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Ilontsera lança manual para reforçar proteção de jornalistas em Madagascar

4 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Ilontsera lança manual para reforçar proteção de jornalistas em Madagascar. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A organização não governamental Ilontsera lançou um manual prático destinado a fortalecer a proteção de jornalistas em Madagascar. O documento surge em resposta ao aumento das pressões políticas e econômicas sobre a imprensa local. Segundo […]

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Ilustração editorial sobre Ilontsera lança manual para reforçar proteção de jornalistas em Madagascar. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A organização não governamental Ilontsera lançou um manual prático destinado a fortalecer a proteção de jornalistas em Madagascar. O documento surge em resposta ao aumento das pressões políticas e econômicas sobre a imprensa local.

Segundo a RFI, a iniciativa chega após um período marcado por intensas tensões políticas e protestos. Nesses eventos, profissionais da mídia foram alvos frequentes de intimidações e tentativas de censura.

Na introdução do manual, a Ilontsera destaca que o papel do jornalista se tornou ainda mais essencial diante da polarização social e política. O ex-jornalista Hervé Razafindranaivo, que coordenou a elaboração da obra, estruturou o guia em quatro eixos principais.

Esses eixos incluem a avaliação de riscos antes de qualquer cobertura, a autoproteção física e logística, a segurança digital e a defesa jurídica. Razafindranaivo explicou que o objetivo central é criar uma cultura de prevenção entre os repórteres malgaxes.

O coordenador detalhou métodos simples para identificar ameaças potenciais e planejar deslocamentos com segurança. Ele também orientou sobre a proteção de dados sensíveis em contextos de vigilância crescente.

O advogado Toki Ramilison atuou como coautor do manual e ressaltou a importância do conhecimento das fronteiras legais. Segundo ele, muitos jornalistas se autocensuram por medo de represálias ou de perder o emprego.

Essa autocensura enfraquece o direito à informação e o papel fiscalizador da imprensa no país. Compreender os limites legais e os direitos constitucionais torna-se essencial para uma prática jornalística livre e responsável.

O texto aborda ainda a ausência de legislação específica para proteger denunciantes e fontes jornalísticas em Madagascar. Organizações civis buscam preencher essa lacuna importante para o exercício da profissão.

A Ilontsera defende a prevenção como base fundamental da segurança profissional dos comunicadores. O país busca reconstruir sua imprensa após mais de uma década de restrições e censura.

A consolidação de um setor midiático independente e juridicamente amparado representa condição indispensável para o fortalecimento democrático. O lançamento do manual constitui um avanço relevante para a profissionalização e a segurança dos jornalistas malgaxes.

Em um cenário global de retrocessos na liberdade de imprensa, a iniciativa ganha relevância especial. Ela reforça a necessidade urgente de políticas concretas de proteção ao jornalismo como pilar da democracia.


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Fernanda Oliveira

30/04/2026

Iniciativas como a da Ilontsera são fundamentais para garantir que a informação circule sem amarras, longe da polarização que vemos tanto aqui quanto no exterior. É perigoso reduzir a proteção de profissionais a ideologias ou ignorar a importância da liberdade de imprensa em prol de discursos populistas. O fortalecimento das democracias exige ferramentas práticas de defesa e transparência para quem investiga o poder, independentemente do lado político.

Cristina Rocha

30/04/2026

É imperativo observarmos que a luta em Madagascar, sintetizada na iniciativa da Ilontsera, não é um fenômeno isolado, mas um sintoma agudo da crise das democracias liberais sob a égide do capital transnacional. Quando falamos de proteção a jornalistas no Sul Global, estamos tratando da resistência contra a colonialidade do poder que tenta, a todo custo, silenciar as vozes dissonantes que denunciam a pilhagem de recursos e a precarização da vida. A informação, em uma perspectiva marxista, deixa de ser apenas um bem de troca para se tornar o campo de batalha da hegemonia gramsciana. Sem o anteparo de manuais e redes de proteção, o intelectual orgânico — aquele que reporta a realidade das massas — fica à mercê da necropoder estatal e paraestatal.

Diferente da visão reducionista e eivada de um punitivismo estéril que vimos em comentários anteriores, a insegurança que aflige o Rio de Janeiro ou Antananarivo possui a mesma raiz dialética: a falência programada das instituições públicas em favor de interesses privados e oligárquicos. O colega que clama por lei e ordem esquece-se, talvez por uma alienação imposta pelo próprio sistema, que é justamente a falta de uma imprensa livre que permite que a corrupção das elites e a violência estrutural floresçam nas sombras. Como nos ensinou Spinoza em seu Tratado Teológico-Político, em um Estado livre, a cada um deve ser permitido sentir o que quiser e dizer o que sente, pois a supressão da palavra é o primeiro passo para a consolidação da tirania, seja ela fardada ou vestida de terno e gravata nos conselhos de administração das grandes empresas.

Não podemos ignorar, ademais, o recorte de gênero e a estrutura patriarcal que permeiam essas pressões políticas. As jornalistas mulheres, em contextos de instabilidade como o de Madagascar, enfrentam uma dupla vulnerabilidade: a censura política e a violência simbólica (e muitas vezes física) que tenta relegá-las ao silêncio do espaço privado. Um manual de proteção deve, necessariamente, ser atravessado por uma teoria crítica que entenda que o ataque à imprensa é também um ataque à autonomia do sujeito feminino que ousa ocupar o espaço público da denúncia. A emancipação humana, como bem pontuava a tradição da Escola de Frankfurt, passa invariavelmente pelo desvelamento das estruturas de dominação que a ideologia dominante tenta naturalizar.

Portanto, saudar a iniciativa da Ilontsera é reconhecer que a nossa luta é internacionalista. Não existe lá fora no sistema-mundo capitalista; a opressão que silencia um repórter na África é a mesma que desinforma o trabalhador brasileiro, mantendo-o preso a um ciclo de ódio e falsa consciência. Precisamos de mais teoria, mais profundidade e menos slogans vazios de segurança pública que servem apenas para alimentar o complexo industrial-carcerário. A proteção do jornalista é, em última análise, a salvaguarda da nossa própria capacidade de imaginar e construir um mundo para além do capital, onde a verdade não seja um artigo de luxo, mas um direito inalienável da práxis humana.

João Santos

30/04/2026

Mermão, enquanto esse pessoal se preocupa com Madagascar, aqui no Rio o trabalhador tá sofrendo na mão de bandido. Deviam era fazer manual de como prender vagabundo e acabar com essa corrupção que acaba com o Brasil. Bandido bom é bandido preso e Deus no comando sempre!

    Laura Silva

    30/04/2026

    Prezado João Santos, entendo perfeitamente a sua angústia diante da insegurança que assola o nosso Rio de Janeiro, mas precisamos evitar a armadilha do punitivismo rasteiro que a classe dominante tenta nos vender como solução. Quando a organização Ilontsera propõe um manual de proteção para jornalistas em Madagascar, ela está, na verdade, fortalecendo a única ferramenta capaz de denunciar como o capital transnacional espolia tanto o Sul da África quanto as periferias brasileiras. A violência urbana que o senhor menciona não nasce no vácuo; ela é o subproduto de um sistema neoliberal que retira direitos, precariza a vida e, posteriormente, utiliza o aparato repressivo do Estado para gerir a miséria que ele mesmo produziu através da política do encarceramento em massa.

    Acreditar que a solução reside meramente no braço forte da lei é ignorar que, historicamente, esse braço só alcança o corpo negro e pobre, enquanto os verdadeiros arquitetos da corrupção estrutural — que operam no andar de cima do sistema financeiro ou em gabinetes luxuosos — permanecem impunes e protegidos por esse mesmo sistema. O que acontece em Madagascar e o que vivemos aqui são faces da mesma moeda: a tentativa de silenciar quem ousa expor as vísceras de um modelo econômico que trata a vida do trabalhador como mercadoria descartável. Sem jornalismo livre e protegido, ficamos cegos diante da pilhagem dos nossos recursos e da militarização da nossa própria existência cotidiana.

    Portanto, João, a luta por uma segurança pública real passa, obrigatoriamente, por uma reflexão profunda sobre a justiça social e a soberania popular. Não se combate a barbárie sem antes enfrentar a fome, o desemprego recorde e a desigualdade abismal que o capitalismo periférico nos impõe. Defender o direito de informar e ser informado é, no limite, defender o direito do trabalhador fluminense de identificar quem são seus verdadeiros inimigos. Estes raramente são apenas os que estão no último elo da criminalidade, mas sim aqueles que lucram com o caos social e com a ausência sistemática de políticas públicas que sejam verdadeiramente emancipatórias.


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