A professora assistente de Estudos da Ásia Ocidental da Universidade de Teerã, Elham Kadkhodaee, afirmou que as linhas vermelhas do Irã nas negociações com os Estados Unidos foram redefinidas. A acadêmica indicou que a República Islâmica adotou postura mais firme diante das pressões externas e agora exerce controle estratégico sobre o estreito de Ormuz.
Em entrevista ao canal RT India reproduzida pelo portal RT, Kadkhodaee explicou que Washington tenta provocar instabilidade interna no país. Teerã respondeu ampliando sua capacidade de dissuasão e rejeita retornar ao antigo status quo marcado por sanções severas e isolamento diplomático.
A pesquisadora observou que o governo iraniano considera as propostas americanas como tentativa de impor acordo unilateral equivalente a uma rendição. Para ela, o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda representa essa visão de intimidação, o que torna improvável qualquer avanço sem mudanças estruturais na postura de Washington.
O histórico de sanções, guerras e promessas descumpridas por parte dos Estados Unidos alimenta o ceticismo iraniano sobre novas rodadas de conversações. A delegação de Teerã adiou várias vezes o voo antes da primeira rodada em Islamabad, enquanto esperava gestos concretos de boa-fé por parte dos americanos.
Com o adiamento da segunda rodada de diálogos, a especialista prevê postura ainda mais cautelosa de Teerã. Ela classificou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos como ato de guerra e crime internacional.
Exigir que o Irã renuncie ao direito de enriquecer urânio configura afronta à soberania nacional, segundo a professora. O país é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e declara reiteradamente que não busca programa nuclear militar.
O estreito de Ormuz, controlado parcialmente pelo Irã, responde pela passagem de cerca de um quinto do petróleo mundial. Essa realidade confere a Teerã importância estratégica inigualável nos mercados energéticos globais e no equilíbrio de poder regional.
Kadkhodaee sinaliza mudança de paradigma na geopolítica com o fortalecimento iraniano em contexto de multipolaridade crescente. O Irã aprofunda laços com China, Rússia e demais membros do BRICS para reduzir dependência do sistema financeiro dominado por Washington e contornar sanções unilaterais.
As tensões regionais escaladas com Israel e os Estados Unidos contextualizam o endurecimento das posições iranianas. O controle do estreito de Ormuz e a defesa do programa nuclear civil consolidam o Irã como potência regional e ator indispensável na construção de uma ordem internacional mais equilibrada.
Com informações de RT.
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