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Curiosity revela tempestade de areia antiga que sugere atmosfera marciana muito mais densa

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Curiosity revela tempestade de areia antiga que sugere atmosfera marciana muito mais densa. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Há cerca de 3,5 bilhões de anos, o robô Curiosity captou formações muito raras em rochas do canyon Jawbone, em Gale Crater, indicando uma tempestade de areia intensa sob atmosfera muito mais […]

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Ilustração editorial sobre Curiosity revela tempestade de areia antiga que sugere atmosfera marciana muito mais densa. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Há cerca de 3,5 bilhões de anos, o robô Curiosity captou formações muito raras em rochas do canyon Jawbone, em Gale Crater, indicando uma tempestade de areia intensa sob atmosfera muito mais densa do que a atual. O estudo, liderado pelo geólogo Steven Banham, da Imperial College London, foi publicado em 27 de março de 2026, no periódico Geology, e traz a primeira evidência física de um evento eólico extremo em Marte.

São ondulações chamadas “supercritical climbing wind ripple strata”, camadas milimétricas de laminados ondulados que só se formam sob ventos fortes capazes de sustentar partículas arenosas durante minutos a horas. Ondulações comuns em rochas sedimentares costumam remeter a correntes de água ou depósitos mais lentos, mas estas exigem ventos intensos soprando areia de forma sustentada. Aeolian (eólico) mesmo, não aquático. Banham aponta que esse tipo de estrutura em rocha nunca fora claramente documentado em Marte antes desse estudo.

As imagens foram captadas pelo Curiosity em 13 de dezembro de 2024, no sol 4391, e analisadas nos meses seguintes. Ao associar os dados fotográficos às características físicas dessas ondulações – direção, espessura, crista – os cientistas concluíram que Marte possuía uma atmosfera substancialmente mais densa na época para permitir ventos fortes o suficiente para criar tais formações. Estima-se que a pressão atmosférica fosse dezenas a centenas de vezes superior à atual.

Hoje, a atmosfera marciana tem cerca de 6 milibares, menos de 1% da terrestre. Para gerar ondulações eólicas fortes como essas nos registros fósseis, a densidade atmosférica precisa ser alta o bastante para sustentar areia no ar por tempo suficiente – um cenário que só seria possível se Marte estivesse muito mais úmido e com pressão muito maior durante sua era Noachiana-Hespêriana (entre ~3,7 e 3,0 bilhões de anos atrás).

As camadas identificadas estão sobre unidades sedimentares associadas a lagos e rios, corpos d’água abundantes naquele passado distante. A sequência estratigráfica documenta sucessão: depósitos lacustres → cursos fluviais → domínios eólicos. O novo vestígio de tempestade de areia revela que o dessecamento e a rarefação atmosférica foram processos graduais, com períodos de clima extremo intercalados com fases mais temperadas.

O estudo propõe que esse vento marciano extremo foi relativamente breve — uma grande tempestade, não um clima estável por centenas de anos. Ondulações observadas mostram tanto rajadas de vento de alguns minutos quanto um evento mais amplo que durou horas. Essa variabilidade temporal abre janelas para condensações climáticas intermitentes, mesmo em ambiente de ar rarefeito.

Esses achados ajudam a fechar lacunas sobre como Marte evoluiu de um planeta que sustentava água de superfície, fluxo hidrográfico e atmosfera espessa, para seu estado atual árido e frio. Saber que ventos fortes sopravam sobre superfícies já endurecidas sugere que a perda atmosférica foi acompanhada de eventos climáticos extremos capazes de moldar diretamente a paisagem.

E daí? Porque isso altera radicalmente modelos climáticos que estimam pressão e composição atmosférica antigas, fundamentais para avaliar até que ponto Marte poderia ter sido habitável. Revela que sua transição para seca não foi linear, que eventos extremos existiram enquanto ainda havia água – o que muda onde e como podemos buscar sinais de vida passada. E para missões futuras, significa que sondagens vindouras devem mirar rochas sedimentares finamente laminadas e estruturas eólicas como essas para decifrar a verdadeira história climática do planeta vermelho. “Ventania fósseis” como esta são pistas tangíveis de que Marte foi, por muito tempo, mais parecido conosco do que imaginávamos.

Com informações de earthsky.org.


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