A Polícia Militar realizou na madrugada de domingo a desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo.
Estudantes que ocupavam o prédio desde a última quinta-feira denunciaram uso excessivo de força, com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e a formação de um corredor polonês com cassetetes. A operação ocorreu sem qualquer notificação prévia à administração da USP, segundo comunicado oficial da Reitoria.
Os manifestantes protestavam contra o fim das negociações sobre o reajuste do auxílio estudantil do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. O benefício atual do PAPFE é de R$ 885 para alunos fora da moradia estudantil e R$ 330 para residentes.
Os estudantes reivindicam o valor de R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista. A Reitoria lamentou os episódios de violência e reafirmou o compromisso com o diálogo democrático.
A universidade informou que havia comunicado a ocupação à Secretaria de Segurança Pública, mas não foi avisada sobre a ação de desocupação. A Secretaria mobilizou cerca de 50 policiais na operação.
A pasta afirmou que não houve registros de feridos, embora vídeos divulgados pelo Diretório Central dos Estudantes mostrem agressões contra os manifestantes. O DCE denunciou que dezenas de estudantes ficaram feridos.
Quatro manifestantes foram detidos e liberados após registro de boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. A SSP informou ainda a apreensão de entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes durante a ação.
As imagens das câmeras corporais dos agentes serão anexadas aos autos, e eventuais denúncias de abuso serão investigadas. O Diretório Central dos Estudantes responsabilizou o reitor da USP, Aluísio Segurado, e o chefe de gabinete, Edmilson de Freitas, pela violência empregada.
A entidade estudantil criticou a postura da administração universitária e reafirmou que as mobilizações continuarão. A diretoria do Instituto de Química da USP repudiou a escalada de violência, afirmando que ações policiais não contribuem para resolver os problemas de permanência, moradia e alimentação enfrentados pelos alunos.
O reitor Aluísio Segurado havia declarado que o reajuste do auxílio seria limitado a R$ 912 por restrições orçamentárias. Ele sugeriu que os estudantes complementem a renda por meio de monitoria e outras bolsas oferecidas pela instituição.
Estudantes e professores seguem mobilizados após a desocupação. O caso expõe as tensões sobre políticas de permanência estudantil na maior universidade pública do país.
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