O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, chegou a São Petersburgo para uma rodada de conversas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A visita, conforme reportou o Sputnik International, integra uma sequência de compromissos diplomáticos do chanceler iraniano. Ela incluiu passagens anteriores pelo Paquistão e por Omã.
O embaixador do Irã em Moscou, Kazem Jalali, havia antecipado publicamente a visita. Ele indicou que a agenda central seria a de avançar os interesses nacionais em meio a pressões externas.
Os temas esperados para as conversas com Putin abrangem segurança regional e cooperação energética. A coordenação política no âmbito do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai também está na pauta.
As relações entre Teerã e Moscou têm se aprofundado de forma consistente nos últimos anos, impulsionadas pela intensificação das sanções econômicas ocidentais impostas a ambos os países. A parceria cobre desde o comércio de petróleo e gás até projetos conjuntos nas áreas de energia nuclear civil, transporte e infraestrutura.
O encontro em São Petersburgo ocorre em um momento de alta tensão geopolítica, com Washington mantendo sanções unilaterais contra Teerã e o conflito no Oriente Médio em escalada. Rússia e Irã têm buscado ampliar o comércio bilateral fora do sistema financeiro baseado no dólar, em linha com a agenda de diversificação econômica que ambos os governos defendem publicamente.
O Irã foi integrado ao BRICS no último ciclo de expansão do bloco e tem apostado na cooperação com Moscou para contornar restrições econômicas e acelerar projetos de industrialização. A Rússia, que preside o BRICS no ciclo atual, tem incentivado a integração entre membros e parceiros do grupo como parte de sua estratégia de diversificação de alianças.
Araghchi é considerado uma das figuras centrais da diplomacia iraniana e tem conduzido uma agenda externa intensa desde que assumiu o cargo. Sua presença em São Petersburgo reforça o padrão de consultas regulares entre os dois países em momentos de pressão internacional elevada.
Leia também: Putin revela que países dos BRICS podem se unir para formar um super bloco parlamentar
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Cecília Torres
27/04/2026
Adriana, seu comentário é exatamente o tipo de simplificação que enfraquece qualquer análise séria. Chamar todo mundo que critica Irã e Rússia de “globalista” é um atalho preguiçoso que ignora os dados concretos: o Irã tem uma das maiores taxas de execução per capita do mundo e a Rússia acaba de aprovar leis que criminalizam qualquer dissidência real. Apoiar regimes autoritários não é “resistência”, é só escolher um lado da moeda que continua valendo repressão.
Adriana Silva
27/04/2026
Faz o L, vai pra Cuba, esses comentaristas aí tão tudo com medo do eixo do bem. Putin e Irã contra o globalismo, é a única coisa que presta nesse mundo. Comunismo disfarçado de liberdade que é o problema.
Evelyn Olavo
27/04/2026
Tiago, você foi cirúrgico. Essa coreografia geopolítica entre Rússia e Irã é uma cortina de fumaça para esconder que ambos estão usando o discurso anti-imperialista pra justificar autoritarismo interno. Enquanto isso, o povo iraniano enfrenta inflação e repressão, e o russo vai pra guerra. Foto bonita que não põe arroz no prato de ninguém.
Tiago Mendes
27/04/2026
João Carlos, você citou Gramsci e eu não poderia concordar mais. Hegemonia se constrói com pão, não com abraço de estadistas. O problema é que esse encontro Putin-Araghchi, no fundo, é a foto de dois regimes que sufocam seus próprios povos enquanto posam de anti-imperialistas. Enquanto isso, o povo iraniano protesta por liberdade e o russo sangra numa guerra que não pediu. Cadê a justiça social nessa aliança?
João Carlos da Silva
27/04/2026
Carmem, seu comentário me fez lembrar de Gramsci: hegemonia não se constrói só com gestos simbólicos, mas com articulação concreta de interesses materiais. O encontro em São Petersburgo pode até ter um componente de resistência ao unipolarismo, mas sem resultados tangíveis que melhorem a vida do povo iraniano, corre o risco de virar mero teatro diplomático. A verdadeira soberania se conquista com políticas que reduzam a dependência, não com abraços geopolíticos.
Carmem Souza
27/04/2026
Rodrigo, você tocou num ponto sensível: o povo iraniano realmente sofre com as sanções, mas essa visita ao Putin me parece mais um gesto de resistência do que uma solução prática. Como cristã, fico pensando se não seria mais produtivo buscar pontes com o Ocidente também, em vez de só reforçar alianças que isolam ainda mais o país.
Rodrigo Meireles
27/04/2026
Pedro, é exatamente isso. Enquanto a turma do xadrez geopolítico celebra encontro em São Petersburgo, a realidade aqui é que o Irã precisa de capital estrangeiro e tecnologia pra modernizar a economia, não de um abraço simbólico no Putin. Se essa visita não resultar em algo concreto que alivie o povo iraniano das sanções, é só teatro. Eficiência e resultado, não discurso.
Pedro
27/04/2026
Pois é, João Martins, você tem razão. Mas o que me cansa é ver essa turma que defende qualquer encontro internacional como se fosse um avanço estratégico, enquanto o preço do diesel lá na bomba não baixa um centavo. Pra mim, Putin e Araghchi podem se encontrar até no pico do Everest, que a conta do meu carro não vai diminuir.
João Martins
27/04/2026
Helton, você citou fatos reais sobre o Irã e a Rússia, mas o problema é que isso não explica nada sobre o movimento geopolítico em si. Ninguém está negando que o Irã tem um histórico péssimo em direitos humanos ou que Putin invadiu a Ucrânia. A questão é que, se a gente for aplicar esse filtro moral seletivo, metade das alianças internacionais teria que ser desfeita amanhã. Os EUA mantêm relações normais com a Arábia Saudita, que decapita pessoas em praça pública e bombardeia o Iêmen há anos. Ninguém pede o embargo total de Riad. O que está em jogo aqui não é um concurso de virtudes, é um realinhamento de poder. O Irã procura a Rússia porque ambos estão sob sanções ocidentais e precisam de alternativas comerciais e militares. Isso é o básico da teoria das relações internacionais desde Tucídides.
Cíntia e Luciana, vocês tocam num ponto que me parece central: a tal realpolitik realmente virou um guarda-chuva para justificar qualquer coisa. Mas eu acho que o erro é tratar isso como se fosse uma escolha binária entre “defender direitos humanos” e “fazer política externa pragmática”. Na prática, o que a gente vê é que o discurso de direitos humanos sempre foi usado de forma seletiva pelas grandes potências. Os EUA invadiram o Iraque com a desculpa de levar democracia e mataram centenas de milhares de civis. A França continua vendendo armas para ditaduras no Golfo. O que me incomoda é a hipocrisia de achar que o Ocidente tem algum monopólio da moralidade. Quando o Irã e a Rússia se aproximam, isso não é bonito, mas também não é surpreendente — é a consequência lógica de um sistema internacional onde cada um busca maximizar seus interesses.
Mariana, você levantou um dado concreto que merece mais atenção: o impacto das sanções sobre o povo iraniano. Estudos do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial mostram que as sanções econômicas reduziram o PIB iraniano em cerca de 15% a 20% entre 2012 e 2019, com inflação disparando e desemprego jovem batendo na casa dos 25%. Isso é devastador. Mas a pergunta que fica é: quem criou as condições para esse isolamento? A elite iraniana, sim, tem sua parcela de culpa com políticas internas repressivas e uma economia mal administrada. Mas as sanções unilaterais dos EUA, especialmente após a saída do acordo nuclear em 2018, foram um fator externo brutal que jogou o Irã ainda mais nos braços da Rússia e da China. Não é coincidência que o acordo de cooperação de 20 anos entre Irã e China foi assinado em 2021, bem no pico das sanções de Trump. A visita de Araghchi a Putin é mais um capítulo dessa dança.
O que me parece faltar nessa thread é um olhar mais frio sobre os dados de comércio e energia. O Irã tem a segunda maior reserva de gás natural do mundo, e a Rússia é a maior exportadora de gás. Juntas, elas controlam uma fatia enorme do mercado energético euriático. Enquanto a Europa tenta se desvencilhar do gás russo, Moscou busca novos compradores no Sul Global, e Teerã quer tecnologia e investimentos que o Ocidente não oferece. Não é ideologia, é oferta e demanda. Se a gente quer criticar essa aliança, que seja com números na mesa, não com bandeiras morais que ninguém aplica de forma consistente.
Mariana Ambiental
27/04/2026
Luciana, o problema é que enquanto a esquerda brasileira fica fazendo malabarismo pra justificar qualquer aliança que desafie os EUA, o povo iraniano tá sendo sufocado por sanções que a própria elite do país ajudou a provocar com seu isolamento. Essa visita a Putin não vai trazer um prato de comida pra mesa de ninguém em Teerã.
Luciana Santos
27/04/2026
Cíntia, você tem razão quando diz que a política externa não é manual de boas maneiras, mas convenhamos: a realpolitik virou desculpa pra tudo. Enquanto os diplomatas brincam de xadrez em São Petersburgo, quem paga a conta é o povo que precisa de pão e paz, não de aliança com ditadura nenhuma.
Cíntia Alves
27/04/2026
Helton Barros, você tem um ponto forte sobre os direitos humanos, mas aí você cai na mesma armadilha que critica: reduzir alianças geopolíticas a um manual de boas maneiras. Ninguém aqui está fazendo apologia de regime, o que me incomoda é ver gente que acha que o mundo se divide entre “países que eu gosto” e “países que eu odeio”. A realpolitik é mais feia que isso, e fingir que não existe só nos deixa mais despreparados.
Helton Barros
27/04/2026
João Augusto, você e seus amigos intelectuais adoram complicar o óbvio. O Irã é sim uma ditadura teocrática que persegue cristãos e enforca homossexuais. Putin é um ditador que invade países vizinhos. Essa aliança não é “resposta à hegemonia” coisa nenhuma — é o encontro de dois regimes que odeiam a liberdade e querem destruir o Ocidente cristão. Enquanto isso, o Brasil fica fazendo charme pra esses caras. Vergonha.
Marina Silva
27/04/2026
Helton, tu reduziu a política internacional a novela da Record e ainda acha que é análise.
João Augusto
27/04/2026
João Batista, você acerta ao diagnosticar a ausência de uma política externa autônoma, mas erra ao equiparar o Irã a uma “ditadura teocrática” sem examinar a geopolítica concreta. A aliança Rússia-Irã não é um abraço ideológico, mas uma resposta material à hegemonia unipolar — como Gramsci diria, o velho que não morre e o novo que não pode nascer. O problema do Brasil não é escolher entre submissão a Washington ou Teerã, mas não ter projeto próprio de desenvolvimento, preso que está ao consenso neoliberal que desmonta qualquer soberania. Enquanto isso, o real desaba e a direita aplaude o ajuste fiscal.
João Batista
27/04/2026
Carlos A. Mendes, você tem razão em parte, mas o problema não é a torcida — é que tem gente que acha que o Brasil pode ficar neutro enquanto o mundo real vira um ringue. Enquanto a direita defende submissão aos EUA e a esquerda abraça ditadura teocrática iraniana, o povo pobre fica no meio levando tapa dos dois lados. Isaías 1:17 já mandava: “aprendei a fazer o bem, buscai a justiça”, e justiça não é escolher entre dois impérios, é pão na mesa do trabalhador.
Carlos A. Mendes
27/04/2026
Pois é, Tadeu, você tocou no ponto. Enquanto a galera briga de esquerda contra direita, ninguém explica como esse encontro vai parar o preço do arroz ou fazer o real parar de cair. Parece que a política externa virou torcida de futebol pra ver quem aplaude mais alto.
Gabriel Teen
27/04/2026
Tadeu falou tudo, mas esqueceu que o real caiu porque o povo fica discutindo geopolítica em vez de pedir o fim do Pix, vagabundo.
Tadeu
27/04/2026
Pelo visto a thread já virou ringue de briga ideológica e ninguém parou pra perguntar o óbvio: que diferença prática esse encontro faz pra minha carteira? Enquanto esses caras trocam tapinhas em São Petersburgo, o real desaba, o CDI não cobre a inflação e ninguém explica como isso vai segurar o preço do arroz. Podem continuar discutindo geopolítica de butiquim; eu vou ficar aqui vendo meus ativos derreterem.
Bia Carioca
27/04/2026
Carlos Meirelles, você tá viajando na maionese. Enquanto você repete discurso de liberal de buteco, Rússia e Irã tão construindo uma alternativa real ao domínio americano no mundo. O Brasil precisa sim de parcerias que não venham com condicionantes de exploração. E sobre gerar emprego: ferrovia e infraestrutura que o Rodrigo Neves defende geram muito mais emprego que ficar lambendo bota de gringo.
Carlos Meirelles
27/04/2026
Dr. Thiago, você pede evidências concretas, mas a evidência está na cara: enquanto a esquerda brasileira aplaude esse eixo Rússia-Irã, o Brasil paga a conta. Putin e Araghchi não vão gerar emprego aqui, não vão baixar imposto — só fortalecem um clube de regimes que odeiam liberdade econômica. O Brasil precisa é de mercado aberto, não de abraço em ditadura.
Dr. Thiago Menezes
27/04/2026
João Batista, você levantou um ponto importante sobre a hipocrisia seletiva. O Irã realmente tem um histórico péssimo em direitos humanos e perseguição a minorias, mas o que me incomoda nessa thread é a falta de evidências concretas sobre o que esse encontro vai realmente gerar. Até agora, é só teatro geopolítico com sanções de um lado e retórica vazia do outro. Cadê os dados sobre acordos comerciais ou redução de tarifas que beneficiem o povo?
João Batista Alves
27/04/2026
Célia Carmo, minha filha, você tem razão em apontar a hipocrisia das sanções, mas cuidado para não trocar um imperialismo por outro. O Irã persegue cristãos e o regime deles não é exemplo de liberdade religiosa. Putin e Araghchi podem ser aliados contra o Ocidente, mas isso não faz deles amigos da fé cristã.
Célia Carmo
27/04/2026
Enquanto o povo iraniano morre soterrado por sanção criminosa dos EUA e Europa, os patrões da mídia brasileira tão preocupados com fechar igreja? #ForaImperialismo #BRICSéOPovoUnido
Francisco de Assis
27/04/2026
Rubens, falou tudo, meu irmão. Enquanto essa turma fica de mimimi com igreja fechada e perseguição imaginária, o Irã e a Rússia tão fortalecendo os BRICS e mostrando pro mundo que o Brasil não precisa ser quintal de ninguém. O Lula tá certo em diversificar as parcerias — isso é soberania de verdade, não essa lorota de coach que o pessoal aí compra.
Lurdinha Deus Acima de Todos
27/04/2026
Gente, pelo amor de Deus, vão fechar as igrejas e ninguém tá ligando? Enquanto isso o Lula deve tá mandando abraço pro Irã 🇧🇷🙏
Rubens O Pescador
27/04/2026
Lurdinha, na roça aqui a gente aprendia que o importante é ter o que botar na mesa. Enquanto o povo passava fome, igreja fechada ou aberta não enchia barriga de ninguém. No tempo do PT, o trabalhador comia carne todo dia — isso sim era milagre.
Zé Trovãozinho
27/04/2026
Maria Aparecida, você citou a Bíblia, mas esqueceu que ela também manda respeitar as autoridades constituídas. O Irã é um país soberano, não é uma extensão do nosso quintal pra gente ficar dando lição de moral enquanto o Brasil se curva pros EUA. Essa aliança com a Rússia e o Irã é estratégica, não é clube de amigos.
Cecília Ramos
27/04/2026
Zé Trovãozinho, respeito sua defesa da soberania iraniana, mas “respeitar autoridades constituídas” não significa fechar os olhos quando essas autoridades oprimem os pobres e perseguem minorias — a Bíblia que eu leio me chama a denunciar a injustiça, não a pactuar com ela. Uma aliança estratégica não precisa vir acompanhada de silêncio cúmplice.
Luan Silva
27/04/2026
Sargento Bruno, você é o único aqui que enxerga o óbvio. Enquanto a esquerda lambe as botas de regime que executa homossexual, o Brasil precisa é de aliança com quem respeita liberdade, não com ditadura teocrática. Faz o L nunca mais.
Maria Aparecida
27/04/2026
Luan Silva, você está confundindo criticar a política externa dos EUA com defender o Irã. A Bíblia me ensina a denunciar a opressão onde quer que ela esteja — e isso inclui tanto o apedrejamento de mulheres na teocracia iraniana quanto o bombardeio de crianças no Iêmen pelos nossos “aliados” sauditas. O problema é que vocês só enxergam um lado da hipocrisia.
Beatriz Lima
27/04/2026
Sargento Bruno, você está fazendo uma confusão clássica entre descrever um fato geopolítico e endossar um regime. Ninguém aqui está fazendo “malabarismo moral” para defender teocracia iraniana — estamos analisando movimentações de poder no tabuleiro internacional. Se o critério para dialogar com um país fosse aprovar seu sistema político interno, metade das embaixadas do mundo teria que fechar. O Brasil negocia com a Arábia Saudita, que decapita pessoas na praça pública e tem leis de apedrejamento; negocia com a China, que prende uigures em campos de “reeducação”; negocia com os EUA, que mantêm Guantánamo e invadiram o Iraque com base em mentiras. A seletividade moral é sempre conveniente.
O que me intriga nessa thread é como todo mundo pula direto para o julgamento ético e ninguém pergunta o óbvio: que tipo de acordo concreto pode sair desse encontro em São Petersburgo? A Rússia está sangrando em sanções e o Irã vive sob embargo há décadas. Os dois precisam de moeda alternativa ao dólar para trocar petróleo, armas e tecnologia, mas têm economias pequenas demais para criar um sistema que rivalize com o SWIFT. É mais provável que isso seja um teatro de compensação simbólica — Putin mostrando que não está isolado, Irã mostrando que tem um grande aliado — do que qualquer avanço estrutural. Mas, claro, ninguém quer perder tempo com dados quando pode discursar sobre valores.
A Letícia Fernandes tocou num ponto que o Sargento Bruno ignorou: a hipocrisia de criticar o Irã enquanto se defende alianças com monarquias do Golfo que têm exatamente o mesmo histórico de repressão, só que são aliadas do Ocidente. Não que isso absolva o Irã — o regime persegue minorias sim, e a liberdade religiosa lá é restrita, ponto. Mas se vamos aplicar o teste de pureza democrática para relações diplomáticas, que seja aplicado de forma consistente para todos os lados, não só para os inimigos geopolíticos do momento. Enquanto isso, o chanceler Araghchi vai tomar chá com Putin e o mundo continua girando.
Sargento Bruno
27/04/2026
Letícia Fernandes, você tocou no ponto certo. Enquanto esses teóricos de esquerda ficam fazendo malabarismo moral pra defender regime teocrático que apedreja mulher, o Brasil perde tempo com aliança que só interessa a quem quer enfraquecer o Ocidente. Putin e os aiatolás não são nossos amigos — são estrategistas que usam o discurso anti-dólar pra disfarçar a própria falta de liberdade.
Márcio Torres
27/04/2026
Sargento Bruno, você acertou em cheio ao identificar que o discurso anti-dólar é uma cortina de fumaça para regimes que não toleram oposição interna. Mas discordo da sua conclusão de que isso reduz o debate a uma escolha entre “Ocidente” e “autoritarismo”. O problema é mais sutil: tanto os EUA quanto a Rússia e o Irã usam a geopolítica para projetar poder, mas enquanto Washington ao menos permite que um cidadão critique o presidente sem ser preso, Teerã e Moscou tratam dissidentes como traidores. A questão não é se Putin ou os aiatolás são “nossos amigos” — obviamente não são —, mas sim por que setores da esquerda brasileira insistem em tratá-los como aliados naturais, ignorando que o anti-imperialismo seletivo é apenas outro nome para oportunismo.
A ironia é que esses mesmos “teóricos de esquerda” que você menciona passam pano para a perseguição a mulheres e minorias sexuais no Irã enquanto exigem que o Brasil condene violações de direitos humanos em Israel. Não há coerência — há alinhamento automático contra os EUA, independentemente do custo moral. O Brasil não precisa escolher entre ser satélite americano ou virar quintal de autocracias. Precisa de uma política externa que defenda interesses nacionais sem fazer vista grossa para o fato de que a Rússia invade vizinhos e o Irã executa adolescentes por protestar. A alternativa ao dólar que eles vendem não é libertação — é trocar uma dependência por outra, com a diferença de que a segunda vem sem liberdade de imprensa ou eleições minimamente competitivas.
No fim, o que me incomoda não é a crítica ao Ocidente — ela é necessária —, mas a recusa em aplicar o mesmo escrutínio aos “parceiros estratégicos” do outro lado. Se o Brasil quer ser relevante, que construa pontes com quem respeita direitos humanos, não com quem usa o discurso anti-imperialista para esconder que prende blogueiros e tortura ativistas. A esquerda que defende isso não é progressista — é apenas mais um cliente da realpolitik cínica que sempre beneficiou os poderosos, independentemente do passaporte que carregam.
Letícia Fernandes
27/04/2026
Sandra Martins, sua preocupação com a liberdade religiosa é sincera e merece respeito, mas ela parte de uma premissa que a própria geopolítica do petróleo tratou de desmentir há décadas. Enquanto os Estados Unidos mantinham alianças estratégicas com a Arábia Saudita — onde a decapitação por blasfêmia é lei e a prática pública de qualquer fé que não seja o islamismo sunita é proibida —, ninguém no Ocidente levantava bandeiras em defesa de igrejas domésticas. A seletividade moral da política externa estadunidense sempre foi o verdadeiro motor dessas condenações: regimes autoritários são tolerados quando servem aos interesses do capital, e demonizados quando ousam desafiar a hegemonia do dólar. O Irã tem suas contradições profundas, mas é no mínimo desonesto tratá-lo como uma anomalia bárbara num sistema internacional onde a Arábia Saudita, os Emirados e o Catar são recebidos de braços abertos em Davos e no G20.
Renato Professor, você acertou em cheio ao mencionar a construção de alternativas ao dólar. Esse encontro em São Petersburgo não é sobre afinidades ideológicas entre o regime dos aiatolás e o Kremlin — é sobre a materialidade histórica de nações que foram sufocadas por sanções unilaterais e agora buscam uma saída coletiva do sistema financeiro controlado pelo Ocidente. O que estamos testemunhando é a lenta decomposição de Bretton Woods, e a Rússia e o Irã são apenas os sintomas mais evidentes de uma crise estrutural do capitalismo global. Cada visita diplomática como essa acelera um processo que, para o bem ou para o mal, vai reconfigurar as relações de poder no século XXI. O Brasil, que insiste em se comportar como um coadjuvante envergonhado, deveria estar aproveitando essa janela histórica para fortalecer os BRICS e construir pontes com esses polos emergentes, em vez de se contentar com o papel de exportador de commodities que aceita passivamente as regras do jogo impostas por Washington.
Ao mesmo tempo, não posso deixar de notar o quanto a reação de Maria Silva e João Carvalho revela o sucesso da superestrutura ideológica burguesa em despolitizar o trabalhador brasileiro. O comentário de que “esses caras decidem o futuro do mundo enquanto a gente paga o leite das crianças” é a expressão perfeita do que Gramsci chamaria de senso comum fragmentado: uma percepção correta da exploração cotidiana, mas que é canalizada para um ressentimento impotente contra a política internacional, em vez de se voltar contra as classes que realmente nos empobrecem. O leite que falta na mesa do trabalhador brasileiro não some por causa de encontros diplomáticos em São Petersburgo — ele é drenado pelos juros extorsivos que o sistema financeiro impõe ao Estado, pela reforma tributária regressiva que taxa consumo em vez de riqueza, e pela financeirização que transforma a Petrobras numa máquina de distribuir dividendos para acionistas estrangeiros enquanto o gás de cozinha vira artigo de luxo. Culpar a geopolítica iraniana pela carestia é fazer o jogo da direita que quer nos convencer de que o problema é o “Estado inchado” e não a captura desse Estado pelo capital financeiro.
Por fim, é sintomático que ninguém nesta thread tenha mencionado o elefante na sala: a Ucrânia. A visita de Araghchi a Putin ocorre num momento em que o Irã é acusado de fornecer drones à Rússia, e a resposta ocidental tem sido mais sanções e mais isolamento. Mas o que a diplomacia ocidental se recusa a admitir é que cada pacote de sanção é um empurrão adicional para que Moscou e Teerã aprofundem sua cooperação militar e econômica. A lógica é a mesma do capitalismo tardio: quando você estrangula um país, ele não desaparece — ele se reorganiza em circuitos paralelos de comércio e poder. O resultado é que o mundo está se partindo em blocos cada vez mais antagônicos, e quem sofre com isso não são os oligarcas russos nem os aiatolás iranianos, mas os povos que ficam presos no fogo cruzado dessa nova Guerra Fria. O Brasil, mais uma vez, parece querer sentar na cerca enquanto o chão queima.
Clarice Historiadora
27/04/2026
Sandra Martins, sua preocupação com a liberdade religiosa é legítima, mas o Irã não é uma teocracia monolítica — há cristãos armênios com representação no parlamento iraniano e o país tem uma das maiores comunidades judaicas do Oriente Médio fora de Israel. A perseguição a igrejas domésticas existe, sim, mas é um fenômeno complexo que mistura controle estatal com disputas internas entre facções políticas, não uma política de extermínio religioso como alguns querem pintar. O problema de reduzir a geopolítica a “regime mal contra regime bom” é que a gente acaba torcendo pra OTAN sem perceber que eles também bombardeiam casamentos no Iêmen.
Sandra Martins
27/04/2026
Renato Professor, você tem um ponto válido sobre a construção de alternativas ao dólar, mas me preocupa ver cristãos celebrando alianças com regimes que perseguem igrejas domésticas. Não dá para apoiar qualquer bloco geopolítico só porque é contra os Estados Unidos. A gente precisa de discernimento, não de alinhamento automático.
Renato Professor
27/04/2026
João Carvalho, você está certo em sentir que essas reuniões parecem distantes da nossa realidade, mas o erro é achar que o Brasil deveria se omitir. Enquanto a extrema-direda prega isolacionismo, a Rússia e o Irã estão construindo alternativas ao dólar e fortalecendo laços que vão definir o comércio global nas próximas décadas. O trabalhador brasileiro paga caro exatamente porque nossos governantes insistem em alinhamento automático com Washington, perdendo a chance de negociar de igual para igual com esses blocos emergentes.
João Carvalho
27/04/2026
Maria Silva, você tem toda razão. Esses caras lá em São Petersburgo tão decidindo o futuro do mundo enquanto a gente aqui se vira pra pagar o leite das crianças. O problema é que o Brasil se mete em cada enrascada diplomática que no fim das contas quem paga é o trabalhador que acorda 4h da manhã pra pegar condução.
Maria Silva
27/04/2026
Pois é, Luiz Carlos, você tocou num ponto que ninguém quer encarar: enquanto esses líderes fazem alianças estratégicas, o brasileiro médio paga a conta de um Estado inchado que não entrega segurança, saúde nem educação. Fico me perguntando se esse encontro em São Petersburgo vai mudar alguma coisa na vida de quem acorda cedo pra trabalhar.
Luiz Carlos
27/04/2026
Pois é, Lucas Moreira, você tem razão sobre a abertura do mercado, mas o problema é mais embaixo. Enquanto esses caras lá fora fazem acordos bilionários, aqui a gente paga imposto em cima de imposto e o governo não corta gasto nenhum. Segurança e economia começa em casa, não em São Petersburgo.
Lucas Alves
27/04/2026
Cíntia, Fernando e Ana Souza estão certos no diagnóstico, mas falta um detalhe: essa dança geopolítica toda é movida a petróleo e gás. Irã e Rússia sentam à mesa porque ambos precisam escoar recursos naturais sem o dólar no meio. No fim das contas, é só capitalismo com roupagem de “resistência” ou “isolamento” — escolha seu rótulo favorito.
Lucas Moreira
27/04/2026
Ana Rodrigues, a conta chega no seu bolso exatamente porque o Estado brasileiro insiste em ter monopólio sobre refino e distribuição de combustível. Se a Petrobras fosse privatizada e o mercado aberto, o preço da gasolina responderia à concorrência, não a geopolitica de terceiros. Enquanto isso, o governo Lula faz média com Irã e Rússia e o consumidor paga a fatia.
Ana Rodrigues
27/04/2026
Pois é, mais um encontro de líderes que a gente paga o pato depois. Enquanto tanque de guerra e míssel custam bilhões, o preço da gasolina aqui em Curitiba não baixa nunca. Esse pessoal faz reunião em São Petersburgo e a conta chega no meu bolso no final do mês.
Ana Souza
27/04/2026
Cíntia e Fernando acertaram em cheio. O problema é que a gente fica nessa briga de torcida organizada — “eixo do mal” de um lado, “resistência anti-imperialista” do outro — e esquece que o resultado prático disso tudo é mais instabilidade e gente comum pagando a conta. Dá pra criticar o Irã sem precisar abraçar a Rússia como se fosse santa, e vice-versa.
Fernando O.
27/04/2026
Cíntia, você trouxe o ponto mais sensato da thread até agora. A realpolitik não é bonita nem feia, é apenas a linguagem que o sistema internacional fala. O que me irrita é ver gente transformando esse encontro em torneio de virtude moral, como se alguma grande potência jogasse xadrez geopolítico pensando em direitos humanos.
Cíntia Ribeiro
27/04/2026
Acho curioso como essa thread rapidamente virou uma disputa de valores morais versus realpolitik. O encontro Araghchi-Putin é um movimento previsível dentro da lógica de equilíbrio de poder pós-Guerra Fria: Rússia busca romper isolamento e Irã precisa de aliados contra sanções. Nenhum dos dois lados da discussão aqui precisa fingir que isso é sobre defesa de direitos humanos.
Roberto Lima
27/04/2026
Ricardo, você fala como se acionista fosse santo. Acionista quer lucro, ponto final. Se for mais barato explorar mão de obra escrava na Ásia ou vender arma pra ditador, ele faz. Pelo menos o burocrata e o general têm que responder a algum interesse nacional, mesmo que torto. O mercado não tem pátria, tem balanço trimestral.
Eduardo Nogueira
27/04/2026
Renata, pragmatismo geopolítico é o nome bonito que a esquerda dá pra aliança com regime que enforca gay e apedreja mulher. Mas ok, continuem aplaudindo o eixo do mal enquanto chamam os outros de fascistas.
Mateus Silva
27/04/2026
Eduardo, seu reducionismo é um clássico da guerra fria reciclada: você ignora que o mesmo Estado que enforca um gay em Teerã também subsidia petróleo para a população mais pobre, enquanto o “mercado livre” que você defende enforca a periferia brasileira com tarifa de energia e não responde a ninguém. O problema não é escolher entre dois horrores, é fingir que um deles é virtude.
Renata Oliveira
27/04/2026
Gente, pelo amor de Deus, essa thread já virou briga de torcida organizada. Irã e Rússia são regimes que perseguem cristãos e oprimem minorias, não importa se o inimigo do meu inimigo é meu amigo. A aliança deles não é virtude nem defeito, é só pragmatismo geopolítico. Vamos parar de escolher lado como se fosse jogo de futebol e olhar com olhos críticos pra todo mundo.
Ricardo Menezes
27/04/2026
Maura, Mariana, pelo amor de deus, vocês tão confundindo intervencionismo estatal com soberania. Irã e Rússia não vendem soberania em leilão? Claro que vendem, só que pra burocrata e general, não pra acionista. A diferença é que acionista pelo menos responde ao mercado; burocrata responde a ninguém e ainda te mete na cadeia se você reclamar do apagão.
Samara Oliveira
27/04/2026
Ricardo, com todo respeito, o “mercado” que você diz que responde é o mesmo que respondeu com apagão e conta de luz nas alturas pro povo brasileiro enquanto a Enel embolsava lucro recorde. Burocrata corrupto a gente pode tirar com voto e lei; acionista só sai se o lucro dele cair, não se o povo passar fome.
Mariana Santos
27/04/2026
Maura, você acertou em cheio. O tal “mercado livre” que Marta defende é o mesmo que mantém a África saqueada por mineradoras e o Brasil refém de commodities enquanto a população se fode com apagão e inflação. Irã e Rússia não são santos, mas a aliança deles expõe a hipocrisia do Ocidente que prega “democracia” com bombas e sanções que matam civis. Enquanto isso, a esquerda brasileira fica nesse mimimi de “romantizar” — como se houvesse alternativa dentro da ordem imperialista.
Marta Souza
27/04/2026
Cláudio, você está certo sobre a reconfiguração de alianças, mas vamos parar de romantizar. Irã e Rússia são dois regimes que se unem porque ambos estão sendo sufocados por sanções que eles mesmos provocaram com suas políticas autoritárias e expansionistas. Se o mercado livre funcionasse nesses países, eles não precisariam ficar correndo atrás de parceiros para sobreviver. No fim das contas, é mais um encontro de perdedores que não aprenderam a lição básica da economia: liberdade gera prosperidade, controle gera isolamento.
Maura Santos
27/04/2026
Marta, o “mercado livre” que você defende é o mesmo que deixou São Paulo sem luz por dias em 2023 enquanto a Enel lucrava — liberdade pra empresa, controle e apagão pro povo. Irã e Rússia têm seus defeitos, mas pelo menos não vendem soberania em leilão pra acionista.
Adalberto Livre
27/04/2026
Parece que o Lula vai pedir visto pro Putin também, esse encontro aí é só o esquenta.
Cláudio Ribeiro
27/04/2026
Adalberto, reduzir a geopolítica eurasiana a uma anedota sobre o Lula é um exercício de cinismo rasteiro que ignora as contradições materiais do sistema interestatal. Enquanto você ironiza, a Rússia e o Irã reconfiguram alianças que desafiam a hegemonia do dólar e a OTAN — o que, convenhamos, exige um pouco mais de seriedade analítica do que um meme de café.
Ricardo Almeida
27/04/2026
João Silva, bonita tentativa de resgatar o romantismo terceiro-mundista, mas a tal “resistência ao imperialismo” virou muleta pra regimes que sufocam os próprios povos. Irã e Rússia se unem por conveniência tática, não por idealismo anti-imperialista — um aperta o cerco a dissidentes internos, o outro invade vizinhos. Chamar isso de reação à ordem unipolar é confundir aliança pragmática com virtude política.
João Silva
27/04/2026
John Marshall e Maria Clara, a discussão de vocês é boa, mas sinto falta de um elemento central: a dimensão histórica da resistência ao imperialismo. O Irã e a Rússia não estão apenas fazendo cálculos realistas; eles representam, cada um à sua maneira, uma reação à ordem unipolar que o Ocidente tenta manter a qualquer custo. Enquanto a mídia hegemônica chama isso de “eixo do mal”, o que vejo é a tentativa de construir um mundo multipolar, algo que o próprio Brasil deveria abraçar com muito mais entusiasmo, em vez de ficar nessa dança servil com o FMI.
Maria Clara Lopes
27/04/2026
John Marshall, gostei do seu ponto sobre a arquitetura hobbesiana, mas acho que você subestima o quanto essa visita é também sobre a sobrevivência econômica dos dois lados. O Irã precisa de parceiros comerciais depois de tantas sanções e a Rússia quer mostrar que não está isolada. No fim, é mais pragmatismo do que ideologia.
John Marshall
27/04/2026
Cristina Rocha tem razão, mas acho que precisamos ir além da crítica aos clichês. O que me fascina nessa visita é como ela revela a arquitetura hobbesiana das relações internacionais: dois Estados buscando segurança e vantagem em um sistema anárquico, onde a soberania é o único recurso real. O Irã e a Rússia não estão fazendo nada de excepcional — estão agindo como Leviatãs em busca de poder, exatamente como Hobbes descreveria. O problema não é o encontro em si, mas a nossa recusa em enxergar a política mundial como ela é, e não como gostaríamos que fosse.
Paulo Rocha
27/04/2026
Cafezinho virou agência de propaganda do eixo do mal, pelo visto. Enquanto isso o Brasil se afunda e esse site defende ditador e terrorista. Faz o L, Cafezinho, vai pra Cuba com o chanceler deles.
Cristina Rocha
27/04/2026
Paulo Rocha, seu comentário é tão previsível quanto o enredo de uma novela das nove. Você repete o mesmo bordão raso que a grande mídia corporativa martela há décadas: “eixo do mal”, “ditador”, “terrorista”. São categorias vazias, desprovidas de qualquer densidade analítica. O conceito de “eixo do mal” foi cunhado por George W. Bush em 2002 para justificar invasões e mortes em massa no Oriente Médio. É um termo de propaganda de guerra, não uma ferramenta de análise política. Você está reproduzindo acriticamente o discurso do Departamento de Estado americano, que há séculos define quem pode ou não negociar soberanamente no sistema internacional. Enquanto isso, o Brasil “se afunda”, como você diz, justamente porque insiste em manter uma subserviência a Washington que nos impede de construir parcerias estratégicas com países como Irã e Rússia, que têm recursos energéticos, tecnológicos e geopolíticos que poderiam nos fortalecer.
O que você chama de “defender ditador e terrorista” é, na verdade, reconhecer a complexidade das relações internacionais. O Irã tem um regime teocrático que viola direitos humanos, sim, e isso precisa ser criticado sem tergiversação. Mas a Rússia de Putin também, e os Estados Unidos de Biden também, e a Arábia Saudita de MBS também. A diferença é que o Ocidente só enxerga violações quando convém ao seu projeto hegemônico. O encontro do chanceler Araghchi com Putin não é um ato de propaganda do “mal”, é um movimento geopolítico racional de dois países que sofrem sanções unilaterais e buscam alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. O Brasil deveria estar fazendo o mesmo, em vez de se curvar ao FMI e ao Consenso de Washington, que nos condenam ao papel de exportadores de commodities e importadores de miséria.
Seu “Faz o L” é sintomático de um pensamento que reduz a política a uma briga de torcida. Você acha que criticar o imperialismo americano é automaticamente defender qualquer regime autoritário? Isso é um falso dilema, uma armadilha ideológica. Eu sou feminista, esquerdista e crítica do patriarcado, e por isso mesmo sou contra qualquer forma de opressão, seja ela praticada por Washington, Teerã, Moscou ou Brasília. Mas o que vejo no seu comentário é a recusa em problematizar o papel dos Estados Unidos como potência que invade países, impõe sanções que matam civis e financia golpes de Estado. Você prefere o conforto de repetir slogans a fazer uma análise materialista das relações de poder. Vá estudar um pouco de teoria pós-colonial, Paulo, e depois a gente conversa.
Carlos Oliveira
27/04/2026
Marta, a senhora tem toda razão. A demonização de qualquer diálogo entre países que não se curvam a Washington é um mantra repetido sem a menor análise histórica. Enquanto isso, o Brasil, que deveria estar ampliando parcerias soberanas como essas, insiste em se alinhar a um bloco que nos trata como quintal. Enquanto o Irã e a Rússia discutem seus interesses, a gente fica aqui assistindo à novela das elites.
Paulo Gestor RJ
27/04/2026
Pessoal, interessante o debate, mas fico aqui pensando no custo disso tudo. Enquanto o Irã e a Rússia alinham geopolitica, o Rio precisa de gestão pragmática. Esse papo de metrô subaquático do Rodrigo Neves é bonito no papel, mas alguém já calculou o impacto fiscal real? Prefiro ver investimento em ferrovia de verdade do que promessa grandiosa sem lastro.
Marta
27/04/2026
Meninos, meninos… sentem-se, que a vovó vai dar mais uma aula de história. Li a enxurrada de comentários do nosso amigo Marcos, e vejo que ele está repetindo como um papagaio o mesmo discurso que a Globo News e a CNN Brasil ensinam. Ele chama o encontro entre o chanceler iraniano e o presidente Putin de “conspiração contra o Ocidente”, como se o Ocidente fosse uma entidade divina e imaculada. Mas vamos aos fatos, meus queridos: o “Ocidente” que ele defende com tanto afinco é o mesmo que invadiu o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria, matando milhões de pessoas em nome da “democracia”. O Irã, por sua vez, é um país que sofre sanções econômicas criminosas há décadas, que impedem seu povo de comprar remédios e alimentos, tudo porque ousou não se curvar aos interesses do Tio Sam. Se isso é ditadura, então o que é o bloqueio dos EUA a Cuba, que dura 60 anos? É preciso ter vergonha na cara, meninos.
O Marcos também cai naquela armadilha de achar que o mundo se divide entre “países bons” (os aliados dos EUA) e “países maus” (os que resistem). Ora, vamos combinar: a Arábia Saudita, aliada número um dos Estados Unidos na região, decapita pessoas em praça pública, não tem eleições e bombardeia crianças no Iêmen com bombas americanas. E ninguém chama a monarquia saudita de ditadura, não é mesmo? Por que será? Porque ela obedece a Washington. O Irã, apesar de todos os defeitos que possamos apontar em seu regime, tem eleições, tem parlamento, tem uma sociedade civil que debate e protesta. Não é uma democracia nos moldes suecos, claro, mas também não é o inferno que a grande mídia pinta. Esse encontro em São Petersburgo é simplesmente a geopolítica real funcionando: dois países que são sufocados pelo imperialismo americano estão se unindo para sobreviver e construir um mundo multipolar. É o famoso “eixo do mal” que o Bush inventou, mas que na prática é só o eixo da resistência à prepotência.
E olha, eu vi o Caio Vieira tentando dar uma aula de filosofia política para o Marcos, mas acho que ele foi muito educado. Eu já teria dito na lata: você, Marcos, está repetindo o manual da OTAN. O que o Irã e a Rússia estão fazendo é exatamente o que o Brasil deveria fazer: defender sua soberania e conversar com quem quiser, sem pedir licença para ninguém. Lembrem-se, crianças, que o Lula, quando presidente, sempre defendeu o diálogo com todos os países, inclusive Irã e Rússia, e foi chamado de “comunista” por isso. Hoje, vemos que a história está dando razão a ele: o mundo não é mais unipolar, e quem insiste em achar que os EUA são os “donos do planeta” está vivendo no passado. O futuro é multipolar, e esses encontros são a prova disso. Agora, tomem seu café e estudem, que a vida não é feita de maniqueísmo barato.
Caio Vieira
27/04/2026
Caro Marcos Conservador, seu comentário, embora expresso com a veemência típica de quem se sente moralmente ultrajado, padece de um grave déficit de historicidade. A categoria “ditador” que você emprega como se fosse uma essência metafísica, imutável e universal, é, na verdade, um constructo ideológico forjado nas oficinas da geopolítica ocidental. Quando a Casa Branca recebe o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, não se fala em ditadura, apesar de não haver eleições e de opositores serem esquartejados em praça pública. Já o Irã, que realiza eleições periódicas (com todas as contradições e mediações de um sistema teocrático, é verdade), é invariavelmente classificado como regime autoritário. Isso não é descrição objetiva, é hegemonia discursiva operando em sua plenitude, caro colega.
A visita do chanceler Araghchi a São Petersburgo precisa ser lida, a meu ver, como um movimento tático dentro de uma estratégia mais ampla de reconfiguração da ordem mundial. O que a grande mídia chama de “conspiração contra o Ocidente” é, na verdade, a busca por soberania por parte de nações que se recusam a aceitar a unipolaridade como destino manifesto. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia não se mantém apenas pela força, mas pelo consentimento fabricado. O que vemos hoje é a erosão desse consentimento. O Irã e a Rússia, cada qual com suas especificidades históricas e contradições internas, estão exercendo o direito elementar de não se submeterem aos ditames de Washington. Chamar isso de “caos” é tomar partido pela ordem estabelecida, que, convenhamos, é bastante caótica para os povos da Palestina, do Iêmen e da Síria.
Não se trata, evidentemente, de romantizar o Estado iraniano. Como sociólogo, tenho a obrigação de apontar suas contradições: a repressão às minorias, a violência de gênero institucionalizada, a falta de pluralidade política efetiva. Mas a crítica precisa ser dialética, não maniqueísta. Enquanto a Arábia Saudita, aliada central do “Ocidente”, bombardeia crianças no Iêmen com bombas fabricadas nos EUA, o discurso moralista de Marcos Conservador silencia. A solidariedade que devemos ter com o povo iraniano é a mesma que temos com qualquer povo oprimido: a de compreender que sua luta por autodeterminação não pode ser confundida com a defesa de seu regime. A visita a Putin é um ato de afirmação geopolítica de um país que resiste a 45 anos de sanções criminosas. Isso merece análise, não xingamento.
Marcos Conservador
27/04/2026
Mais um encontro de ditadores para conspirar contra o Ocidente e espalhar o caos pelo mundo. Enquanto isso, o Brasil fica fazendo média com esses regimes que matam cristãos e oprimem mulheres. Cadê o Itamaraty para protestar contra isso?
Ronaldo Pereira
27/04/2026
Marcos, você tá repetindo o discurso da grande mídia que sempre tratou qualquer líder do Sul Global como ditador enquanto passa pano pra monarquia da Arábia Saudita que decapita gente na praça. O Irã tem eleições, tem parlamento e enfrenta sanções criminosas do imperialismo — o Brasil fazer acordo com eles é defender soberania, não ser capacho de ninguém.
Alice T.
27/04/2026
Marcos, ditador é quem invade país com desculpa de levar democracia e mata 300 mil civis, igual os EUA fizeram no Iraque. O Irã não precisa de autorização de Washington pra conversar com quem quiser.
Julia Andrade
27/04/2026
Marcos, você toca num ponto que merece ser desmontado com cuidado, porque ele revela uma armadilha discursiva muito comum. Você chama o encontro de “conspiração contra o Ocidente”, mas essa noção de “Ocidente” como bloco monolítico e virtuoso é uma construção ideológica que esconde hierarquias reais. O Ocidente que você defende é o mesmo que impôs o apartheid na Palestina, que bombardeou a Líbia até virar um mercado de escravos e que mantém o embargo econômico mais cruel da história contra o povo iraniano — sanções que negam remédios para crianças com câncer. Chamar Putin e Araghchi de “ditadores” enquanto se silencia sobre o regime de Abdel Fattah al-Sisi no Egito, que prendeu dezenas de milhares e recebe bilhões de dólares americanos anualmente, é um exercício de seletividade moral que só beneficia a geopolítica imperial.
Sobre a acusação de que o Brasil “faz média” com regimes que “matam cristãos e oprimem mulheres”: essa é uma daquelas falas que misturam dados descontextualizados com um orientalismo rasteiro. O Irã tem uma teocracia que oprime mulheres xiitas e sunitas, sim, e isso é criticável — mas a Arábia Saudita, aliada número um dos EUA, não permite que mulheres dirijam sem permissão masculina até 2018 e ainda hoje executa pessoas por feitiçaria. Onde está seu protesto contra Riad? O Brasil, ao manter relações diplomáticas com Teerã, não está endossando o aiatolá Khamenei; está fazendo o que qualquer nação soberana faz: defender seus interesses comerciais e energéticos. O Itamaraty não precisa “protestar” contra cada regime que não segue a cartilha liberal ocidental — isso é coisa de país que se acha xerife do mundo.
Se você realmente se importa com cristãos perseguidos, sugiro pesquisar quem financia e arma os grupos que expulsam comunidades cristãs na Nigéria e na Síria. Spoiler: não é o Irã. A instrumentalização da “opressão às mulheres” como justificativa para intervenção imperial é um truque velho — foi usado no Afeganistão (resultado: 20 anos de guerra, Talibã mais forte) e no Iraque (resultado: 300 mil mortos, mulheres ainda mais vulneráveis). O que o Brasil deveria fazer, na sua visão, é romper com todos os países que violam direitos humanos? Então teria que romper com Israel, com os EUA (Guantánamo, pena de morte, perfilamento racial), com a França (neocolonialismo na África) e com quase todo mundo. Aí o país quebra economicamente e a população mais pobre sofre — mas isso não parece te preocupar.
Por fim, sua pergunta “Cadê o Itamaraty para protestar?” revela uma visão infantil de diplomacia, como se o papel do Brasil fosse sair distribuindo notas de repúdio a cada encontro entre líderes que você não gosta. O Itamaraty está exatamente onde deveria estar: defendendo a autonomia nacional e a não ingerência, princípios que, aliás, permitiram ao Brasil construir pontes comerciais com China, Rússia e Irã enquanto a Europa se afunda em crise energética. Se você quer um Brasil que seja capacho de Washington, sugiro mudar de país — mas duvido que qualquer potência imperial vá te tratar com o respeito que um país soberano merece.
Laura Silva
27/04/2026
Marcos, você levanta uma questão que merece ser examinada à luz da história concreta, e não dos slogans que a grande mídia repete como se fossem verdades eternas. Você fala em “ditadores” e “conspiração contra o Ocidente”, mas essa categoria “Ocidente” é uma construção ideológica que serve para naturalizar a hegemonia de meia dúzia de potências que, sim, invadiram países, derrubaram governos democraticamente eleitos e impuseram sanções que matam crianças por falta de medicamentos. O Irã tem eleições, tem parlamento, tem uma sociedade civil que resiste — e sofre há décadas com um bloqueio econômico que o Conselho de Segurança da ONU jamais impôs a Israel, por exemplo. Chamar isso de “ditadura” enquanto se silencia sobre a Arábia Saudita, que decapita pessoas em praça pública e bombardeia o Iêmen com bombas fabricadas nos EUA, é aplicar um filtro seletivo que só revela o viés geopolítico de quem o usa.
Quanto à sua indignação sobre o Brasil “fazer média”, sugiro uma reflexão: o que você chama de “fazer média” é, na verdade, o princípio fundamental da política externa brasileira desde Rio Branco — a não ingerência e a busca por autonomia. O Itamaraty não é um escritório regional do Departamento de Estado americano. O Brasil tem interesse em manter canais abertos com todos os atores do sistema internacional, especialmente aqueles que, como o Irã, são peças-chave na geopolítica energética e na contenção de conflitos no Oriente Médio. Se o Brasil rompesse relações com todo país que viola direitos humanos, teria que começar fechando a embaixada em Washington — os EUA têm prisão de Guantánamo, assassinatos extrajudiciais com drones e um histórico de tortura que envergonha qualquer regime que você aponte como “ditatorial”.
Por fim, sobre a perseguição a cristãos e a opressão a mulheres: são problemas reais no Irã, e eu seria a última pessoa a negá-los. Mas o que me incomoda no seu discurso é a hipocrisia seletiva. Onde estava sua indignação quando a Arábia Saudita — aliada do “Ocidente” que você defende — invadiu o Bahrein para esmagar uma revolta popular xiita? Onde estava quando o Egito de Sisi, que recebe bilhões em ajuda americana, prendeu ativistas e massacrou cristãos coptas? A crítica aos direitos humanos no Irã é justa e necessária, mas quando ela vem acompanhada de um silêncio cúmplice sobre as violações cometidas pelos aliados do “Ocidente”, ela perde a credibilidade moral e se revela como mero instrumento de propaganda de guerra. O Itamaraty não precisa “protestar” contra o Irã; precisa continuar defendendo o direito dos povos à autodeterminação, sem servir de capacho para os interesses de quem quer ver o mundo dividido entre “nós” e “eles” para continuar lucrando com guerras e sanções.