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BRICS avança com seu próprio ‘Pix’ e já disponibiliza aplicativo para pagamentos

Os países que integram o bloco econômico BRICS avançaram na implementação de um sistema próprio de pagamentos internacionais. Batizada de BRICS Pay, a plataforma digital foi desenvolvida no âmbito do Conselho Empresarial do grupo e promete funcionar como uma espécie de “Pix internacional”, permitindo transações rápidas entre os países membros sem a necessidade de intermediação […]

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Os países que integram o bloco econômico BRICS avançaram na implementação de um sistema próprio de pagamentos internacionais. Batizada de BRICS Pay, a plataforma digital foi desenvolvida no âmbito do Conselho Empresarial do grupo e promete funcionar como uma espécie de “Pix internacional”, permitindo transações rápidas entre os países membros sem a necessidade de intermediação por redes tradicionais dominadas por moedas como o dólar.

O aplicativo do BRICS Pay já está disponível para download na loja Google Play e pode ser utilizado por pessoas físicas em viagens turísticas ou de negócios, além de empresas que realizam transações comerciais entre os países do bloco. A proposta é simplificar pagamentos transfronteiriços, com liquidação direta em moedas locais.

Plataforma descentralizada e foco em moedas locais

Segundo o Conselho Empresarial do BRICS, o sistema foi concebido com base em princípios de interoperabilidade, soberania financeira e inclusão. A plataforma conecta sistemas de pagamento nacionais e instituições financeiras dos países do chamado BRICS+, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.

A tecnologia utilizada é baseada em blockchain, com capacidade declarada de processar até 20 mil transações por segundo. A arquitetura descentralizada busca permitir pagamentos diretos entre usuários e empresas, sem depender de uma única rede internacional.

A principal inovação está na possibilidade de realizar transações comerciais em moedas locais, como real, yuan e rúpia, evitando a conversão obrigatória para o dólar. O objetivo é reduzir custos cambiais, ampliar a autonomia financeira dos países do bloco e fortalecer o comércio interno.

Apesar disso, a criação de uma moeda única para o grupo ainda enfrenta obstáculos técnicos e políticos, e não integra a etapa atual do projeto.

Referência brasileira

O modelo do BRICS Pay foi inspirado no Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020. O sucesso da experiência brasileira, que movimentou R$ 35,4 trilhões em 2025, serviu como referência para o desenvolvimento de um mecanismo adaptado ao comércio internacional.

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do BRICS sediada em Xangai, Dilma Rousseff, tem coordenado iniciativas de integração financeira entre os países membros desde 2023. Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela foi reconduzida para um segundo mandato à frente da instituição.

O NDB também financia projetos em áreas como infraestrutura, transição energética e combate a doenças negligenciadas. No campo climático, os países do bloco assumiram compromissos voltados à redução de impactos ambientais e incentivo a energias renováveis.

Aplicações práticas

De acordo com o Conselho do BRICS, o sistema permite que usuários utilizem cartões e contas já existentes para efetuar pagamentos em qualquer país do bloco, seja para despesas cotidianas em viagens ou para transações empresariais de maior porte.

A promessa é oferecer uma alternativa às redes tradicionais de pagamentos internacionais, com liquidação mais rápida, rastreabilidade e custos reduzidos. O discurso institucional destaca a eliminação de intermediários e maior previsibilidade nas operações.

Especialistas avaliam que a adoção do BRICS Pay dependerá da integração efetiva entre bancos centrais, sistemas regulatórios nacionais e instituições financeiras privadas. A interoperabilidade entre diferentes legislações e padrões tecnológicos é considerada um dos principais desafios.

Expansão do bloco e integração financeira

Com a ampliação do BRICS para incluir novos membros e países associados, o grupo passou a representar parcela significativa da população mundial e do Produto Interno Bruto global. A criação de uma infraestrutura própria de pagamentos é vista como parte da estratégia de fortalecer a cooperação econômica entre os integrantes.

Ainda em fase inicial de implementação, o BRICS Pay será testado gradualmente em diferentes mercados. O desempenho operacional, o volume de adesão de usuários e a integração com sistemas bancários locais serão fatores determinantes para avaliar o impacto do novo mecanismo no comércio internacional entre os países do bloco.

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