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Os principais pontos do discurso de Trump no Congresso

Republicano diz que gerou um boom econômico no país e impôs uma nova ordem no exterior. Veja os destaque de uma fala que visa conter queda nos índices de aprovação do governo a poucos meses de eleição O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça‑feira (25/02), em uma sessão conjunta do Congresso, seu […]

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Kenny Holston/The New York Times/REUTERS

Republicano diz que gerou um boom econômico no país e impôs uma nova ordem no exterior. Veja os destaque de uma fala que visa conter queda nos índices de aprovação do governo a poucos meses de eleição

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça‑feira (25/02), em uma sessão conjunta do Congresso, seu discurso anual sobre o Estado da União, destacando o aumento da produção econômica, a redução nos números da imigração e a equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA.

Ao todo, Trump falou por 108 minutos, um recorde – superando em oito minutos a marca anterior, registrada em seu discurso diante da sessão conjunta do Congresso no ano passado –, em um pronunciamento amplamente focado em temas domésticos, Trump afirmou que “a nossa nação está de volta”, com uma economia “rugindo como nunca antes”. Ele insistiu que teria impulsionado um boom econômico no país e imposto uma nova ordem mundial no exterior, na esperança de conter a queda em seus índices de aprovação.

O pronunciamento foi feito em um momento potencialmente decisivo, quando a Casa Branca busca consolidar apoio entre eleitores republicanos antes das eleições legislativas de novembro, em meio ao aumento das tensões com o Irã e à frustração dos eleitores com o alto custo de vida.

Trump afirmou que “a produção de petróleo americano aumentou em mais de 600 mil barris por dia” e que “a produção de gás natural está no nível mais alto da história porque eu cumpri minha promessa de perfurar, baby, perfurar”, declaração que foi aplaudida repetidamente por parlamentares republicanos.

Sobre imigração, o presidente declarou que os Estados Unidos agora têm “a fronteira mais forte e mais segura da história americana”, alegando que, no passado recente, “milhões e milhões de imigrantes ilegais” entraram no país sem qualquer controle.

A seguir, os principais destaques do discurso:

Economia

Trump dedicou uma ampla parte de seu pronunciamento à economia, abordando uma gama de questões econômicas do cotidiano – moradia, saúde, contas de serviços, criminalidade, aposentadoria — mas novamente evitou reconhecer explicitamente que muitos americanos ainda sofrem com o alto custo de vida, incluindo alimentos e habitação.

O presidente prometeu que suas propostas de saúde para reduzir preços de medicamentos e realizar pagamentos federais diretos à população gerarão benefícios ao bolso do cidadão. Afirmou também que as tarifas derrubadas pela Suprema Corte estavam produzindo receita e que vão ser restabelecidas sob outra base legal.

Estrategistas republicanos alertam que, sem uma mensagem mais enfática sobre inflação, o partido corre risco de perder o controle do Congresso nas eleições de novembro.

Segundo Trump, inflação, juros hipotecários e preços de combustíveis estão caindo, enquanto o mercado de ações, a produção de petróleo, o investimento estrangeiro e os empregos industriais estariam em alta.

Mas dados oficiais mostram que a inflação subiu no ano passado, enquanto o país perdeu empregos industriais e a criação de vagas desacelerou. E embora alguns itens – como ovos – tenham ficado mais baratos desde o retorno de Trump à Casa Branca, alimentos e outros preços continuam a subir.

Pesquisas mostram que os eleitores seguem ansiosos com a economia e insatisfeitos com a atuação presidencial no tema. Levantamento Reuters/Ipsos aponta que 56% desaprovam a condução da economia, enquanto 36% aprovam.

Show político para as câmeras

O presidente evitou em grande parte seu estilo habitual de fanfarronice, saindo do roteiro apenas ocasionalmente. Trump temperou o discurso com momentos televisivos planejados para reforçar sua mensagem junto ao público. Ele distribuiu medalhas, apresentou convidados-surpresa e trocou farpas com democratas.

Foram homenageados o piloto naval da Guerra da Coreia E. Royce Williams e o goleiro da seleção de hóquei dos EUA, Connor Hellebuyck. Também foram mencionados convidados como Erika Kirk, viúva do ativista conservador Charlie Kirk.

Trump concedeu a Medalha de Honra ao suboficial do Exército Eric Slover, piloto ferido durante a operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Cada gesto reforçou como o discurso anual se transformou em espetáculo político ao longo dos anos, tanto visual quanto programático.

Showman habitual, Trump tem usado demonstrações patrióticas para impulsionar sua agenda. Ele organizou um desfile militar em seu aniversário de 79 anos e tem feito pronunciamentos fortemente partidários diante de militares.

Para reforçar sua narrativa de que o país está “vencendo” sob sua liderança, Trump recebeu no plenário a equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA, recém‑campeã olímpica nos Jogos de Inverno de Milão‑Cortina, na Itália.

“Nosso país está vencendo novamente. Na verdade, estamos vencendo tanto que realmente não sabemos o que fazer com isso. As pessoas vêm me pedir: ‘Por favor, por favor, por favor, senhor presidente, estamos vencendo demais. Não aguentamos mais'”, disse Trump antes de apresentar a equipe. O presidente concedeu ao goleiro Connor Hellebuyck a Medalha Presidencial da Liberdade.

Outros convidados foram usados como alerta: Dalilah Coleman, de sete anos, ferida em um acidente de carro, citada como exemplo dos perigos que Trump atribui à imigração; e Sage Blair, estudante da Liberty University, apresentado como símbolo de suas críticas às políticas escolares e de gênero.

Argumento para a guerra

Entre as questões mais esperadas estava se Trump faria finalmente um detalhamento sobre um possível conflito contra o Irã, explicando o motivo do reforço militar no Oriente Médio.

Mas o presidente só mencionou o Irã após mais de uma hora de discurso – e repetiu seus pontos habituais: impedir que Teerã obtenha uma bomba atômica, denunciar o apoio iraniano a grupos regionais e afirmar que o regime matou dezenas de milhares durante protestos recentes.

Trump não explicou por que uma ação militar seria urgente agora, nem o que pretende alcançar. Também não deixou claro qual caminho considera para o uso da força – ponto de forte interesse interno e internacional.

“Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos. Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia”, disse. “Mas uma coisa é certa: eu nunca permitirei que o maior patrocinador de terrorismo do mundo – o que eles são, de longe – tenha uma arma nuclear”, acrescentou.

O presidente também relembrou os ataques aéreos realizados pelos EUA no verão passado, que atingiram capacidades nucleares de Teerã, e elogiou a operação que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela — além de mencionar o papel de seu governo na negociação de um cessar‑fogo na guerra de Israel contra o Hamas em Gaza.

Ele mencionou rapidamente a Venezuela, comentando sobre a recente mudança de governo no país, celebrando o desfecho como um triunfo para a segurança nacional. “Esta foi uma vitória absolutamente colossal para a segurança dos Estados Unidos e também abre um novo e brilhante começo para o povo da Venezuela.”

Trump disse estar trabalhando “de forma estreita” com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, para gerar benefícios econômicos bilaterais. “Acabamos de receber de nosso novo amigo e parceiro, a Venezuela, mais de 80 milhões de barris de petróleo”, disse.

Rússia e Ucrânia quase não foram citadas. Sua controvérsia sobre a aquisição da Groenlândia também não foi abordada.

Mesmo dedicando algum tempo a conflitos em que seus assessores têm atuado intensamente, a falta de temas de segurança nacional no início da fala foi perceptível.

A administração tem enviado emissários a capitais estrangeiras para tentar resolver a guerra na Ucrânia e negociar com o Irã. No mês passado, derrubou o líder da Venezuela e vem concentrando grande parte da energia diplomática nas relações com o país sul-americano.

Agenda migratória

Trump usou o discurso para recuperar a narrativa sobre imigração – tema que antes era um trunfo político, mas que se mostrou um tiro no pé após a repercussão de duas mortes de cidadãos americanos atribuídas a agentes migratórios e de uma ampla operação de deportação que, na prática, se mostrou impopular.

Ele não mencionou o trabalho da Patrulha de Fronteira ou do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) – cujos agentes têm sido a face pública da repressão nas cidades americanas.

Destacou, porém, crimes cometidos por imigrantes, descrevendo-os em termos contundentes, e disse que os democratas não são confiáveis para proteger as fronteiras e garantir a segurança pública.

Foi um retorno às origens. Em 2024, o então candidato passou boa parte da campanha enfatizando os riscos da imigração – mensagem que ressoou entre eleitores.De modo geral, buscou desviar a atenção dos aspectos mais controversos de sua política migratória enquanto reforçava mensagens de impacto comprovado.

Ataques aos democratas

Trump argumentou que os republicanos merecem mais dois anos de controle do Congresso por sua atuação em economia, imigração e segurança pública. Mas foi além das políticas: fez um apelo visceral para que os eleitores rejeitem os democratas.

“Essas pessoas são loucas”, disse, referindo-se a parlamentares democratas que votaram contra a maior parte de suas propostas e que consideram seu governo prejudicial às instituições democráticas. “Os democratas estão destruindo este país, mas nós impedimos isso bem a tempo.”

Ao longo do discurso, acusou democratas de agir contra o interesse nacional, refletindo o tom cada vez mais partidário da cerimônia.

Democratas permaneceram sentados, irritando o presidente, enquanto republicanos se levantavam para aplaudi-lo em temas como política de gênero, imigração irregular e crime.

Alguns, como os deputados democratas Al Green, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, protestaram em voz alta. Para eles, as posições do presidente são divisivas e prejudiciais – e preocupam suas bases eleitorais.

Publicado originalmente pelo DW em 25/02/2026

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