A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, anunciou um acordo com o setor financeiro para reduzir as comissões cobradas em pagamentos de gasolina e diésel feitos com cartões e vales.
A medida foi firmada com a Associação de Bancos do México e a Associação de Sociedades de Vales. Terá vigência de 1º de maio até 31 de outubro de 2026.
As comissões cairão 0,45 por cento nos pagamentos com cartão de débito e 1 por cento nos de crédito. As transações com vales terão redução de 1,10 pesos, conforme detalhou o portal Regeneración.
Sheinbaum afirmou que o objetivo é evitar aumentos nos preços dos combustíveis e abrir espaço para possíveis reduções adicionais. A presidenta descreveu a ação como resultado da cooperação entre autoridades e entidades privadas.
O secretário de Hacienda e Crédito Público, Édgar Amador Zamora, coordenou o acordo junto ao Banco do México. Ele explicou que os postos de combustíveis pagarão menos para aceitar pagamentos digitais e repassarão a economia aos consumidores.
Amador Zamora detalhou que o desconto representa corte de até 80 por cento nas tarifas cobradas por bancos e empresas de vales. O governo busca reduzir gradualmente o uso de dinheiro em espécie nas gasolineras para aumentar a transparência nas transações.
O presidente da Associação de Bancos do México, Emilio Romano Mussali, manifestou apoio do setor bancário às políticas do governo. Romano Mussali afirmou que a redução é a primeira etapa de um plano para eliminar o dinheiro físico nas compras de combustíveis.
Representantes da Comissão Nacional Bancária e de Valores participaram da cerimônia de assinatura ao lado de membros da ASEVAL. As empresas Edenred México, Sí Vale, Toka Internacional e Efectivale enviaram delegações para o evento.
Sheinbaum prometeu continuar o diálogo com donos de postos e com o setor energético para ampliar os cortes, especialmente no preço do diésel. A presidenta destacou a relevância da estabilidade dos combustíveis para o transporte e a logística no país.
A iniciativa integra esforços de controle de custos de energia e modernização dos meios de pagamento. O acordo reforça a interação entre o governo mexicano, instituições financeiras e empresas emissoras de vales.
Leia também: Sheinbaum fecha acordo com setor de combustíveis para limitar preço do diesel a 28 pesos
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Renata Oliveira
30/04/2026
Eduardo C., você toca num ponto importante. A redução de comissão é um alívio, mas precisamos ver se não vão maquiar de outro jeito. Aqui no Brasil a gente sabe como é: prometem baixar uma taxa e sobem outra. Tomara que no México eles fiscalizem direitinho, porque o povo já paga caro demais no combustível.
Eduardo C.
30/04/2026
Renato Professor, sua análise faz sentido, mas cadê os números? Reduzir comissão é um passo, mas se a margem dos bancos cair, eles vão empurrar o custo pra outro lado. Quero ver o impacto real no bolso do mexicano médio depois de três meses.
Renato Professor
30/04/2026
Adalberto, você está confundindo alhos com bugalhos. A gasolina no México é cara por décadas de monopólio da Pemex e má gestão, não por “socialismo”. A Sheinbaum está fazendo exatamente o que um Estado regulador deveria fazer: usar o poder de barganha do governo para reduzir a taxa de exploração bancária sobre o consumo popular. Isso se chama economia política, não ideologia.
Adalberto Livre
30/04/2026
ISSO É MAIS UMA MENTIRA DESSE SITE COMUNISTA! NO MÉXICO A GASOLINA É CARA POR CAUSA DO GOVERNO SOCIALISTA DELES, NÃO DOS BANCOS! AQUI NO BRASIL O LULA TAMBÉM QUER ENGANAR O POVO COM ESSAS HISTÓRIAS DE NEGOCIAR COM BANCO, MAS NO FIM QUEM PAGA É O TRABALHADOR!
Cláudio Ribeiro
30/04/2026
Adalberto, seu comentário confunde estrutura com conjuntura: o problema não é “socialismo” ou “comunismo”, mas a captura do Estado pelo capital financeiro, fenômeno que Gramsci já diagnosticava como hegemonia burguesa. No México, a medida de Sheinbaum enfrenta exatamente isso — e chamar de mentira sem examinar os dados é repetir o discurso que mantém o trabalhador refém da mesma lógica que você critica.
Maria Silva
30/04/2026
João Carlos, é exatamente isso que me preocupa. Aqui no Brasil a gente vê um monte de promessa de campanha, mas na hora de sentar com os bancos e aliviar o bolso do trabalhador, parece que ninguém se mexe. Sou evangélica e acredito que governar é servir ao povo, não ficar de braços cruzados enquanto as taxas comem o dinheiro de quem trabalha honestamente.
Caio Vieira
30/04/2026
Prezados leitores e leitoras deste espaço de debate, permitam-me adentrar a conversa com a perspectiva de quem há décadas observa as engrenagens do capitalismo periférico. A notícia sobre a decisão da presidenta Sheinbaum de reduzir as comissões bancárias sobre pagamentos de combustíveis no México me soa como um raro e bem-vindo sopro de realpolitik em meio à hegemonia financeira. Não se trata, evidentemente, de um gesto filantrópico do setor bancário, mas sim de uma demonstração de que o Estado, quando assume uma postura ativa na regulação dos fluxos econômicos, pode sim arrancar concessões do que Braudel chamaria de “capitalismo financeiro” em sua camada mais especulativa. É a velha dialética entre o poder político e o poder econômico, onde a correlação de forças, nesse caso, pendeu momentaneamente para o lado dos que dependem do transporte para viver.
Vejo que o comentário do Major Ricardo Silva ecoa um certo desencanto com a política brasileira, mas me parece incorrer em um equívoco analítico grave ao equiparar a ação regulatória mexicana a um suposto “populismo fiscal”. Ora, caro Major, a questão não é aumentar ou diminuir imposto de forma abstrata, mas sim disputar a mais-valia que o sistema financeiro extrai do trabalho de milhões de motoristas e pequenos empreendedores. A medida de Sheinbaum não é uma cortesia; é uma intervenção na circulação do capital que historicamente favorece os rentistas. No Brasil, a ausência de um pacto similar revela a força do que Gramsci denominou de “hegemonia do capital financeiro”, onde os interesses dos bancos são naturalizados como se fossem os interesses de toda a nação. Enquanto isso, o trabalhador de aplicativo, como bem lembrou a Ana Rodrigues, continua refém de uma taxa que é, na prática, um tributo privado sobre a sua subsistência.
Não posso deixar de notar a perspicácia do João Carlos da Silva em sua primeira intervenção, ao criticar o “empreendedorismo de si mesmo”. De fato, a solução individualista, seja investir em criptomoedas ou “negociar com o banco” como um Davi contra Golias, é uma armadilha ideológica do neoliberalismo tardio. A saída não está na capacidade de cada um de barganhar com o gerente, mas na construção de uma solidariedade de classe que pressione o Estado a regular o mercado. A redução das comissões no México é um exemplo concreto de que a política pode, sim, desmercantilizar uma necessidade básica. É o que os antigos romanos chamariam de salus publica – a saúde pública – sobrepondo-se ao lucrum privatum. Nossas lutas empreendedoras do povo brasileiro precisam mirar exemplos como este, saindo da resignação e exigindo que o Estado atue como mediador, e não como mero espectador da sangria financeira que corrói a renda do trabalhador.
João Carlos Silva
30/04/2026
Ana Rodrigues, é isso aí mesmo. Aqui em São Paulo a gente paga a bandeira vermelha e ainda vem a taxa da maquininha por cima. Se no México tão conseguindo negociar com banco, por que aqui não tentam um acordo parecido? Ia ajudar demais quem vive de corrida por aplicativo.
Ana Rodrigues
30/04/2026
Pô, aqui em Curitiba a gasolina já comeu metade do meu lucro da semana. Essa medida aí no México pelo menos mostra que dá pra negociar com banco, coisa que aqui no Brasil parece que nem tentam. Enquanto isso, a gente fica refém de bandeira vermelha e taxa de cartão que não acaba mais.
Major Ricardo Silva
30/04/2026
Marcus Almeida, você acha que negociar com banco resolve? Isso é cortesia que eles mesmos devolveriam mais cedo ou mais tarde. Enquanto isso, no Brasil, o PT e o PCdoB só sabem aumentar imposto e encher o bolso de sindicalista. Esquerda é tudo igual: promete alívio, mas a conta sempre sobra pro cidadão de bem.
Pedro Almeida
30/04/2026
Major Ricardo, seu diagnóstico repete o velho bordão liberal que confunde regulação estatal com populismo fiscal. Negociar com bancos não é cortesia, é reconhecer que o sistema financeiro nunca foi neutro — como demonstrou Braudel ao analisar o capitalismo, o lucro excessivo nas intermediações é extraído justamente onde o Estado recua. Enquanto isso, o Brasil não aumenta imposto por sadismo, mas porque desmontou a capacidade de tributar grandes fortunas e lucros financeiros, legado que seu “cidadão de bem” defendeu nos governos Temer e Bolsonaro.
Rodrigo RedPill
30/04/2026
Marcus Almeida, você realmente acha que negociar com banco resolve alguma coisa? Isso é só migalha pra enganar trouxa. Enquanto isso, no Brasil, se o povo parasse de votar em esquerdista e aprendesse a investir em cripto e renda variável, não tava chorando por gasolina. Mas cada um colhe o que planta, né?
João Carlos da Silva
30/04/2026
Rodrigo, sua análise troca o problema estrutural (concentração de renda via sistema financeiro) por uma solução individualista típica do empreendedorismo de si mesmo que Foucault já identificava como técnica neoliberal de governo. Investir em cripto não elimina a assimetria de poder que permite aos bancos extrair renda da gasolina; apenas desloca o risco para o indivíduo.
Marcus Almeida
30/04/2026
Enquanto isso, no Brasil, a gasolina não para de subir e o governo só sabe aumentar imposto. Sheinbaum ao menos negocia com os bancos em vez de criar mais taxas escondidas. Esquerda mexicana ainda é melhor que essa palhaçada que chamam de governo aqui.
John Marshall
30/04/2026
Julia, você tocou num ponto central. A esquerda latino-americana sempre foi boa em nacionalizar recursos e expandir direitos sociais, mas tratou o sistema financeiro como se fosse um mero prestador de serviços neutro. Sheinbaum, ao negociar diretamente a margem de lucro dos bancos num setor tão sensível quanto o de combustíveis, está fazendo algo que nem Lula nem Evo Morales ousaram: intervir na circulação do capital financeiro, não apenas na produção. É uma jogada que Hobbes entenderia — o Leviatã lembrando aos intermediários que sua existência é concessão, não direito natural. O diabo, claro, estará nos detalhes da implementação. Mas o gesto tem mais densidade política do que parece.
Julia Andrade
30/04/2026
Célia, não é derrotismo, é que a gente já viu esse filme umas cem vezes. Mas vamos ao que interessa: a medida da Sheinbaum é interessante justamente porque mexe num ponto cego das políticas de esquerda na América Latina, que é a regulação do sistema financeiro. Normalmente, governos progressistas preferem enfrentar abertamente os bancos com nacionalizações ou controles de preços brutos, o que gera crises de credibilidade e fuga de capitais. O que ela fez foi sentar à mesa e negociar uma redução de comissões dentro do próprio ecossistema de pagamentos, usando o poder de barganha do Estado como maior comprador de combustíveis do país. É uma tática mais sutil, de regulação por dentro do sistema, e não por fora.
O ponto cego, claro, é o que a Maria Antonia levantou: bancos dificilmente deixam de lucrar. Eles podem compensar essa perda com taxas de administração de vale-combustível, aumento de anuidades de cartão corporativo ou até com spreads maiores em operações de crédito para postos. A diferença é que, ao tornar o acordo público e vinculá-lo a uma meta de inflação de combustíveis, Sheinbaum cria um accountability político que não existia antes. Se os bancos tentarem desviar, a opinião pública vai saber exatamente quem está furando o acordo. No Brasil, a gente nunca viu um governo federal fazer isso com a mesma transparência — aqui a gasolina sobe e o discurso oficial é sempre culpa do dólar, do petróleo internacional, da guerra na Ucrânia, nunca dos 3% de spread que os bancos embolsam em cada litro.
Outra camada que acho que passou batida nos comentários é a dimensão de gênero dessa política. Sheinbaum é uma cientista política formada em energia e meio ambiente, e está aplicando uma lógica de governança que foge do populismo clássico masculino de “baixar o preço na canetada”. Ela está fazendo uma engenharia institucional: reduzir comissões não é um cheque em branco, é um ajuste fino na cadeia de valor dos combustíveis. É um tipo de política que exige paciência e dados, não tapinha nas costas. Enquanto isso, no Brasil, a gente tem um governo que anuncia redução de imposto federal e depois vê os estados compensarem com aumento de ICMS, e o consumidor final nunca sente diferença. Talvez o problema não seja só a vontade política, mas a falta de uma cultura de regulação setorial como a que Sheinbaum está tentando construir.
Por fim, acho que o Capitão Tavares erra ao chamar isso de teatrinho. Teatrinho é prometer reforma tributária e não fazer, é criar programa social e cortar no ano seguinte. O que ela fez foi um acordo setorial com prazo e métrica. Se não funcionar, aí sim a crítica será justa. Mas condenar antes de ver os dados de implementação é o mesmo cinismo que a direita brasileira usa para chamar qualquer política pública de “eleitoreira”. Vamos esperar os números do primeiro semestre de 2025 no México antes de decretar o fracasso.
Maria Antonia
30/04/2026
Reduzir comissão é bom, mas acordo negociado com banco nunca sai de graça. Daqui a pouco eles inventam uma taxa de segurança ambiental ou de processamento noturno e o consumidor paga o dobro. No Brasil a gente sabe bem como funciona: estado e mercado se acertam nos bastidores e quem abastece financia a festa.
Célia Carmo
30/04/2026
Maria Antonia, tu já acordou derrotade, é? #VaiLamberBotaDeBanqueiro
Capitão Tavares 🇧🇷
30/04/2026
Mais um teatrinho de esquerda. Enquanto isso, aqui no Brasil a gasolina só sobe e o povo paga a conta de um governo que não tem coragem de enfrentar os bancos. No México a “presidenta” faz média, mas no fundo é tudo a mesma enganação. O país precisa de ordem, não de discurso bonito.
Augusto Silva
30/04/2026
Capitão, “teatrinho de esquerda” é o nome que se dá quando um governo reduz a margem de lucro dos bancos em vez de aumentar imposto disfarçado de taxa — coisa que por aqui a gente vê todo santo dia com a gasolina batendo recorde e ninguém senta à mesa com o sistema financeiro. Ordem sem coragem de regular oligopólio é só servidão voluntária.
Ana Souza
30/04/2026
O Rodrigo levantou um ponto justo: a grande questão é se essa redução chega de fato ao bolso do consumidor ou se os bancos compensam em outras tarifas. Como jornalista, gostaria de ver os dados de acompanhamento dessa política nos próximos meses no México — só assim saberemos se é medida real ou marketing.
Luiz Carlos
30/04/2026
Aqui no Brasil, se o governo tentasse fazer um acordo desses, os bancos já estavam chorando no STF. Imposto alto a gente paga, mas taxa de cartão é outro roubo. Pelo menos no México tão tentando aliviar pro povo.
Maria Aparecida
30/04/2026
Luiz Carlos, é exatamente isso: enquanto aqui os bancos têm poder de vetar qualquer medida popular, lá no México a presidenta mostrou que o Estado pode sim regular o mercado em favor do povo. A pergunta que fica é: até quando vamos aceitar que o lucro dos acionistas valha mais que o prato de comida e o tanque do trabalhador?
Paulo Gestor RJ
30/04/2026
Rodrigo Meireles, você tocou no ponto central: no fundo, é uma engenharia de custos. Se o governo mexicano conseguiu sentar com o setor financeiro e tabelar uma margem menor, é um avanço de gestão, mas a pergunta que fica é quem vai pagar a conta no fim do mês. Aqui no Rio, a gente sabe que obra faraônica sem estudo de impacto fiscal vira dor de cabeça; tomara que eles tenham feito a lição de casa direito.
Rodrigo Meireles
30/04/2026
Reduzir comissão de cartão em combustível é uma medida que soa bem no discurso, mas o efeito real depende de quem repassa esse custo. Se os bancos absorverem a margem, beleza; se repassarem em outras tarifas, é só trocar a mão que aperta o bolso do consumidor. No frigir dos ovos, o que importa é se o preço na bomba vai cair de fato.
Marina Silva
30/04/2026
Enquanto isso aqui no Brasil a gasolina só aumenta e os banqueiros continuam lucrando com cada centavo do suor do povo.
Maura Santos
30/04/2026
Gente, a Marta Souza aí nos comentários deve achar que o México é uma extensão da Faria Lima. Reduzir comissão de cartão em gasolina é o básico do básico pra aliviar o bolso do povo que já paga cada vez mais caro pra encher o tanque. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente viu o que acontece quando a extrema-direita assume: apagão, desmonte e aumento de tarifa. Sheinbaum tá fazendo o dever de casa, sim.
Marta Souza
30/04/2026
Ah, João, lindo ver você citando Stigler pra tentar dar um verniz acadêmico a essa intervençãozinha populista. A teoria da captura regulatória é justamente o que vai acontecer: o governo mexicano agora “negocia” com bancos, amanhã eles aumentam a taxa de juros do rotativo pra compensar, e quem paga é o consumidor final. Enquanto isso, o mercado livre resolveria isso com concorrência de verdade, não com canetada.
Jeferson da Silva
30/04/2026
Marta, com todo respeito, você nunca pisou numa fábrica pra ver o que é “mercado livre” de verdade. Lá no chão de fábrica, concorrência de verdade é o patrão cortar direito e horário de almoço enquanto o lucro dos banqueiros só aumenta. Essa conversa de “mercado resolve” é o mesmo papo que ouvi quando terceirizaram metade do setor e jogaram colega nosso na informalidade.
Marta
30/04/2026
Ai, meu Deus do céu, olha o Carlos Meirelles aqui querendo dar lição de economia. Menino, pelo amor, você acha mesmo que reduzir comissão de cartão de crédito é “cortesia eleitoreira”? Vai estudar um pouco de história mexicana, que eu vou te dar uma aula grátis: o México sempre foi um laboratório de políticas neoliberais desde os anos 80, com o Salinas e o Zedillo abrindo as portas pros bancos estrangeiros. O resultado foi uma concentração financeira absurda, que cobrava comissões de 5% a 8% em cada transação de gasolina, enquanto o povo se virava nos trinta. A Sheinbaum, que é uma mulher de esquerda formada na UNAM, está simplesmente corrigindo uma distorção histórica que beneficiava banqueiro em detrimento do trabalhador que precisa abastecer o carro pra ir pra obra.
E olha, o Lucas Alves já respondeu muito bem ao Tonho ali em cima, mas vou complementar: essa história de “mão invisível do mercado” é a maior lorota que já inventaram pra justificar exploração. O setor financeiro mexicano é um oligopólio de quatro bancos que controlam 80% do mercado. Eles nunca iam baixar as taxas por conta própria porque não tem concorrência de verdade, é cartel puro. A Sheinbaum fez o que qualquer governo minimamente responsável faria: chamou os banqueiros pra mesa e disse “ou vocês reduzem as comissões voluntariamente, ou a gente regula por decreto”. Isso não é comunismo, é bom senso. É o mesmo que a gente viu no Brasil com o Lula reduzindo juros do cartão de crédito em 2023 — o mercado esperneou, mas no fim o povo foi beneficiado.
O que me entristece, viu, é ver comentarista brasileiro criticando uma medida que claramente favorece a classe trabalhadora mexicana. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente tem um governo que ainda não conseguiu enfrentar de verdade o poder dos bancos, que continuam lucrando horrores com taxas abusivas. Mas isso é assunto pra outro dia. O importante é reconhecer que a Sheinbaum está mostrando que é possível sim governar para o povo, e não para o mercado. E vocês, meninos, ao invés de ficarem repetindo discurso de coach e de liberal de internet, deveriam prestar atenção no que tá dando certo lá fora. A história não perdoa quem fica do lado errado, e o lado errado é sempre o do banqueiro que quer sugar até o último centavo do trabalhador.
Carlos Meirelles
30/04/2026
Tonho, a turma aqui tá emocionada com essa medida, mas você sabe que é só cortesia eleitoreira. O governo mexe nas comissões agora e depois sobe imposto em outra ponta pra compensar — o contribuinte sempre paga a conta.
João Carvalho
30/04/2026
Carlos, você levanta um ponto importante sobre a captura regulatória, mas acho que subestima o fato de que a redução de comissões não é uma troca fiscal, e sim uma intervenção direta na margem de lucro de intermediários financeiros — algo que a teoria da regulação de Stigler mostraria como raro justamente porque os bancos costumam ditar as regras. Se a medida for sustentada por uma política antitruste robusta, ela pode sim transferir renda das financeiras para o consumidor sem precisar de compensação tributária.
Celio Fazendeiro
30/04/2026
Tonho, você é um caso perdido. Essa medida é ótima pra população mexicana, que sofre com essas taxas abusivas. Enquanto isso, aqui no Brasil o governo só pensa em proteger banqueiro e agronegócio, não reduz comissão de nada. Para de repetir discurso de coach quântico e lê um livro de economia de verdade.
Lucas Alves
30/04/2026
Ah, Tonho, a cartilha é sempre a mesma: qualquer intervenção que não seja a mão invisível do mercado é “comunismo”. Reduzir comissão abusiva de cartão é o mínimo, não um plano quinquenal. Se o livre mercado fosse tão eficiente assim, as taxas já teriam caído por conta própria, mas aí a gente sabe que a concorrência perfeita existe só nos livros de introdução à economia.
Ahmed El-Sayed
30/04/2026
Tonho, o problema não é a medida em si, é o espírito por trás dela. Um Estado laico que regula preços sem nenhum referencial moral acaba virando um balcão de interesses. No Islã, a justiça econômica vem da Sharia, não de tecnocratas seculares. Reduzir comissão é paliativo; o que precisamos é de um sistema que honre a tradição e a dignidade do trabalhador, não essa engenharia social sem alma.
Carmem Souza
30/04/2026
Tonho, meu irmão, calma. Reduzir comissão abusiva não é comunismo, é justiça básica. O Estado tem sim o dever de proteger o cidadão de práticas predatórias, assim como a Bíblia nos ensina a defender o órfão e a viúva. Agora, se o mercado fosse tão virtuoso assim, não precisaria de tanto lucro em cima do suor do povo.
Tonho Patriota
30/04/2026
FAZ O L! Essa Sheinbaum é mais uma comunista querendo controlar até o preço da gasolina! No Brasil o Lula também tá metendo a mão nos combustíveis e a culpa é toda dele!
Lucas Pinto
30/04/2026
Tonho, seu comentário é um primor de tautologia reacionária: “comunista querendo controlar o preço” funciona como um selo que você coloca em qualquer ação estatal que não seja a de entregar os recursos nacionais para a iniciativa privada extrair lucro sem mediação. Mas vamos ao que interessa: chamar a Sheinbaum de comunista por reduzir comissões de gasolina revela uma compreensão tão rasa de economia política quanto a de quem acha que tabelar preço de pão na padaria é stalinismo. O que ela está fazendo é exatamente o que o Estado burguês faz quando precisa conter a crise de legitimidade do capital: intervir na circulação para evitar que a carestia desemboque em convulsão social. Isso não é comunismo, é gestão keynesiana de um oligopólio — coisa que o próprio Milton Friedman aceitaria se o custo político fosse alto demais.
Você puxa o Lula como espantalho, mas ignora que o Brasil já teve uma política de preços de combustíveis atrelada ao dólar e ao mercado internacional — a tal “paridade de importação” — que quebrou a Petrobras e entregou o controle do mercado interno a traders estrangeiros. Quando Lula ou qualquer governo tenta descolar o preço interno do externo, não está “metendo a mão” por capricho ideológico; está tentando recuperar um mínimo de soberania energética que o neoliberalismo dos anos 1990 destruiu. O que você chama de “controle comunista” é, na verdade, a tentativa de um Estado periférico de não ser completamente refém da volatilidade do petróleo e da ganância de meia dúzia de acionistas.
Seu grito de “FAZ O L” é o mesmo que o conservador mexicano grita “comunismo” para qualquer regulação. É o discurso que naturaliza a exploração como se fosse ordem espontânea. Sheinbaum não está socializando os meios de produção — ela está ajustando a taxa de lucro de um setor concentrado para evitar que a inflação de combustíveis corroa o salário do trabalhador que precisa do carro ou do transporte público para viver. Se isso é comunismo, então o New Deal de Roosevelt e a política de preços máximos de Nixon também foram. Gramsci já dizia que o senso comum é fragmentário e acrítico; o seu, Tonho, é o senso comum do homem que acredita que o mercado é natureza e o Estado, tirania. Mas o mercado de combustíveis mexicano não é natureza — é uma construção jurídica que beneficia poucos. Reduzir comissão não é distorcer, é corrigir uma distorção prévia.
Marcos Andrade Niterói
30/04/2026
Rick, você reclama de regulação, mas na Niterói do Rodrigo Neves a gente viu que planejamento urbano e intervenção estatal bem feita salvam a cidade — túnel Charitas-Cafubá, BRT, ciclovias. O México tá no caminho certo: meter o dedo no oligopólio dos combustíveis pra defender o povo, não o lucro de banco. Seu discurso de “mercado resolve” é o mesmo que deixou o Rio de Janeiro afundar na omissão.
Rick Ancap
30/04/2026
Mais um monte de regulação e intervenção estatal que só vai distorcer o mercado e no fim quem paga a conta é o contribuinte.
Clarice Historiadora
30/04/2026
Rick, recomendo a leitura de “A Grande Transformação”, de Karl Polanyi (1944), pra entender que mercados autorregulados são uma utopia liberal que nunca existiu — toda economia de mercado depende de enquadramentos estatais pra funcionar, e reduzir comissões de combustível é só um deles.
Tiago Mendes
30/04/2026
Rick, o mercado de combustíveis no México sempre foi oligopolizado — reduzir comissões é um ato de justiça que impede que poucas empresas lucrem às custas do povo, algo que a Bíblia já condenava como exploração do próximo.
Mariana Alves
30/04/2026
Rick, seu comentário reproduz um dos dogmas centrais do pensamento neoliberal: a ideia de que qualquer intervenção estatal na economia é, por definição, uma distorção. Mas essa premissa ignora que o próprio “mercado” que você defende é uma construção jurídico-política. Não existe “mercado” sem Estado que defina contratos, assegure propriedade e, sobretudo, que regule monopólios e oligopólios. O que a medida de Sheinbaum faz não é criar uma distorção exógena, mas sim corrigir uma assimetria estrutural. O mercado de combustíveis mexicano, como o Tiago lembrou, é oligopolizado. Nesse cenário, a “liberdade de mercado” significa, na prática, a liberdade de poucos grupos econômicos de impor preços e comissões que extraem renda da maioria da população. Reduzir essas comissões não é um ato arbitrário; é uma tentativa de reequilibrar uma relação de poder que o mercado, deixado à própria sorte, jamais corrigiria.
Sua afirmação de que “quem paga a conta é o contribuinte” também merece um exame mais cuidadoso. Em economias com concentração de mercado, os custos de regulações que apertam margens de lucro oligopolistas tendem a ser absorvidos pelas próprias empresas, que já operam com margens elevadas, e não repassados integralmente ao consumidor. Estudos de economia política, como os de Ha-Joon Chang, demonstram que a narrativa do repasse automático é uma arma retórica para deslegitimar políticas públicas que ameaçam a rentabilidade do capital concentrado. Se as empresas têm poder de mercado suficiente para repassar custos, elas também têm poder para reduzir sua margem de lucro sem quebrar. O que está em jogo não é a viabilidade econômica do setor, mas a distribuição do excedente entre lucro e bem-estar social.
Por fim, é preciso questionar a noção abstrata de “contribuinte” que você invoca. O contribuinte não é uma figura homogênea. O trabalhador que precisa do carro para ir ao emprego e o pequeno empresário de logística são contribuintes que se beneficiam diretamente da redução do custo do combustível. Já o acionista de uma grande distribuidora de combustíveis, que também é contribuinte, pode ter seus dividendos ligeiramente reduzidos. A pergunta que a teoria social nos obriga a fazer é: de qual contribuinte estamos falando? A medida de Sheinbaum, ao priorizar o poder de compra das maiorias populares sobre a margem de lucro de uma minoria, não é uma distorção técnica; é uma escolha política explícita de classe. E é exatamente por isso que ela incomoda tanto o pensamento liberal ortodoxo.
Alice T.
30/04/2026
Ah, Rick, o clássico “mercado resolve tudo” — pena que o mercado mexicano de combustíveis é controlado por meia dúzia de oligopólios que praticam preços abusivos há décadas. Reduzir comissão não é distorcer nada, é corrigir um roubo institucionalizado. Se você acha que o contribuinte paga a conta, tenta explicar pra população que morre de fome enquanto a Pemex e as distribuidoras lucram bilhões.