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Pesquisa quer descobrir de onde vêm tartarugas que vivem em Arraial

0 Comentários🗣️🔥 Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal, que faz parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Quando chegam a cerca de 200 metros da faixa de areia, um deles mergulha […]

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Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal, que faz parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Quando chegam a cerca de 200 metros da faixa de areia, um deles mergulha e, em questão de minutos, volta para a pequena embarcação com uma tartaruga marinha. Logo em seguida, outra é capturada da mesma forma.

A atividade, acompanhada por pescadores e banhistas curiosos, não tem nada de predatória. Pelo contrário: é um monitoramento da saúde desses animais e faz parte do Projeto Costão Rochoso, da organização não governamental Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento. A iniciativa busca evidências científicas para preservação e recuperação dos costões, áreas de transição entre o mar e o continente.

O projeto, que conta com parceria da Petrobras, colocou em prática um desafio: descobrir de onde vêm as tartarugas que habitam Arraial do Cabo, litoral com a maior quantidade de tartarugas-verdes em áreas de alimentação.

Uma das fundadoras da iniciativa, a bióloga Juliana Fonseca, explica que em Arraial são encontradas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.

Depois de capturadas pelos mergulhadores, as tartarugas são levadas para a faixa de areia. “A gente faz uma bateria de exames, que consiste em pesar, medir e coletar tecido. É como se a gente estivesse fazendo uma biópsia para entender a origem dela”, detalha Juliana à Agência Brasil. “Apesar de ter muitas tartarugas aqui em Arraial, a gente não sabe onde elas nasceram. Então é isso que estamos tentando entender agora”, completa.

“Quando identificamos essa origem, conseguimos entender quais estoques populacionais dependem dessa área. Ao identificar de onde vêm essas tartarugas, passamos a compreender melhor a conexão entre áreas de desova e áreas de alimentação”, acrescenta a bióloga.

Segundo Juliana, essas tartarugas, que têm expectativa de vida em torno de 75 anos, passam aproximadamente dez deles nas águas de Arraial do Cabo. Algumas chegam a permanecer até 25 anos e só depois retornam à região onde nasceram para se reproduzir.

Ela detalha que as tartarugas costumam chegar pequenas e se desenvolver no litoral fluminense. “São juvenis, recém-chegadas na costa. Depois que nascem, têm uma fase oceânica que dura pelo menos cinco anos. Então, com cerca de 25 centímetros, voltam para a costa. Em Arraial do Cabo, elas crescem e se desenvolvem muito bem, ou seja, engordam aqui com a oferta de alimentos”, descreve.

O projeto monitora a saúde das espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias de Arraial do Cabo — Praia dos Anjos, Praia Grande e Praia do Pontal — e na Ilha de Cabo Frio, todas dentro da reserva marinha. Assim como casco, nadadeiras e rabo, até as unhas são medidas. “É um monitoramento para entender como está a saúde das tartarugas marinhas”, diz Juliana.

Os pesquisadores também utilizam fotografias e softwares de computador para identificar os indivíduos. “A foto de identificação é basicamente olhar para a cabeça da tartaruga. Ela tem placas com formatos e tamanhos diferentes para cada indivíduo, basicamente como a nossa impressão digital”, explica.

Desde 2018, já foram catalogados cerca de 500 indivíduos. Desses, 80 passaram por coleta de DNA, que ajudará a descobrir de onde vieram. As análises são feitas em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e devem ter resultado em até seis meses.

Outra pesquisa desenvolvida pelo Projeto Costão Rochoso busca identificar a distância que essas tartarugas conseguem aceitar de aproximação humana. “As tartarugas são muito carismáticas, todo mundo quer observar. Por conta disso, infelizmente, temos muitos relatos de assédio e de captura, de pegar a tartaruga e tirar de dentro da água, o que gera um estresse muito grande para os animais”, relata a mergulhadora.

“O que a gente faz é uma aproximação simulada, vamos chegando e observando quando ela muda de comportamento. Assim conseguimos uma média da distância mínima que essas tartarugas suportam”, explica sobre a metodologia.

Com base nessas informações, será elaborada uma cartilha de boas práticas de observação de tartarugas marinhas para ser usada no turismo, não apenas em Arraial, mas também em outras regiões do Brasil e do mundo.

Durante as atividades de pesagem e medição, integrantes do projeto esclarecem à população o objetivo preservacionista da ação. No calçadão da praia, a poucos metros do local onde ocorrem os procedimentos, uma placa sinaliza de forma clara: “Proibido tocar nos animais marinhos”.

A bióloga e pesquisadora Isabella Ferreira explica que, para realizar a captura das tartarugas, é preciso ter formação em áreas como veterinária, biologia ou oceanografia. Além disso, são necessárias autorizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e do Projeto Tamar, criado em 1980 e reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha.

“Nós pedimos autorização para tudo que fazemos aqui — da captura à marcação e fotografia. Todas as vezes que viemos, notificamos os guardas ambientais e mostramos nossa autorização”, relata Isabella.

*Repórter e fotógrafo viajaram a convite da Petrobras, parceira do Projeto Costão Rochoso.

Fonte: Agência Brasil

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