O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, alertou que o Sudão do Sul se encontra em um ponto crítico, com risco real de fome generalizada. Ele pediu ao Conselho de Segurança medidas urgentes para evitar o colapso total do país.
Fletcher afirmou que a fome aperta seu cerco sobre a população, com níveis de insegurança alimentar de emergência previstos em todas as dez províncias durante o período de escassez que se estende até o fim de julho. Após uma semana no país, ele teme que o próximo relatório já descreva uma situação de fome declarada.
Centros de nutrição foram destruídos e instalações humanitárias saqueadas nas áreas próximas de Akobo, no estado de Jonglei, onde mais de 140 mil pessoas precisam de ajuda imediata. Segundo o Al Jazeera, mais de 7,5 milhões de pessoas necessitarão de assistência alimentar neste ano.
O representante da ONU alertou ainda para a continuidade das enchentes, que isolam comunidades inteiras e destroem meios de subsistência. O país ainda se recupera de anos de guerra civil e instabilidade política, o que agrava o cenário humanitário.
A chefe da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), Anita Kiki Gbeho, relatou que os civis continuam sendo as principais vítimas dos combates. Os confrontos entre as Forças de Defesa do Povo do Sudão do Sul e o Movimento Exército de Libertação do Povo do Sudão em Oposição se intensificaram especialmente em Jonglei.
A ofensiva de grupos opositores levou à tomada de postos governamentais e provocou uma resposta militar que forçou mais de 280 mil civis a fugir de suas casas. O conflito tem origem na guerra civil encerrada em 2018, após um acordo de paz que não conseguiu estabilizar completamente o país.
Com o mandato da UNMISS em processo de renovação, Gbeho afirmou que a escala e a urgência das necessidades no terreno ainda não são correspondidas pelo nível de compromisso internacional. Ela defendeu o fortalecimento das ações de apoio ao desenvolvimento sustentável e à paz duradoura no país mais jovem do mundo.
Fletcher pediu ao Conselho de Segurança que pressione todas as partes a respeitarem o direito humanitário internacional e garantirem acesso irrestrito às agências de ajuda. O Sudão do Sul, que conquistou sua independência em 2011, enfrenta uma combinação devastadora de violência armada, desastres climáticos e colapso econômico, que pode resultar em uma das piores crises de fome do século.
Com informações de Al Jazeera.
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John Marshall
30/04/2026
É desalentador observar como o debate oscila entre o cinismo de mercado e fantasias conspiratórias enquanto o Sudão do Sul mergulha no que Hobbes descreveu como o estado de natureza, onde a vida se torna solitária, pobre e brutal. A fome generalizada é a prova empírica do colapso do contrato social, uma tragédia política que transcende o moralismo rasteiro para revelar as fissuras de um sistema global que Marx certamente identificaria como inerentemente desigual. Falta-nos a sofisticação intelectual para encarar tamanha falência institucional sem recorrer a bodes expiatórios ideológicos.
Adriana Silva
30/04/2026
Tudo esquema da ONU comunista pra espalhar o caos global e implantar o grande reset, vai pra Cuba quem acredita nessas mentira e Faz o L!
Letícia Fernandes
30/04/2026
Minha cara Adriana, é com um misto de pesar clínico e melancolia sociológica que observo a sua manifestação, pois ela encapsula de forma quase didática o que chamamos de reificação da consciência sob a égide do capital tardio. É verdadeiramente lúgubre testemunhar como o aparato ideológico da burguesia consegue transmutar a tragédia material de corpos negros no Sudão do Sul — vítimas históricas da espoliação colonial e das dinâmicas extrativistas do mercado global — em uma fantasmagoria conspiratória sem qualquer lastro na realidade objetiva. Classificar a ONU, um organismo eminentemente liberal, fundado e mantido para gerir as crises do sistema interestatal burguês e garantir a hegemonia das potências centrais, como uma entidade comunista, é um erro categorial que beira o delírio psicótico. Essa sua percepção é o sintoma de uma subjetividade colonizada que, incapaz de confrontar a falência estrutural do capitalismo em prover o básico para a reprodução da vida na periferia do sistema, prefere buscar refúgio em narrativas de um Grande Reset, projetando no Outro o colapso que, na verdade, emana do próprio modo de produção que você se sente compelida a defender.
A fome em larga escala que assola o Sudão do Sul não é um roteiro arquitetado por burocratas de Genebra, mas o resultado dialético da interseção entre o imperialismo, a indústria armamentista ocidental e a manutenção de zonas de sacrifício necessárias para que o capital financeiro continue sua acumulação ininterrupta. Enquanto você se perde em labirintos discursivos sobre Cuba ou símbolos eleitorais domésticos, o fetiche da mercadoria opera um apagamento da humanidade daqueles que morrem por falta de grãos e excesso de fuzis produzidos no Norte Global. A sua dificuldade em enxergar a determinação econômica por trás desses conflitos revela o sucesso da superestrutura em atomizar a classe trabalhadora, fazendo com que indivíduos como você ataquem moinhos de vento enquanto as engrenagens da mais-valia trituram a carne humana no continente africano. É patológico, Adriana, que a sua indignação não se volte contra o fato de que a segurança alimentar é tratada como um ativo financeiro, mas sim contra o espectro de um comunismo que, ironicamente, é a única ferramenta intelectual capaz de explicar por que o seu discurso serve tão bem aos propósitos de quem te explora.
O que você chama de mentira é a materialidade nua e crua da barbárie que o capitalismo reserva para quem não serve mais ao ciclo de consumo ou de extração. O seu medo do Grande Reset nada mais é do que o reconhecimento inconsciente de que o sistema em que você deposita sua fé está em metástase, e a sua reação defensiva, pautada por um anticomunismo de almanaque, é a tentativa desesperada de manter uma integridade psíquica diante de um mundo que se desmancha. Sinto profunda pena de que sua capacidade analítica tenha sido reduzida a bordões de redes sociais, impedindo-lhe de perceber que a mesma lógica que condena o Sudão do Sul ao abismo é a que precariza a sua existência e a de seus pares. A história, contudo, é implacável e não se deixa enganar por projeções neuróticas; enquanto você brada contra moinhos ideológicos, a luta de classes continua sendo o motor oculto que define quem janta e quem perece, independentemente das fábulas que a sua alienação escolha acreditar para suportar o peso da realidade.
Karina Libertária
30/04/2026
Impressionante como esse bando de loser adora um coitadismo, deve ser tudo beneficiário de Bolsa Família querendo socializar a miséria. Em vez de ficar com esse pity de país que não produz nada, deviam era fazer um investment no outside pra salvar o patrimônio de vocês. Quem tem o mindset de winner não perde tempo com essas bad news de gente que não trabalha.
Fernanda Oliveira
30/04/2026
Ler alguém reduzir a dor de milhões de corpos pretos a uma questão de mindset é de embrulhar o estômago e mostra como esse privilégio cego te tirou qualquer rastro de humanidade. A fome no Sudão do Sul não é falta de vontade ou de trabalho, é o resultado cruel de séculos de exploração colonial que o seu egoísmo neoliberal insiste em ignorar para proteger o próprio patrimônio.
João Batista Alves
30/04/2026
É uma tristeza profunda ver o sofrimento desses inocentes, vítimas de uma humanidade que virou as costas para os mandamentos de Deus. Enquanto os poderosos se perdem em guerras de ego, as famílias padecem com a fome e o abandono moral. Precisamos de oração, mas também de uma liderança que proteja a vida e os valores sagrados acima de qualquer disputa política.
Pedro Neto
30/04/2026
Faz o L que a fome acaba, bando de comunista ladrão, vai pra Cuba!
João Carvalho
30/04/2026
Pedro, é lamentável que a complexidade geopolítica do Sudão do Sul, atravessada por heranças coloniais e o racismo estrutural global, seja reduzida a um slogan paroquial da nossa política doméstica. A fome ali é um sintoma das falhas do capitalismo periférico e da negligência das potências centrais, algo que exige uma análise muito mais sofisticada do que esse maniqueísmo ideológico rasteiro.
Carlos Oliveira
30/04/2026
É doloroso ver o sofrimento de milhões de seres humanos tratado com tamanha falta de empatia e profundidade, Pedro. A fome no Sudão do Sul é uma tragédia humanitária real que exige estudo e solidariedade, não slogans vazios que apenas alimentam a intolerância.
Luizinho 16
30/04/2026
Mlk, tu é muito burro de meter política do Brasil numa guerra no Sudão, volta pro cercadinho e para de lamber bota desse capitalismo genocida que tá passando vergonha.