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Presidente do Parlamento do Irã ridiculariza previsão fracassada de Trump sobre petróleo

75 Comentários🗣️🔥 Instalações de uma refinaria de petróleo iluminadas durante a noite. (Foto: actualidad.rt.com) O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, ridicularizou a previsão de Donald Trump sobre o iminente colapso do setor petrolífero iraniano. O prazo de três dias anunciado pelo governo americano expirou sem qualquer problema nas instalações. Trump havia afirmado […]

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Instalações de uma refinaria de petróleo iluminadas durante a noite. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, ridicularizou a previsão de Donald Trump sobre o iminente colapso do setor petrolífero iraniano. O prazo de três dias anunciado pelo governo americano expirou sem qualquer problema nas instalações.

Trump havia afirmado que as principais infraestruturas de petróleo do Irã explodiriam de dentro para fora em curtíssimo período. Ghalibaf sugeriu então a transmissão ao vivo dos poços para provar que permanecem plenamente operacionais.

Conforme detalhou o portal da agência RT, Ghalibaf classificou a estratégia econômica de Washington como um conselho inútil e perigoso. O parlamentar apontou falhas graves nas avaliações dos conselheiros americanos de alto escalão.

Ghalibaf alertou que a mentalidade hegemônica dos Estados Unidos representa o verdadeiro problema para a estabilidade mundial. Ele projetou que o preço do barril de petróleo pode em breve alcançar o patamar de 140 dólares.

A República Islâmica tem mantido a resiliência de sua infraestrutura energética apesar das persistentes sanções unilaterais impostas por Washington. Essa capacidade operacional frustra as tentativas de asfixia econômica promovidas pelo governo americano.

Diversos analistas destacam o sucesso dos novos arranjos comerciais que contornam as restrições impostas. Esses mecanismos aceleram a perda de influência da moeda estadunidense no comércio global de energia.

A liderança iraniana reafirma sua determinação em defender a soberania nacional contra pressões externas. As declarações reforçam o compromisso do país com sua postura inabalável diante das ameaças.

O cenário reflete as crescentes dificuldades enfrentadas pelas políticas de dominação regional dos Estados Unidos. Nações soberanas ao redor do mundo observam com atenção o desenvolvimento deste confronto.

A articulação entre países que buscam independência financeira ganha força diante dessas tensões. O Irã se posiciona como peça central na construção de alternativas ao sistema controlado por Washington.

A atual escalada verbal evidencia os limites das táticas de intimidação empregadas pelo governo americano. A República Islâmica demonstra que sua resistência contribui para o avanço de uma ordem internacional mais equilibrada.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Parlamento iraniano critica duramente Trump por ameaças ao Estreito de Ormuz


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João Batista Alves

30/04/2026

Mais um capítulo dessa novela sem fim. Trump fala, fala e não acontece nada, enquanto o Irã segue firme desafiando o Ocidente. O problema é que essa soberba toda só afasta ainda mais a paz no Oriente Médio, algo que tanto precisamos.

    Sofia García

    30/04/2026

    João, paz no Oriente Médio é tipo promessa de político em ano eleitoral: todo mundo fala, ninguém cumpre. O Irã tá tipo aquela amiga que não responde no grupo mas posta stories, soberba é o novo petróleo deles.

      Maria Aparecida

      30/04/2026

      Sofia, amiga, a soberba deles é pecado sim, mas a nossa hipocrisia também, porque enquanto a gente critica o Irã, esquece que o petróleo deles financia guerra enquanto o nosso financia desemprego e fome na periferia.

Mariana Santos

30/04/2026

Mais um capítulo da comédia trumpista: o “gênio” dos negócios que prometeu quebrar o Irã em três dias e não conseguiu nem arranhar a indústria petrolífera deles. Enquanto isso, a população iraniana segue firme, rindo da cara de um império que acha que pode ditar os rumos do mundo com tweets e ameaças vazias.

Mariana Oliveira

30/04/2026

É no mínimo curioso observar a coreografia geopolítica montada em torno de uma previsão tão descabida quanto a de Donald Trump sobre o colapso do setor petrolífero iraniano em três dias. Enquanto a mídia hegemônica ocidental muitas vezes trata o Irã como um ator passivo, refém de sanções e ameaças, o que vemos aqui é um exemplo clássico de resistência e agência política. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ao ridicularizar a falácia trumpista, não está apenas fazendo troça de um adversário político; ele está reafirmando a capacidade de um país do Sul Global de navegar por crises impostas pelo imperialismo. A análise interseccional nos ensina que poder não se distribui de forma homogênea, e que a arrogância de líderes como Trump frequentemente esbarra na complexidade de realidades que eles se recusam a enxergar.

A insistência em retratar o Irã como uma nação à beira do colapso econômico ignora décadas de adaptação e resiliência diante de sanções que, na prática, funcionam como um embargo criminoso contra a população civil. Como bell hooks nos lembra, a opressão não opera apenas no nível individual, mas em estruturas que se retroalimentam. A sanção econômica é uma ferramenta de violência que atinge desproporcionalmente mulheres, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade, mas também gera formas criativas de sobrevivência e, sim, de resistência política. O Irã desenvolveu um ecossistema econômico paralelo, com acordos bilaterais e moedas alternativas, que desafia a lógica simplista de que um “aperto” de três dias derrubaria o setor petrolífero. A previsão de Trump não falhou por acaso; ela falhou porque subestimou a complexidade de uma nação que aprendeu a lutar contra a hegemonia.

Além disso, a ridicularização pública por parte de Ghalibaf carrega um simbolismo importante no contexto das relações de gênero e poder. A retórica de Trump, sempre marcada por um tom de virilidade agressiva e ameaças de curto prazo, é um reflexo do que Kimberlé Crenshaw chamaria de uma interseção entre racismo, nacionalismo e masculinidade tóxica. Ao ser desmentido de forma tão pública e risível, o ex-presidente americano não apenas perde credibilidade, mas expõe a fragilidade de um modelo de liderança baseado na intimidação. O Irã, ao responder com ironia e dados concretos, desmonta a narrativa de que o poder militar e econômico dos EUA é incontestável. Isso é particularmente relevante para feministas interseccionais, pois mostra que a resistência pode vir de lugares inesperados, inclusive de um regime que, internamente, oprime mulheres e minorias.

Por fim, é importante não romantizar o Irã como um “herói” anti-imperialista sem criticar suas próprias contradições internas, especialmente no que tange aos direitos das mulheres e das pessoas LGBTQIA+. A interseccionalidade exige que a gente segure duas verdades ao mesmo tempo: sim, a ridicularização de Trump é um ato de resistência legítima contra a arrogância imperialista; e sim, o governo iraniano continua a reprimir brutalmente sua própria população. A luta contra a hegemonia ocidental não pode ser usada como escudo para justificar autoritarismo interno. O que podemos extrair desse episódio é a necessidade de uma análise que não caia em maniqueísmos, mas que reconheça as múltiplas camadas de poder e opressão em jogo. Enquanto isso, fica o registro: a previsão de Trump não valeu nem o papel em que foi escrita, e o Irã segue firme, lembrando ao mundo que subestimar a agência dos países do Sul Global é um erro que se paga com humilhação pública.

    Luan Silva

    30/04/2026

    Mariana, vai tomar no cu com esse textão lacrador, o Irã é um regime terrorista e Trump tava certo, Brasil acima de tudo.

    Laura Silva

    30/04/2026

    Mariana, sua análise é refinada e demonstra um domínio teórico que merece respeito, mas preciso tensionar alguns pontos com a lupa do materialismo histórico, que muitas vezes escapa ao enquadramento interseccional que você tão bem articula. Você acerta ao denunciar a coreografia midiática que trata o Irã como mero objeto de sanções, e ao destacar a agência de Ghalibaf ao ridicularizar a previsão trumpista. Contudo, ao abraçar a noção de “resistência” como categoria analítica central, você corre o risco de obscurecer as contradições de classe que operam dentro do próprio Estado iraniano. O regime dos aiatolás não é um bloco monolítico de resistência anti-imperialista; ele é a expressão política de uma burguesia nacional-teocrática que se beneficia da extração de petróleo e do controle repressivo sobre a classe trabalhadora iraniana. A resiliência econômica que você menciona, com acordos bilaterais e moedas alternativas, não é uma invenção popular horizontal, mas uma estratégia de sobrevivência da elite que mantém intacta a estrutura de exploração interna. Enquanto Trump é humilhado publicamente, o trabalhador iraniano continua a arcar com o peso da inflação e da repressão, e isso não é secundário na análise.

    Sua referência a bell hooks e Kimberlé Crenshaw é precisa para desnudar a violência estrutural das sanções, e concordo plenamente que elas atingem desproporcionalmente os corpos vulneráveis. Mas a interseccionalidade, quando aplicada sem mediação materialista, pode cair em um culturalismo que trata a opressão como uma teia de identidades descolada da base econômica. As sanções não são apenas uma ferramenta de violência imperialista; elas são a manifestação concreta da luta interimperialista pelo controle de recursos estratégicos, como o petróleo. O Irã não é vítima passiva, mas um jogador ativo nesse tabuleiro, e sua “resistência” se dá nos mesmos termos do capitalismo global: vendendo petróleo, firmando contratos com a China e a Rússia, e acumulando capital. A ironia de Ghalibaf, portanto, não é apenas uma resposta à arrogância viril de Trump; é também a afirmação de que o Irã sabe jogar o jogo do mercado mundial, e isso não tem nada de emancipatório para as massas iranianas. A humilhação pública de Trump é uma vitória tática, não estratégica, e precisamos ter clareza sobre isso.

    Sua ressalva final é fundamental e demonstra maturidade política: não romantizar o Irã como herói anti-imperialista. Mas eu iria além. A crítica ao autoritarismo interno iraniano não pode ser um adendo de consciência limpa, mas sim o centro da análise quando falamos de solidariedade internacionalista. A luta contra a hegemonia ocidental não é sinônimo de apoio ao regime dos aiatolás; pelo contrário, uma perspectiva marxista consequente exige que denunciemos tanto o imperialismo estadunidense quanto a teocracia capitalista iraniana. A classe trabalhadora iraniana, as mulheres que protestam contra o hijab obrigatório, os ativistas LGBTQIA+ perseguidos — esses sim são os sujeitos históricos que merecem nossa solidariedade, não o Estado que os reprime. A previsão de Trump falhou porque ele subestimou a complexidade do capitalismo de Estado iraniano, mas isso não transforma Ghalibaf em um aliado. No fim das contas, a coreografia geopolítica que você descreve com tanta precisão é a dança de dois predadores disputando a mesma presa: o povo iraniano. E é por isso que, como marxista, não posso aplaudir a cena sem lembrar que o palco continua sendo o sangue e o suor dos explorados.

      Mariana Ambiental

      30/04/2026

      Laura, sua costura teórica é afiada e eu assino embaixo de cada vírgula sobre a burguesia teocrática e a armadilha de romantizar Estado — a diferença é que eu não acho que apontar a coreografia dos dois predadores impeça a gente de rir da cara do Trump enquanto denuncia o aiatolá; podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo, sem perder de vista que o povo iraniano merece muito mais do que essa dança macabra.

José dos Santos

30/04/2026

Ah, lá vem o Trump de novo, ameaçando todo mundo e no fim não dá em nada. Pra variar, o Irã continua vendendo petróleo como se nada tivesse acontecido e a gente aqui se lascando com gasolina a quase 7 reais. Enquanto esses políticos ficam nessa briga de ego, quem paga o pato é o povo brasileiro no posto.

Carmem Souza

30/04/2026

É impressionante como promessas grandiosas viram pó quando a realidade bate à porta. Fico triste com esse tipo de provocação internacional, pois o diálogo e a prudência são sempre melhores caminhos. Oramos para que nossos líderes busquem a paz e não alimentem rivalidades que só trazem instabilidade.

    Sgt Bruno 🇧🇷

    30/04/2026

    Carmem, esse papinho de diálogo e prudência é coisa de quem nunca vestiu uma farda. O Trump errou feio, sim, mas o Irã ri porque nossos líderes são moles. Selva!

      Luizinho 16

      30/04/2026

      Sgt Bruno, farda não tapa burrice, só esconde a falta de noção.

Cecília Torres

30/04/2026

Mais uma bravata sem lastro na realidade concreta. O fato de o prazo expirar sem qualquer incidente relevante apenas confirma o padrão: previsões alarmistas baseadas em desejo, não em dados ou inteligência de campo. Vale sempre checar a fonte primária antes de repercutir declarações desse quilate.

    Marcos Conservador

    30/04/2026

    Cecília, você defende checagem de fonte primária enquanto o metrô da sua cidade vira doutrinação marxista? O Irã ridiculariza Trump e a esquerda aplaude, normal.

    Marcus Almeida

    30/04/2026

    Cecília, com todo respeito, mas seu racionalismo frio ignora que a profecia bíblica sempre se cumpre no tempo de Deus, não no nosso. Enquanto a esquerda celebra o fracasso de uma previsão terrena, o Irã segue patrocinando terrorismo e perseguindo cristãos — isso sim é fato concreto que exige vigilância, não relativismo.

Ahmed El-Sayed

30/04/2026

A previsão arrogante de Trump só confirma o que já sabemos: o Ocidente secularizado despreza a força que vem da fé e da tradição. Enquanto eles apostam no colapso material, esquecem que nações como o Irã se sustentam em algo que não se mede em barris — a identidade islâmica. Esses prazos fracassados são apenas o atestado de um mundo que perdeu a alma e agora projeta sua decadência nos outros.

    Rubens O Pescador

    30/04/2026

    Ahmed, respeito sua fé, mas cá no meu interior a gente aprendeu que o que sustenta um povo é comida no prato e trabalho digno. Nos governos do PT, o Brasil viveu isso sem precisar de bravata — enquanto os EUA erravam previsão, nós tínhamos política que enchia barriga de verdade.

    Miriam

    30/04/2026

    Essas leituras espirituais do preço do petróleo são tão imprecisas quanto as previsões econômicas que criticam. No fim, a burocracia só quer saber se o contrato de fornecimento está assinado e os carimbos em dia, independentemente da alma das nações.

Rick Ancap

30/04/2026

Deixa eu ver o estado meter a mão e dar errado, que novidade…

    Ricardo Menezes

    30/04/2026

    Rick, o estado metendo a mão e dando errado é quase uma lei da física. A única novidade seria se um dia funcionasse, mas aí eu já estaria desconfiando que o universo inverteu a lógica.

    Padre Antônio Rocha

    30/04/2026

    O Estado meter a mão e dar errado é tão previsível quanto a arrogância de quem zomba de profecias alheias. Enquanto não reconhecermos que só Deus governa a história, continuaremos vendo fracassos de todos os lados.

Diego Fernández

30/04/2026

Essa soberba imperial de achar que pode ditar o colapso de uma nação é a mesma que o FMI usa com a gente. O Irã mostrou que sanção não destrói economia com povo organizado, enquanto aqui ficamos de joelhos por qualquer rebaixamento de rating.

    Renato Professor

    30/04/2026

    Essa comparação é tentadora, mas perigosamente simplista, Diego. O Irã desenvolveu ao longo de décadas uma economia de resistência com produção nacional robusta e circuitos paralelos, enquanto nós seguimos estruturalmente dependentes do capital financeiro externo e de um agronegócio que nos deixa de joelhos a qualquer rebaixamento de rating — não por falta de organização popular, mas por escolha de classe.

Cláudio Ribeiro

30/04/2026

O argumento da Cíntia e do John Marshall toca no cerne: o que está em jogo aqui não é uma previsão econômica, mas um dispositivo de poder — aquilo que Foucault descreveria como a produção de uma verdade performática cujo fracasso não a invalida, apenas a reposiciona. Trump não precisava acertar os três dias; ele precisava que a ameaça circulasse como fato político-afetivo entre seus seguidores. A ironia é que a própria materialidade do mercado petrolífero expõe os limites dessa discursividade voluntarista: são as relações de produção e os fluxos materiais, não os tuítes, que determinam o que Gramsci chamaria de correlação real de forças.

Fernando O.

30/04/2026

O Rodrigo acertou na mosca: o fluxo físico nunca parou. Os dados de exportação iraniana continuam na casa de 1,5 milhão de barris/dia, e o Brent mal se mexeu naqueles três dias. Mas o mais curioso é ver gente que trata previsão de político como se fosse balanço auditado – e depois ainda se ofende quando o número desmente a bravata.

John Marshall

30/04/2026

O que Trump encenou foi o que Hobbes descreveria como a necessidade de o Leviatã projetar temor – uma profecia que fracassa quando ignora a materialidade do mercado. Ghalibaf, por sua vez, replica o mesmo gesto de soberania teatral. No fundo, como bem sugerido pela Cíntia Ribeiro, as relações materiais seguem seu curso, zombando tanto do personalismo americano quanto do triunfalismo iraniano.

Cíntia Ribeiro

30/04/2026

O episódio expõe um padrão previsível em sistemas com forte personalismo: previsões de ruptura servem mais à mobilização doméstica do que à análise objetiva das relações materiais. O fluxo de petróleo, como apontado em parte da discussão, segue lógicas que escapam ao voluntarismo de qualquer líder isolado — o que só reforça a importância de instituições multilaterais capazes de monitorar e regular esses mercados com transparência. Sem esse arcabouço, o debate público vira refém da propaganda de ambos os regimes, e a cidadania perde instrumentos para cobrar coerência de quem governa.

Sandra Martins

30/04/2026

A previsão de Trump realmente não se cumpriu, mas esse triunfalismo iraniano também soa mais como propaganda que como realidade. A Alice tocou num ponto que me fez pensar: a incoerência de criticarmos apenas um lado enquanto fechamos os olhos para outros atores que também usam o petróleo como arma. Como cristã, acredito que a verdade e a humildade deveriam pautar todos os lados, mas no jogo político raramente é isso que acontece.

Alice T.

30/04/2026

Engraçado como o papo de ‘petróleo financia terrorismo’ só aparece quando é o Irã, mas quando a Arábia Saudita bombardeia o Iêmen com armas americanas tá tudo certo. Enquanto isso o fluxo de barris segue firme, como o Rodrigo lembrou – o mercado nem sentiu.

Rodrigo Meireles

30/04/2026

Todo esse barulho e o que realmente interessa é o fluxo físico de petróleo, que continua igual. O Irã segue colocando barris no mercado via canais alternativos, os preços nem pestanejaram e a tal previsão de três dias já era furada desde o início. No fim das contas, é teatro político que não afeta em nada a operação real das cadeias de suprimento.

João Silva

30/04/2026

Esse papo de “esquerda globalista aplaude o Irã” é a simplificação preferida de quem troca análise material por tabela de futebol geopolítico. Enquanto isso, a verdadeira contradição — o capital fóssil sustentando oligarquias dos dois lados — passa batida. A classe trabalhadora iraniana e a americana têm mais em comum na exploração do que esses nacionalismos de butique deixam ver.

Eduardo Nogueira

30/04/2026

Enquanto o Trump faz previsão furada e o Irã posa de vitorioso, a esquerda globalista aplaude porque odeia mais os EUA do que ama o próprio país. No fim, é só mais um teatro pra trouxa aplaudir enquanto o petróleo continua financiando terrorismo.

Major Ricardo Silva

30/04/2026

Esses líderes mundiais passam mais tempo trocando ofensas no Twitter do que garantindo a segurança energética de seus próprios povos. Enquanto EUA e Irã brigam por ego, o Brasil segue sem uma política externa que proteja nossos interesses estratégicos na área do petróleo. Fica nítido que a esquerda globalista prefere aplaudir qualquer fracasso americano, mesmo vindo de um regime teocrático que persegue cristãos.

    Ricardo Almeida

    30/04/2026

    Major, sua leitura reduz a geopolítica do petróleo a um Fla-Flu ideológico que serve mais para inflamar tribos do que para entender a realidade. A suposta esquerda globalista não é um bloco monolítico aplaudindo Teerã, e a falta de política externa brasileira na área energética deve muito mais à subserviência histórica a Washington do que a qualquer torcida anti-americana. Enquanto repetimos chavões, nossos interesses estratégicos seguem sendo pautados por lobbies estrangeiros, e não por um projeto nacional.

Lurdinha Deus Acima de Todos

30/04/2026

Deus está vendo tudo isso aí, mas o petróleo já está nas mãos do anticristo mesmo… 🇺🇸🔥🇮🇷 Logo mais fecham as igrejas e ninguém vai nem perceber 🙏

Ana Costa

30/04/2026

Curioso como ambos os lados transformam previsões furadas em espetáculo político — Trump obviamente superestimou o impacto imediato das sanções, mas Ghalibaf também aproveita o episódio para inflamar sua base, ignorando que a economia iraniana sofre, sim, com a pressão persistente. Os dados de rastreamento de navios mostram que o petróleo continua fluindo, porém com descontos pesados e rotas cada vez mais custosas — ou seja, ninguém “venceu” em três dias, e bravatas de parte a parte só servem para esconder que o custo real recai sobre a população civil dos dois países.

Ana Paula Conserva

30/04/2026

É triste ver líderes mundiais trocando afrontas como meninos mimados, enquanto esquecem que uma nação se constrói com temor a Deus, trabalho honesto e respeito à ordem. Falta humildade cristã tanto em Washington quanto em Teerã, e sobra soberba vazia. Enquanto não voltarmos aos valores da família e da moral, esse teatro de poder só vai envergonhar os simples.

    Pedro Almeida

    30/04/2026

    O apelo ao temor a Deus e à ordem, prezada Ana Paula, serviu historicamente — desde os teóricos do direito divino dos reis — para revestir de sagrado estruturas que oprimem os simples em nome da moral. Spinoza já nos alertava que a virtude política não se mede pela humildade privada, mas pela potência coletiva de construir instituições que realmente emancipem.

Carlos Meirelles

30/04/2026

Trump errou feio e isso só reforça que bravatas não controlam os mercados. Petróleo é commodity global e quem acha que dita preço com tuíte presidencial não entende nada de economia real. Menos arrogância e mais respeito às leis de oferta e demanda fariam bem a Washington.

Renata Oliveira

30/04/2026

O mais triste nesse bate-boca político é que ambos os lados esquecem do cidadão que só quer viver em paz enquanto líderes medem quem grita mais alto. Como cristã, me dói ver tanta energia gasta em orgulho e afronta quando o que realmente falta é humildade e disposição pra dialogar.

João Pereira

30/04/2026

É sintomático que tanto a bravata de Trump quanto a comemoração de Ghalibaf sirvam apenas à política doméstica de cada lado. A real é que sanções unilaterais raramente colapsam setores inteiros em três dias porque os fluxos de commodities sempre encontram rotas paralelas — e Teerã sabe disso tanto quanto Washington. O teatro geopolítico segue, e quem perde é sempre quem depende do preço na bomba, não importa o país.

Marta

30/04/2026

Meus queridos, confesso que toda vez que leio sobre essas bravatas do Trump eu me lembro das minhas turmas de oitava série no auge da adolescência: meninos querendo impressionar com ameaças grandiosas, mas sem nenhuma noção do terreno onde pisam. Anunciar que o petróleo iraniano colapsaria em três dias é típico de quem confunde desejo com realidade – erro primário que qualquer estudante de história aprende a identificar quando estudamos as aventuras fracassadas do imperialismo.

O Irã, guardadas as devidas proporções e críticas que se possa fazer ao regime dos aiatolás, resiste há mais de quarenta anos a sanções e bloqueios que dariam inveja ao cerco napoleônico. Achar que um tuíte resolveria o que exércitos e embargos não conseguiram é, no mínimo, infantil. Mas o que mais me preocupa nessa novela é como parte da imprensa brasileira compra esse espetáculo sem contextualizar o óbvio: os Estados Unidos não estão preocupados com o bem-estar do Oriente Médio, estão preocupados com o controle das rotas energéticas e com a manutenção de um sistema que sangra os países periféricos.

Aliás, aproveito para cutucar o caro Ronaldo Silva, que mencionou os impostos sobre a gasolina aqui no Brasil. Meu filho, o problema não é o imposto em si – é para onde ele vai e quem realmente lucra com o preço final. Enquanto a Petrobras for tratada como quintal de acionistas estrangeiros e praticar paridade internacional num país que produz petróleo, a conta sempre vai sobrar para o povo. Já tivemos um presidente que entendeu que soberania energética é projeto de nação, e não mercadoria de cassino global. Os meninos mal-educados que hoje gritam sobre liberdade econômica são os mesmos que aplaudem a submissão do nosso pré-sal aos interesses de fora.

Vejo a Cecília Ramos com a mesma clareza que eu sentia em sala de aula quando aparecia aquela aluna que ia além do senso comum. É isso, minha filha: o mercado não é uma entidade neutra, é uma máquina de concentração de poder que, quando deixada sem freios, precifica até o ar que respiramos. O caso do Irã é paradigmático: as sanções sufocam a população, mas o comércio de petróleo continua fluindo pelos canais que os próprios países ocidentais convenientemente ignoram. Hipocrisia com pedigree imperial, como eu costumava desenhar no quadro negro.

Termino com um pedido às minhas ex-colegas de magistério que ainda estão na ativa: ensinem aos jovens que geopolítica não é jogo de videogame. Cada ameaça de guerra, cada sanção criminosa, cada bravata de líder inepto cobra vidas reais – seja no Irã, na Venezuela, em Gaza ou na periferia de Salvador, como bem lembrou a Fernanda. O amor ao povo passa por entender que soberania não se negocia em tuíte nem em bolsa de valores. E que presidente que presta não lambe botas de magnata estrangeiro – governa para os seus.

Fernanda Oliveira

30/04/2026

É de sangrar os olhos ver essas potências se estapeando por petróleo e poder enquanto a gente aqui em Salvador se afunda na desigualdade. A Cecília Ramos tocou na ferida certa: o mercado não é santo, mas o Estado também não pode ser essa máquina de guerra que só pune os mais vulneráveis. Enquanto eles brincam de geopolítica, o feminismo e o anti-racismo seguem sendo pautas que esses líderes fingem não ver.

Cecília Alves

30/04/2026

Típico: dois Estados inflados trocando bravatas enquanto o mercado real opera nas brechas que ambos fingem controlar. As sanções de Trump não colapsaram o petróleo iraniano porque sempre há comprador onde há oferta com desconto — o Estado é que atrapalha, não a escassez. Já por aqui, a gasolina não pesa no bolso por falta de produto, mas pela sanha fiscal que transforma cada litro em veículo de arrecadação. Menos sanção, menos imposto e menos fé em salvador estatal resolveriam o problema dos dois lados.

    Cecília Ramos

    30/04/2026

    Cecília, o mercado que você celebra como “real” é o mesmo que precifica o ar que respiramos e abandona populações inteiras quando o lucro some. A sanha não é do Estado em abstrato — é de um modelo que trata imposto como vilão, mas fecha os olhos pra especulação e pro subsídio ao topo da cadeia, deixando o povo literalmente sem ter como chegar ao trabalho.

Ronaldo Silva

30/04/2026

Oxente, Trump falou que o petróleo do Irã ia colapsar em três dias e não deu em nada, é só bravata de político. Enquanto esses gringos brigam por poder, a gente aqui no Brasil paga o olho da cara na gasolina por causa de tanto imposto em cima de imposto. E ainda tem mensalão, petrolão e ninguém nunca vai preso.

João Carvalho

30/04/2026

O espetáculo midiático reduziu o embate a uma queda de braço entre megalomanias, enquanto a observação da Cíntia nos recoloca diante do óbvio: a arquitetura energética global é estruturalmente desigual, e aplaudir a sobrevivência por brechas do Estado iraniano sem criticar o lugar que ele ocupa nessa engrenagem é uma armadilha que a esquerda repete com frequência.

Cíntia Alves

30/04/2026

A discussão aqui já deixou claro o ciclo vicioso: de um lado, a bravata eleitoral que ignora a complexidade do mercado global; do outro, a celebração oficial que trata sobrevivência por brechas como vitória estratégica. Enquanto isso, quem depende do preço na bomba — em Teerã ou em Belo Horizonte — continua sendo mero detalhe nas narrativas dos dois lados.

Luiz Augusto

30/04/2026

A previsão de Trump soou mais como bravata eleitoral do que análise séria, e agora fica o constrangimento previsível. Mas o que me espanta nessa thread é a romantização de que o Estado iraniano segura as pontas por competência própria — sobreviveu porque petróleo encontra comprador no mercado global, não por mágica de planejamento central. Enquanto isso, aqui no Brasil, boa parte dos comentários insiste em pedir mais subsídio, mais tarifa zero e mais mão estatal, como se a solução para a pobreza fosse multiplicar a despesa pública em vez de destravar o ambiente de negócios.

    João Augusto

    30/04/2026

    Caro Luiz, sua crítica à romantização do Estado iraniano é pertinente, mas ao reduzir a solução brasileira a um genérico “destravar o ambiente de negócios”, o senhor apenas troca uma mágica por outra: como se a mão invisível do mercado pairasse imaculada sobre uma sociedade cindida pela herança colonial e pelo capitalismo dependente que o próprio Gramsci nos ajuda a decifrar. O verdadeiro desastre não está em optar por Estado ou mercado, mas em ignorar que, sem mediação política capaz de alterar a estrutura de classes, qualquer “ambiente de negócios” seguirá produzindo os mesmos pobres que pagam o pato, para usar a feliz expressão da Samara.

Tiago Mendes

30/04/2026

Samara tocou no ponto certo quando trouxe a Bíblia pra conversa — o orgulho que precede a ruína aparece em Provérbios e se repete todo dia nos palanques do poder mundial. O que me assusta é como a gente naturaliza essa dança de egos enquanto famílias inteiras, no Irã e nas periferias brasileiras, pagam o preço da gasolina com o estômago vazio e a condução cara. Será que algum desses líderes lê o mesmo Evangelho que eu, onde Jesus manda cuidar do faminto antes de disputar quem tem a profecia mais bombástica?

Samara Oliveira

30/04/2026

A gente se distrai com a queda de braço entre líderes mundiais e esquece que, no fim, são os pobres que seguem pagando o pato — seja no Irã ou na fila do gás aqui no Brasil. Essa soberba de Trump, que o Ghalibaf ridiculariza, me lembra o tanto que a Bíblia alerta sobre a boca que se gaba antes do tempo. Oro por um mundo onde a energia não seja arma geopolítica, mas instrumento de vida digna pra quem mais precisa.

Julia Andrade

30/04/2026

Até entendo o impulso de celebrar o desmentido escancarado da profecia trumpista: o prazo expirou, as refinarias não pararam, e o governo iraniano obviamente vai explorar isso como vitória retórica. Mas me preocupa que a leitura fique só nesse nível de escárnio recíproco, como se o jogo geopolítico fosse um reality show de frases de efeito. O que está em disputa aí não é se Trump errou ou acertou — ele erra quase sempre, e a infraestrutura petrolífera do Irã é notoriamente resiliente a sanções, como qualquer estudante de relações internacionais do terceiro ano sabe. O ponto é que o gesto de anunciar um colapso iminente, com data marcada, é menos uma previsão e mais uma performance de poder. É o império tentando materializar a derrota do outro pela força do enunciado. E quando a realidade não obedece, o vexame não é apenas técnico; é uma fissura na mística da onipotência ocidental.

E essa fissura me interessa mais do que a precisão factual. Porque há uma dimensão psicopolítica aí que atravessa gênero, raça e colonialidade. O discurso de Trump sobre o Irã opera na mesma gramática do patriarca branco que acha que basta decretar a falência moral de uma mulher para que ela esteja arruinada. Ele não descreve um fato; ele tenta produzir um destino. É uma tecnologia de subjugação que o Norte Global aplica contra o Sul há séculos: você fracassou porque eu digo que fracassou, e se por acaso sobreviver, é porque trapaceou. Reparem como a mídia ocidental raramente trata a resiliência iraniana como competência; trata como teimosia, como anomalia, como se fosse ofensivo que um país sancionado não desmorone no prazo estipulado pelo mestre.

O que me leva ao comentário do Pedro, que trouxe a dor real do trabalhador de aplicativo com a gasolina a 6,50. A fala dele não é menor, não é miopia: é o chão da experiência. Mas justamente por isso é preciso politizar essa queixa sem cair no terraplanismo geopolítico de achar que o problema é “o Irã” ou “os subsídios” isoladamente. A arquitetura do preço dos combustíveis no Brasil é uma máquina de transferir renda dos corpos periféricos — predominantemente negros, predominantemente femininos no uso do transporte público sucateado — para acionistas da Petrobras, rentistas e distribuidoras. Quando a Bia respondeu apontando o abandono dos trilhos, ela acertou na veia: o sofrimento na bomba de gasolina é fabricado por escolhas de mobilidade urbana que são, no fundo, escolhas de classe e raça. A gente não sofre com a gasolina cara porque o Irã está vendendo petróleo ou porque os EUA erraram a mão; sofre porque o Estado brasileiro decidiu, há décadas, que a periferia se vira com pneu careca e tanque vazio enquanto o asfalto para SUV está sempre em dia.

E tem uma camada feminista que quase nunca entra nessas discussões. O aperto do orçamento doméstico, quando o combustível sobe, recai desproporcionalmente sobre mulheres chefes de família, que são as que mais dependem de deslocamentos múltiplos — creche, escola, mercado, trabalho precarizado. A tarifa de ônibus que não cobre o custo real, o vale-transporte que não paga a meia, a lotação que não passa no horário da faxina: tudo isso é combustível para a máquina de moer tempo feminino. Então, sim, discutir petróleo iraniano sem passar por isso é fazer geopolítica de vitrine. Mas reduzir tudo ao preço da bomba sem ler a trama global que constrói esse preço também é se condenar a uma revolta sem horizonte.

Celebrar que Ghalibaf tripudiou sobre Trump tem seu valor simbólico, mas o anticolonialismo de ocasião não paga a corrida do Pedro nem ressuscita a ferrovia que o Brasil deixou morrer. O que a gente precisa extrair desse episódio não é a satisfação infantil de ver o bully do Norte levar um fora. É a evidência nua de que a ordem econômica mundial é uma ficção sustentada por narrativas — e que furar essas narrativas é um trabalho diário, que começa na geopolítica, atravessa a luta por mobilidade urbana e deságua no corpo exausto da mulher preta que chega em casa às onze da noite depois de dois ônibus e uma van.

Beto Engenheiro

30/04/2026

Tanta discussão sobre gasolina e sanção, mas o que falta aqui no Brasil é a parte que realmente interessa: investimento pesado em infraestrutura. Enquanto o Irã mantém as refinarias funcionando, aqui a gente não consegue tirar uma ferrovia do papel há décadas. Obra mesmo, que gera emprego e resolve o custo logístico, ninguém faz.

Bia Carioca

30/04/2026

Pedro, falar só do preço na bomba é enxergar metade do problema. A gente sofre porque o Brasil apostou tudo no modelo rodoviário e largou o transporte público às traças. Imagina se metade do que se gasta pra subsidiar gasolina fosse pra trem, BRT de verdade e tarifa zero – a conversa na quebrada seria outra.

Márcio Torres

30/04/2026

O espetáculo não está tanto no erro de Trump, mas na avidez com que o campo progressista agarra qualquer sinal de que “o império fracassou”. É compreensível, em termos psicológicos: depois de décadas de invasões, golpes e sanções contra o Irã, ver um político local tripudiar sobre a Casa Branca desperta uma satisfação quase tribal. Mas, como cético, sou obrigado a perguntar: a sobrevivência do setor petrolífero iraniano depois de 72 horas é realmente um triunfo, ou apenas a confirmação de que sanções econômicas são processos lentos e caóticos, e não interruptores binários? Trump vendeu uma fantasia de colapso imediato; Ghalibaf devolveu uma caricatura de vitória instantânea. Nenhum dos dois parece interessado nos dados de longo prazo — exportação clandestina, descontos forçados, inflação interna — que contam a história real.

A thread de comentários exemplifica esse conforto com a caricatura. A Karina, exilada voluntária em Miami, repete o mantra do “comunismo” como se a mídia que noticia o fato fosse um comitê central. Em seguida, a Cecília rebate com a dureza da favela. O Pedro, que parece ser o único a falar de materialidade concreta, menciona a gasolina a 6,50. E o Carlos, com razão, aponta o desvio de foco, mas cai no erro de considerar “vitória retórica” como categoria de análise. Ora, se há algo que a ciência política nos ensina é que vitórias retóricas frequentemente são derrotas estratégicas mascaradas — e aqui vemos o parlamento iraniano fazendo barulho enquanto o país negocia petróleo com a China a preço de banana para manter o fluxo de divisas.

O problema central é epistêmico: profecias de colapso econômico com data marcada têm a mesma estrutura de previsões apocalípticas religiosas — geram expectativa, falham e são reinterpretadas post hoc. Trump não foi o primeiro a errar prazos, e certamente não será o último. Só que essa teatralidade toda desvia a atenção de questões mais áridas: as refinarias iranianas estão iluminadas na foto, sim, mas operam com capacidade reduzida, tecnologia obsoleta e sob risco permanente de sabotagem cibernética. Ignorar isso para celebrar um “deadline expirado” é quase tão ingênuo quanto acreditar que o dólar vai subir porque algum guru de internet disse.

Talvez a ironia mais sutil seja o modo como a discussão migrou para o preço da gasolina na quebrada brasileira. Sem querer, Pedro tocou no ponto nevrálgico que une os extremos da thread: a política energética global não é experiências de laboratório com prazos de três dias, mas uma rede de exploração, monopólios e oscilações que esmaga tanto o motorista de aplicativo em São Paulo quanto a família iraniana que depende de subsídios estatais. Enquanto estivermos apegados a figuras caricatas — o magnata que vocifera, o aiatolá que zomba — perdemos de vista a única previsão realmente robusta: o petróleo continuará sendo extraído, refinado e queimado, com ou sem as bravatas de quem ocupa cargos no parlamento ou na Casa Branca.

Pedro

30/04/2026

Fico vendo essa discussão toda e pensando: nada contra o Irã, mas aqui na quebrada a gasolina a 6,50 tá comendo o pouco que sobra da corrida. No fim do mês, depois de pagar IPVA e manutenção, a conta não fecha.

Carlos Menezes

30/04/2026

O curioso nessa thread é como a discussão migrou do erro grosseiro de Trump para uma rinha sobre Miami, vale-gás e teoria marxista. O presidente do Parlamento iraniano tem lá seus motivos para tripudiar, mas transformar uma vitória retórica em indicador de saúde econômica soa tão precipitado quanto o ultimato de três dias. No fim, o petróleo continua sendo arma e muleta ao mesmo tempo, e nem a SUV em Miami nem o tanque da moto na favela escapam dessa lógica.

Karina Libertária

30/04/2026

Nossa, que surpresa: a mídia comunista comemorando qualquer coisinha contra o Trump, enquanto o Brasil continua um lixo com gasolina a preço de ouro e o povo recebendo bolsa família achando que tá tudo lindo. Aqui em Miami eu abasteço minha SUV sem choro, mas claro que o nine prefere fazer média com ditador. Whatever, né? By the way, acorda Brasil, o negócio é investir em dollar e parar de ser trouxa.

    Cecília Silva

    30/04/2026

    Karina, Miami né? Deve ser fácil falar em dólar e SUV quando se tem passaporte carimbado e esquece que aqui na favela a gente faz milagre com vale-gás e ainda ouve tiro de fuzil enquanto abastece o tanque da moto pra entregar comida. O choro não é pela gasolina, é por um país que sempre serviu luxo pra você e bala perdida pra nós.

Carlos Mendes

30/04/2026

Quanta bobagem de ambos os lados. Trump errou a previsão porque subestimou a teimosia dos aiatolás e a fome chinesa por desconto, mas quem acha que o Irã está bem com 1,5 milhão de barris vendidos a preço de banana esquece que receita cambial não é lucro — é sobrevivência precária. No fim, sobra pro contribuinte: aqui se subsidia refinaria estatal, lá se financia milícia teocrática, e o livre mercado segue algemado enquanto a gastança pública drena os dois lados do balcão.

    Caio Vieira

    30/04/2026

    Carlos, seu diagnóstico de “gastança pública” ignora que o Estado capitalista nunca foi externalidade ao mercado, mas seu operador sistêmico — como já apontava O’Connor, a crise fiscal é o modus operandi da acumulação monopolista, não seu desvio. E reduzir a resistência iraniana a “milícia teocrática” é desconhecer que mesmo aí há hegemonia, uma gramática popular que os aiatolás souberam cooptar para legitimar seu bloco no poder.

Pedro Neto

30/04/2026

Faz o L que o barril abaixa, confia.

João Santos

30/04/2026

Trump falou bobagem e o Irã debochou, coisa linda de ver. Político que quer mandar no mundo e não sabe nem governar a própria casa. Aqui no Rio, a gente já aprendeu que promessa é dívida, mas ninguém cobra. Pelo menos o petróleo tá lá, e meu tanque cheio também.

Helton Barros

30/04/2026

Esse papo de “mercado que se ajusta sozinho”, que uns aí defendem, é conversa mole de quem nunca suou a farda. O Irã não colapsou em três dias e o tal do Trump mordeu a língua — enquanto isso, o Ocidente afunda em pauta imoral e globalista que odeia a família. Deus zomba desses planos arrogantes.

    Carlos Oliveira

    30/04/2026

    Respeito sua fé, Helton, mas enquanto uns debatem moral e planos divinos, a galera que eu levo no banco de trás só quer saber se o hospital público tem médico e se a escola do filho não vai fechar. O mercado não se ajusta sozinho, mas também não adianta demonizar o globalismo sem perceber que a família trabalhadora precisa de Estado forte — senão o choro é no posto de saúde lotado, não na curva da Terra plana.

    Augusto Silva

    30/04/2026

    Helton, o mercado não se ajusta sozinho nem por decretos divinos — os 1,5 milhão de barris por dia que o Irã segue exportando para a China mostram que a mão invisível tem CPF e rota de navio, não asas. Se Deus zomba de planos arrogantes, o primeiro a ouvir a gargalhada celestial foi o trumpismo achando que sanção unilateral dobra a lei da oferta e demanda.

    Lucas Andrade

    30/04/2026

    Helton, o curioso é como “Deus” sempre aparece como fiador de discursos que transformam opressão em virtude — a família que você defende como natural é justamente a instituição que Foucault via como célula de vigilância e normalização. A teocracia iraniana e a retórica reacionária ocidental compartilham o mesmo pavor do corpo que escapa ao controle: não é o mercado que fracassa, é a fantasia de pureza que a modernidade dissolve.

Lucas Moreira

30/04/2026

Previsões de político sobre mercado valem tanto quanto promessa de campanha: zero. O petróleo iraniano não colapsou em 3 dias porque oferta e demanda não obedecem a decreto, assim como a bolsa não sobe só porque o governo quer. Se o Irã gastasse menos com aventuras estatais e mais com abertura econômica, talvez nem precisasse zombar de ninguém.

Evelyn Olavo

30/04/2026

Esses mulás riem agora, mas amanhã estarão chorando na curva da Terra plana. Trump não erra: a previsão dele é astrologicamente precisa, só ignora o calendário gregoriano. Quem estuda geopolítica com Vênus retrógrado sabe que o colapso virá no tempo kármico, não no relógio dos Illuminati.

Eduardo Teixeira

30/04/2026

Mais uma prova de que profecia política não move barris de petróleo. Enquanto ficam nesse teatrinho de previsões bombásticas, quem produz de verdade segue arcando com tributos pesados e insegurança regulatória. O mercado se ajusta sozinho, sem precisar de pitaco de governo A ou B. Menos alarde, menos intervenção, e o setor respira melhor.

    Luisa Teens

    30/04/2026

    Mercado se ajusta sozinho? Conta essa pra Greta ver se ela ri.

    Lucas Pinto

    30/04/2026

    Eduardo, você fala em “quem produz de verdade” como se essa categoria fosse autoevidente. Mas quem é esse sujeito, exatamente? O assalariado que extrai o petróleo no Golfo Pérsico sob contratos terceirizados e condições análogas à escravidão? Ou o acionista que nunca pisou numa plataforma mas embolsa renda com a valorização dos barris? Sua noção de “mercado se ajusta sozinho” é o núcleo duro de um discurso que, na melhor tradição de Foucault, não descreve a realidade — ele a fabrica. Produz um regime de verdade onde o Estado aparece como intruso, quando na verdade ele é a condição mesma de existência do capital petrolífero. O Estado garante os leilões, reprime greves, assegura os dutos e, como vemos agora no choque entre Trump e o parlamento iraniano, militariza as rotas. Não há mercado sem violência estatal prévia, sem um direito que defina a propriedade privada, sem uma geopolítica que quebre a soberania alheia. O tal “ajuste automático” é a fachada ideológica que esconde que o preço do barril nunca foi só oferta e demanda — é sanção, é estrangulamento, é OPEP, é invasão do Iraque.

    Quem lê Gramsci entende que essa defesa fervorosa da não-intervenção é, ela mesma, uma intervenção política da sociedade civil a serviço da hegemonia do capital financeiro. Você chama de “teatrinho de previsões bombásticas” o debate sobre os rumos do petróleo, mas se esquece de que o próprio mercado vive de profecias auto-realizadoras: as agências de rating, os futuros negociados em Chicago, os relatórios de “risco regulatório” tão caros aos investidores. O “teatrinho” não é desvio — é o modo de operação normal de um sistema que precisa criar constantemente narrativas para estabilizar expectativas e canalizar fluxos de investimento. Sua reclamação contra “tributos pesados e insegurança regulatória” é a voz do rentista que quer previsibilidade absoluta para seus ganhos, enquanto a classe trabalhadora arca com a insegurança ontológica de não saber se amanhã terá comida ou se a refinaria explodirá por falta de manutenção. O Estado que você quer minimalista é o mesmo que, quando convém, corre para salvar petrolíferas em crise com dinheiro público — vide a festa dos subsídios fósseis que nenhum “mercado que se ajusta sozinho” dispensa.

    Quando o presidente do parlamento do Irã ridiculariza a previsão de Trump, não estamos vendo um mero duelo de cartomantes. O que está em jogo é a disputa pelo enquadramento simbólico de um mercado profundamente politizado. A soberba trumpista de decretar queda de preços via tweet não é loucura: é a pretensão imperial de ditar um regime de verdade em plena crise de hegemonia estadunidense. A zombaria iraniana devolve ao primeiro plano o fato de que o petróleo não é uma mercadoria qualquer; ele é condensação de relações de força globais e de dominação de classe. Seu apelo por “menos alarde, menos intervenção” é, paradoxalmente, um alarde intervencionista em defesa do status quo. É um pedido para que se baixem as armas da crítica, justamente quando a crítica deveria apontar que a única coisa que o mercado regula com eficiência é a concentração de riqueza e a produção de crises. Nem o Irã nem Trump são ingênuos; eles sabem que discursos movem barris, sim — porque barris não são naturais, são relações sociais coaguladas. Sua suposta neutralidade econômica é uma forma de militância tão engajada quanto a de qualquer pregador neoliberal, só que com menos honestidade teórica.

    Mateus Silva

    30/04/2026

    Esse “mercado que se ajusta sozinho”, Eduardo, é a mais engenhosa ficção política de quem nunca precisou negociar salário no chão de fábrica — ou, pior, de quem extrai petróleo sob contratos terceirizados enquanto o acionista dorme em Genebra. A mão invisível, você sabe, sempre vestiu luvas de proprietário.

    Ronaldo Pereira

    30/04/2026

    Eduardo, esse mercado que “se ajusta sozinho” sempre ajusta as perdas na conta do trabalhador. Já vivi greve em refinaria onde a oscilação do barril virava justificativa pra arrocho salarial, enquanto a diretoria mantinha bônus intactos — a mão invisível tem classe social bem definida. Segurança regulatória pra ti é liberdade de demitir sem custo; pro peão, é a única trava contra acidente, insalubridade e calote. O setor respira melhor quando o patrão perde o medo da caneta do auditor fiscal, não quando ganha carta branca pra sugar até o último litro de suor alheio.


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