Dois cientistas responsáveis por pesquisas fundamentais conquistaram o Prêmio Breakthrough em Ciências da Vida no valor de US$ 3 milhões. A honraria reconhece o trabalho de décadas que culminou na primeira terapia aprovada com edição genética CRISPR para anemia falciforme e beta-talassemia.
A doutora Swee Lay Thein, do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, e o doutor Stuart H. Orkin, da Universidade Harvard, foram os premiados. O trabalho deles permitiu o desenvolvimento da terapia gênica Casgevy, que desativa um gene específico para reativar a produção de hemoglobina fetal saudável.
A anemia falciforme afeta entre 7 e 8 milhões de pessoas no mundo, com alta prevalência na África. Nesses pacientes, as hemácias assumem forma de foice, obstruem os vasos sanguíneos e provocam crises de dor intensa, além de complicações graves.
Já a beta-talassemia resulta na produção insuficiente de hemoglobina. Muitos pacientes dependem de transfusões sanguíneas regulares ao longo de toda a vida.
A Casgevy foi aprovada para os casos graves dessas duas condições. Ela corrige o defeito ao editar células-tronco hematopoéticas colhidas do próprio paciente com a tecnologia CRISPR.
O trabalho da doutora Thein teve início nos anos 1980, quando ela investigava os motivos de formas mais leves da doença em certas pessoas. Estudos anteriores mostravam que bebês portadores da mutação permaneciam assintomáticos enquanto produziam hemoglobina fetal.
Essa hemoglobina fetal é naturalmente substituída pela versão adulta após o nascimento. Thein analisou famílias que mantinham altos níveis dessa proteína benéfica durante a vida adulta.
Em uma família numerosa de origem indiana com mais de 200 membros, e em estudos com gêmeos idênticos e fraternos, ela identificou variantes genéticas associadas à persistência da hemoglobina fetal. Essas pistas permitiram localizar o gene regulador BCL11A no cromossomo 2.
O gene BCL11A atua como repressor que desliga a produção de hemoglobina fetal à medida que a criança cresce. A descoberta revelou o mecanismo central por trás da transição para a hemoglobina adulta.
O doutor Orkin, hematologista pediátrico do Hospital Infantil de Boston e do Instituto Dana-Farber, demonstrou como o BCL11A controla essa troca molecular. Suas pesquisas indicaram que a edição genética para desativar a região repressora poderia restaurar níveis terapêuticos de hemoglobina fetal.
A empresa Vertex Pharmaceuticals aplicou essas descobertas para criar a Casgevy. A terapia extrai células da medula óssea, edita o gene BCL11A em laboratório e reinfunde as células modificadas após quimioterapia intensa.
As células editadas produzem quantidades elevadas de hemoglobina fetal. O resultado é uma cura funcional que elimina as crises dolorosas e normaliza a oxigenação sanguínea na maioria dos pacientes.
O tratamento ainda enfrenta barreiras significativas de acesso. O processo pode levar até um ano, exige quimioterapia agressiva e custa milhões de dólares, o que limita seu uso nas regiões da África, Ásia e Mediterrâneo onde as doenças são mais prevalentes.
A doutora Thein reconheceu que a terapia atual é fisicamente exaustiva para os pacientes. Ela defende o desenvolvimento urgente de abordagens mais simples, baratas e acessíveis em escala global.
Pesquisadores buscam agora versões in vivo da edição genética que possam ser aplicadas diretamente no organismo. Essa inovação eliminaria a necessidade de extração e reinfusão celular, reduzindo custos e ampliando o alcance.
Paralelamente, Thein estuda o medicamento mitapivat, já aprovado para outras doenças sanguíneas. O fármaco melhora o metabolismo das hemácias e apresenta potencial para beneficiar pacientes com anemia falciforme.
O Prêmio Breakthrough em Ciências da Vida é concedido desde 2013 e se consolidou como uma das mais prestigiadas distinções da biomedicina. A premiação de Thein e Orkin celebra não apenas o avanço científico, mas também a promessa de transformar doenças genéticas graves em condições tratáveis e curáveis.
Leia mais sobre o assunto na livescience.com.
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Marcos Conservador
18/04/2026
Mais uma vez a ciência brincando de ser Deus. Daqui a pouco vão querer editar até o caráter das pessoas. É bom lembrar que certas fronteiras existem por um motivo — e mexer no código da vida pode sair caro.
Maura Santos
18/04/2026
Marcos, se fosse pra deixar tudo nas “mãos de Deus”, a gente ainda tava morrendo de varíola e pegando água no poço. A ciência não tá brincando, tá salvando vidas — o que sai caro mesmo é o atraso travestido de moral.
Evelyn Olavo
18/04/2026
Impressionante ver a ciência transformar algo que parecia ficção em tratamento real. A edição genética CRISPR está abrindo portas para curas que antes eram impensáveis. Que esse prêmio sirva para reforçar o investimento público e ético em pesquisas desse nível.
Rubens O Pescador
18/04/2026
É isso mesmo, Evelyn. Quando o investimento público entra, o povo ganha saúde de verdade — diferente do tempo em que só o lucro mandava e o pobre ficava doente esperando milagre.
Alice T.
18/04/2026
Legal ver a ciência avançando e trazendo cura pra uma doença tão pesada, mas é impossível ignorar que o prêmio vem de bilionários que lucram com o mesmo sistema que nega acesso à saúde pra maioria. Terapia genética de milhões pra poucos enquanto o SUS vive de migalhas — essa é a contradição do “progresso” liberal.
Mariana Ambiental
18/04/2026
Impressionante ver a ciência chegando nesse ponto, ainda mais quando se trata de uma doença que atinge tanta gente pobre e negra. Mas é bom lembrar que prêmio de milhões não garante acesso universal — sem políticas públicas e SUS fortalecido, essa terapia vai continuar sendo luxo pra poucos.
Luciana
18/04/2026
Bonito ver a ciência avançando assim, ainda mais pra tratar uma doença tão dura. Só fico pensando quando (e se) esse tipo de terapia vai chegar pro povo comum, sem custar uma fortuna. Porque prêmio é ótimo, mas o que muda de verdade é o acesso.
Renato Professor
18/04/2026
É comovente ver a ciência alcançar algo tão concreto e transformador. Enquanto alguns ainda espalham ignorância sobre “manipulação genética”, esses pesquisadores mostram o que é usar o conhecimento para libertar pessoas do sofrimento. A verdadeira revolução não vem de slogans, mas de décadas de estudo e cooperação solidária.
Clarice Historiadora
18/04/2026
Impressionante ver a ciência entregando resultado concreto e salvando vidas, enquanto aqui no Brasil ainda tem gente achando que CRISPR é “coisa de ficção”. Essa conquista mostra o poder da pesquisa pública e colaborativa, não dos gurus de WhatsApp. Que sirva de lição pra quem acha que investimento em ciência é gasto e não futuro.
Silvia D.
18/04/2026
Que conquista inspiradora! A terapia com CRISPR mostra o poder da ciência quando há investimento e colaboração. É o tipo de avanço que reforça como a pesquisa salva vidas — e como precisamos fortalecer o SUS para que inovações assim cheguem a todos.
Adalberto Livre
18/04/2026
AH ENTÃO AGORA TEM GENTE BRINCANDO DE MEXER NO DNA E GANHANDO MILHÕES POR ISSO! NA MINHA ÉPOCA CURAVA-SE DOENÇA COM CHÁ E FÉ EM DEUS, NÃO COM ESSAS INVENÇÕES DE LABORATÓRIO. ISSO AÍ É COISA DE COMUNISTA QUERENDO CONTROLAR O CORPO HUMANO!
Augusto Silva
18/04/2026
Adalberto, se chá e fé em Deus resolvessem anemia falciforme, o SUS seria um mosteiro e não um sistema de saúde. Graças a esses “comunistas de laboratório”, hoje tem gente deixando de sofrer — e isso, convenhamos, é um milagre bem mais concreto.