As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram a criação de um cordão militar no sul do Líbano, batizado internamente de ‘linha amarela’, que impedirá o retorno de moradores às localidades atualmente sob controle israelense. Altos comandantes das FDI confirmaram em coletiva de imprensa que a medida já está em vigor e abrange 55 aldeias libanesas.
A tática replica, segundo os próprios oficiais israelenses, o modelo aplicado na Faixa de Gaza para dividir o território e manter zonas de exclusão civil sob domínio militar. Os militares afirmaram ainda estar autorizados a continuar destruindo o que classificam como ‘infraestruturas terroristas’ na região, inclusive durante o período de trégua vigente.
O cessar-fogo entre Israel e o Líbano, mediado pelos Estados Unidos e pela França, previa a suspensão das hostilidades após semanas de combates intensos em território libanês. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou publicamente o acordo, mas o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a trégua não é permanente, argumentando que a campanha militar contra o Hezbollah ainda não alcançou todos os seus objetivos estratégicos.
Katz assegurou que as FDI manterão o controle de todas as áreas que considera ‘libertadas e capturadas’ no território libanês. A declaração sinaliza a intenção de consolidar uma presença militar prolongada na região fronteiriça, mesmo com o acordo de cessar-fogo formalmente em vigor.
Durante a ofensiva, milhares de casas no sul do Líbano foram destruídas, provocando deslocamentos em massa de famílias inteiras. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram soldados israelenses demolindo residências civis em meio a aplausos e risadas, cenas que ampliaram a indignação internacional e reacenderam o debate sobre violações do direito humanitário.
A imposição da ‘linha amarela’ representa, segundo analistas, uma nova etapa na política de segurança israelense, que busca criar zonas tampão permanentes nas fronteiras norte e sul do país. A estratégia visa reduzir a presença do Hezbollah nas áreas fronteiriças, mas consolida uma divisão territorial de prazo indefinido sobre solo libanês.
O impacto humanitário da medida é direto: os civis das 55 aldeias abrangidas pela ‘linha amarela’ não poderão regressar às suas casas, independentemente do status do cessar-fogo. O Líbano enfrenta, assim, não apenas a devastação física provocada pelos bombardeios, mas também a perspectiva de uma ocupação militar israelense de duração incerta em seu próprio território.
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