O Banco de Brasília elevou seu pedido de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos para R$ 6,6 bilhões com o objetivo de recompor o capital da instituição.
O Governo do Distrito Federal apresentou um amplo portfólio de bens para servir como garantia na operação, que agora supera o valor inicial de R$ 4 bilhões solicitado em 24 de março.
O pacote inclui mais de 7 mil imóveis públicos do Distrito Federal, além de ações de empresas como a CEB e a Caesb, que poderão ser utilizados em venda, alienação ou integralização de capital.
Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB, afirmou que as garantias disponíveis vão além dos imóveis previstos na Lei Distrital número 7.845.
Ele destacou que o GDF conta com mais de 7 mil imóveis próprios e que o banco estendeu propostas aos consórcios bancários para definição das garantias preferidas.
Conforme detalhou o Metrópoles, a medida busca assegurar a estabilidade da instituição após a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, que geraram impactos relevantes nas contas do BRB.
A solicitação inicial de R$ 4 bilhões visava preservar serviços financeiros essenciais, dar continuidade a políticas públicas e manter a liquidez institucional.
O documento previa carência de um ano e meio, pagamento em parcelas semestrais e remuneração baseada no CDI acrescido de spread.
A escalada para R$ 6,6 bilhões acompanha o projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que autoriza o GDF a emprestar o montante ao BRB, seja via FGC ou outras instituições financeiras.
A norma aprovada regulamenta o uso de imóveis públicos e de participações acionárias em empresas estatais como garantias ou como aporte ao patrimônio do banco.
O texto permite ainda a estruturação de fundos imobiliários e a transferência de bens para a instituição.
A CLDF concluiu a aprovação da matéria em março de 2026, o que representa avanço concreto na tentativa de capitalização do BRB.
A operação ocorre em meio aos desafios enfrentados pelo banco após a compra das carteiras do Banco Master.
Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência e Nelson Antônio de Souza assumiu o comando com a tarefa de equacionar os efeitos da transação.
O BRB adiou a divulgação do balanço de 2025, cujo prazo legal expirou em março de 2026, sob o argumento de que os resultados consistentes dependem da aprovação e captação desse recurso.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ajuizou ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei Distrital número 7.845 de 2026.
O MPDFT questiona a autorização para utilização dos imóveis públicos como garantia, ao citar riscos ao patrimônio do Distrito Federal, ausência de estudos de impacto ambiental e deficiências de transparência no processo.
A ação tramita em paralelo aos esforços de socorro financeiro.
Em outra frente, o BRB avalia a venda de ativos saudáveis para reforço imediato de liquidez.
Proposta da gestora Quadra Capital sugere a criação de fundo de investimento em direitos creditórios que poderia gerar R$ 4 bilhões em caixa à vista para o banco, com potencial de mais R$ 11 bilhões em cotas subordinadas.
Essa alternativa complementa a negociação principal com o FGC.
Autoridades distritais indicam que a ausência de capitalização pode resultar em intervenções rigorosas por parte dos órgãos de controle ou até em medida mais grave de intervenção federal.
Os relatórios trimestrais e o balanço anual, que dependem diretamente dessa capitalização, servirão como indicadores centrais sobre a capacidade de recuperação da instituição financeira controlada pelo GDF.
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