Arqueólogos identificaram artefatos interpretados como dados com até 12 mil anos de idade em sítios espalhados pela América do Norte, empurrando em vários milênios o registro de práticas lúdicas entre povos nativos da região.
O estudo conduzido pelo arqueólogo Richard J. Madden foi publicado na revista American Antiquity. Conforme destacou o portal Phys.org, a pesquisa analisou 565 peças provenientes de locais no Wyoming, Colorado e Novo México, com objetos que variam do século XIX a artefatos paleíndios datados de 12 mil anos atrás.
Esses dados antigos não possuem o formato cúbico atual. Consistem em objetos planos, redondos ou retangulares, marcados de um lado e lisos do outro, o que lhes confere função binária semelhante ao lançamento de uma moeda.
Madden relaciona os achados a práticas de jogos e apostas entre povos nativos americanos, milhares de anos antes das datas anteriormente documentadas para a região. O pesquisador baseou sua análise em amplo levantamento de registros arqueológicos e dados etnográficos sobre objetos de jogo usados por povos indígenas.
Os autores do artigo recomendam cautela na interpretação dos artefatos como instrumentos exclusivos de apostas. O contexto social e espacial limitado em muitos sítios impede afirmar com segurança se havia apostas ou apenas diversão sem motivação econômica.
A arqueologia enfrenta dificuldades significativas para identificar atividades lúdicas no registro material. Muitos jogos não deixam vestígios físicos, e mesmo objetos como tabuleiros ou peças tendem a se degradar com o tempo.
Estudos etnográficos revelam que povos de diversas regiões utilizavam materiais perecíveis como pedras, sementes, conchas ou até fezes secas de animais. Esses elementos raramente sobrevivem por milênios, o que explica a escassez de evidências diretas.
Entre os exemplos mais antigos e conhecidos estão os ossos de astrágalo, retirados dos tornozelos de animais de casco como ovelhas e cabras. Esses ossos naturais possuem quatro faces distintas e foram amplamente empregados em jogos em várias partes do mundo.
O uso de astrágalos inspirou versões artificiais fabricadas em pedra, vidro, metal e marfim. Peças semelhantes foram encontradas associadas ao Jogo Real de Ur, na antiga Mesopotâmia — atual Iraque —, enquanto exemplares de marfim apareceram no túmulo do faraó Tutancâmon, no Egito.
Madden sugere que a evolução dos dados se conecta ao desenvolvimento de práticas econômicas ligadas ao risco e à troca. Os autores do estudo preferem, porém, uma visão mais ampla, que vê o jogo como atividade essencialmente humana centrada no prazer de experimentar o acaso.
A descoberta reforça que o impulso lúdico integra a cultura humana desde os períodos mais remotos na América do Norte. Os artefatos revelam continuidade milenar em comportamentos que combinam imaginação, sociabilidade e interação com o imprevisível.
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Luciana
20/04/2026
Interessante ver que o pessoal já brincava com “dados” há 12 mil anos! A gente muda o tempo, mas o gosto por um joguinho e por se distrair um pouco continua o mesmo. Pena que hoje, pra jogar qualquer coisa, o preço do celular e da internet já pesa no bolso.
Eduardo C.
20/04/2026
Interessante ver como até os jogos têm raízes tão antigas. Gostaria de ver as medições e métodos de datação usados — carbono-14, estratigrafia? Sem números e margens de erro, fica difícil avaliar o quanto essa “redefinição” é sólida.
Miriam
20/04/2026
Interessante ver como até os jogos têm uma longa história burocraticamente documentada. Enquanto uns brigam por ideologia, a ciência segue catalogando ossinhos e pedrinhas e mudando o que sabemos sobre nós mesmos. Isso sim é trabalho sério e metódico.
Maura Santos
20/04/2026
Olha que incrível, até os povos de 12 mil anos atrás já tinham seus rolês de lazer! A galera jogando há milênios enquanto hoje tem político querendo cortar verba de cultura e esporte. Dá pra ver que brincar, criar e conviver é coisa antiga demais pra ser tratada como supérflua, né?
Evelyn Olavo
20/04/2026
Impressionante pensar que nossos ancestrais já brincavam e criavam jogos há 12 mil anos! Isso mostra como a necessidade de diversão e convivência é algo profundamente humano. A arqueologia continua revelando que somos mais parecidos com o passado do que imaginamos.
Renato Professor
20/04/2026
Perfeito, Evelyn — e talvez o mais curioso seja notar que, mesmo há 12 mil anos, o jogo não era mero passatempo, mas uma forma de organizar o convívio e o aprendizado coletivo. A ludicidade sempre foi um laboratório social.
Francisco de Assis
20/04/2026
Rapaz, olha aí a prova de que o ser humano sempre gostou de brincar, desde antes de inventar a roda! Enquanto uns acham que tudo começou com o videogame, a ciência mostra que o povo já se divertia há milênios. Isso é cultura, é humanidade viva. E o Brasil, com sua arqueologia e pesquisa soberana crescendo, tá cada vez mais firme nesse resgate da nossa história comum.
Silvia D.
20/04/2026
Impressionante como o lúdico faz parte da nossa história desde sempre. Mesmo há 12 mil anos, já havia essa busca por convivência, por interação — e isso também tem tudo a ver com saúde mental e social. A ciência mais uma vez nos mostra que brincar é humano e essencial.
Celio Fazendeiro
20/04/2026
Ah, pronto, mais uma “descoberta” pra gastar dinheiro público com escavação de pedrinha velha. Enquanto isso, o agro que sustenta esse país é tratado como vilão. Deviam investir em tecnologia pro campo, não em jogo de índio de 12 mil anos.
Rubens O Pescador
20/04/2026
Ô Celio, o agro só sustenta porque tem estrada, universidade e pesquisa — tudo pago com o tal dinheiro público que tu reclama. Se hoje o campo tem tecnologia, é porque um dia alguém estudou até as “pedrinhas velhas” pra entender de onde viemos.
Adalberto Livre
20/04/2026
ESSA GENTE FICA INVENTANDO MODA PRA DIZER QUE JOGO É COISA ANTIGA, MAS A VERDADE É QUE ESSES “DADOS” DEVEM SER SÓ PEDRA VELHA MESMO! NA MINHA ÉPOCA O POVO TRABALHAVA, NÃO FICAVA BRINCANDO DE ESCAVAR PEDRINHA PRA FAZER TEORIA DE COMUNISTA!
Alice T.
20/04/2026
Adalberto, curioso como sempre tem gente que acha que ciência é “brincadeira”, né? Esses “pedrinhas” revelam mais sobre a humanidade do que muito discurso de “na minha época” que só serve pra travar o conhecimento.
Zé Trovãozinho
20/04/2026
Ah, claro, agora vão dizer que até os caçadores de mamute já jogavam “dados democráticos” pra decidir quem ia caçar. Daqui a pouco o STF entra pra regular o tabuleiro e a gente vira a Cuba do Norte dos jogos pré-históricos.
Zizi
20/04/2026
Ô Zé Trovãozinho, meu filho, até os caçadores de mamute sabiam que o jogo da vida se ganha em grupo, não com bravata. Democracia não é tabuleiro, é convivência — coisa que muita gente ainda não aprendeu a jogar direito.