A nova pesquisa BTG/Nexus traz um dado que, em ano eleitoral, raramente passa despercebido — e dificilmente pode ser relativizado: a desaprovação do governo Lula já supera a aprovação.
Segundo o levantamento, 45% aprovam a gestão, enquanto 51% desaprovam, com 4% sem opinião definida.
Não é um detalhe estatístico.
É um sinal político.
Quando o negativo supera o positivo
Em disputas eleitorais, especialmente com um presidente buscando reeleição, o padrão histórico costuma ser outro: governos competitivos chegam ao período pré-eleitoral com aprovação superior à desaprovação.
Aqui, o cenário é invertido.
E os números reforçam essa leitura. Na avaliação mais detalhada da gestão:
- 35% consideram o governo ótimo ou bom
- 21% avaliam como regular
- 44% classificam como ruim ou péssimo
Ou seja, o bloco negativo já supera o positivo com folga.
O problema não é só político — é percepção
O dado mais relevante não está apenas na desaprovação em si, mas no que ela representa.
Existe uma percepção crescente de que o governo não conseguiu imprimir ritmo.
A gestão entrega estabilidade, mantém programas sociais e preserva políticas públicas — mas, para o eleitor, isso já não é diferencial.
Virou obrigação.
O que antes era marca forte dos governos petistas — combate à pobreza, inclusão social e estabilidade econômica — hoje é visto como direito básico, não como conquista extraordinária.
E isso muda completamente o jogo.
Letargia cobra preço
A pesquisa dialoga diretamente com um sentimento que começa a se espalhar: o de um governo que administra, mas não transforma.
Não há ruptura negativa, mas também não há avanço perceptível na mesma intensidade que marcou outros momentos do lulismo.
E, em política, a ausência de movimento também gera desgaste.
O eleitor não pune apenas erros.
Ele também reage à falta de entrega visível.
Impacto direto na eleição
Esse cenário ajuda a explicar por que a disputa com Flávio Bolsonaro está tão apertada.
Outros dados da mesma pesquisa mostram:
- empate técnico no primeiro turno (41% a 38%)
- empate absoluto no segundo turno: 46% a 46%
Ou seja, a desaprovação não é isolada — ela já impacta diretamente a competitividade eleitoral.
Lula ainda forte — mas precisa mudar o eixo
Seria um erro interpretar os números como colapso político.
Lula segue com base sólida, alto reconhecimento e capacidade real de disputa. Mesmo com desaprovação maior, ainda aparece competitivo em todos os cenários.
Mas o ponto central é outro:
o modelo atual de governo não está sendo suficiente para ampliar apoio.
O desafio agora é reconstruir esperança
O eleitor já não se satisfaz apenas com estabilidade.
Ele quer perspectiva.
Quer crescimento, renda, mobilidade social e um projeto de país que vá além da gestão do presente.
Isso exige uma mudança clara de narrativa e de prática:
- sair do discurso defensivo
- apresentar um plano estruturante de futuro
- investir em medidas com impacto direto e rápido
- comunicar melhor o que já foi feito — e o que ainda será feito
O recado das urnas antes da eleição
A pesquisa BTG/Nexus antecipa um cenário que tende a dominar 2026:
uma eleição apertada, polarizada e definida nos detalhes.
Mas deixa um alerta ainda mais importante:
não é normal um governo chegar a esse momento com mais desaprovação do que aprovação.
E, se esse quadro não for revertido a tempo, o risco não é apenas perder margem.
É perder a dianteira.


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