Uma missão completa ida e volta a Marte poderia durar **153 dias** — cerca de cinco meses — na estimativa extrema apresentada num estudo aceito pela revista científica **Acta Astronautica**. Foi o que apresentou o professor Marcelo de Oliveira Souza, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), com uma rota interplanetária que usa órbita do asteroide 2001 CA21 e inteligência artificial para reduzir o tempo até três vezes.
No modelo mais viável, já compatível com tecnologia atual, o ciclo completo levaria **226 dias** — pouco mais de sete meses — para ida, estadia em Marte e retorno à Terra.
Atualmente, missões semelhantes exigem entre **dois e três anos** para todo o ciclo, considerando existência de janelas de lançamento, tempo em solo marciano e retorno.
O estudo, intitulado “Using Asteroid Early Orbital Data for Rapid Mars Missions”, propõe explorar o asteroide **2001 CA21**, cujas órbitas iniciais são próximas tanto da Terra quanto de Marte. Souza identificou alinhamentos naturais entre esses corpos celestes que formam “corredores geométricos” capazes de otimizar energia e trajeto.
Outra descoberta importante do artigo é que **2031** é a janela de lançamento ideal para aproveitar esses alinhamentos favoráveis. A configuração planetária nesse ano permitiria não só uma ida rápida, mas também o retorno no mesmo ciclo usando essas rotas calculadas.
Souza trabalha nessa proposta desde **2015**, mas só recentemente os recursos de inteligência artificial e capacidade de processamento tornaram possível testar simulações complexas com diversas variáveis orbitais. Isso inclui diferentes janelas de partida, sincronizações entre planetas e ao menos um asteroide-anfitrião para aquisição de dados iniciais.
Reduzir o tempo de viagem em mais de 12 meses reduz de modo significativo a exposição dos astronautas à radiação do espaço profundo e aos efeitos da microgravidade sobre ossos e músculos. Menos dias em trajetória significam menos suprimentos, menor desgaste físico e menores riscos técnicos.
No entanto, o pesquisador deixa claro que este é um **modelo teórico**. Para missões tripuladas, serão necessários testes não tripulados, ajustes na carga útil, sistemas de proteção radiológica, suporte vital e tecnologias de foguetes adequadas ao perfil da missão.
Essa proposta configura-se como um avanço relevante para o Brasil: oferece uma solução inovadora e econômica, baseada em análise matemática e inteligência orbital, reforçando a soberania tecnológica nacional. Pode também reconfigurar a corrida espacial internacional, se validada na prática.
Com informações de diarinho.net.
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