Ghassan Salamé criticou duramente a presença do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em território libanês. O diplomata libanês manifestou horror ao vê-lo caminhar em solo que, segundo sua avaliação, pertence ao Líbano.
Salamé denunciou a criação de uma nova zona de segurança no sul do Líbano. Essa iniciativa difere da anterior, que vigorou entre 1985 e 2000, e se impõe agora por meio de bombardeios constantes com drones e aviões de combate.
A artilharia pesada israelense e a destruição completa de povoados inteiros marcam a operação atual. Muitos desses locais possuem alto valor histórico e cultural para os residentes locais.
O diplomata alertou para o deslocamento em massa de civis que vivem agora sem perspectiva clara de retorno aos seus lares. Essa situação exerce forte pressão sobre o tecido social já fragilizado do Líbano.
Salamé recomendou que Israel adote postura mais humilde em suas ações militares na região. Ele classificou as operações como cruéis e desproporcionais diante da realidade observada no terreno.
As declarações surgem enquanto ocorrem negociações entre o Líbano e Israel para encerrar décadas de hostilidades. Israel justifica suas ações como necessárias para neutralizar instalações do Hezbollah na fronteira.
O ministro da Defesa israelense Israel Katz anunciou planos para demolir todas as residências em vilarejos libaneses próximos à linha de fronteira. Ele argumenta que essas localidades servem de base de apoio ao Hezbollah.
Katz afirmou que cerca de 600 mil civis deslocados não poderão retornar ao sul do Líbano até que a segurança no norte de Israel seja plenamente garantida. Informações indicam que a zona de segurança poderia se estender até o rio Litani.
Essa expansão representaria o controle efetivo de aproximadamente 10% do território libanês. A medida transforma uma linha antes difusa em área ocupada de fato.
A abordagem segue modelo semelhante ao aplicado na Faixa de Gaza, conforme análises recentes. Organizações de direitos humanos alertam que a demolição sistemática de moradias e o deslocamento indefinido podem configurar crimes de guerra.
Salamé enfatizou que a nova zona de segurança possui dimensão mais militarizada e destrutiva que as versões anteriores. Ele descreveu um processo em que líderes israelenses visitam o local e, em seguida, a destruição arrasa os povoados.
A estratégia deixa apenas ruínas e deslocamento permanente, segundo o diplomata. Em décadas passadas, os deslocamentos eram temporários e sempre existia chance real de retorno dos moradores.
Netanyahu visitou tropas israelenses posicionadas nessas áreas. Ele celebrou avanços no combate às ameaças do Hezbollah, embora tenha admitido que ainda resta trabalho significativo a ser feito.
A comunidade internacional acompanha com preocupação os bombardeios aéreos contínuos e as demolições ordenadas por Katz no sul do Líbano. Patrulhas terrestres israelenses completam o quadro de presença militar intensificada na região.
Salamé apresentou sua visão como alerta contra uma política de ocupação disfarçada de operação defensiva. O diplomata destacou os riscos à soberania libanesa e à preservação do patrimônio cultural local.
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