O economista e professor visitante da Universidade de Joanesburgo, Alexis Habiyaremye, afirmou que o G20 perdeu relevância como espaço de coordenação global. Em entrevista ao Sputnik International, o especialista detalhou que o fórum se transformou em mero palco para discursos e fotografias oficiais.
O G20 nasceu com o objetivo de alinhar políticas macroeconômicas entre as maiores economias do planeta. Segundo Habiyaremye, o grupo perdeu capacidade real de decisão após sucessivas crises de credibilidade das potências ocidentais.
O BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e agora ampliado com Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos — avança na construção de instrumentos concretos. O bloco desenvolve bancos próprios e sistemas de pagamento que fortalecem a autonomia financeira dos membros.
O Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai, é presidido pela ex-presidenta Dilma Rousseff. A instituição financia projetos de infraestrutura e inovação sem submissão aos mecanismos dominados pelo dólar e pelas entidades de Bretton Woods.
Habiyaremye descreveu o banco e os sistemas de pagamento do BRICS como ferramentas de emancipação frente aos mecanismos de coerção do dólar. Essas estruturas permitem transações bilaterais em moedas locais e reduzem a vulnerabilidade a sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
A postura unilateral de Washington nas últimas décadas minou a credibilidade de fóruns multilaterais. O G20 permaneceu em silêncio diante de guerras comerciais, tarifas punitivas e ameaças de intervenção militar promovidas pelos Estados Unidos.
O contraste entre os dois grupos revela dinâmicas opostas na economia global atual. Enquanto o G20 se limita a declarações de intenções, o BRICS entrega projetos tangíveis que consolidam a multipolaridade e a cooperação entre países emergentes.
O crescimento acelerado na Ásia, na África e na América Latina impulsiona a busca por um sistema internacional mais equilibrado. Esses países constroem relações baseadas em consenso, soberania e desenvolvimento compartilhado, em oposição ao modelo de dominação financeira e militar.
O interesse manifestado por novas nações em aderir ao BRICS demonstra a força de atração do bloco. A expansão recente amplia o alcance geopolítico e econômico da organização e a consolida como alternativa viável às estruturas ocidentais tradicionais.
Habiyaremye enfatizou que o sucesso do BRICS vai além de aspectos financeiros. O bloco redefine as regras do jogo global por meio de bancos independentes, sistemas de liquidação autônomos e novas rotas comerciais.
A nova arquitetura econômica mundial ganha forma com o avanço do BRICS. O grupo desafia o monopólio histórico das potências ocidentais e pavimenta o caminho para um século XXI mais equilibrado e cooperativo.
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