A coronel norte-americana Karen Kwiatkowski acusa o governo Trump de acelerar o colapso do império americano. Ela sustenta que a forma teatral de conduzir negociações — especialmente com o Irã — revela que o poder político está mais interessado em propaganda do que em solução real.
Segundo a coronel, durante reuniões em Islamabad envolvendo o vice-presidente Vance e uma delegação técnica, os iranianos chegaram preparados com documentos. Já os americanos, continua ela, enviaram pessoas sem credenciais ou sem preparo, como Kushner e Witkoff, que no seu entender não têm legitimidade para negociar e teriam sido empregados para criar aparência, não compromisso efetivo.
O trecho da entrevista foi exibido no canal do júri Andrew Napolitano em 14 de abril de 2026, com Napolitano como apresentador. A coronel Kwiatkowski, ex-analista militar no Pentágono e funcionária pública, tornou-se voz crítica ao militarismo dos Estados Unidos após se opor à invasão do Iraque, tendo publicado e falado extensivamente sobre imperalismo, autoridade militar e liberdades civis.
Kwiatkowski classifica como “performativa” a negociação americana com o Irã, porque o governo aceitou delegações mal preparadas. Ela acredita que isso indica uma ausência de vontade real de compromisso ou entendimento mútuo. Ela aponta que Kushner e Witkoff, personagens destacados na negociação, perderam credibilidade e não deveriam estar no processo diplomático.
Ela ressalta que o Irã, apesar das sanções, acusações e ataques, tem mantido uma postura de dignidade em suas comunicações. Para ela, os iranianos distinguem claramente governo dos Estados Unidos de sua população, adotam discurso respeitoso e demonstram constância mesmo em face de agressões severas. Esse contraste, afirma, funciona como força estratégica.
A coronel critica Trump por afirmar que “não compromete” e por exigir 100% de seus termos em negociações, algo que ela considera ridículo. Para ela, isso facilita o espetáculo político — menos diplomacia, mais retórica de poder absoluto. Ela vê isso como autoengrandecimento que não leva a nenhum acordo sério.
Além disso, Kwiatkowski destaca a deterioração da imagem global americana. Ela afirma que o governo tem sido alertado por aliados e concorrentes sobre os danos econômicos e políticos de suas ações. Segundo ela, Trump desconsidera vozes que dizem que suas políticas externas estão isolando o país, que estão destruindo cadeias de exportação e paralisando indústrias estratégicas no Golfo.
Ela enfatiza que Trump “acelerou” o colapso de um império já em fissura. Para Kwiatkowski, o poder unipolar norte-americano já se encontrava em decadência, desmoralizado globalmente por décadas de guerras, sanções e intervenções. Mas ela prevê que as ações recentes de Trump agravam essa decadência.
No campo das liberdades civis, a coronel manifesta profundo alarme. Ela afirma que os impostos estão se complexificando, que demandas por entrega de dados pessoais proliferam. O uso de vigilância governamental, bancos de dados acessíveis para Inteligência Artificial e regulamentos multiplicados ameaçam direitos de propriedade, liberdade econômica e privacidade. Para ela, é um crescimento invisível, mas persistente, da tirania.
Ela admite que a queda do império pode ser desejável ou inevitável. Mas busca saber os custos disso: quantas vidas serão ceifadas, quantas economias ruirão? Como será preservada a liberdade num país já moldado por crença imperial? Ela sugere que estamos sendo preparados para sermos servos do império global, mesmo que o império esteja morrendo.
A coronel relata que o desdobramento da guerra não é só no exterior, mas em casa. O poder do Estado cresce, regula e espia de “um milhão de maneiras”. Ela teme que, quando o império for desmantelado externamente, sua tirania interna permanecerá. As liberdades que se espera defender para outros povos podem não sobreviver para os próprios cidadãos americanos.


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