Menu

Bloqueio naval dos EUA ao Irã é ato de guerra contra a China e toda a Ásia

0 Comentários🗣️🔥 Pequim acusa Washington de atacar diretamente a segurança energética de toda a Ásia. Pelo direito internacional, um bloqueio naval em tempo de conflito é considerado ato de guerra — e, ao fechar os portos iranianos, os Estados Unidos estão, na prática, declarando guerra não só ao Irã, mas também ao principal fornecedor de […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Reuters

Pequim acusa Washington de atacar diretamente a segurança energética de toda a Ásia. Pelo direito internacional, um bloqueio naval em tempo de conflito é considerado ato de guerra — e, ao fechar os portos iranianos, os Estados Unidos estão, na prática, declarando guerra não só ao Irã, mas também ao principal fornecedor de petróleo da China e de grande parte do continente asiático.

É o cúmulo da ironia: os Estados Unidos, que por décadas se venderam ao mundo como os “delegados dos mares” e supostos guardiões da liberdade de navegação, agora se tornaram oficialmente o pirata dos mares. Com esse bloqueio, Washington assume abertamente o papel de agressor marítimo, usando sua Marinha para estrangular rotas comerciais vitais.

A China importa mais de 90% do petróleo que o Irã consegue exportar. Mas não é só ela. Japão, Coreia do Sul, Índia e outros grandes importadores asiáticos — inclusive os principais aliados dos EUA na região — dependem criticamente do petróleo que passa pelo Estreito de Hormuz. O bloqueio imposto pela Marinha americana, que entrou em vigor na segunda-feira, é um golpe calculado contra toda a economia asiática, que sofre as consequências diretas dessa irresponsabilidade e desse bullying sem limites de Washington.

O Ministério das Relações Exteriores da China classificou a ação como “irresponsável e perigosa”. Segundo o porta-voz Guo Jiakun, o bloqueio “mina o já frágil cessar-fogo” e coloca em risco a navegação no Estreito de Hormuz — via crucial que o Irã fechou em resposta aos ataques americano-israelenses.

O timing não foi casual. O bloqueio começou um dia depois do fracasso das conversas de paz entre EUA e Irã no Paquistão. Donald Trump justificou a medida como forma de forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Analistas, porém, são diretos: o verdadeiro alvo vai muito além de Teerã. Ao estrangular o fluxo de petróleo iraniano, Washington quer obrigar a China e os demais países asiáticos a pressionar o Irã — ou pagar o preço de ver seu suprimento energético cortado.

Até agora, navios chineses eram praticamente os únicos que ainda conseguiam cruzar o Estreito de Hormuz. Não está claro se pagavam “pedágio” ao Irã, mas o fato é que o bloqueio americano ameaça cortar de vez esse suprimento para toda a Ásia. As consequências podem ser devastadoras: alta nos preços de combustível, inflação, risco de desabastecimento energético e sérios prejuízos para economias que dependem desse óleo barato para manter suas indústrias e seu crescimento.

Em coletiva nesta terça-feira, Guo Jiakun deixou o recado claro:

“Só um cessar-fogo abrangente e o fim da guerra podem criar condições reais para aliviar a situação no estreito.”

Ele pediu que todas as partes respeitem o acordo de trégua e priorizem o diálogo. Guo também negou categoricamente que a China esteja enviando novos sistemas de defesa antiaérea ao Irã, chamando a informação de “completamente fabricada”. Trump já havia ameaçado impor tarifa de 50% sobre todos os produtos chineses caso Pequim prestasse qualquer ajuda militar a Teerã. A resposta chinesa foi seca:

“Se os EUA usarem isso como pretexto para novas tarifas, a China tomará contramedidas resolutas.”

Do lado americano, o vice-presidente JD Vance não escondeu o jogo. Acusou o Irã de “terrorismo econômico” por bloquear o estreito e atacar navios. “Dois podem jogar esse jogo”, disse Vance à Fox News. “Se os iranianos querem fazer terrorismo econômico, nenhum navio iraniano vai sair.”

Washington afirma que sua Marinha não vai impedir navios que usem o estreito para portos de outros países. Na prática, porém, o bloqueio mira os portos iranianos no Golfo, com a frota americana operando no Golfo de Omã e no Oceano Índico para evitar confrontos diretos perto da costa iraniana.

Mesmo assim, dados de navegação analisados pela BBC Verify mostram que pelo menos quatro navios ligados ao Irã cruzaram o estreito nesta terça-feira — sinal de que o bloqueio ainda não é total.

Enquanto isso, o preço do petróleo recuou e voltou a ficar abaixo de US$ 100 o barril, refletindo a incerteza do mercado sobre quanto tempo esse confronto vai durar.

O cessar-fogo entre EUA e Irã, em vigor desde 8 de abril, segue extremamente frágil. Os pontos mais explosivos continuam sendo o status do Estreito de Hormuz e a inclusão (ou não) do Líbano no acordo. Israel insiste que a trégua vale só para o Irã e mantém bombardeios pesados contra o Hezbollah, com centenas de mortos. As primeiras negociações diretas entre Líbano e Israel em décadas estão marcadas para ocorrer nos Estados Unidos.

, ,
Apoie o Cafezinho

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Mais matérias deste colunista
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes