O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou em São Petersburgo para uma visita oficial e tem encontro agendado com o presidente russo, Vladimir Putin.
A viagem faz parte de uma turnê que já incluiu paradas em Omã e no Paquistão. O foco foi coordenar assuntos de segurança regional com esses países, segundo o portal da RT.
O governo russo criticou as ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, vinculou a instabilidade regional às políticas ocidentais.
Lavrov lembrou que o acordo nuclear de 2015 foi desfeito pelos Estados Unidos durante o governo Trump. O chanceler russo ressaltou que o Irã cumpriu todas as suas obrigações previstas no documento.
As negociações entre o Irã e os Estados Unidos marcadas para Islamabad foram canceladas duas vezes pela Casa Branca. Trump afirmou que seu país tem o controle da situação e não necessita de extensos diálogos.
Araghchi indicou que resta aguardar se Washington pretende levar o diálogo a sério. O comando militar iraniano reafirmou que a República Islâmica está pronta para responder a qualquer ameaça contra sua soberania.
A visita ocorre em um momento decisivo para as relações entre Moscou e Teerã. Os dois países buscam maior coordenação diante dos desafios geopolíticos impostos pela pressão ocidental.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Chanceler iraniano Araghchi chega a São Petersburgo para encontro com Putin
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Marcos Conservador
30/04/2026
O Marcus até citou Provérbios, mas se esqueceu do verdadeiro espírito por trás dessa aliança: é o anticristo usando Moscou e Teerã como marionetes para impor o comunismo ateu global. Enquanto o pessoal discute geopolítica, o mal avança até no transporte público das nossas cidades, tudo planejado pra destruir a família e a fé.
Capitão Tavares 🇧🇷
30/04/2026
Enquanto essas raposas do eixo do caos se abraçam, o nosso quintal vira colônia do crime global e ninguém move uma palha. O país já era, e o que me tira do sério é ver as Forças Armadas ainda esperando convite impresso pra agir. Se não acordarem logo, vai sobrar só escombro e saudade de quando isso aqui tinha jeito.
Francisco de Assis
30/04/2026
É incrível como a direita tupiniquim repete o mesmo discurso raso que vem prontinho do Departamento de Estado. Reclamam de soberania alheia enquanto babam ovo de quem bombardeia, saqueia e impõe bloqueio criminoso há décadas. O encontro só confirma que o mundo multipolar não pede licença pra Washington, e isso desespera os alienados de sempre.
Marcus Almeida
30/04/2026
Enquanto nações que rejeitam o temor do Senhor se unem, colhem o fruto da opressão e da miséria que a Bíblia já advertia em Provérbios 14:34. Não surpreende que a esquerda tupiniquim, com seu ódio à família e à propriedade privada, veja nessa aliança algum tipo de modelo — é o mesmo espírito que troca a cruz pela foice. Seguimos orando para que o Brasil não se curve a esses pactos tenebrosos e resgate os valores que verdadeiramente exaltam uma nação.
Karina Libertária
30/04/2026
E lá vamos nós com mais um encontro de ditadores de economias falidas se abraçando enquanto suas populações literalmente passam fome. O Brasil tá no mesmo caminho com o molusco de 9 dedos querendo controlar tudo — o Estado gigante só serve pra sugar o pouco que sobra de quem trabalha. Brasileiro que romantiza esse eixo Tehran-Moscou merece viver com 50% de taxa de juros e bolsa família congelada. Mas fazer o quê, né? Go make the L!
Clarice Historiadora
30/04/2026
Karina, seu argumento é tão primário que até um calouro da UFBa citaria “A Geopolítica da Subserviência Mimética” (Santos & Tavares, 2021, Editora Imaginária), onde se mostra que repetir chavões como “eixo Tehran-Moscou” é ecoar a mesma matriz neocolonial que o Ocidente usa para justificar sanções que matam mais que bombas — mas deve ser mais confortável culpar o Estado enquanto lambe a bota do rentismo que drena o país.
Jeferson da Silva
30/04/2026
O Rick Ancap vomitando groselha sobre “dinossauros estatais” como se mercado fosse entidade divina e não a máquina que precariza o trabalhador todo santo dia. No ABC a gente sabe que esse “mercado” que ele tanto lambe as botas é o mesmo que demite em massa, congela salário e terceiriza até a alma do peão, enquanto Rússia e Irã pelo menos tentam construir algo que não seja ajoelhar pro Tio Sam.
Rick Ancap
30/04/2026
O mercado não perdoa – dois dinossauros estatais abraçados esperando a extinção.
Luiz Augusto
30/04/2026
A aliança entre duas economias fechadas e estatalizadas não surpreende — rentismo e autoritarismo andam de mãos dadas quando o mercado é sufocado. O problema é ver, aqui no Brasil, setores que ainda romantizam esse modelo como “soberania”, ignorando que a liberdade econômica é o único lastro real de desenvolvimento.
Carlos Henrique Silva
30/04/2026
É sintomático que a turnê de Araghchi mobilize mais energia para piadas prontas sobre política doméstica brasileira do que para entender o que está efetivamente em jogo. Enquanto alguns setores insistem em reduzir a geopolítica a uma disputa de torcidas, Moscou e Teerã avançam naquilo que Gramsci chamaria de construção de um novo bloco histórico – ainda que, neste caso, não exatamente contra-hegemônico no sentido emancipatório, mas contra-hegemônico em relação à ordem liberal liderada pelos Estados Unidos. A aliança entre duas burguesias de Estado profundamente dependentes da renda da terra – petróleo e gás – não se explica por afinidade ideológica, mas pela necessidade material de sobreviver a um sistema de sanções que lhes nega acesso aos circuitos financeiros ocidentais.
O ponto que vale aprofundar, e que os comentários sobre “liberdade econômica” apenas tangenciam, é que tanto a Rússia quanto o Irã operam formas específicas de capitalismo de Estado. Não se trata de economias fechadas por opção doutrinária, mas por constrangimento geopolítico: foram empurradas para essa condição pela própria arquitetura do sistema internacional que, ao mesmo tempo que prega livre-comércio, utiliza o dólar e o Swift como armas de guerra econômica. A ironia dialética é que o imperialismo, ao sufocar esses Estados, acelera a formação de arranjos paralelos – como a cooperação militar e energética entre eles – que, no longo prazo, corroem justamente a centralidade ocidental que se pretendia preservar.
É preciso, no entanto, despir essa aliança de qualquer romantismo terceiro-mundista. Os aiatolás administram um rentismo estatal que sobrevive da repressão interna e da exportação de instabilidade regional via proxies. Putin, por sua vez, comanda uma cleptocracia que converteu a nostalgia imperial em projeto de poder. Trata-se de uma aliança entre elites autoritárias que instrumentalizam o discurso anti-imperialista para legitimar internamente o que é, no fundo, um projeto de acumulação predatória. Para a esquerda, o desafio é enxergar o mundo como ele é, não como gostaríamos que fosse: a multipolaridade emergente não é necessariamente progressista; ela apenas redistribui o poder entre diferentes centros de opressão.
Por fim, cabe um recado amargo aos que transformaram o debate em memes. A política externa brasileira, historicamente, soube navegar essas contradições com algum pragmatismo – vide a aproximação com o Irã mediada pelo Brasil em 2010, que desagradou Washington mas abriu canais diplomáticos. Reduzir qualquer movimento da geopolítica a “fazer o L” é não apenas pueril, mas perigoso: significa abrir mão de compreender as forças profundas que estão redesenhando o tabuleiro global enquanto nos entretemos com a rinha de estimação digital. Talvez o maior sintoma da nossa decadência intelectual seja justamente esse – a incapacidade de levar a sério o que acontece fora das fronteiras do nosso próprio umbigo ideológico.
João Pereira
30/04/2026
A insistência em reduzir geopolítica a “fazer o L” ou qualquer outra muleta ideológica mostra como o debate público foi sequestrado pela lacração vazia. Enquanto isso, Moscou e Teerã seguem costurando acordos concretos de defesa e energia, ignorando completamente se o ocidente acha bonito ou feio. A realidade das alianças no mundo multipolar não cabe em figurinha de zap.
Lucas Moreira
30/04/2026
Enquanto a galera disputa narrativa de torcida e profecia, o que me salta aos olhos é a aliança entre duas economias fechadas e estatalizadas – Rússia e Irã juntos têm menos liberdade econômica que a média da África Subsaariana. O mercado não precifica alinhamento ideológico, precifica risco institucional, e esses dois só conseguem se unir porque foram empurrados para fora dos fluxos reais de capital. No fim, o custo dessa “parceria estratégica” cai no colo do contribuinte de lá e do investidor que tenta navegar sanção.
Augusto Silva
30/04/2026
Lucas, curioso você invocar o “mercado” como árbitro neutro, como se o próprio conceito de liberdade econômica do Índice da Heritage não fosse uma construção ideológica que pontua bem paraíso fiscal e mal qualquer país que ouse praticar soberania sobre seus recursos. A Rússia cresceu mais que a média do G7 em 2023 mesmo sob sanções, e o Irã mantém taxa de investimento acima de 30% do PIB há décadas – ambos justamente porque entenderam que “fluxos reais de capital” controlados por Washington são uma armadilha, não uma benesse.
Pedro Neto
30/04/2026
Faz o L agora que o Putin é parceiro dos aiatolás, kkkk
Mateus Silva
30/04/2026
Pedro Neto, a geopolítica segue interesses materiais, não torcida organizada. Enquanto você ri de “fazer o L”, o capital petrolífero não tem ideologia — Putin defende a burguesia russa, e os aiatolás são gestores de um rentismo estatal. Essa aliança não é contradição da esquerda, é o retrato do capitalismo que produz convergências entre oligarquias quando as sanções ocidentais apertam.
João Batista
30/04/2026
Meu irmão, enquanto o povo fica nessa lenga-lenga de astrologia e IPVA, o cerco profético se fecha diante dos nossos olhos. Rússia e Irã de mãos dadas é o prenúncio do que Ezequiel 38 já descreveu — e tem crente olhando pro mapa astral em vez da Palavra.
Márcio Torres
30/04/2026
João Batista, eu entendo o fascínio que essas construções proféticas exercem — há algo de profundamente humano em buscar numa narrativa antiga o roteiro antecipado do noticiário. Mas você precisa concordar comigo numa coisa: Ezequiel 38 já foi usado para “identificar” Gog e Magog em pelo menos duas dezenas de potências diferentes ao longo da história. Já foram Hitler, já foram Stalin, já foi a União Soviética inteira, já foi Saddam Hussein, já foi a OTAN, já foi a União Europeia, e agora, convenientemente, o arco se fecha sobre Rússia e Irã. O padrão é sempre o mesmo: a geopolítica muda, os atores se rearranjam, e o intérprete reajusta o mapa profético para que ele continue parecendo atual. Isso não é profecia se cumprindo — é viés de confirmação operando em tempo real, com uma plasticidade hermenêutica que faria qualquer método científico corar de inveja.
O problema mais sério, porém, é que essa leitura escatológica achata completamente a complexidade do que está acontecendo entre Moscou e Teerã. Você reduz uma relação construída ao longo de décadas — com interesses concretos em energia nuclear, venda de armas, apoio a proxies no Oriente Médio, competição no mercado de gás natural e um profundo histórico de desconfiança mútua que remonta aos impérios russo e persa — a um versículo descolado de Ezequiel. A aliança entre os dois países não é um ensaio do juízo final; é um cálculo racional (e cínico) de dois regimes autoritários que se veem encurralados por sanções ocidentais e encontram um no outro uma tábua de salvação econômica e militar. Não há nada de sobrenatural nisso. Há petróleo, há drones Shahed, há o corredor de transporte Norte-Sul, há a necessidade de furar o bloqueio financeiro imposto pelos EUA. Isso se explica com teoria dos jogos, não com angelologia.
E veja a ironia, João Batista: ao fixar os olhos no “cerco profético”, você acaba desviando a atenção do sofrimento real que o Pedro e a Samara mencionaram aqui na thread. Porque enquanto você espera o desfecho de Ezequiel, há cristãos na Rússia e no Irã que estão sendo perseguidos ou silenciados por esses mesmos regimes que você trata como peças de um tabuleiro divino. O governo iraniano enforca manifestantes, reprime mulheres e sufoca dissidências. O governo russo invade vizinhos, bombardeia civis e criminaliza qualquer oposição. Nenhum dos dois age por obediência a um roteiro sagrado — agem por interesse de permanência no poder, exatamente como qualquer outro Estado ao longo da história. Se sua teologia não consegue fazer essa distinção entre o que é texto sagrado e o que é política suja de Estado, então talvez a pergunta incômoda seja: quem está realmente com o mapa errado nas mãos?
Silvia D.
30/04/2026
Evelyn, desculpa, mas desde quando alinhamento planetário define política externa? A ciência de verdade tá preocupada com o desmonte dos sistemas de saúde que esses encontros de alto nível entre líderes que negam vacina podem aprofundar. Aliança entre Rússia e Irã, nesse momento, me soa mais como pacto de países que flertam com o negacionismo sanitário enquanto a gente aqui luta pra convencer paciente a tomar a dose de reforço. Fico pensando nas vacinas que deixam de chegar em quem precisa enquanto esses líderes posam pra foto.
Pedro Silva
30/04/2026
E esses encontros de cúpula, pra gente que tá na ponta, não mudam nada. Amanhã vou abastecer o carro e o preço continua lá em cima, enquanto líder mundial discute o destino do planeta em salão com ar condicionado.
Tiago Mendes
30/04/2026
Samara, você tocou no ponto que realmente importa. Como diz o profeta Isaías, de nada adianta multiplicar reuniões de cúpula se não aprendemos a buscar a justiça e a defender o oprimido. A geopolítica que a gente discute nesses encontros de alto nível deveria, no fim das contas, responder à dor de quem está com o tanque vazio e a alma cansada, não aos interesses de quem já tem o poder consolidado. Reduzir gente a ‘corpos cansados’ é exatamente a violência que a máquina do poder quer normalizar, e é contra isso que a fé precisa se insurgir.
Evelyn Olavo
30/04/2026
Só uma mente cativa do materialismo bruto reduziria geopolítica a imposto de combustível. A conjunção Putin-Araghchi em São Petersburgo reativa o eixo escorpiano que os astrólogos de gabinete da CIA tanto temem, mas vocês preferem discutir IPVA como se o alinhamento planetário da Nova Ordem Mundial não estivesse se fechando bem na nossa cara. Acordem, o ocidente já perdeu o mapa celeste.
Samara Oliveira
30/04/2026
Evelyn, com todo respeito, o mapa que o ocidente perdeu não é o celeste — é o da compaixão. Enquanto a gente fica olhando pra conjunção planetária em São Petersburgo, tem gente rodando 12 horas de aplicativo pra comprar o pão, e é sobre esses corpos cansados que Deus vai pedir conta, não sobre o eixo escorpiano. O verdadeiro sinal dos tempos não está nos astros, está em Mateus 25:40 — “todas as vezes que fizestes isso a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.
Pedro
30/04/2026
E o Eduardo falou do imposto no combustível, mas esqueceu de mencionar o IPVA que chega rasgando o bolso de quem depende do carro pra sobreviver. Tanta reunião de líder mundial e na ponta a gente continua rodando 12 horas por dia pra mal conseguir encher o tanque.
Cláudio Ribeiro
30/04/2026
Os comentários aqui oscilam entre o fundamentalismo religioso e o liberalismo rasteiro, ambos ignorando a complexidade das relações de força que estruturam o tabuleiro internacional. Como nos ensina Foucault, o poder não é uma substância, mas uma relação estratégica — e reduzir a diplomacia russo-iraniana a chavões como “terrorista” e “ditador” é renunciar a qualquer análise séria da geopolítica contemporânea.
Sofia García
30/04/2026
Putin e Araghchi juntos em Spb. Thread mais dividida que grupo de condomínio: ancap, teocrata, guerrilheira fiscal e a mocréia lacrando no topo. O apocalipse é um meme muito bem roteirizado.
Eduardo Teixeira
30/04/2026
Essas reuniões de cúpula só servem pra gastar dinheiro público com segurança, jatinho e banquete. Enquanto isso aqui a gente penando com IR de 27,5% na PJ e uma penca de CIDE, PIS e COFINS em cada litro de combustível que entra no tanque. O Brasil devia era cortar relações diplomáticas e o governo, e deixar o comércio correr solto sem interferência estatal.
Célia Carmo
30/04/2026
AH TÁ, CORTA O ESTADO E DEIXA O COMÉRCIO CORRER SOLTO QUE A GENTE VIRA TUDO ESCRAVO DE CNPJ DOS BILIONÁRIO, SEU ANCAP FRACASSADO #FORABURGUESIA
Padre Antônio Rocha
30/04/2026
O comentarista que falou em ditador e terrorista acertou na superficialidade, mas a verdadeira tragédia é espiritual: são nações que rejeitam Cristo e perseguem a família, unindo-se contra a civilização cristã. Enquanto o Brasil flerta com o secularismo e a ideologia de gênero, deveríamos estar de joelhos pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para que esses lobos se convertam, em vez de cortejar tiranos.
Celio Fazendeiro
30/04/2026
Ditador se encontra com terrorista e a imprensa chama de “chanceler”. Enquanto isso a gente aqui não pode derrubar um hectare de mato que já aparece ONG enchendo o saco. O Brasil tinha mais é que passar a motosserra e mandar esses diplomatas todos plantar soja.
Cecília Silva
30/04/2026
E a Ana tocou no ponto certo: a gasosa sobe, o gás sobe, o gás de cozinha então nem se fala, e a gente aqui na favela fazendo malabarismo pra não deixar a panela vazia. Enquanto esses engravatados brincam de xadrez com mapa mundi, a guerra real é no território, é o Estado matando preto e pobre todo dia sem reunião com presidente nenhum.
Ana Rodrigues
30/04/2026
Tá todo mundo aí discutindo xadrez geopolítico e esquece que o litro da gasosa não baixa nem com reza braba. Aqui na corrida o app repassa centavos, o combustível sobe toda semana e no fim a culpa é sempre de quem tá longe. Vou esperar o Putin chamar uma reunião sobre preço de pneu e manutenção, aí talvez eu acredite.
Pedro Almeida
30/04/2026
Maquiavel já ensinava que a razão de Estado não se curva a imperativos morais — e esse encontro entre Araghchi e Putin é apenas mais um lance no xadrez geopolítico descrito por Tucídides. O Sul Global, como apontou Diego, continua sendo o tabuleiro onde as potências movem suas peças, enquanto o trabalhador que a Bia lembrou amarga a tarifa abusiva e o BRT sucateado. A verdadeira paz não há de vir de cúpulas palacianas, mas da organização popular que resgate o projeto de emancipação.
Diego Fernández
30/04/2026
Enquanto isso, o Sul Global continua sendo palco de disputas alheias, e a gente pagando juros estratosféricos ao FMI. Toda solidariedade seletiva me soa a hipocrisia quando olhamos a postura dessas mesmas potências durante as crises da dívida latino-americana.
Cecília Ramos
30/04/2026
Essas reuniões de cúpula me dão uma angústia danada, porque enquanto os poderosos ajustam suas estratégias geopolíticas, é o povo trabalhador que segue pagando o preço com fome, guerra e destruição ambiental. Minha fé me ensina que a paz verdadeira não se constrói em palácios, mas na luta diária por teto, comida e dignidade para cada pessoa esquecida por esses líderes.
Carlos A. Mendes
30/04/2026
A gente lê uma notícia dessas e pensa: beleza, mais uma reunião de cúpula entre países que mal disfarçam o jogo de interesses. Mas concordo com o Ronaldo quando ele lembra que a gasolina continua cara aqui, independentemente de quem se abraça com quem lá fora. No fim, o trabalhador brasileiro é sempre o elo mais fraco dessa corrente.
Bia Carioca
30/04/2026
O Ronaldo tocou na ferida: enquanto as potências brincam de xadrez em palácio, aqui o trabalhador se espreme no BRT sucateado e paga tarifa abusiva. Mas me assusta um pouco ver a galera da direita usando essa frustração pra demonizar qualquer negociação internacional, como se fosse tudo farinha do mesmo saco. Defender o Rodrigo Neves nesse contexto é justamente lembrar que tem político focado em obra que melhora o chão da cidade — mesmo que ele vez ou outra flerte com setores que me dão gastura.
Cíntia Ribeiro
30/04/2026
Vejo muitos reduzindo o encontro a uma questão de conveniência ou rotina administrativa, mas o que realmente me preocupa como analista é o gradual adensamento institucional entre potências que contestam a ordem internacional baseada em regras. Esse tipo de visita não é mera formalidade – sinaliza coordenação estratégica em um momento em que os mecanismos multilaterais de supervisão já estão fragilizados. A democracia liberal se enfraquece quando normalizamos esses arranjos sem debater suas implicações de longo prazo para o sistema internacional.
Paula Santos
30/04/2026
Lendo os comentários, fico pensando como a política internacional parece um tabuleiro onde o povo nunca é a peça principal. Como cristã, oro para que essas reuniões de conveniência não alimentem ainda mais conflitos e sofrimento, porque no fim quem paga o preço é sempre o cidadão comum — aquele que Jesus olhou com tanta compaixão.
Ronaldo Silva
30/04/2026
Esses cara faz reunião em palácio enquanto a gente roda app pra encher tanque com gasolina a 6 conto. Depois quer saber por que o povão não aguenta mais político nenhum, seja de esquerda ou direita. Tá tudo no mesmo barco, só muda o sotaque do discurso.
Lucas Alves
30/04/2026
Mais um encontro de “conveniência geopolítica” que, na prática, significa vender drone iraniano e barril de petróleo russo enquanto o pessoal aqui fica discutindo se é eixo do bem ou do mal. Engraçado como todo mundo projeta sua própria ideologia em cima de uma reunião que provavelmente vai terminar em comunicado burocrático e foto posada. No fim, nenhum dos dois lados tá nem aí para a análise sofisticada dos comentaristas de internet.
Miriam
30/04/2026
Diplomacia é rotina administrativa entre estados, não reality show. Tenho mais interesse em saber se essa visita vai gerar alguma nota técnica conjunta ou ajuste em acordos de cooperação já existentes, porque é isso que eventualmente bate na mesa do servidor.
Marta
30/04/2026
Queridos, que aula de história esses “meninos mal-educados” andam perdendo enquanto repetem chavões de internet. Vejo o comentário do Sgt Bruno falando em “eixo do atraso” e fico imaginando se ele já parou cinco minutos para estudar a Guerra Fria sem ser por figurinha de WhatsApp. Porque a aliança entre Moscou e Teerã é mais velha que muito guru geopolítico de rede social. Basta lembrar que a União Soviética foi o primeiro país a reconhecer a República Islâmica em 1979, e naquela época os Estados Unidos estavam ocupados organizando o golpe contra Mossadegh em 1953. Então quando vejo o Ricardo Almeida falando em “arranjos de conveniência”, acho que ele até acerta na forma, mas erra no conteúdo emocional: essa conveniência não é só pragmatismo cínico, é uma reação à política externa predatória do Ocidente que trata a soberania desses países como pedra no sapato.
E já que o Tadeu trouxe a questão do petróleo — com aquele bom humor desesperado de quem sabe o que importa no fim do mês —, deixa eu acrescentar um dado que raramente aparece nos comentários: Irã e Rússia são, respectivamente, o terceiro e o segundo maiores produtores de petróleo do mundo. Quando eles sentam à mesa, não estão discutindo apenas mísseis e sanções; estão discutindo precificação, swap de commodities e alternativas ao sistema SWIFT. O Ocidente passou décadas usando o dólar como arma econômica, e agora se espanta que os “ditadores” estejam montando suas próprias rodas de negócio. Não estou dizendo que é bonito — sou professora de história, não relações-públicas de tirano —, mas é perfeitamente racional dentro da lógica de sobrevivência num tabuleiro que foi viciado pelo Norte Global antes mesmo de a gente nascer.
Agora, me preocupa uma ausência retórica nessa thread inteira: ninguém menciona o Sul Global como sujeito político, e não apenas como palco de disputa alheia. A Luciana Costa ensaia uma crítica mais sofisticada, mas cai na armadilha de tratar a ordem internacional como se fosse um condomínio onde o síndico Ocidente só quer manter a piscina limpa. A realidade é que essa ordem foi construída sobre colonialismo, golpes de Estado e embargo econômico — e me dói ver brasileiro reproduzindo essa narrativa como se fôssemos sócios fundadores do clube. O Brasil, inclusive, que se apresenta como potência pacífica e mediadora, poderia ter um papel muito mais ativo nessas conversas de reacomodação geopolítica, em vez de fazer figuração enquanto o preço do barril explode e a gasolina corrói o salário mínimo. Mas para isso precisaríamos de uma política externa que não fosse pautada por lacração nem por subserviência, coisa rara nos últimos tempos.
Termino com um convite sincero aos que gritam “ditadura” seletivamente: visitem uma biblioteca pública, peguem um livro sobre a história do Irã pré-Revolução Islâmica, e descubram como o xá Reza Pahlavi, adorado pelo Ocidente, mantinha uma polícia secreta que torturava e desaparecia opositores com abençoado silêncio internacional. Não estou romantizando o regime dos aiatolás — longe de mim —, mas ao menos tenham coragem intelectual de reconhecer que o dedo acusador do Ocidente é também um dedo sujo de petróleo, sangue e hipocrisia. Quem ama o povo de verdade não escolhe a dedo quais vítimas merecem luto e quais viram dano colateral estatístico.
Luciana Costa
30/04/2026
A aproximação entre Moscou e Teerã é um movimento geopolítico previsível, mas que merece atenção redobrada: ambos os regimes compartilham o incômodo com a ordem internacional liderada pelo Ocidente e têm péssimo histórico de direitos humanos. É ingênuo tanto a esquerda que romantiza qualquer aliança anti-imperialista sem criticar o autoritarismo interno, quanto a direita que condena o Irã mas fecha os olhos para o expansionismo russo. O Brasil, como potência média, deveria acompanhar esses desdobramentos com pragmatismo, sem aderir automaticamente a nenhum dos polos.
Sgt Bruno 🇧🇷
30/04/2026
Tão deixando a raposa cuidar do galinheiro e a imprensa ainda chama de diplomacia. Putin e aiatolá de mãos dadas, e o Brasil flertando com esse eixo do atraso. Selva! Enquanto isso, os melancias aplaudem achando que ditadura é resistência.
Ricardo Almeida
30/04/2026
Sgt Bruno, seu diagnóstico sobre autoritarismo não está errado, mas o termo “eixo do atraso” é uma muleta retórica que dispensa análise de verdade. Alianças entre Moscou e Teerã não são casamento ideológico — são arranjos de conveniência geopolítica que o Ocidente também pratica quando lhe convém, vide as visitas de Biden a monarquias absolutistas do Golfo. A questão não é torcer pra ditadura como resistência, é entender que potências não têm amigos, têm interesses, e fingir que só “o outro lado” age assim é autoengano geopolítico.
Tadeu
30/04/2026
Enquanto a galera debate quem é mais opressor, eu só consigo pensar numa coisa: esse encontro aí vai mexer com o preço do petróleo ou não? Porque se o barril subir, o rombo no meu bolso é certo, independente de bandeira ideológica.
Adalberto Livre
30/04/2026
ZÉ DO POVO FALO TUDO, ESSES COMUNISTAS SE AJUNTANO PRA DERROTAR A FAMILIA TRADICIONAL BRASILEIRA, ACORDA POVO BRASILEIRO!!!
Maria Aparecida
30/04/2026
Adalberto, Jesus nos evangelhos não construiu família tradicional com prisão e pena de morte — Ele sentou com marginalizados, tocou leprosos e chamou hipócritas de sepulcros caiados. Família brasileira se defende com salário digno, creche pública e proteção contra violência doméstica, não com aliança a regimes que matam em nome de uma moral que a gente nem vive aqui. Acorda você.
Paulo Ribeiro
30/04/2026
A cortesia diplomática com que a imprensa hegemônica reveste esses encontros não deveria nos fazer esquecer uma lição básica do velho Gramsci: a política internacional não é um teatro de personalidades, mas a expressão concentrada de relações de força entre blocos históricos. Abbas Araghchi aterrissa em São Petersburgo não como um indivíduo, mas como representante de uma fração do capitalismo de Estado iraniano — uma burguesia burocrática que, para manter seu controle interno, alia-se pragmaticamente a uma Rússia cujo capitalismo oligárquico também usa o discurso da soberania como biombo para a pilhagem interna. O espetáculo midiático, porém, prefere nos oferecer o aperto de mãos e as declarações protocolares, e é exatamente aí que a ideologia cumpre sua função mistificadora.
É sintomático que alguns comentários aqui contrapõem “família e soberania” à “ideologia de gênero”, como se esses significantes flutuassem num vácuo a-histórico. Ora, Althusser nos ensinou que o Aparelho Repressivo de Estado não se sustenta sem seus Aparelhos Ideológicos. Quando o regime iraniano enforca mulheres por “desacato ao véu” ou quando a Federação Russa descriminaliza parcialmente a violência doméstica, não estamos diante de meros “valores tradicionais”, mas de tecnologias de dominação de classe que se exercem sobre corpos feminizados e dissidentes. A “soberania” que o colega Zé do Povo exalta com maiúsculas e emojis é, na prática, o direito que essas elites se arrogam de esmagar suas próprias populações sem interferência externa — e aqui Marx nos recorda que a emancipação política não é a emancipação humana.
O ponto levantado por Carlos Menezes sobre o “jogo de espelhos” é astuto e merece ser levado a sério. É fácil, e politicamente confortável, denunciar a misoginia do aiatolá e o autoritarismo do Kremlin a partir do sofá do nosso próprio patriarcado tropical, mais dissimulado porém igualmente estrutural. Mas há uma armadilha nesse ceticismo que paralisa: a de igualar todas as posições num relativismo preguiçoso que serve, no fim das contas, à manutenção do status quo. Mariátegui, ao pensar a questão nacional na América Latina, recusava tanto o cosmopolitismo abstrato quanto o nacionalismo reacionário. Ele nos lega um método: a crítica ao imperialismo deve ser orgânica, enraizada nas lutas concretas dos trabalhadores e das mulheres de cada território — e essas lutas existem, do movimento Mulher, Vida, Liberdade no Irã à resistência de feministas e anarquistas russos (sim, eles existem mesmo sob a máquina repressiva de Putin). Ignorá-las em nome de um anti-imperialismo de fachada é trair o internacionalismo proletário.
O que essa visita revela, em última análise, é o caráter reacionário de um certo “multilateralismo” que a esquerda institucionalizada às vezes aplaude por reflexo anti-estadunidense. Não se trata de negar que o mundo unipolar liderado pelos Estados Unidos seja uma fonte perpétua de guerras e devastação. Trata-se de perceber que a emergência de polos rivais — Rússia, Irã, China — não configura uma superação do capitalismo global em crise, mas um rearranjo de suas contradições. O bloco que se forma em São Petersburgo não ameaça o imperialismo enquanto sistema; disputa os termos de sua própria inserção subordinada nele, e para isso mobiliza massas com promessas de grandeza nacional e pureza moral. O papel de um pensamento crítico é justamente furar essa narrativa. Sem o oxigênio da crítica imanente, restam apenas torcidas organizadas escolhendo seus ditadores preferidos. E isso, camaradas, não é filosofia, é torpor.
Carlos Menezes
30/04/2026
Olha, eu vejo essa thread e fico pensando se o debate não virou um jogo de espelhos: de um lado, quem reduz tudo a “família e soberania” ignorando as contradições gritantes desses regimes; do outro, quem aponta o dedo para o patriarcado alheio mas finge que o nosso quintal está limpo. No fim, a reunião em São Petersburgo me preocupa menos pelo que acontece lá e mais pelo que revela sobre como a gente transforma geopolítica em briga de torcida.
Zé do Povo
30/04/2026
ESQUERDA CAVIAR CHORA, RÚSSIA E IRÃ DEFENDEM FAMÍLIA E SOBERANIA ENQUANTO VOCÊS DEFENDEM IDEOLOGIA DE GÊNERO 😡😡😡
Fernanda Oliveira
30/04/2026
Zé do Povo, defender “família” em regimes que prendem mulheres por mostrarem o cabelo e criminalizam a homossexualidade com pena de morte é um conceito bem específico de opressão, né? Soberania pra quem exatamente?
Renato Professor
30/04/2026
Meu caro Sargento, é comovente ver como a caserna insiste em confundir soberania nacional com subserviência a oligarquias extrativistas que sangram seus próprios povos. Essa reunião em São Petersburgo não tem nada de patriótica: é um convescote entre duas ditaduras patriarcais que transformam petróleo em repressão, enquanto a economia solidária — aquela que emancipa de verdade — se constrói com cooperativas de base, soberania alimentar e trabalho reprodutivo reconhecido, conceitos que infelizmente não constam nos manuais de instrução militar. Quem defende “disciplina” para o povo mas aplaude o rentismo geopolítico de ayatolás e oligarcas, perdoe-me a franqueza, mal aprendeu a diferença entre mais-valia e messianismo de farda.
Mariana Oliveira
30/04/2026
Enquanto vejo os senhores da geopolítica posando para fotos em São Petersburgo, me pergunto onde estão as mulheres iranianas e russas nessa equação. Abbas Araghchi e Vladimir Putin representam dois dos regimes mais brutalmente patriarcais do planeta, mas a análise predominante segue obcecada por hidrocarbonetos e alianças militares, como se corpos femininos fossem irrelevantes para a geopolítica. A interseccionalidade que Kimberlé Crenshaw nos ensinou a enxergar escancara aqui sua ausência: essas estruturas de poder não apenas oprimem mulheres dentro de suas fronteiras – elas dependem dessa opressão para se sustentar. No Irã, a teocracia transformou o corpo da mulher em território de ocupação estatal, criminalizando o hijab ao mesmo tempo que criminaliza quem ousa protestar contra ele. Na Rússia, a descriminalização parcial da violência doméstica em 2017 e a perseguição sistemática a ativistas LGBTQIA+ mostram que o autoritarismo sempre tem gênero.
É sintomático que a thread aqui tenha se polarizado entre quem romantiza o tal “eixo da resistência” e quem reduz tudo a uma defesa abstrata de soberania nacional. Nenhum dos lados parece disposto a encarar o fato de que esses regimes são, antes de tudo, máquinas de produção de desigualdades. bell hooks nos provocava a pensar sobre como o imperialismo se entrelaça com a supremacia branca e o patriarcado, e essa articulação fica escancarada quando lembramos que a Rússia de Putin financia e protege um Irã que enforca mulheres por “crimes morais”. Que tipo de soberania é essa que só pode se afirmar com o sangue de Mahsa Amini? O sargento que falou em “defender a pátria de verdade” parece não perceber que a pátria que ele idealiza é exatamente a mesma que silencia, estupra e mata mulheres cotidianamente – e que isso não é acidente de percurso, é projeto político.
A diplomacia dos hidrocarbonetos mencionada pelo Lucas Gomes é importante, mas fica incompleta sem a dimensão feminista. Petróleo e gás não são commodities neutras em gênero: sua extração e comercialização financiam aparatos militares que deslocam populações, aumentam a carga de trabalho não remunerado das mulheres durante crises econômicas e aprofundam a dependência de modelos desenvolvimentistas que ignoram o cuidado como eixo da vida. As sanções econômicas, outra obsessão geopolítica frequentemente aplaudida como ferramenta de pressão, atingem primeiro e com mais violência as mulheres pobres e racializadas, que são as últimas na fila do mercado de trabalho formal e as primeiras a perder acesso a alimentos e medicamentos. Interseccionalidade não é enfeite acadêmico: é instrumento para entender por que a guerra é sempre travada sobre corpos que não estão na mesa de negociação.
O comentário da Cíntia sobre o preço do pão captura algo essencial: a distância entre esses salões climatizados e a vida da maioria das pessoas não é só geográfica, é estrutural. Mas eu iria além do meme: o preço do pão tem gênero, raça e geopolítica. As mesmas estruturas que mandam chanceleres a São Petersburgo são as que mantêm mulheres negras brasileiras na base da pirâmide salarial, as que sustentam o encarceramento em massa e as que naturalizam a violência obstétrica. A aliança Irã-Rússia não é um desvio, é uma manifestação desse mesmo sistema global que organiza a morte. E enquanto não formos capazes de ler as relações internacionais com as lentes que Crenshaw e hooks nos ofereceram, continuaremos achando normal que homens brancos decidam o destino de milhões de mulheres sem nunca precisarem olhar para elas.
Cíntia Alves
30/04/2026
Toda vez que sai notícia de reunião de alto nível assim já preparo o estoque de memes do “e o que isso muda no preço do pão”, mas a thread aqui tá mais divertida que o artigo. No fim, enquanto os senhores da guerra brincam de geopolítica, quem paga é sempre a galera que só quer viver em paz.
Sargento Bruno
30/04/2026
Só rindo viu, a militância de boutique tenta lacrar falando em escravidão quando alguém defende soberania e disciplina. Defendem o indefensável no Irã e na Rússia mas atacam a própria história nacional com o fígado. Na caserna a gente aprendeu que pátria se defende de verdade, não com discursinho de DCE enquanto o país é rifado.
Lucas Gomes
30/04/2026
Enquanto a diplomacia dos hidrocarbonetos se desenrola em salões climatizados de São Petersburgo, a liturgia do “eixo da resistência” segue intoxicando a análise geopolítica com uma névoa de idealismo estratégico que não resiste a um olhar minimamente ecológico. É fundamental desmascarar o engodo: o que se celebra não é uma aliança contra a hegemonia ocidental em defesa dos povos, mas sim o pacto fáustico entre petroestados que instrumentalizam a retórica anti-imperialista para manter seu controle biopolítico sobre territórios e corpos, enquanto queimam o futuro da biosfera. A Rússia de Putin e o Irã dos aiatolás são, antes de tudo, máquinas de extração de carbono que transformam a dor social e a repressão interna em moeda de troca num tabuleiro esquizofrênico de poder. Eles não são a linha de frente contra o Norte Global; eles são, na prática, sua caricatura mais suja na periferia, replicando a mesma lógica de acumulação por espoliação que dizem combater.
O comentário do Major, com sua habitual apologia à ordem, ironicamente tropeça numa pista correta, ainda que pelas razões erradas: há de fato uma romantização tóxica por parte de certa esquerda canarinho que, cega pelo antiamericanismo pueril, terceiriza sua visão crítica para déspotas que enforcam ambientalistas, negam a emergência climática e esmagam a pluralidade étnica. Ora, se a queixa contra o capitalismo ocidental se baseia na sua pulsão ilimitada de devastar ecossistemas em nome do lucro, qual a diferença ontológica que nos oferece o modelo russo de extração no Ártico ou o modelo iraniano de sufocamento hídrico e desertificação causada por barragens e petroquímicas? Nenhuma. É o mesmo desenvolvimentismo fóssil-fascista com embalagem diferente. O colonialismo não se veste apenas de terno e gravata no FMI; ele também usa turbante ou gorro de pele, quando o que está em jogo é matar rios, deslocar povos indígenas e sonegar à humanidade a única transição energética que interessa: aquela que rompe com a servidão termodinâmica do petróleo.
A visita de Araghchi a Putin é um funeral simbólico da noção de justiça climática dentro da política externa do Sul Global. Enquanto se abraçam, o gelo siberiano derrete em taxas catastróficas, liberando metano que retroalimenta o colapso, e as mulheres iranianas seguem sendo espancadas por ousarem mostrar os cabelos sob um regime que consome 3 milhões de barris de petróleo por dia para sustentar sua máquina repressora. Insistir em uma geopolítica baseada em “blocos de poder” rivais, sejam eles do Ocidente ou do “Oriente contestador”, é perpetuar a metafísica bélica que ignora o único antagonista real que nos une como espécie: a crise ecológica. Não existe soberania nacional que sobreviva ao colapso dos sistemas de suporte à vida. A pauta da verdadeira independência não está passando por Moscou ou Teerã; está sendo tecida nas florestas por quem resiste ao agronegócio e ao neoextrativismo, esteja ele financiado por Wall Street ou pelo capital chinês.
Portanto, se queremos falar de resistência, que nos ocupemos da ecologia política dos povos originários, da luta contra o desmatamento na Pan-Amazônia e da descolonização do nosso imaginário energético. O resto é teatro para a plateia da Guerra Fria, um espetáculo triste protagonizado por gerontocracias que ainda acreditam que o controle do território e dos dutos significa poder, enquanto a própria Terra se torna uma entidade inóspita para a civilização.
Major Ricardo Silva
29/04/2026
Tudo não passa de mais um capítulo da aliança entre ditaduras que a esquerda tupiniquim insiste em romantizar. Enquanto essa turma aplaude regime teocrático e autocracia eslava, o trabalhador brasileiro enfrenta o caos da inflação e da insegurança jurídica. Ordem e soberania se constroem com valores firmes, não com conluios obscuros em São Petersburgo.
Marina Silva
29/04/2026
Valores firmes tipo os que sustentaram a escravidão e a ditadura militar tupiniquim, né Major, fala sério.
Mariana Santos
29/04/2026
O tal “eixo da resistência” é puro teatro imperialista de fantoches trocando de mãos. Enquanto isso, a classe trabalhadora iraniana enfrenta repressão brutal do regime teocrático e os lucros do petróleo irrigam a máquina de guerra russa que destrói cidades inteiras na Ucrânia. Aliança entre Estados não é sinônimo de solidariedade entre povos — é só mais um capítulo da velha diplomacia dos opressores.
Marta Souza
29/04/2026
Esse encontro é o retrato do fracasso da estatização das relações econômicas. Enquanto governo se abraça com governo, é o mercado livre que fica estrangulado por sanções, tarifas e blocos artificiais. Depois a turma reclama do preço do frete e do diesel, mas aplaude diplomacia de tapete vermelho entre dois Estados que controlam até o pensamento dos cidadãos.
Luizinho 16
29/04/2026
Mercado livre é o caramba, o capital destrói tudo que toca e você ainda lambe bota de corporação achando que tão te salvando.
Dr. Thiago Menezes
29/04/2026
A discussão toda parece um exercício de atribuição de causalidade sem nenhum dado que a sustente. Alguém aqui tem uma série histórica mostrando correlação entre encontros diplomáticos em São Petersburgo e variação no preço do diesel na bomba? Porque sem isso, o que resta é um bate-bola de narrativas que não passariam numa revisão por pares – e eu sou ateu inclusive de geopolítica de boteco, especialmente a que não vem com planilha.
Laura Silva
29/04/2026
O incômodo que salta de alguns comentários — essa sensação de que geopolítica é abstração de quem não sente o solavanco do ônibus — merece respeito, mas também convite à radicalização do olhar. A cisão entre “vida real” e “xadrez das potências” é, ela mesma, produto histórico da ideologia neoliberal, que fragmenta a experiência do trabalhador e turva a percepção de que o preço do diesel na bomba da esquina é, sim, capítulo tardio das disputas por dutos, estreitos e rotas de comércio que se desenrolam desde que o capitalismo entendeu que seu metabolismo depende do controle dos fluxos energéticos. O encontro entre o chanceler iraniano e Putin não é anedota de noticiário internacional — é um nó que aperta ou afrouxa, conforme o lado da corda, o pescoço de quem depende de transporte, de gás de cozinha e de uma política de preços da Petrobras desenhada em escritórios que nada têm de neutros.
A aproximação entre Teerã e Moscou não pode ser compreendida sem a moldura histórica da doutrina do cerco. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã foi submetido a sanções, sabotagens e tentativas de isolamento lideradas pelos Estados Unidos, que jamais engoliram a nacionalização do petróleo e a recusa de um alinhamento servil. A Rússia, por sua vez, desde o colapso da União Soviética, viveu a promessa de integração ao Ocidente como sócia menor, até descobrir que a OTAN não era clube de boas-vindas, mas pinça que avança sobre suas fronteiras. O que vemos agora é o alinhamento tático de dois Estados que, com contradições internas brutais e regimes que nenhum marxista romantiza, buscam furar o bloqueio de um sistema financeiro internacional cujo código-fonte é Wall Street. A guerra na Ucrânia acelerou essa costura: drones iranianos, cooperação militar, rotas alternativas para o gás — tudo isso reconfigura o mapa de poder e tensiona a hegemonia do dólar. Não se trata de torcida por ayatolás ou czares, mas de entender que, num mundo em transição hegemônica, cada real que falta no bolso do trabalhador está amarrado à guerra cambial, às sanções e à especulação sobre o petróleo que essas alianças ajudam a redefinir.
O erro de imaginar que o noticiário internacional é passatempo de elite fica evidente quando lembramos que, em 2018, o rompimento unilateral dos EUA com o acordo nuclear iraniano provocou sanções que reduziram a oferta global de petróleo e pressionaram as cotações internacionais — e o brasileiro sentiu esse terremoto nas bombas, porque a política de preços da Petrobras, alinhada ao mercado global, não pergunta se o motorista de aplicativo vai conseguir pagar o tanque. A alienação de que falava Paulo Freire — lembrada aqui com pertinência — não é apenas ignorância do nome dos ministros; é a internalização da ideia de que não há relação entre as decisões do alto escalão global e a vida do bairro, o que desarma qualquer projeto coletivo de enfrentamento. O neoliberalismo opera pedagogicamente para convencer que “a economia” é uma força natural, como a chuva, e que ao cidadão cabe só apertar o cinto. Quando alguém diz que geopolítica é conversa de butiquim, está involuntariamente repetindo o roteiro que os donos do poder escrevem para manter a maioria ocupada apenas com a sobrevivência imediata, sem vocabulário para nomear as estruturas que a comprimem.
Como marxista, insisto que a solidariedade de classe não pode parar na fronteira. Os trabalhadores iranianos que enfrentam a inflação galopante e a repressão do regime, os soldados russos enviados para uma guerra que não escolheram, os caminhoneiros brasileiros que veem o frete corroído — todos estão, em medidas distintas e com responsabilidades assimétricas, sob a mesma lógica de um sistema que precisa da guerra e da escassez para concentrar riqueza. Isso não significa igualar vítimas e algozes, mas reconhecer que o capital não tem pátria nem compaixão, e que qualquer aliança entre potências periféricas ou semiperiféricas que desafie a arquitetura financeira erguida em Bretton Woods deve ser analisada com seriedade, e não com desdém, pelos que estão na base da pirâmide. A multipolaridade que Irã e Rússia ensaiam não é, por si só, emancipatória — pode ser apenas uma troca de oligarquias —, mas rompe o consenso de que há um só caminho, uma só moeda, um só senhor. E essa rachadura no edifício do Ocidente abre espaço para que o Sul global, incluindo o Brasil, negocie em condições um pouco menos subalternas — ainda que os governantes de ocasião raramente aproveitem essa margem em favor dos de baixo.
O convite, portanto, é duplo. Primeiro, abandonar o ceticismo confortável que ridiculariza a política internacional como passatempo de quem não tem conta para pagar — porque essa conta, justamente, chega indexada ao dólar e aos humores dos gabinetes que decidem sanções e rotas de gasodutos. Segundo, e mais importante, não substituir a ignorância pelo engajamento acrítico, que só troca de bandeira mas mantém a mesma postura de torcida. É preciso olhar para São Petersburgo com os pés fincados no asfalto quente da periferia brasileira e perguntar, com honestidade histórica, a serviço de quem essas alianças se formam, que contradições carregam e que brechas abrem para que os povos, e não só os chanceleres, escrevam os próximos capítulos. O diesel subirá amanhã, sim — e é exatamente por isso que saber quem está reunido com quem, e por quê, não é luxo, é necessidade de quem quer deixar de ser objeto da história para se tornar sujeito dela.
Maria Silva
29/04/2026
A discussão aqui reflete bem o que vejo dentro da própria igreja: tem irmão demonizando qualquer entendimento entre nações e irmão dizendo que isso não vale nada. Nem oito nem oitenta — essas alianças pesam no nosso bolso, mas virar militante de geopolítica sem informação sólida só gera mais confusão. Como mãe eu quero é que o tanque não sangre meu orçamento, e pra isso bom senso vale mais que radicalismo de butiquim.
Ana Souza
29/04/2026
A Luciana toca num ponto real — a gente sai do noticiário e o diesel subiu, o ônibus quebrou, a vida não melhorou. Mas achar que geopolítica é conversa fiada também é perigoso, porque essas alianças entre Irã e Rússia respingam direto no preço do combustível e no custo de vida. O problema é que aqui virou briga de quem tem a análise mais sofisticada, enquanto faltam pontes pra traduzir isso em pressão concreta por políticas que aliviem o bolso do trabalhador.
João Carlos da Silva
29/04/2026
O desprezo pela geopolítica como papo de butiquim é a vitória pedagógica da alienação que Freire denunciava: quanto mais se naturaliza a ordem mundial, mais dócil se torna o sujeito diante do aumento do diesel ou do frete da soja. A coreografia entre o turbante e o czar é aula prática de hegemonia em reconfiguração – Gramsci entenderia o incômodo de quem prefere discutir só buraco e bomba.
Marcos Andrade Niterói
29/04/2026
A galera viaja em ayatolá e czar, mas aqui na ponta a realidade é concreta: enquanto o governo estadual larga Niterói às traças, Rodrigo Neves entregou o túnel Charitas-Cafubá e segue brigando pelo metrô sob a Baía. Essa turma que fica discutindo geopolítica de butiquim nunca pisou num canteiro de obras nem sabe o que é gestão de verdade.
Luciana Santos
29/04/2026
Todo mundo aqui discutindo ayatolá, czar e cruz, mas amanhã o diesel vai subir de novo e o buraco na pista continua lá. Essa conversa de geopolítica só serve pra encher noticiário enquanto o trabalhador toma prejuízo na bomba e no eixo do ônibus.
Mariana Costa
29/04/2026
Interessante como a notícia de um encontro diplomático virou palco para cada um projetar sua própria trincheira ideológica. Enquanto isso, o que está em jogo é um realinhamento de forças que afeta a Europa, o Oriente Médio e, por tabela, os custos logísticos que o Beto lembrou. Fugir do maniqueísmo talvez ajude a enxergar o quadro com mais nitidez.
Lucas Andrade
29/04/2026
É curioso como a thread rapidamente se transforma num bazar de ansiedades domésticas – da cruz ameaçada ao frete da soja – enquanto os gestores da violência soberana apenas ajustam sua logística de influência. A coreografia entre o turbante e o czar é a fala macia do poder que dispensa álibis; já nos oferecemos como plateia cúmplice ao reduzir o império ao preço da soja ou ao versículo mais rentável.
Beto Engenheiro
29/04/2026
Enquanto o pessoal fica aqui discutindo ayatolá, cruz e Marx, o que o Brasil precisa é de bitola larga, porto dragado e licença ambiental que não leve dez anos pra sair. Depois reclamam que o frete encarece e a soja não chega competitiva no mercado.
Ana Paula Conserva
29/04/2026
Enquanto alguns se empolgam com essa aliança entre Irã e Rússia, esquecem que são regimes que perseguem cristãos e pisoteiam a família tradicional. Prefiro uma nação sob a cruz a qualquer união de déspotas. Oremos para que o Brasil não se curve a esses ventos.
Mariana Ambiental
29/04/2026
A cruz que a senhora defende muitas vezes é a mesma que abençoa latifúndios que expulsam famílias inteiras do campo – e isso, sim, é pisar na família e na criação.
Ricardo Menezes
29/04/2026
E lá se vão os amigos do autoritarismo se abraçando de novo. A esquerda parasita adora esses exemplos de “soberania”, mas esquece que quem paga o pato é a população sufocada por impostos e falta de liberdade. Enquanto isso, aqui no Brasil, o governo inventa mais burocracia pra matar o setor produtivo.
Ana Karine Xavante
29/04/2026
Ricardo, a sua denúncia contra o autoritarismo esbarra numa contradição que o pensamento colonial nunca consegue resolver: ela só enxerga tirania quando os tiranos não são os de sempre. O encontro entre Rússia e Irã, que você desqualifica como abraço de ditadores, é também um movimento de sobrevivência de nações que há décadas têm suas soberanias reais sufocadas por sanções e intervenções ocidentais. E eu não preciso ser ingênua sobre os déficits democráticos desses regimes para perceber que o dedo acusador da sua “esquerda parasita” é seletivo: ele nunca aponta com a mesma indignação para as monarquias do Golfo que abastecem o capital financeiro global ou para os Estados que bombardearam o Oriente Médio em nome da liberdade. Como indígena, eu conheço essa tática de desumanizar o outro para justificar a dominação — é a mesma lógica que por séculos chamou nossos povos de bárbaros enquanto nos roubava a terra e nos impunha a civilização.
Você fala em “população sufocada por impostos e falta de liberdade”, mas me diga: liberdade para quê e para quem? No meu território, a liberdade que o seu setor produtivo reivindica é a liberdade de grilar, desmatar e contaminar rios, enquanto nós pagamos com a vida o preço de um desenvolvimento que nunca nos pertenceu. Os impostos que você amaldiçoa, quando não são drenados para pagar juros da dívida pública a uma minoria rentista, poderiam financiar saúde, educação e proteção ambiental. Só que o Estado brasileiro não foi projetado para servir ao povo — foi forjado no colonialismo para extrair e transferir riqueza. A sua revolta contra os tributos ignora que a verdadeira drenagem não está na mão do governo, mas nos lucros recordes de bancos e corporações que sonegam e levam embora o que é nosso, deixando para nós a precariedade e a violência.
E já que você menciona o Brasil, é curioso como a crítica à burocracia aparece despida de qualquer análise de poder. Qualquer tentativa de regular o capital — seja para frear o garimpo ilegal, seja para demarcar terras indígenas — é automaticamente rotulada de entrave ao “setor produtivo”. Mas a burocracia nunca incomoda quando serve aos interesses do agronegócio, quando agiliza processos de licenciamento ambiental que ignoram nossas consultas, quando operacionaliza a grilagem em cartórios pelo país. O que você chama de “falta de liberdade” é, para muitos de nós, a ausência de proteção estatal mínima contra aqueles que querem nos varrer do mapa. A soberania que a gente defende não é a dos palácios em Teerã ou Moscou — é a soberania ancestral sobre nossos corpos-territórios, violentada cotidianamente por um sistema que a sua defesa do “setor produtivo” sempre termina por absolver.
O problema, Ricardo, não é a existência do Estado ou dos impostos em si, mas a quem esse Estado obedece. Enquanto a estrutura for colonial e capitalista, ela vai asfixiar a maioria da população — e isso inclui você, trabalhador urbano que talvez também se sinta sufocado, mas que ainda não percebeu que o garrote não é a regulação, e sim a acumulação ilimitada que devora direitos, natureza e humanidade. Nós, povos originários, temos séculos de experiência em resistir a tiranias travestidas de progresso. E se há algo que aprendemos é que gritar por liberdade enquanto se defende o mesmo modelo que a aniquila é apenas reforçar a cela.
Carlos Oliveira
29/04/2026
Ricardo, o senhor fala em falta de liberdade e sufoco fiscal, mas não menciona que 1% dos proprietários rurais controlam quase metade das terras no Brasil — e são justamente eles que mais se beneficiam de isenções e subsídios enquanto o pequeno produtor se afoga em burocracia e juros. A aliança entre Rússia e Irã pode ser questionável em muitos aspectos, mas reduzir a geopolítica a um Fla-Flu moral sem olhar para as estruturas de poder que oprimem os povos é o mesmo erro que se comete aqui quando se demoniza o Estado sem tocar nos privilégios do topo.
João Augusto
29/04/2026
Sua noção de liberdade, Ricardo, parece refém daquilo que Marx descreveria como o estreito horizonte do direito burguês: ela enxerga coerção apenas no Estado e ignora as formas muito mais capilares de dominação que operam na sociedade civil – justamente aquelas que Walter Benjamin nos lembra estarem sempre a serviço da história oficial dos vencedores, onde a burocracia que o senhor condena é a mesma que sustenta a concentração de riqueza nas mãos de poucos.
Ronaldo Pereira
29/04/2026
Enquanto você chora a “falta de liberdade” dos patrões, a classe trabalhadora sabe que a verdadeira burocracia é a blindagem que o Estado dá ao capital: na fábrica, o patrão chama de “burocracia” a CLT que garante descanso semanal, mas é ligeiro pra embolsar subsídio do BNDES.