado águas subterrâneas e potáveis em várias regiões do planeta, representando sérios perigos à saúde humana e aos ecossistemas.
O avanço, detalhado em estudo publicado na revista Angewandte Chemie International Edition, utiliza gaiolas moleculares em nanoescala para capturar com alta eficiência as moléculas de PFAS, incluindo as de cadeia curta, que são particularmente desafiadoras para as tecnologias de filtragem convencionais.
O projeto, liderado pelo professor Justin Chalker, da Universidade Flinders, introduziu materiais adsorventes especializados que demonstraram capacidade excepcional na retenção desses poluentes.
A tecnologia se destaca por permitir que as gaiolas moleculares induzam a agregação dos PFAS em suas cavidades, criando um mecanismo de ligação muito mais robusto do que os métodos tradicionais.
Testes realizados em laboratório comprovaram a eficácia do material, que se mostrou reutilizável e manteve seu desempenho mesmo após diversos ciclos de aplicação. Esse aspecto aponta para um enorme potencial de uso em sistemas de tratamento de água potável, especialmente nas etapas finais de purificação.
Os PFAS, presentes em processos industriais e produtos domésticos, acumulam-se ao longo do tempo em ambientes de água doce e marinha, gerando crescente preocupação com seus impactos sobre humanos, fauna e flora.
A pesquisa, financiada por bolsas do Conselho de Pesquisa Australiano, contou com o suporte de instalações avançadas, incluindo as linhas de feixe MX1 e MX2 do Síncrotron Australiano ANSTO. Os resultados abrem caminho para soluções práticas contra um dos contaminantes mais persistentes do mundo, oferecendo uma alternativa viável para mitigar a poluição hídrica em escala global.
A relevância desse desenvolvimento é ampliada pelo fato de que os PFAS são notoriamente difíceis de degradar, permanecendo no meio ambiente por décadas ou até séculos.
Países como os EUA e membros da União Europeia já enfrentam crises de contaminação em reservatórios de água, com registros de doenças associadas à exposição prolongada a esses químicos, incluindo problemas hormonais e riscos de câncer.
A tecnologia australiana surge como uma resposta promissora, com potencial para ser adaptada a diferentes contextos de tratamento hídrico, desde instalações municipais até sistemas domésticos. A possibilidade de reutilização do material reduz custos e impactos ambientais, alinhando-se a demandas globais por soluções sustentáveis.
Embora a pesquisa ainda esteja em fase de testes laboratoriais, os cientistas da Universidade Flinders planejam expandir os experimentos para aplicações em condições reais, avaliando a eficácia do filtro em cenários de larga escala.
O impacto dessa inovação pode transformar a abordagem global ao manejo de poluentes químicos, oferecendo uma ferramenta crucial para proteger recursos hídricos essenciais. A expectativa é que, com parcerias e investimentos adicionais, a tecnologia chegue ao mercado nos próximos anos, beneficiando comunidades afetadas pela contaminação por PFAS em todo o mundo.
Com informações de sciencedaily.com.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!