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Arqueólogos descobrem cidade submersa semelhante à atlântida no coração da ásia central

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Arqueólogos descobrem cidade submersa semelhante à atlântida no coração da ásia central. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Debaixo das águas translúcidas do Lago Issyk-Kul, no Quirguistão, uma cidade medieval ressurgiu do esquecimento como um eco do mito de Atlântida. O arqueólogo Valery Kolchenko, da Academia Nacional de Ciências da República […]

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Ilustração editorial sobre Arqueólogos descobrem cidade submersa semelhante à atlântida no coração da ásia central. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Debaixo das águas translúcidas do Lago Issyk-Kul, no Quirguistão, uma cidade medieval ressurgiu do esquecimento como um eco do mito de Atlântida. O arqueólogo Valery Kolchenko, da Academia Nacional de Ciências da República do Quirguistão, confirmou que as ruínas submersas correspondem a um antigo assentamento urbano, soterrado por séculos de silêncio aquático.

Entre três e quatro metros de profundidade, mergulhadores identificaram muros, vigas e fragmentos de cerâmica que mantêm sua forma original. Essas estruturas, segundo Kolchenko, formam quatro áreas distintas, sugerindo ruas, oficinas e pátios que um dia pulsaram com vida e comércio.

Relatórios de expedições realizadas entre 2023 e 2024 descreveram edifícios de tijolos e complexos de fornos preservados sob as águas geladas. Junto à alvenaria, foram encontrados ossos de animais, restos de cerâmica quebrada e escória metálica, evidências de que o local abrigava atividades de fundição e manufatura.

Sob a areia solta, a equipe revelou uma camada cultural intacta, impregnada de traços humanos e resíduos de antigas habitações. Essa camada indica ocupação contínua, com sucessivas reconstruções antes que o avanço das águas cobrisse por completo o assentamento.

O Lago Issyk-Kul, situado no norte do Quirguistão, era atravessado por rotas caravaneiras que integravam o antigo Caminho da Seda. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) monitora essas rotas no país, reconhecendo nelas o fluxo de mercadorias, línguas e crenças que moldaram a Ásia Central.

Kolchenko destacou que o sítio representa uma aglomeração comercial de grande porte, inserida em um dos eixos mais importantes da Rota da Seda. Por ali, passavam sedas, especiarias e metais, mas também viajavam ideias religiosas e filosóficas que definiram a identidade das civilizações eurasiáticas.

Próximo às ruínas, arqueólogos encontraram uma necrópole muçulmana datada dos séculos XIII e XIV. Os corpos estavam orientados em direção a Meca, conforme os ritos islâmicos tradicionais, reforçando a presença de uma comunidade religiosa estruturada.

O cemitério cobre uma área de aproximadamente 300 metros de comprimento por 200 de largura, com túmulos ainda preservados sob o lodo. A erosão das ondas ameaça essas sepulturas, tornando urgente o registro detalhado antes que o tempo dissolva as últimas provas da vida que ali existiu.

Geólogos locais associam o afundamento da cidade a um grande terremoto que teria ocorrido no século XV, comum nas cadeias montanhosas do Tien Shan. A movimentação tectônica pode ter rompido o leito do lago, permitindo que as águas avançassem sobre as construções e as engolissem lentamente.

Embora o público a compare a Atlântida, os indícios sugerem que o local foi abandonado antes do desastre, o que teria poupado muitas vidas. Após o desaparecimento da urbe, povos nômades ocuparam as margens do lago, e pequenas aldeias continuam a cercá-lo até hoje.

Para determinar a cronologia exata das construções, a equipe enviou amostras de madeira e ossos para laboratórios de datação. Os cientistas aplicaram técnicas de dendrocronologia e espectrometria de massa com aceleradores, capazes de medir a idade dos materiais com precisão de poucos anos.

Essas análises indicarão se o auge urbano coincidiu com o período da necrópole islâmica ou se o colapso ocorreu de forma abrupta. Cada anel de árvore e cada átomo de carbono funcionam como testemunhas mudas de um tempo em que a cidade florescia às margens do lago.

As condições de visibilidade sob a água obrigaram os mergulhadores a trabalhar em curtos intervalos, mapeando cuidadosamente cada parede e corredor. As fotografias e medições obtidas são hoje o principal instrumento para reconstruir a planta urbana sem perturbar o delicado equilíbrio do sítio.

A UNESCO recomenda que patrimônios submersos permaneçam in situ sempre que possível, pois a exposição ao ar pode destruir materiais orgânicos preservados por séculos. Assim, a conservação tornou-se parte essencial da escavação, uma arqueologia que respeita o tempo e a água.

Em vez de um vazio entre cidades conhecidas, Issyk-Kul surge agora como um novo ponto no mapa da antiga Rota da Seda. Fragmentos decorativos sugerem a existência de edifícios públicos – talvez uma mesquita, um banho ritual ou uma madrasa dedicada ao ensino religioso.

Essa arquitetura cívica indica que o local não era apenas um entreposto comercial, mas uma comunidade complexa com famílias, leis e identidade própria. Caso futuras missões revelem ruas completas e bairros, os historiadores terão de reescrever a história urbana da Ásia Central.

As equipes planejam ampliar o levantamento para definir os limites exatos do assentamento submerso. Testes químicos nos sedimentos poderão revelar os materiais de construção e as transformações ambientais ocorridas ao longo dos séculos.

Seguindo as diretrizes da UNESCO, os pesquisadores defendem que o local seja protegido contra coleta indevida de artefatos. Cada fragmento, por menor que seja, carrega informações preciosas sobre a economia, a religião e o cotidiano daquela sociedade esquecida.

Manter a cidade sob as águas, paradoxalmente, pode ser a melhor forma de preservá-la até que novas tecnologias permitam explorá-la com segurança. Mas o tempo corre, e a erosão ameaça roubar detalhes que a humanidade só agora começa a redescobrir.

O estudo completo foi publicado na revista científica The Volga River Region Archaeology, e o achado foi descrito pelo portal Ecoticias como a descoberta arqueológica do século. A cidade submersa de Issyk-Kul redefine não apenas o mapa da arqueologia, mas também a própria noção de permanência humana diante das forças da Terra.


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