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Falta de chuva pode colocar o Sistema Cantareira novamente em alerta

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Relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que, mesmo após a recuperação recente do Sistema Cantareira, o sistema entra no período de estiagem com déficit e risco de nova queda nos reservatórios. Segundo o professor Pedro Luiz Côrtes, do Instituto de Energia e Ambiente e da Escola de Comunicações e Artes da USP, desde abril de 2025 o sistema tem acumulado déficits sucessivos de chuva.

Mesmo com os superávits em abril do ano passado, além de fevereiro e março deste ano, o Cantareira apresentou um nível muito baixo no final de 2025 — o mais baixo desde o fim da crise hídrica de 2014 a 2016. Apesar dos superávits no início de 2026, a recuperação não foi suficiente para garantir uma situação de tranquilidade.

Os relatórios do Cemaden

Côrtes explica que o Cemaden elabora relatórios mensais sobre a situação do reservatório e também faz projeções para os meses seguintes. “O Cemaden faz, já há vários anos, desde a crise hídrica, relatórios mensais de acompanhamento do Sistema Cantareira, que continua sendo o principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, com 39 municípios e mais de 20 milhões de habitantes. Ele também fornece água para algumas áreas do interior e é um sistema muito importante, então ele merece essa atenção especial do Cemaden”, afirma o professor.

O comportamento da chuva é o principal fator considerado na produção dos relatórios. “Em função disso, ele alerta para uma situação que pode ser de estiagem severa a partir de agora, mas principalmente em setembro.” O professor lembra que o período de estiagem geralmente vai do final do verão, em março, até o início da primavera, no fim de outubro — início do período chuvoso. Segundo ele, o início das chuvas tem sido adiado, começando apenas em novembro.

A questão da reposição

O consumo de água se mantém durante o período de estiagem, mas sem reposição significativa no sistema hídrico. Côrtes observa que “o acumulado no início da estiagem não era grande para a gente ter tranquilidade e falar assim: ‘Mesmo se a gente não tiver chuva suficiente este ano, ainda conseguimos chegar em janeiro do próximo ano com um volume razoável’. Não aconteceu isso, infelizmente”.

A projeção indica que o sistema deve entrar em alerta em setembro e que “as simulações variam um pouco em função da redução do volume de chuvas. Pode até ser que a gente fique com um volume em torno de 25% aproximadamente, o que seria muito baixo para o mês de setembro, porque se as chuvas demoram a acontecer, demoram a retornar, enquanto a gente tem um consumo grande de água”.

Pouca chance de uma crise hídrica

Após a crise hídrica entre 2014 e 2016, a autorização para a captação de água passou a ser menor conforme o nível do reservatório do Cantareira diminui. “Isso não livra as pessoas de uma situação ruim, porque a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com autorização da Arcesp, a agência reguladora do Estado, vem reduzindo a pressão na rede de distribuição à noite.”

A diminuição da pressão impacta principalmente as áreas mais altas das cidades e as casas sem caixa d’água. “O que tem acontecido é que muita gente volta para casa ao final de um dia de trabalho e não tem água, porque não possui caixa d’água. A água só volta no dia seguinte, por volta das seis horas da manhã”, explica o professor.

A redução do abastecimento e o uso consciente

Côrtes detalha que a redução das chuvas tem impactado o sistema Cantareira. Para ele, “essas mudanças no volume de precipitações, na época do ano em que chove mais ou menos, vieram para ficar e terão reflexo permanente”. O impacto está na diminuição do volume de água recebido em relação a outros anos.

A menor oferta de água exige o uso consciente do recurso, que pode não estar facilmente disponível. Mesmo após diversas crises hídricas, “sempre acabam vendendo a ideia de que a água é farta, está facilmente disponível. As pessoas não foram orientadas a ter um hábito de redução de consumo, quando essa redução é extremamente importante, porque na prática estamos guardando água para atividades mais nobres. Esse tipo de informação tem sido cada vez mais divulgado pela imprensa, felizmente, com uma atenção redobrada sobre a situação dos mananciais. Vejo isso com maior frequência na mídia, de maneira geral, e isso cumpre uma função importante de orientar as pessoas para um uso consciente da água”.

Segundo documento do programa Jornal da USP no Ar publicado na quarta-feira (3 de setembro de 2026), a entrevista foi veiculada pela Rede USP de Rádio.

Fonte: Jornal da USP

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