Com capacidade de transportar entre 2 e 20 toneladas para órbita terrestre baixa — e custo estimado de cerca de US$ 4.350 por quilo lançado — o foguete Lijian-2 Y1, da empresa chinesa CAS Space, realizou seu voo inaugural em 30 de março de 2026 do centro Dongfeng, no noroeste da China, colocando em órbita o veículo experimental de carga Qingzhou e dois satélites complementares.
O lançamento marcou a estreia de seu design modular, que padroniza o corpo central e os propulsores laterais — quase idênticos — permitindo produção em linha e manutenção mais ágeis.
O Lijian-2 possui três configurações possíveis: sem propulsores laterais, com dois ou com quatro. Isso oferece flexibilidade de massa útil entre aproximadamente 2 e 20 toneladas em órbita terrestre baixa. O empuxo máximo declarado pela CAS Space pode alcançar 1.000 toneladas, acelerando cronogramas de lançamento e reduzindo o impacto de eventuais falhas com unidades de reposição mais rápidas.
Uma inovação relevante é a proposta de recuperação conjunta do estágio central com os propulsores laterais como uma única unidade — distinta do reuso etapa-a-etapa aplicado por empresas como a SpaceX nos Estados Unidos. Esse método reduz perdas aerodinâmicas, distribui impactos no pouso e simplifica o sistema de recuperação, aumentando a proporção de partes reutilizáveis sem sacrificar a capacidade de carga.
O Qingzhou experimental pesa cerca de 4,2 toneladas, com 1,02 tonelada dedicada a experimentos científicos, operando em altitudes entre 200 e 600 km. Ele surge como alternativa mais leve e econômica em comparação ao módulo Tianzhou, atualmente utilizado para abastecer a estação espacial chinesa. Nas versões operacionais, Qingzhou deverá acoplar-se periodicamente à estação Tiangong, aumentando a capacidade logística orbital da China.
A CAS Space está construindo em Zhejiang uma superfábrica que poderá produzir até 12 unidades do Lijian-2 por ano. Está prevista também a introdução futura do motor Liqing-2, alimentado por oxigênio líquido e querosene, para substituir os motores YF-102 do primeiro estágio, proporcionando melhor controle de pouso e empuxo ajustável. A reutilização total (estágio central e laterais unidos) está programada para entrar em operação integrada a partir de 2028.
Com aproximadamente 53 metros de altura e diâmetro central de cerca de 3,35 metros, o foguete se posiciona no segmento médio de veículos orbitais reutilizáveis de alta frequência, demanda crescente para constelações satelitais e operações comerciais no espaço.
Relatos indicam que o custo por quilograma lançado gira em torno de 30.000 yuans (~US$ 4.350/kg), valor competitivo que aproxima-se do custo operacional do Falcon 9 da SpaceX.
O desenvolvimento do Lijian-2 Y1 integra a estratégia nacional chinesa para expandir sua indústria espacial comercial, tanto para atender missões estatais — como o fornecimento de módulos para a estação Tiangong — quanto para competir no mercado internacional de lançamentos acessíveis. O programa busca escala industrial, custos em queda, autonomia operacional e maior presença global no setor espacial.
Esse avanço espacial tem implicações geopolíticas diretas: reduz a dependência de tecnologia ocidental para acesso ao espaço, fortalece a soberania científica do Brasil e de outros países do Sul Global e amplia as oportunidades de cooperação e oferta competitiva internacional. A médio prazo, o crescimento da capacidade espacial chinesa configura um desafio político-estratégico para Estados Unidos e aliados no setor.
Com informações de revistaforum.com.br.


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