O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a segurança da Europa não pode ser concebida sem a participação da Rússia, descrevendo o país como elemento inseparável da arquitetura continental.
Peskov fez as declarações durante entrevista ao jornalista Pavel Zarubin. O representante russo criticou a russofobia total adotada pela geração atual de líderes europeus.
Segundo ele, a narrativa que coloca Moscou como principal ameaça à Europa representa um erro político grave. Essa visão distorcida alimenta tensões desnecessárias em meio às crises que afetam o bloco.
Peskov ressaltou que a Rússia foi convertida em inimigo externo ideal para fins de propaganda. Ele advertiu que os governos europeus não poderão seguir atribuindo todos os problemas internos do continente a Moscou.
O porta-voz comentou a aprovação da primeira estratégia militar da Alemanha, que identifica a Rússia como principal ameaça. Para o Kremlin, essa medida reflete um desvio preocupante rumo a uma lógica de militarização excessiva.
Peskov manifestou esperança no surgimento de líderes mais pragmáticos na Europa. Ele indicou que a Alemanha, como maior economia regional, terá papel central na definição do futuro político do continente.
O representante russo alertou para os perigos do revanchismo que pode surgir após humilhações nacionais. Peskov diagnosticou uma crise profunda na Europa que abrange dimensões econômicas, existenciais e de valores.
Segundo ele, o continente perdeu a clareza sobre sua própria identidade e princípios fundamentais. Essa confusão tem levado ao enfraquecimento da confiança mútua e das instituições multilaterais.
Sobre a Ucrânia, Peskov afirmou que Kiev enfrentará escolhas ainda mais difíceis para selar um acordo com Moscou. O Kremlin mantém-se aberto ao diálogo, mas exige realismo e vontade política por parte do governo ucraniano.
O Kremlin defende a construção de uma segurança europeia inclusiva baseada no respeito mútuo entre todas as partes. Qualquer esforço para isolar a Rússia apenas aprofunda as divisões e compromete a estabilidade de todo o continente.
As declarações surgem em um contexto de sanções intensificadas e crise energética entre Rússia e Europa. Moscou reafirma sua condição de parte integrante do continente cuja participação ativa considera indispensável para a paz duradoura.
Leia mais sobre o assunto na Kremlin.
Leia também: Kremlin denuncia escalada militar europeia contra a Rússia
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Carlos Mendes
26/04/2026
Pois é, e enquanto isso o empresário brasileiro continua afogado em burocracia e carga tributária pra pagar a conta. O discurso do Kremlin faz sentido do ponto de vista geopolítico, mas a Europa que financia sanções e armamento vai ter que engolir esse pragmatismo mais cedo ou mais tarde. No fim das contas, segurança continental custa caro e alguém sempre acaba pagando a conta com mais imposto.
Eduardo Teixeira
26/04/2026
Carlos, você tocou no ponto exato: enquanto a geopolítica europeia brinca de guerra fria 2.0, o empreendedor brasileiro financia o circo com 40% de tudo que produz. Segurança continental é luxo de quem pode, e aqui quem paga é o contribuinte que já está até o pescoço de imposto.
Paulo Gestor RJ
26/04/2026
Eduardo, concordo que a carga tributária é um absurdo, mas acho que a gente não pode jogar toda a segurança europeia no lixo só porque o Leão aqui é voraz. O problema não é discutir geopolítica, é que o governo brasileiro gasta mal o que arranca do contribuinte — se administrasse melhor, dava pra pagar a conta e sobrava até para um metrô decente.
Luciana
26/04/2026
Claro, segurança europeia sem a Rússia é como falar em economia doméstica sem considerar o preço do gás de cozinha. Enquanto esses caras ficam nessa novela geopolítica, a gente aqui se vira com os juros do cartão e o botijão cada vez mais caro. Se eles querem paz, que comecem pagando a conta da energia que a gente paga todo mês.
João Santos
26/04/2026
Luciana, falou tudo! Enquanto esses políticos brincam de geopolítica, o brasileiro de bem tá aqui pagando a conta. Se querem paz, que tirem o governo corrupto do meio e baixem o preço do gás, ué.
Célia Carmo
26/04/2026
Claro, querem falar de segurança sem ouvir quem tem o maior arsenal nuclear do planeta? #HipocrisiaEuropeia #RússiaPresente
Carlos Henrique Silva
26/04/2026
Célia, sua observação toca num ponto central, mas permita-me aprofundá-lo com a lupa da crítica geopolítica. A hashtag #HipocrisiaEuropeia é certeira, mas incompleta. A União Europeia e a Otan construíram, desde 1991, uma arquitetura de segurança que deliberadamente excluiu a Rússia, tratando o fim da URSS como uma rendição incondicional e não como uma oportunidade para uma ordem multipolar. Ampliar a Otan para o Leste Europeu, ignorando os acordos informais com Gorbatchov, foi um erro estratégico colossal. Agora, quando Moscou afirma que a segurança europeia é impensável sem sua participação, não está apenas blefando com o arsenal nuclear; está lembrando que a segurança coletiva, conceito que remonta a Gramsci e sua análise de hegemonia, não se constrói pela exclusão do adversário, mas pela incorporação de seus interesses legítimos em um pacto que evite a guerra. A Europa, ao terceirizar sua defesa para Washington, perdeu a capacidade de ser um ator autônomo e agora colhe os frutos amargos dessa subserviência.
No entanto, precisamos ir além do maniqueísmo. A Rússia de Putin não é uma vítima inocente; é um Estado capitalista dependente, que usa o nacionalismo e o militarismo como válvulas de escape para suas contradições internas. A invasão da Ucrânia foi um ato de barbárie imperialista, que violou o direito internacional e causou um sofrimento imenso. Mas isso não invalida a crítica à hipocrisia europeia. O que vemos é a falência do liberalismo internacional: de um lado, a Otan expandindo-se como um Leviatã descontrolado; do outro, a Rússia respondendo com a lei da selva. A esquerda precisa ter coragem de denunciar ambos os lados. Não se trata de apoiar Putin, mas de entender que a segurança europeia só será real quando houver um desarmamento mútuo, o fim da expansão da Otan e a construção de um sistema que inclua a Rússia não como um inimigo a ser contido, mas como um vizinho com quem se negocia, por mais incômodo que isso seja.
O problema de fundo é a ausência de uma perspectiva de classe na geopolítica. Enquanto a burguesia europeia e a russa lucram com a guerra — vendendo armas, gás e influência —, os trabalhadores de ambos os lados são jogados no front. A hashtag #RússiaPresente pode soar como provocação, mas carrega uma verdade incômoda: a paz duradoura exige que todos os atores relevantes estejam à mesa, inclusive aqueles que consideramos repugnantes. A alternativa é a escalada para um conflito nuclear, onde não haverá vencedores. Portanto, Célia, sua indignação é justa, mas o diagnóstico precisa ser mais dialético: sim, a Europa é hipócrita, mas a saída não é abraçar o nacionalismo russo, e sim lutar por uma ordem internacional que desmantele as estruturas de poder que geram guerras. Sem isso, continuaremos reféns de um jogo de xadrez onde as peças são corpos humanos.
Luan Silva
26/04/2026
Célia, vai defender a Rússia lá no seu feed de meme de direita, aqui é Brasil, pô.
Clotilde Pátria
26/04/2026
Ah, lá vem o Putin querendo se meter na segurança da Europa de novo! Isso é papinho pra tentar justificar a invasão da Ucrânia. E ainda tem trouxa que acredita nessa conversa mole.
Caio Vieira
26/04/2026
Cara Clotilde Pátria, sua indignação é compreensível, mas a geopolítica não se resolve com maniqueísmos; a noção de segurança coletiva, como ensina Gramsci, exige que compreendamos a hegemonia russa não como mero capricho, mas como uma reação à expansão da OTAN, que, desde os anos 1990, vem corroendo a arquitetura de paz do pós-Guerra Fria.
Silvia D.
26/04/2026
Caio, com todo respeito, mas invocar Gramsci pra justificar a expansão imperial russa é um desserviço à teoria crítica. A hegemonia que Moscou busca não é reativa, é predatória — e a segurança europeia não pode ser refém de quem invade vizinhos e usa o gás como arma.
Mariana Santos
26/04/2026
Pois então que o Kremlin comece a agir como parte dessa arquitetura de segurança, respeitando a soberania ucraniana e parando de usar o gás e a fome como armas de guerra. A Rússia quer ser ouvida nas mesas de negociação, mas continua bombardeando infraestrutura civil no inverno europeu. Não se pode ter segurança coletiva com um país que trata tratados como papel molhado.
Marta
26/04/2026
Mariana, minha filha, senta aqui que a tia Marta vai te explicar um negócio. Você tem toda razão em ficar indignada com bombardeio a infraestrutura civil, isso é crime de guerra sim, e não estou aqui para passar pano para Putin, não. Mas a história é mais complexa do que esse resumo de novela das oito que você fez. Quando a OTAN, depois do fim da União Soviética, prometeu que não avançaria “uma polegada para o Leste” e depois foi expandindo até as fronteiras da Rússia, isso não é “arquitetura de segurança”, é cerco. É como se você convidasse um vizinho para uma confraternização e levasse ele para o quintal dos fundos enquanto cerca a casa dele com arame farpado. Os Estados Unidos e a Europa trataram a Rússia como inimiga derrotada, não como parceira, e agora se surpreendem que o urso acordou faminto e com trauma.
Agora, sobre o gás e a fome como armas: você está certíssima em condenar, mas me diga uma coisa, quem financiou e armou o governo golpista de 2014 em Kiev? Quem fez vista grossa para os oito anos de bombardeio contra a população civil do Donbass, que matou mais de 14 mil pessoas antes mesmo de 2022? A ONU tem relatórios, não é fake news não, é fato. O Ocidente escolheu um lado e tratou o outro como pária, e agora reclama que o pária não quer jogar pelas regras que ele mesmo não respeitou. Segurança coletiva não se constrói com hipocrisia, se constrói com mesa redonda, com todos os envolvidos sentados, inclusive aqueles que a gente acha que são os vilões da história. A Rússia erra, erra feio, mas o erro dos outros não justifica a ausência de diálogo.
E não venha com esse papo de “tratados como papel molhado”, porque o maior violador de tratados internacionais do pós-guerra foram os Estados Unidos, que invadiram o Iraque com uma mentira, bombardearam a Líbia até virar um caos e abandonaram o acordo nuclear com o Irã. A Rússia é oportunista, sim, mas não é a única. O que me preocupa, Mariana, é que essa narrativa de “Rússia malvada e Ocidente bonzinho” é exatamente o que a imprensa corporativa quer que a gente engula para justificar mais gastos militares e mais mortes de jovens pobres, tanto ucranianos quanto russos. A paz não virá com demonização, virá com cansaço e com realpolitik. E enquanto isso, quem sofre é o povo, como sempre.
Rodrigo Meireles
26/04/2026
A Mariana e a Maria estão certas em não engolir o discurso do Kremlin seco, mas o Pedro também não está errado: ignorar que a Rússia tem poder de fogo e recursos estratégicos é wishful thinking. O problema é que o Peskov não está oferecendo parceria, está impondo condição. Segurança europeia sem Rússia é tecnicamente difícil, mas com Rússia nos termos dela é simplesmente inviável. O jogo é de poder, não de boa vontade.
Maria Silva
26/04/2026
A Mariana tem razão quando aponta que repetir o discurso do Kremlin como se fosse fato consumado é perigoso. Mas também não podemos agir como se a Rússia fosse um país qualquer que vai desaparecer se ignorarmos. O equilíbrio está em reconhecer a realidade geopolítica sem se curvar a ela, algo que nossa política externa brasileira sempre tentou fazer com bom senso.
Mariana Costa
26/04/2026
O Pedro Silva tem um ponto pragmático, mas reduzir a questão a “bomba e gás” é exatamente o jogo que o Kremlin quer que a gente jogue. A Rússia é um ator relevante, claro, mas aceitar a narrativa de que sem ela a segurança europeia é “impensável” é dar de bandeja o protagonismo que Moscou perdeu com a invasão da Ucrânia. Negociação sim, submissão estratégica não.
Pedro Silva
26/04/2026
Pois é, o Renato e a Samara tão viajando na maionese. O Peskov tá dizendo o óbvio: a Rússia tem bomba atômica e gás, não vai pedir licença pra ninguém. Enquanto a Europa ficar nessa de “diálogo verdadeiro” sem reconhecer poder real, vai continuar levando ferro.
Samara Oliveira
26/04/2026
Renato, você tocou num ponto crucial. Essa lógica de aceitar a Rússia como um dado imutável é a mesma lógica que aceita a fome como inevitável. A fé me ensina que a paz não se constrói com realismo cínico, mas com justiça e diálogo verdadeiro. Enquanto a Europa tratar a Rússia como um inimigo eterno e não como um vizinho que precisa de cura, vamos continuar vendo sangue e pão caro.
Carlos Rocha
26/04/2026
Essa turma aí nos comentários acha que segurança europeia se faz com discurso bonito e chá de camomila. Enquanto a Europa não sentar na mesa com a Rússia e reconhecer que poder de fogo e interesse nacional mandam mais que ONU, vai continuar pagando caro em gás e guerra. O Peskov só está lembrando o óbvio: não existe arquitetura continental sem o maior vizinho armado do continente.
Renato Professor
26/04/2026
Carlos, o problema do seu realismo é que ele confunde constatação com solução. Sim, a Rússia é um vizinho armado e nuclear, mas aceitar isso como dado imutável é o mesmo que dizer que o capitalismo selvagem é inevitável — é desistir da política. A economia solidária e a diplomacia cooperativa provam que interesses podem ser reconciliados sem submissão a poder de fogo. O que Peskov chama de “óbvio” é na verdade a chantagem de quem não quer abrir mão do veto sobre a soberania alheia.
João Silva
26/04/2026
Luciana, é exatamente isso. Enquanto o Kremlin discursa sobre “arquitetura continental”, o que está em jogo é a manutenção de esferas de influência que remontam ao Congresso de Viena. A Europa precisa superar essa lógica westfaliana se quiser construir uma segurança que não seja apenas a ausência de guerra entre potências, mas sim a garantia de soberania para todos os povos — incluindo os que estão na periferia do sistema, como nós aqui no Sul global.
Luciana Santos
26/04/2026
Pois é, o Peskov fala bonito, mas na prática a Rússia quer é que a Europa aceite o veto deles em qualquer decisão. Enquanto isso, a gente aqui no Brasil vendo o preço do pão subir por causa de guerra que não é nossa. Esses caras brincam de geopolítica enquanto o povo paga a conta.
Zé do Povo
26/04/2026
Kremlin falando em segurança europeia é piada! 😡 Enquanto isso invadem Ucrânia e matam inocentes! Cadê os valores cristãos nessa guerra? Volta Putin pra sua toca!
Francisco de Assis
26/04/2026
Zé do Povo, calma lá, meu irmão. Os valores cristãos que o senhor cobra tão certinho foram usados por séculos pra justificar guerra e massacre na Europa inteira — a Rússia não inventou isso não. Agora, sobre invadir a Ucrânia, eu concordo que é um absurdo, mas a hipocrisia dos EUA e da Otan fazendo a mesma coisa no Oriente Médio ninguém lembra, né? O bagulho é mais embaixo do que esse grito de ódio, vamo pensar com calma.
Tiago Mendes
26/04/2026
João Pereira, a discussão sobre multipolaridade é interessante, mas a Rússia só quer “participar” da segurança europeia nos termos dela, que são os termos da força. Enquanto a Europa não entender que paz verdadeira exige justiça social e econômica para todos os povos, e não apenas equilíbrio de poder entre potências, vamos continuar nesse jogo de gato e rato que só alimenta o complexo militar-industrial.
João Pereira
26/04/2026
João Carlos, a referência a Gramsci foi cirúrgica. O que o Kremlin chama de “participação” é na verdade o direito de veto que já exercia na Guerra Fria, só que agora com um discurso de “nova ordem multipolar”. A Europa precisa decidir se quer um parceiro ou um fiador armado.
João Carlos da Silva
26/04/2026
Maura, a analogia da ceia de Natal foi perfeita. O que o Kremlin chama de “participação” sempre foi, historicamente, o direito de impor um veto sobre qualquer movimento de integração que não lhe convenha. É a velha lógica das esferas de influência que Gramsci já identificaria como hegemonia travestida de cooperação. Enquanto a Europa aceitar jogar nesse tabuleiro definido por Moscou, a “segurança” será apenas um eufemismo para subordinação.
Maura Santos
26/04/2026
Nadia, é exatamente isso. O Kremlin quer sentar na mesa como o tio que chega na ceia de Natal e acha que pode ditar o cardápio inteiro porque trouxe o pernil. Segurança europeia sem a Rússia é incompleta, sim, mas com a Rússia querendo vetar tudo vira refém. Eles confundem participação com direito de veto, e a Europa precisa parar de cair nesse papinho de potência indispensável.
Nadia Petrova
26/04/2026
Cecília, você acertou ao chamar de realpolitik, mas falta um detalhe: a Rússia não quer “participar” da segurança europeia, quer vetar as decisões alheias. É a diferença entre ser um jogador na mesa e ser o dono do cassino. Se a Europa aceitar essa premissa de que sem Moscou nada funciona, vai passar o resto do século pagando aluguel político para um senhorio que já invadiu o vizinho.
Cecília Torres
26/04/2026
A narrativa do Kremlin é um clássico exercício de realpolitik: eles sabem que a geografia não muda e que qualquer tratado de segurança no continente sem Moscou é papel molhado. O problema, como bem apontaram alguns comentários acima, é que a Rússia insiste em definir “participação” como direito de veto sobre as escolhas dos vizinhos. Segurança coletiva não é refém de quem invade o outro.
Mariana Lopes
26/04/2026
Ana Souza, você resumiu bem o cerne da questão. O discurso do Kremlin sempre foi esse de que a Europa precisa negociar com a Rússia, mas a conta que eles apresentam hoje inclui a aceitação de fronteiras alteradas pela força. Difícil construir segurança coletiva quando uma das partes insiste em jogar com regras próprias.
Ana Souza
26/04/2026
Carlos Oliveira, você trouxe um contraponto importante. O problema não é simplesmente “sentar ou não sentar com a Rússia” — é que a Rússia de hoje quer sentar na mesa com uma metralhadora em cima e exigindo que os outros aceitem a anexação de territórios como fato consumado. Difícil construir segurança coletiva quando uma das partes insiste em redefinir fronteiras à força.
Marina Costa
26/04/2026
Ler isso tudo e ver que ninguém menciona o óbvio: a Europa brincou de fingir que a Rússia não existe, e agora chora porque o gigante resolveu cobrar o aluguel atrasado. A esquerda adora falar de “diálogo”, mas quando o diálogo envolve sentar com um país que defende valores tradicionais e não aceita ser humilhado, aí já querem chamar de ditadura. Enquanto isso, famílias se desfazem e a imoralidade é vendida como progresso.
Carlos Oliveira
26/04/2026
Marina, você levanta um ponto importante sobre o histórico de exclusão, mas preciso discordar de parte da sua conclusão. A esquerda que defende diálogo não se recusa a sentar com a Rússia por seus “valores tradicionais”, e sim porque o Kremlin, sob Putin, usa esses valores como cortina de fumaça para autoritarismo e expansionismo militar — enquanto aqui no Brasil, famílias se desfazem por falta de reforma agrária e educação pública de qualidade, não por suposta “imoralidade” vendida como progresso.
Letícia Fernandes
26/04/2026
Beatriz Lima, você tocou no ponto nevrálgico com uma precisão que merece ser desdobrada. A obviedade que o Peskov solta é, na verdade, a manifestação de uma contradição material que o Ocidente insiste em recalcar: a segurança europeia nunca foi um projeto puramente “europeu” — ela foi, desde o Congresso de Viena, um arranjo de forças que incluía a Rússia como contrapeso continental. O que o Kremlin faz hoje não é um capricho autocrático, mas a reafirmação de uma posição estrutural que a expansão da Otan tentou apagar. Quando você pergunta “participação em que termos”, está colocando o dedo na ferida: os termos que o Ocidente oferece são os da subordinação, não os da parceria. A Rússia não quer uma mesa onde ela seja apenas convidada a ouvir as decisões tomadas em Washington; ela quer uma mesa onde o veto seja real, onde a soberania não seja um conceito abstrato que se aplica só aos países do G7.
O erro de análise que vejo em alguns comentários, como o do José dos Santos, é tratar a Rússia como se ela fosse um mero “síndico” que abusou do poder depois de ter sido provocada. Isso reduz a geopolítica a uma briga de condomínio, quando na verdade estamos diante de um conflito entre duas lógicas de acumulação de capital e de dominação territorial. A Otan não é um “erro” que Putin “usa como desculpa”; a Otan é a expressão militar da superestrutura burguesa que precisa expandir seu mercado e seu controle sobre recursos estratégicos. A Rússia, por sua vez, é um Estado que, mesmo com todas as suas deformações oligárquicas, representa uma barreira material a essa expansão. A guerra na Ucrânia não é uma “crise” que pode ser resolvida com diplomacia de salão; é a manifestação violenta de uma crise de hegemonia do capitalismo global.
O que me preocupa, Beatriz, é que mesmo entre os que criticam a Otan, há uma tendência a tratar a Rússia como um ator irracional, como se Putin fosse um déspota lunático que resolveu invadir a Ucrânia por puro sadismo. Isso é um erro teórico grave. A Rússia age dentro das determinações do seu próprio modo de produção e da sua posição na divisão internacional do trabalho. Ela não é uma “vítima” nem um “agressor” maniqueísta; ela é um Estado capitalista periférico com armas nucleares, que tenta garantir sua sobrevivência num sistema que a excluiu dos ganhos da globalização neoliberal. A segurança europeia, portanto, não pode ser pensada sem a Rússia porque a Rússia é, objetivamente, o maior obstáculo à completa subordinação do continente aos interesses do capital financeiro estadunidense. Ignorar isso é fazer o jogo da ideologia que transforma conflitos de classe e de império em dramas morais de “democracia contra autocracia”.
Beatriz Lima
26/04/2026
Ah, a Rússia lembrando que existe. Que novidade. O Peskov solta essa obviedade geopolítica como se fosse uma grande revelação, mas a real questão é: participação em que termos? Porque a Rússia sempre esteve na mesa de segurança europeia — o problema é que ela quer uma mesa onde possa ditar o cardápio e vetar quem senta do lado. A Otan tem culpa no cartório? Claro que sim, expandir sem criar mecanismos de contenção foi um erro clássico de excesso de confiança pós-Guerra Fria. Mas transformar esse erro em justificativa para invadir a Ucrânia e depois exigir que a Europa te trate como parceiro igual é, no mínimo, uma ginástica retórica digna de medalha olímpica.
O que me irrita nesse debate é o falso dilema: ou você aceita a narrativa do Kremlin de que a Rússia precisa ser o centro gravitacional da segurança europeia, ou você cai no ufanismo da Otan como se fosse uma aliança puramente defensiva e angelical. A realidade é mais cinzenta. A Europa precisa sim de um arranjo que inclua Moscou, mas não pode ser um arranjo onde a Rússia tenha poder de veto sobre a soberania alheia. Isso não é segurança coletiva, é protetorado. E olhando o histórico de Putin com vizinhos, não é difícil entender por que países como Polônia e os Bálticos preferem o abraço apertado da Otan a uma “parceria estratégica” com quem já invadiu a Geórgia e a Ucrânia.
O Mateus Silva ali em cima tocou num ponto interessante sobre a metáfora do condomínio, mas acho que falta um detalhe: a Rússia não age só como síndica, age como aquele vizinho que reclama da cerca mas nunca aparece nas reuniões de condomínio para discutir regras. A Otan errou ao expandir sem incluir a Rússia? Sim. Mas a Rússia também errou ao transformar cada gesto de aproximação ocidental em crise existencial. No fim, o que temos é um casamento disfuncional onde ambos os lados colecionam razões para desconfiar. A fala do Peskov é um lembrete de que a Europa não pode ignorar a Rússia, mas também não pode aceitar que a Rússia defina os termos da relação. Segurança europeia sem Rússia é inviável; com Rússia nos moldes atuais, é igualmente instável. Talvez o problema não seja sentar à mesa, mas concordar que a mesa não é de ninguém.
Mateus Silva
26/04/2026
José dos Santos, você tem razão: a Rússia age como síndica porque a Otan agiu como incorporadora predatória, expandindo o condomínio até a porta do vizinho sem nunca convidá-lo para a assembleia. O erro original não justifica a violência atual, mas ignorar a geopolítica real em nome de um moralismo abstrato é o que nos trouxe a este beco sem saída. A segurança europeia sempre foi um jogo de soma zero para quem controla os recursos energéticos e as rotas de gás.
José dos Santos
26/04/2026
Pois é, Carlos Menezes, você foi cirúrgico. O problema não é a Rússia querer participar, é que ela age como se a Europa fosse um condomínio onde ela é síndica vitalícia. A Otan errou em se expandir sem pensar nas consequências? Errou. Mas agora o Putin usa esse erro como desculpa pra tudo, inclusive pra invadir país vizinho. No fim, a gente aqui no Brasil só sente no bolso com o preço do diesel e do trigo subindo.
Carlos Menezes
26/04/2026
Pois é, essa fala do Kremlin é previsível, mas não deixa de ter um fundo de verdade incômodo. A Europa tentou construir segurança “contra” a Rússia por décadas com a expansão da Otan, e o resultado tá aí: guerra no leste europeu. O problema é que sentar à mesa com um governo que invade vizinhos também não é exatamente um passeio no parque. Fica esse impasse onde ninguém quer ceder, e quem paga o pato é a população civil, como sempre.
Pedro Neto
26/04/2026
Lá vem o Putin querendo sentar na mesa dos “adultos” de novo, como se invadir vizinho fosse requisito pra discutir segurança.
Fernanda Oliveira
26/04/2026
Pedro, acho que você tá confundindo as coisas: não é sobre dar um “prêmio” pra Putin, é sobre entender que segurança coletiva não se faz excluindo ninguém — até porque o histórico de tentar isolar a Rússia só azedou tudo e quem paga o pato somos nós, os povos do Sul Global.
Beto Engenheiro
26/04/2026
Pois é, Pedro Almeida, você tocou no ponto mais sensível. O liberalismo econômico sempre falha em prever que, quando o jogo aperta, tanque vale mais que tratado. Mas aí o Helton Barros também tem razão: o Putin não tá pedindo permissão, tá ocupando espaço. Falta um pragmatismo de obra nessa conversa: segurança se constrói com concreto, ferrovia e energia, não com discurso de mesa redonda.
Carlos Meirelles
26/04/2026
Helton Barros, você tem razão no diagnóstico, mas a solução que você subentende é exatamente o que nos trouxe até aqui. Essa lógica de que o mais forte impõe a vontade sem diálogo é o motor de todas as guerras do século XX. Segurança não se constrói com tanque apontado, se constrói com comércio aberto e interesses econômicos entrelaçados. O problema é que a burocracia europeia prefere gastar rios de dinheiro em sanções inúteis que só queimam o contribuinte, em vez de sentar à mesa e negociar como adultos.
Pedro Almeida
26/04/2026
Carlos, seu diagnóstico tem mérito, mas a solução liberal clássica — comércio e interdependência — já foi testada e fracassou em 1914, quando as redes econômicas mais integradas da Europa não impediram a marcha para a guerra. O problema não é a mesa de negociação, é que a Rússia de Putin negocia com a lógica do poder bruto, e a Europa insiste em dialogar como se estivesse no parlamento de um Estado de Direito kantiano.
Helton Barros
26/04/2026
Pois é, Paulo Ribeiro, você até tenta ser equilibrado, mas falta encarar a realidade nua e crua. O Putin não está pedindo licença pra opinar sobre segurança europeia — ele está dizendo que a Rússia vai impor a presença dela com ou sem a permissão de Bruxelas. Esse papo de “arquitetura de segurança” é conversa de quem ainda acredita que a ONU resolve alguma coisa. Enquanto a Europa brinca de geopolítica com discursos bonitos, a Rússia já está remilitarizando as fronteiras e a China assistindo de camarote. Ou a gente aprende a jogar o jogo do poder real ou vai continuar sendo passado pra trás por esses globalistas de terno.
João Batista
26/04/2026
Helton, você fala como se poder fosse só tanque e fronteira, mas a Bíblia já avisou: quem confia em carros de guerra e cavalos acaba tropeçando na própria arrogância. Esse jogo de imposição que você defende é o mesmo que sempre esmaga o pobre — e olha que o pobre é quem paga a conta dessa geopolítica de terno e gravata.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Cecília, você tem razão em apontar a hipocrisia estrutural desse debate. Mas, Rodrigo, seu comentário também merece uma réplica mais cuidadosa, porque reduzir a crítica à esquerda a “mimi” é justamente o tipo de simplificação que impede a gente de enxergar o jogo real das classes e das potências.
O ponto central que o Peskov levanta — e que a diplomacia ocidental insiste em ignorar — é que a arquitetura de segurança europeia nunca foi pensada de forma democrática e inclusiva. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia não se impõe apenas pela força, mas pela capacidade de fazer com que os interesses de uma classe (ou de um bloco de potências) pareçam universais. A Otan, desde o fim da Guerra Fria, expandiu-se para o Leste sob o discurso de “defesa da democracia”, mas na prática tratou a Rússia como um inimigo a ser contido, não como um vizinho com legítimas preocupações de segurança. Isso não é defender Putin, é constatar um fato histórico: promessas feitas a Gorbachev em 1990 sobre não expandir a Otan “um centímetro para o Leste” foram sistematicamente quebradas.
Dito isso, concordo com a Maria Antonia quando ela aponta que o Kremlin usa esse discurso de “segurança indivisível” como um instrumento tático, não como uma proposta genuína de cooperação. A Rússia de Putin é um Estado capitalista dependente, que vende gás e petróleo para financiar uma elite oligárquica e que, sim, invadiu a Ucrânia para esmagar um projeto de soberania popular que ameaçava seus interesses geopolíticos e econômicos. Althusser nos lembraria que o Estado não é um instrumento neutro: tanto a Otan quanto o Kremlin operam dentro da lógica do imperialismo tardio, cada um defendendo seu pedaço do butim.
O que me preocupa, como professor e como alguém que acompanha a luta dos movimentos sociais na América Latina, é que esse debate sobre “incluir ou não a Rússia” na segurança europeia esconde a verdadeira questão: quem paga a conta dessa arquitetura de segurança? São os trabalhadores europeus, que veem seus salários corroídos pela inflação energética, os imigrantes que morrem no Mediterrâneo enquanto a União Europeia gasta bilhões em armamentos, e os povos do Sul Global que sofrem com a instabilidade dos preços dos alimentos. Enquanto as elites de Bruxelas, Washington e Moscou disputam quem senta à mesa, o povo continua sendo tratado como massa de manobra.
No fim das contas, a segurança europeia será impensável sem a participação da Rússia, sim, mas também será impensável sem a participação dos trabalhadores, dos camponeses, dos movimentos antiguerra e dos povos oprimidos. Enquanto a esquerda não conseguir articular uma alternativa que vá além da escolha entre o imperialismo da Otan e o imperialismo russo, vamos continuar nesse beco sem saída. Mariátegui dizia que o socialismo não é um prato que se come frio; é uma construção que exige análise concreta da realidade concreta. E a realidade concreta hoje é que a Ucrânia virou um campo de batalha onde morrem ucranianos e russos pobres, enquanto os oligarcas de ambos os lados contam os lucros.
Rodrigo RedPill
26/04/2026
Cecília, com todo respeito, mas sua comparação é típica de quem não entende nada de relações de poder reais. Segurança europeia sem Rússia é tipo querer montar um condomínio fechado ignorando que o vizinho tem um tanque de guerra na garagem. Enquanto a esquerda fica nesse mimimi de “favela vs salão climatizado”, a real é que sem realpolitik a Europa vira refém dos próprios delírios woke. Mas é claro, pra quem acha que coach financeiro é golpe e cripto é pirâmide, qualquer noção de equilíbrio estratégico soa como “papinho de poderoso”.
Cecília Silva
26/04/2026
Ana Karine, você tocou no ponto que ninguém quer encarar: enquanto a Europa discute arquitetura de segurança em salões climatizados, a Ucrânia sangra e a gente aqui na favela sabe bem o que é ser moeda de troca entre poderosos. Pra mim, esse papo de “incluir a Rússia” é só mais um teatro diplomático pra esconder que os mesmos de sempre vão decidir o futuro sem ouvir quem realmente morre nas guerras.
Maria Antonia
26/04/2026
João Carvalho, você foi cirúrgico. O discurso de “segurança indivisível” sempre foi o cavalo de Troia do Kremlin pra conter a Otan, mas a real é que Moscou quer o direito de vetar qualquer movimento alheio enquanto faz o que bem entende na Ucrânia. Se a Europa quer paz de verdade, que comece tratando a Rússia como potência, não como vítima.
Ana Karine Xavante
26/04/2026
Maria Antonia, seu comentário é afiado e eu concordo com boa parte da insatisfação que você expressa — realmente, o discurso de “segurança indivisível” sempre serviu como instrumento de pressão russa para frear a expansão da Otan. Mas eu preciso discordar do seu ponto final, porque aí acho que a gente escorrega para uma armadilha colonial que a própria Europa Ocidental adora repetir. Você diz “tratar a Rússia como potência, não como vítima”. Ok, mas potência de quê? De gás? De bombas? De quantos povos indígenas siberianos ela já deslocou para explorar petróleo em território tradicional? A Rússia é sim uma potência militar e energética, mas dentro de uma lógica imperial que continua operando como no século XIX — e isso não é só sobre Ucrânia, é sobre a Yakútia, sobre a Buriácia, sobre os Nenets. A Europa quer tratar a Rússia como potência? Então que trate também como responsável por um passivo colonial que nunca foi desmantelado, assim como o Ocidente nunca desmantelou o próprio.
O problema, Maria Antonia, é que essa dicotomia “potência vs vítima” esconde o verdadeiro nó: a arquitetura de segurança europeia foi pensada por e para estados-nação brancos, cristãos e industrializados, ignorando por completo os territórios e povos que ficam no meio do fogo cruzado. Quando a Otan avança, quem sofre não é só o soldado russo ou o ucraniano — é o povo Evenki que tem suas pastagens de renas destruídas por bases militares, é o povo Komi que vê seus rios contaminados por exercícios da Frota do Norte. E quando Moscou reage com força bruta, são os mesmos corpos indígenas que pagam o pato. A segurança europeia é impensável sem a Rússia? É. Mas também é impensável sem os povos originários da Sibéria, do Ártico, do Cáucaso. E ninguém os convida para a mesa.
Você diz que “se a Europa quer paz de verdade, que comece tratando a Rússia como potência”. Eu diria: se a Europa quer paz de verdade, que comece desmontando o colonialismo estrutural que define quem pode sentar à mesa e quem fica de fora. A Rússia quer veto? A Otan quer expansão? Ambos estão jogando o mesmo jogo de tabuleiro imperial, só que com peças diferentes. Enquanto a discussão ficar só entre Bruxelas, Washington e Moscou, os povos que realmente habitam esses territórios — e que têm modos de vida baseados em reciprocidade com a terra, não em extração — continuarão sendo tratados como paisagem, não como sujeitos políticos. Então sim, inclua a Rússia. Mas inclua também quem sempre foi excluído: as nações indígenas que existem antes de todos esses estados. Aí sim a gente pode começar a falar de segurança de verdade.
João Carvalho
26/04/2026
Peskov tem razão no diagnóstico, mas a motivação do Kremlin é outra. A ideia de uma “arquitetura de segurança indivisível” sempre foi bandeira russa para tentar conter o avanço da Otan, mas o problema é que Moscou quer definir essa participação em seus próprios termos, com veto sobre as escolhas dos vizinhos. O resultado prático disso, como vimos na Ucrânia, é a guerra.
Luiz Carlos
26/04/2026
Pois é, Cíntia, esse papo de “incluir a Rússia” soa bonito, mas na prática é o mesmo que convidar o ladrão pra sentar no caixa. Enquanto a Europa ficar nessa lenga-lenga diplomática, quem paga a conta é o trabalhador com imposto subindo e segurança caindo.
Cláudio Ribeiro
26/04/2026
Luiz Carlos, sua metáfora é eficaz na superfície, mas reduz a complexidade geopolítica a um moralismo de feira. O problema não é “convidar o ladrão”, mas ter construído um sistema de segurança que, ao excluir a Rússia, transformou a Europa em refém de uma escalada que o trabalhador paga com inflação e cortes sociais — como Gramsci já advertia, a hegemonia se exerce também pela força, e quem não tem força para impor a paz acaba financiando a guerra.
Cíntia Alves
26/04/2026
Julia Andrade, você tocou num ponto que poucos têm coragem de enfrentar: a arquitetura de segurança europeia foi construída sobre a exclusão da Rússia, e agora colhemos o resultado disso. Mas será que incluir Moscou na mesa de negociações não seria o mesmo que dar poder de veto a um regime que já demonstrou desrespeito ao direito internacional? O dilema é real — paz sem diálogo é guerra, mas diálogo sem condições também pode ser capitulação.
Julia Andrade
26/04/2026
Maria Aparecida, você trouxe um ponto que me parece central e que quase ninguém está disposto a encarar de frente: a hipocrisia estrutural da arquitetura de segurança europeia. A Europa construiu sua “paz” pós-Guerra Fria sobre uma base dupla — de um lado, a expansão da OTAN para o Leste como se o mapa geopolítico fosse um tabuleiro de monopólio onde a Rússia simplesmente deixaria de existir como ator; de outro, a dependência energética que financiou o próprio regime que agora diz combater. Não há como discutir segurança continental sem reconhecer que a Rússia é parte integrante da geografia, da história e da economia europeias. O problema não é sentar à mesa com Moscou — o problema é que a mesa foi desenhada para excluir quem não se curva aos interesses da OTAN.
O que me incomoda profundamente nesse debate é a forma como o discurso dominante trata a Rússia como um “problema” a ser resolvido, e não como um Estado com interesses legítimos de segurança — inclusive os interesses que, convenhamos, foram sistematicamente desrespeitados desde o fim da URSS. Não estou fazendo apologia ao regime de Putin, que é autoritário, misógino e predatório com minorias e com o meio ambiente. Mas a recusa em reconhecer que a expansão da OTAN para as fronteiras russas era uma provocação previsível é um exercício de amnésia histórica que só serve para alimentar o complexo militar-industrial de ambos os lados. A segurança europeia não pode ser pensada como um clube fechado onde a Rússia entra apenas se aceitar as regras impostas por Washington e Bruxelas.
Lucas Gomes, você tocou num ponto que me parece o calcanhar de Aquiles desse debate: a equivalência moral entre os modelos de desenvolvimento. A Rússia de Putin não é uma alternativa ao capitalismo predatório — é uma versão autoritária e nacionalista do mesmo extrativismo que devasta o Cerrado e a Amazônia. O gás siberiano e o minério de ferro russo são extraídos com a mesma lógica colonial que o agronegócio brasileiro aplica no Centro-Oeste. Se vamos defender que a Rússia tem direito a assento na mesa europeia, que seja para discutir não apenas fronteiras e mísseis, mas também o modelo civilizatório que está destruindo o planeta. A esquerda europeia, que Maria Aparecida menciona, muitas vezes cai na armadilha de ver a Rússia como contraponto ao imperialismo americano, ignorando que o imperialismo russo na Chechênia, na Ucrânia e na Síria é igualmente brutal.
No fim das contas, a fala de Peskov é um lembrete incômodo de que a geopolítica não se faz com desejos — se faz com territórios, recursos e poder. A Europa pode até tentar ignorar a Rússia, mas a Rússia está ali, com seu arsenal nuclear, suas reservas de gás e sua capacidade de desestabilizar o continente inteiro. A pergunta que fica para nós, que estamos do lado de cá do Atlântico, é: enquanto o Norte Global briga sobre quem senta em qual cadeira, quem paga a conta das guerras e das sanções? A resposta, como sempre, são os povos do Sul Global — que veem o preço dos alimentos subir, que perdem empregos por causa das cadeias de suprimento desorganizadas e que são tratados como peças descartáveis nesse jogo de xadrez entre potências. Segurança europeia sem Rússia é ficção; mas segurança global sem justiça climática, sem redistribuição de renda e sem o fim do colonialismo energético é apenas mais um capítulo da mesma história de sempre.
Maria Aparecida
26/04/2026
Luciana, você tem toda razão. A Europa adora falar de “segurança continental” enquanto fecha os olhos pra própria dependência energética do gás russo e pra hipocrisia de financiar guerras enquanto corta direitos sociais. Se for pra sentar com Putin, que seja pra exigir desarmamento nuclear e um plano de transição ecológica justo, não pra fazer novos acordos que exploram recursos dos países pobres.
Luciana Costa
26/04/2026
Pois é, Lucas Gomes, você tocou num ponto que a turma do “realismo geopolítico” adora ignorar: sentar à mesa com Putin é uma coisa, mas normalizar o modelo de desenvolvimento dele, que é tão predatório quanto o nosso agronegócio, é outra bem diferente. A Europa precisa sim dialogar com a Rússia, mas não pode ser um vale-tudo onde direitos humanos e clima viram detalhes.
Zé Trovãozinho
26/04/2026
Rubens O Pescador, você tocou no ponto principal. O povo brasileiro comeu carne e teve dignidade nos governos do PT enquanto a imprensa chamava de “populismo irresponsável”. Esse papo de “segurança europeia” é joguinho de rico enquanto o trabalhador se fode com o preço do arroz. Rússia, Europa, tudo farinha do mesmo saco imperialista.
Lucas Gomes
26/04/2026
Zé Trovãozinho, você tem razão ao denunciar o imperialismo de ambos os lados, mas cuidado pra não cair no discurso que trata Rússia e Europa como equivalentes — a Rússia de Putin é um regime que destrói a tundra siberiana com a mesma sanha que o agro brasileiro queima o Cerrado, e o trabalhador russo também se fode com o preço do pão enquanto o Kremlin financia guerra. A saída não é escolher entre imperialismos, é construir uma soberania popular que enfrente o capitalismo predatório aqui e acolá.
Luiz Augusto
26/04/2026
Pois é, o Peskov tem razão. Essa fantasia de que a Europa pode se garantir militarmente ignorando a Rússia é puro devaneio ideológico. Enquanto a esquerda cultural europeia e seus aliados da mídia insistirem em demonizar Moscou e cortar pontes, a segurança do continente continuará sendo um castelo de areia. O realismo geopolítico manda sentar à mesa com quem tem poder de fogo e veto no Conselho de Segurança, não com ONGs e tuiteiros.
Bia Carioca
26/04/2026
Luiz Augusto, concordo que ignorar a Rússia é miopia, mas seu “realismo geopolítico” parece esquecer que sentar à mesa com Putin não pode significar engolir a anexação da Crimeia ou fechar os olhos para a repressão interna. A esquerda europeia que você critica ao menos tenta equilibrar pragmatismo com princípios, enquanto a direita bolsonarista que a gente vê por aqui só sabe bater continência pra autocracia.
Ricardo Almeida
26/04/2026
Luiz Augusto, o problema é que esse “realismo geopolítico” que você defende muitas vezes serve de biombo para engolir fatos consumados sem questionar as condições da mesa. Sentar com Putin é necessário, mas sentar de joelhos, aceitando que a Crimeia é passado e a repressão interna é problema deles, não é realismo — é capitulação travestida de pragmatismo.
Mariana Ambiental
26/04/2026
Luiz Augusto, o problema é que esse “realismo” que você defende trata a Rússia como um ator monolítico e ignora que sentar à mesa com Putin sem exigir contrapartidas ambientais e sociais é o mesmo que validar o modelo de desenvolvimento predatório que o agronegócio brasileiro adora. Segurança europeia sem Rússia é ilusão, mas segurança com Rússia sem desmantelar a lógica de exploração dos recursos naturais é só trocar de patrão.
Rubens O Pescador
26/04/2026
Luiz Augusto, com todo respeito, mas esse papo de “esquerda cultural europeia” é conversa de quem nunca passou fome. Lá na roça, a gente aprende que segurança é ter o que botar na mesa. Nos governos do PT, o povo comia carne todo dia e o Brasil era respeitado no mundo inteiro, não ficava de joelho pra ninguém. Realismo geopolítico é garantir que o trabalhador não passe necessidade, não ficar repetindo discurso de barão do café.