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Submarino descobre estruturas misteriosas no fundo da Antártida e desaparece sem deixar rastros

0 Comentários🗣️🔥 Um veículo subaquático autônomo avançado mapeou mais de 140 km² sob uma plataforma de gelo na Antártida antes de perder contato com a base, desaparecendo nas profundezas. O robô, chamado Ran, havia realizado 14 missões bem-sucedidas até então, revelando formações geológicas até então desconhecidas que desafiam modelos climáticos vigentes. A descoberta destaca a complexidade […]

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 21:56

Um veículo subaquático autônomo avançado mapeou mais de 140 km² sob uma plataforma de gelo na Antártida antes de perder contato com a base, desaparecendo nas profundezas. O robô, chamado Ran, havia realizado 14 missões bem-sucedidas até então, revelando formações geológicas até então desconhecidas que desafiam modelos climáticos vigentes. A descoberta destaca a complexidade estrutural do derretimento polar, um fator chave para o aumento do nível dos oceanos em escala global.

No curso da expedição à plataforma Dotson, na Antártida Ocidental, o submarino percorreu cerca de 17 km rumo ao centro de uma cavidade submersa. A missão era liderada por Anna Wåhlin, professora de oceanografia física da Universidade de Gotemburgo, que investiga como correntes oceânicas contribuem para o desgaste das geleiras por baixo. Equipado com sonares de alta resolução, Ran registrou planaltos extensos, degraus em formato de terraços e buracos em forma de gota esculpidos pela água quente diretamente no teto de gelo.

Essas formações, invisíveis aos radares e satélites tradicionais, surpreenderam pesquisadores pelo tamanho expressivo e pelos padrões incomuns. Algumas cavidades atingem quase 300 metros de comprimento e cerca de 50 metros de profundidade. De acordo com relatórios recentes do projeto, o mapeamento detalhado indicou que o derretimento na base da plataforma ocorre de modo mais assimétrico e intenso do que sugerido por estimativas anteriores.

Na porção leste da plataforma, degraus foram esculpidos por água relativamente fria, mantendo parte da estrutura mais estável. Já o lado oeste apresenta sinais de desgaste acentuado, atribuído a correntes quentes e salgadas do oceano profundo. Nessas zonas, o atrito constante gera superfícies suaves e fendas profundas por onde a geleira pode perder até 12 metros de espessura por ano. Os dados obtidos pelo Ran evidenciam que essas fraturas funcionam como canais ocultos, conduzindo calor marinho e acelerando o recuo da plataforma.

Explorar essas regiões debaixo do gelo apresenta desafios tecnológicos enormes. Ran operava de modo inteiramente autônomo, pois sinais de rádio e GPS das bases na superfície não atravessam a espessa camada de gelo. O veículo dependia de sistemas acústicos complexos para orientação, navegando no escuro entre o leito oceânico irregular e o teto frágil da geleira.

O alto risco das missões se confirmou de modo dramático na fase final da campanha científica. Ao retornar à plataforma Dotson com o objetivo de expandir o mapeamento do fundo oceânico e coletar novas amostras, o robô foi enviado para uma travessia isolada programada para 24 horas contínuas. Quando estava prevista a recuperação do equipamento, no horário combinado, ele não retornou, e o mar permaneceu silencioso.

Tentativas de restabelecer contato remoto falharam, e até o momento nenhuma parte do dispositivo ou destroços foram localizados. Especialistas consideram que Ran possa ter sofrido uma falha de software que desorientou seus sistemas principais ou colidido com afloramentos de gelo não mapeados. Apesar da perda do equipamento, os dados coletados, agora publicados na revista Science Advances, já modificam o entendimento acadêmico sobre a interação entre gelo continental e oceano.

Por que isso interessa? O recuo acelerado da Antártida pode afetar gravemente regiões costeiras, inclusive do Brasil e de outros países do Sul Global. Plataformas de gelo funcionam como barreiras naturais para geleiras terrestres, retardando seu deslizamento para o oceano. Entender os mecanismos desse processo de desgaste é essencial para que governos planejem infraestrutura resiliente e adaptem-se a possíveis impactos do aumento do nível do mar nos próximos anos.

Com informações de earth.com.

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